O Extra é um Gênio!?

Capítulo 425

O Extra é um Gênio!?

No amanhecer seguinte, a propriedade dos Thorne jazia silenciosa sob a luz pálida do amanhecer. Ainda emergia uma tênue fumaça das pedras rachadas e o aroma de cinzas flutuava no ar frio. Os soldados avançavam lentamente, exaustos, mas determinados a restabelecer a ordem na antiga mansão.

Dois carruagens pararam diante do portão principal — pretas e prateadas, com suas portas marcadas pelo brasão imperial de Valor. Da primeira saiu Serafina de Valor, com seus cabelos cor-de-rosa pálido soltos ao vento, presos com uma única fita escura. Sua expressão transmitia uma calma precisa enquanto seus olhos percorriam o pátio com sobriedade — uma tonalidade marcante entre o azul e o prata, como se refletissem cada cicatriz da batalha. Mesmo cercada pela destruição, sua presença transmitia uma sobriedade silenciosa.

Logo atrás veio o rei Alveron IV, sua altura inconfundível. Seus cabelos dourados, cuidadosamente presos na nuca, refletiam a luz tênue do sol, enquanto seus olhos rubis brilhavam suavemente sob uma expressão serena. Embora permanecesse calado inicialmente, sua sola presença silenciou o pátio.

Albrecht aguardava sua chegada, sua postura formal apesar do cansaço que lhe marcava o rosto. Ele fez uma reverência profunda, uma mão sobre o peito.

"Vossa Majestade. Princesa Serafina. É uma honra tê-los aqui."

O olhar de Alveron passou pelos muros destruídos, pelos soldados e pelos feridos. Seu tom era neutro — nem frio, nem acolhedor. "Ouvi os relatórios. O ataque foi inesperado."

"Sim," respondeu Albrecht. "Foi."

O rei virou-se ligeiramente, seu olhar rubi fixando-o novamente. "Seus soldados dizem que a defesa foi liderada por sua filha — Sylvette Thorne. É verdade?"

Um leve sorriso se formou nos lábios de Albrecht. "Sim, Vossa Majestade. Ela se saiu bem — muito além do que eu esperava. Mas não esteve sozinha. Meus filhos Noel, Damon e Kael permaneceram firmes. Lutaram juntos, e sem eles, a propriedade teria caído."

O olhar de Serafina suavizou por um instante, embora seu tom permanecesse formal. "Então, a Casa Thorne deve sua sobrevivência a mais de uma ação. Valor ficará contente em ouvir sobre tamanha união."

Albrecht inclinou a cabeça. "Eles fizeram o que era necessário. Nada mais."

A expressão de Alveron permaneceu inalterada. Ele estudou o homem por mais um momento, depois olhou para o horizonte, onde a primeira luz da manhã tocava as torres destruídas. "Então, vamos discutir o que aconteceu aqui — na íntegra."

Ele começou a caminhar em direção ao hall, e Serafina o acompanhou ao seu lado, sua presença composta, mas observadora. Atrás deles, os soldados Thorne fizeram uma reverência mais uma vez, seus movimentos firmes apesar do cansaço que ainda pesava em cada respiração.

Quando as formalidades terminaram, Serafina se despediu educadamente da conversa com seu pai e Albrecht. Seus passos ecoaram pelo Vastelo de mármore rachado até emergir novamente no pátio aberto — onde Noel e os demais aguardavam.

O vento sussurrava ao seu redor enquanto ela sorria, o sangue frio de antes se transformando em calor. "Faz tempo que não vejo vocês," disse suavemente, sua voz carregando uma cadência mais gentil agora que a formalidade real havia se dissipado. "Gostaria que nosso reencontro fosse sob melhores circunstâncias."

Elyra foi a primeira a se aproximar. "Você veio pessoalmente, Serafina?"

"Claro," respondeu com um leve encolher de ombros. "Quando ouvi o que aconteceu, saí antes que meu pai pudesse me impedir. Aliás, ele ainda não gostou nada disso."

Isso provocou um sorriso discreto de Noel. "Você tem mesmo a mania de fazer o que quer."

Serafina cruzou os braços, com um olhar brincalhão. "E você sempre foi atraído pelo caos. Algumas coisas não mudam."

O grupo riu baixinho — uma breve e frágil sensação de conforto em meio à destruição. Mas o olhar de Serafina suavizou novamente enquanto observava cada um deles — os olhos calmos de Selene, a postura aguda de Elena, a estabilidade de Elyra e o sorriso sutil, mas gentil, de Charlotte. "Fico feliz que todos estejam vivos," ela disse. "Quando soube do ataque, temi o pior."

Antes que Noel pudesse responder, uma voz pairou em sua mente.

'Ela se preocupa demais, não é?'

Serafina congelou, piscando uma vez. Sua cabeça virou ligeiramente em direção a Noir, que se sentava ao lado de Noel, com a cauda preguiçosamente balançando. "...Você acabou de—?"

