O Extra é um Gênio!?

Capítulo 427

O Extra é um Gênio!?

A carruagem real parou sob o grande arco do Castelo de Valon. Guardas estavam em formação perfeita, lanças cruzadas, enquanto as portas se abriam e Noel saiu primeiro. Charlotte veio logo atrás, seu manto passando suavemente pelos degraus de mármore branco.

Dentro, os corredores se estendiam adiante, ladeados por altas janelas de vitral que filtravam a luz da manhã em tons suaves.

Seraphina aguardava perto da base da escadaria magnífica, sempre composta, seu cabelo de tom rosa claro brilhando levemente na iluminação. Ela os cumprimentou com um sorriso tranquilo. "Sejam bem-vindos de volta a Valon."

Noel acenou com a cabeça, fazendo uma reverência educada. "Parece que faz uma eternidade desde a última vez."

Antes que Seraphina pudesse responder, outra voz veio do alto da escada.

"Então, parece que o reino sobreviveu a essa eternidade sem vocês."

Noel virou abruptamente. Dior estava no topo da escada, uma mão descansando na grade, a outra casualmente no bolso. A luz da manhã refletia em seus cabelos prateados e em seus olhos verdes afiados, dando-lhe uma aparência quase etérea — desfeito apenas pelo leve sorriso satírico nos lábios.

Ele desceu lentamente, cada passo deliberado. Ao chegar ao chão, seus olhos fixaram-se em Noel. "Como você tem estado?"

A pergunta pegou Noel de surpresa. Ele piscou, incerto se tinha ouvido corretamente. "...Espere, você está me perguntando isso?"

Uma faísca de irritação passou pelo rosto de Dior. "Isso é mesmo tão estranho?"

Charlotte conteve um sorriso, e até Seraphina arqueou uma sobrancelha, divertida.

O canto da boca de Noel se curvou em um leve sorriso. "Um pouco. Não exatamente o que eu esperava de você."

Os olhos de Dior estreitaram-se, seu tom esfriando novamente. "Posso retirar a pergunta, se isso te for mais confortável."

Noel riu baixinho. "Sem necessidade. É só… surpreendente."

Seraphina suspirou, com uma leve exasperação carinhosamente familiar. "Toda vez que vocês dois se encontram, eu esqueço como a civilidade morre rápido."

Charlotte sorriu levemente. "Pelo menos estão conversando."

"Quase isso," murmurou Seraphina. Então, para Dior: "O pai está esperando na sala solar. Não demore."

Dior deu um breve aceno de cabeça, mas seus olhos permaneceram mais um momento sobre Noel — não com hostilidade desta vez. Depois, virou-se, caminhando pelo corredor à frente deles, o eco de seus passos desaparecendo na distância do mármore.

Seraphina indicou para Noel e Charlotte seguirem. "Vamos. Eu os levarei até lá."

Enquanto caminhavam, Noel inclinou-se um pouco em direção a Charlotte e sussurrou: "Foi só impressão minha, ou ele… foi educado?"

Charlotte sorriu de lado. "Pelando pelos padrões do Dior? Isso é praticamente afeto."

Noel exalou pelo nariz, uma risadinha escapando. "Ótimo. Vou aceitar assim."

A câmara solar do Castelo de Valon brilhava com a luz do meio-dia, filtrada pelas altas janelas de cristal. O som dos canais de mana preenchia o silêncio como uma respiração distante.

Rei Alveron IV estava perto da mesa no centro da sala, ainda vestindo seu traje de viagem — uniforme escuro, capa sem fecho, e algumas marcas de cinza do percurso, que ainda não haviam sido limpas. Seus olhos carmes:m agudos, mas calmos, encontravam os de Noel.

"Confio que sua viagem de volta não foi muito difícil," começou Alveron, sua voz profunda firme. "Você merece descanso após o que aconteceu no território de Thorne."

Noel fez uma reverência. "Nos esforçamos. Os danos poderiam ter sido muito maiores se os soldados não tivessem resistido."

Alveron assentiu brevemente. "Sua família fez o que poucos poderiam fazer. Quanto ao roubo do relicário…" Ele fez uma pausa, o olhar se estreitando. "Isso muda as coisas."

Charlotte olhou para Noel, mas permaneceu calada.

Expressão do rei não se suavizou. "Aquele cristal — o tesouro de sua casa — vocês ainda não sabem qual era a sua verdadeira função, não é?"

Noel balançou a cabeça lentamente. "Não. Meu pai acredita que é antigo, mas nem ele chegou a descobrir o que realmente fazia. Tudo o que sabíamos é que era perigoso tocar."

Alveron expirou pelo nariz, os dedos passando a borda da mesa onde runas fracas brilhavam. "Um artefato perigoso, roubado por alguém que passou pelas suas defesas como se fossem papel. Quem quer que fosse… não foi um ladrão comum."

Noel manteve o tom cauteloso. "Não. Ele não foi."

O rei o estudou por um momento — um silêncio mais de reflexão do que de suspeita. "Nicolas von Aldros me disse algo," finalizou. "Ele acredita que você, Noel Thorne, tem uma espécie de campo de energia problemático ao seu redor. Onde quer que vá, algo acontece — e, de alguma forma, você sempre sai vivo."

Noel sorriu cansado, sem humor. "Já ouvi isso antes. Não procuro encrenca, Sua Majestade… ela simplesmente insiste em me encontrar."

Isso provocou uma leve sombra de sorriso no rosto de Alveron. "Então, talvez os deuses tenham um carinho estranho por você."

Charlotte notou a troca de olhares entre eles, sentindo o peso das palavras do rei.