Noel sorriu de leve. "Sim. Ela fala. Ou, bem—pensa."

Noir bocejou, sem parecer impressionado. 'Prefiro comunicar-me com pessoas que não entram em pânico.'

Para surpresa de todos, Serafina riu. "Vejo que seus modos ainda não melhoraram, Noir."

'Nem os seus, princesa,' respondeu Noir com tom seco.

Os demais trocaram olhares surpresos, mas o momento de tão natural sentimento— familiar, até—. Por um instante, o peso de tudo que aconteceu parecia menor.

Serafina finalmente respirou fundo e sorriu novamente, de forma mais suave desta vez. "É bom ver todos juntos. Vocês parecem cansados — mas mais fortes." Seus olhos permaneceram em Noel por um momento mais prolongado. "Você especialmente."

Noel inclinou a cabeça. "Vou tomar isso como um elogio."

"Foi mesmo," ela disse, com uma expressão levemente travessa. "Mas acho que vou ter que garantir que você não quebre mais corações antes de falarmos de assuntos sérios."

Elyra suspirou, com um sorriso divertido. "Vamos lá…"

A expressão brincalhona de Serafina permaneceu por um instante, antes de se suavizar em algo mais ponderado. Ela juntou as mãos atrás das costas, olhando para o pátio desgastado — as colunas desabadas, a pedra manchada de sangue, as fileiras silenciosas de soldados exaustos. "Brincadeiras à parte," murmurou, "este lugar… está pior do que eu esperava."

Noel seguiu o olhar dela. "Você deveria ter visto há algumas horas."

"Ouvi," respondeu Serafina suavemente. "Dois Pilares. Ambos mortos." Ela virou-se para ele. "Você lutou novamente, não foi?"

Ele hesitou antes de assentir uma vez. "Todos nós lutamos."

Ela exalou lentamente, seu tom mais discreto agora. "Não sei como vocês conseguem fazer isso. Toda vez que ouço seu nome, é porque passaram por algo que ninguém mais sobreviveria."

"Mais ou menos assim que minha vida funciona agora," disse de modo seco.

Seu sorriso se tornou um pouco mais brincalhão, mas seus olhos permaneciam preocupados. "Sabe, se continuar assim, a Academia pode começar a batizar prédios com seu nome."

Elyra sorriu de leve. "Ou um cemitério."

Selene suspirou. "Elyra…"

"O quê? Só estou sendo realista," respondeu Elyra com um encolher de ombros.

Serafina balançou a cabeça levemente, soltando um som divertido. "Ainda o mesmo grupo." Depois, seu tom mudou — calmo, autoritário. "Brincadeiras à parte, preciso saber exatamente o que aconteceu. Meu pai vai esperar um relatório antes de tomar qualquer decisão."

Noel concordou. "Podemos conversar lá dentro. É uma história longa."

Ao se dirigirem para o salão interno, Serafina diminuiu seu ritmo ao lado dele, abaixando a voz para que apenas ele pudesse ouvir. "Antes de tudo… uma pergunta."

Ele olhou para ela. "O que é?"

Ela sorriu de leve, porém os olhos permaneciam afiados. "Se alguma vez machucar minha melhor amiga, vou pessoalmente fazer você se arrepender."

Noel piscou. "Quer dizer, Elyra?"

"Claro," respondeu Serafina, com tom direto. "Ela pode ser teimosa, mas confio no julgamento dela. Se ela confia em você — então eu também confio. Mas, se você traí-la…" Seu sorriso se alargou um pouco, embora a voz permanecesse calma. "Bem, você vai descobrir por que me chamam de Rosa de Ferro de Valor."

A cauda de Noir balançou suavemente perto dele, como quem pensa algo divertido. 'Você atrai mulheres perigosas, pai.'

'Pois é,' pensou ele, reprimindo um suspiro. 'Percebi mesmo.'

Eles entraram lado a lado pelo corredor, o eco dos passos calmos de Serafina misturando-se ao murmúrio distante dos soldados.

No interior do grande salão, o ar era mais frio — um toque pálido do aroma metálico do pó e da pedra antiga. A vasta sala voltava à vida — curandeiros atendendo os feridos, soldados reparando as rachaduras com leves brilhos de magia de terra, ajudantes registrando os detalhes do ataque.

Noel, Serafina e os demais entraram silenciosamente, suas pegadas ecoando suavemente pelo mármore.

Os olhos de Selene varreram a sala, sempre analíticos. "Recuperação eficiente," murmurou. "Mesmo após um cerco, eles estão reconstruindo mais rápido que muitas cidades."

"Isso é Casa Thorne," respondeu Serafina. "Eles já passaram por muitas guerras para ficarem despreparados."

Elena cruzou os braços, com um tom neutro, mas respeitoso. "Ainda assim, impressiona. Esperava mais caos."

"Você ficaria surpresa com a disciplina sob o olhar do meu pai."

Charlotte, que estivera quieta desde de manhã, finalmente falou. Sua voz ficou mais suave do que o habitual, hesitante. "A Igreja… sabe do que aconteceu aqui?"

Serafina virou-se para ela com delicadeza. "Ainda não. Meu pai quer controlar as informações antes que o pânico se instale. Se souberem que inimigos atacaram novamente, o caos se espalhará."

Charlotte assentiu lentamente, com os olhos baixos. "Talvez seja melhor assim…"

Selene olhou para Noel de relance. "Você está estranho, normalmente."

Ele deu um leve encolher de ombros. "Estou pensando."

"Em quê?" perguntou Elena, inclinando ligeiramente a cabeça.

"Sobre quanto tempo temos até a próxima tragédia," afirmou com tom seco.

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Isso lhe rendeu um olhar cansado de Elyra. "Tente ser otimista, uma vez."

"Vou tentar," murmurou Noel.

Serafina observou a troca com leve diversão antes de soar a garganta, retomando o tom profissional. "Se vocês já discutiram demais, logo vou precisar reportar tudo ao meu pai. Quero ouvir a versão de vocês primeiro."

Noel concordou, aproximando-se do grande mapa espalhado na mesa de guerra. Seu dedo com luva rastreou o contorno do território ao redor — desde a propriedade dos Thorne até as cristas queimadas onde a batalha aconteceu. "Dois Pilares," começou de forma firme. "Ambos confirmados mortos. O terceiro interveniente não foi identificado. Levaram algo das ruínas — uma relíquia que os Thorne estavam protegendo."

Os olhos de Serafina estreitaram um pouco. "Uma relíquia?"

Noel hesitou — apenas um instante, mas suficiente para ela perceber. Seus olhos desceram para o mapa antes dele responder, cuidadoso. "Sim. Algo antigo… e importante. Não sei se posso falar sobre isso."

Sua expressão mudou um pouco, a curiosidade acendendo por trás da calma composta. "Não pode?"

"Acho que meu pai pretende contar ao seu pai diretamente," disse Noel baixinho. "Então é melhor que você ouça deles. Há… detalhes que não posso compartilhar."

Serafina o estudou por um longo momento, de forma indecifrável. "Entendido," finalizou, embora seu tom sugerisse que guardaria aquilo para depois.

Elyra o olhou com um semblante preocupado, mas não interrompeu. Os demais também não — Charlotte, parecendo ter suas próprias perguntas, permaneceu calada.

A cauda de Noir balançou uma vez ao lado dele. 'Você se saiu bem nisso,' sua voz sussurrou na mente dele.

'Vamos torcer para,' pensou Noel, apertando a mandíbula um pouco.

Serafina exalou suavemente, endireitando a postura. "Então aguardo meu pai terminar de conversar com Lorde Thorne. Assim que o relatório estiver pronto, vou me juntar a ele."

"Ótimo," respondeu Noel, afastando-se da mesa. "Até lá, ficaremos aqui."

A expressão de Serafina se suavizou novamente, a dureza na voz se dissipando. "Mais uma coisa antes de partir—Nicolas pediu por você," ela disse. "Ele finalmente estabilizou. Está se recuperando lentamente, mas… melhor. Quer vê-lo quando tiver tempo."

Noel piscou, surpreso. "Nicolas…?"

Ela confirmou com a cabeça. "Sim. E, como o próximo semestre começa em breve, essa pode ser sua única chance. Voltaremos ao Castelo Imperial em dois dias. Se quiser visitá-lo, pode vir conosco."

Elyra imediatamente cruzou os braços. "Passo dessa. Amanhã vou direto para a academia ajudar nos preparativos da reabertura."

Elena concordou logo depois. "Eu também. Pedi para ajudar na organização dos arquivos — aparentemente, metade dos registros ainda estão desorganizados do semestre passado."

Selene ajustou as luvas com um leve encolher de ombros. "E eu me junto a eles."

Os demais trocaram olhares rápidos — e sorrisos discretos e compreensivos.

Elena se inclinou levemente para frente. "Bem, alguém tem que verificar o Nicolas, né?"

Selene sorriu de leve, com charme. "E alguém tem que garantir que Noel não se meta em encrenca."

Noel suspirou, percebendo exatamente o que estavam fazendo. "Vocês são péssimas em fingir, sabia?"

Elyra piscou. "Tentamos."

Charlotte sorriu suavemente, sua expressão mais calorosa agora. "Então, está decidido."

Serafina assentiu, aprovando. "Ótimo. Então, está decidido."

Os demais começaram a discutir seus planos para o retorno à academia, suas vozes leves, mesmo diante do cansaço visível nos olhos.

Noel deu mais uma olhada em Charlotte, que permanecia silenciosa ao seu lado, seus cabelos cor-de-rosa captando a luz pálida das janelas.

Pela primeira vez desde a noite anterior, ela parecia um pouco mais em paz.

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