Depois de um breve silêncio, o tom de Alveron se suavizou. "Nicolas está se recuperando bem. Ele pediu para vê-lo quando chegou. Está hospedado na ala oeste — sob a supervisão da Diretora Redna."

Noel piscou. "Ele acordou?"

"Sim," confirmou Alveron, afastando-se. "Vous o encontrará perto da janela, como sempre. Vá até ele — ele insistiu que você o visse pessoalmente."

Noel assentiu, o peito se comprimindo um pouco. "Obrigado, Sua Majestade."

Alveron indicou a direção da porta. "Vá. Ele está esperando."

Os corredores do Castelo de Valon eram infinitos, ladeados por mármore pálido e detalhes dourados que refletiam a luz como um espelho. Seraphina liderava com graça natural, enquanto Noel e Charlotte a seguiam alguns passos atrás.

Noel lançou um olhar de relance para ela, um leve sorriso nos lábios. "A própria Princesa Imperial nos acompanhando? Acho que devia fazer uma reverência ou algo assim."

Seraphina sequer desacelerou. "Poderia. Mas não vou esperar você se levantar depois."

Charlotte riu suavemente ao lado dele, com um som leve, sincero.

Noel colocou a mão no peito, fingindo ofensa. "Que frio. Achava que éramos amigos."

Seraphina sorriu levemente. "Amigos não me fazem viajar metade do continente para limpar suas bagunças."

Charlotte deu uma risada verdadeira, breve e calorosa.

Noel suspirou, embora com humor na voz. "Justo. É isso que eu precisava — mais trabalho vindo da mulher mais terrível do Império."

Seraphina soltou uma risada suave. "A bajulação não vai te salvar."

Por um momento, o corredor pareceu mais leve — os ecos do riso misturados ao suave zumbido das lâmpadas de mana. Noel olhou para Charlotte, percebendo a leve cor que retornara ao rosto dela. 'Bom,' pensou ele. 'Ela voltou a sorrir.'

De uma sombra na base do chão, uma onda de escuridão se moveu silenciosamente. Noir apareceu sem fazer barulho, caminhando ao lado deles com olhos violeta brilhantes.

'Você parece estar de melhor humor,' murmurou a sua mente.

'Não tenho jeito,' respondeu Noel. 'Foram uns dias bem longos.'

'Ansioso para ver Nicolas?'

'Sim,' admitiu. 'Já fazem semanas desde Tharvaldur. O rei disse que cuidaria dele… Só quero saber como ele está.'

Viraram uma esquina, e Seraphina diminuiu o passo diante de uma porta alta com runas douradas gravadas. "Ele está aqui. Os curandeiros dizem que ele está estável."

Ela hesitou por um momento, depois sorriu levemente. "Vou deixá-los aqui. Tente não cansar demais. Ele está esperando para te ver."

Charlotte colocou a mão no peito. "Se ele estiver bem, talvez eu possa dar uma bênção. Só para garantir."

Noel balançou levemente a cabeça, com a voz gentil. "Vamos ver. Não exagere. Se ele ainda estiver aqui, provavelmente já está sendo tratado como um nobre."

Charlotte sorriu sutilmente. "Você acha mesmo?"

"Tenho certeza," respondeu Noel, segurando a maçaneta. "Ele é teimoso demais para morrer."

O rabo de Noir balançou uma vez. 'Como alguém que eu conheço.'

Noel soltou uma respiração suave e abriu a porta — a luz se espalhando por janelas altas à frente, onde a sombra de um homem esperava ao lado do vidro.

O rangido suave da porta deu lugar ao ar quieto — calmo, quente, levemente perfumado com cheiro de papel antigo e ervas. Uma ampla janela atravessava a parede ao fundo, deixando o sol iluminar uma figura sentada perto.

Nicolas von Aldros estava com as mãos descansando relaxadamente no descanso, seu olhar fixo além do vidro — em direção à silhueta distante da academia. Sua expressão era tranquila, mas havia uma profundidade nela, algo entre nostalgia e arrependimento.

Perto dele, uma mulher alta, com longos cabelos violetas que brilhavam suavemente sob a luz. Redna virou a cabeça ao entrarem de Noel e Charlotte, seu sorriso calmo se curvando levemente.

"Noel," ela cumprimentou suavemente. "Charlotte. Quanto tempo."

Noel fez uma reverência. "Diretora Redna."

Charlotte curvou-se ligeiramente. "É bom vê-la novamente."

Os olhos de Redna suavizaram ao gesto, depois se voltaram para Nicolas. "Ele tem ficado olhando aquela janela desde manhã. Acho que ele sentiu falta da vista."

Nicolas riu baixinho, a voz seca, mas calorosa. "Você me faz parecer um velho, Redna."

Ela arqueou uma sobrancelha elegante. "Você é um velho."

Isso lhe rendeu um pequeno sorriso — suave, porém sincero.

Noel aproximou-se, sua voz baixa. "Você parece melhor do que eu esperava."

Nicolas finalmente virou-se da janela, seu cabelo prateado refletindo a luz. Seus traços estavam mais finos, mais velhos, mas os olhos — afiados e inteligentes — ainda brilhavam com a mesma faísca. "Mais do que um núcleo quebrado para me matar, Thorne."

Noel sorriu de lado. "Sim, tenho dito isso para todo mundo."

Por um momento, a atmosfera entre eles se acalmou.

Redna cruzou os braços, observando-os. "Vocês sempre tiveram a mesma teimosia." Depois, olhou para Charlotte, sua expressão suavizando novamente. "Você está ainda mais radiante do que antes, Santa."

Charlotte sorriu sutilmente, embora seu tom fosse humilde. "Obrigada. Estou apenas… tentando ajudar no que puder."

"Tenho certeza disso." Redna demorou um instante a mais, depois soltou uma respiração suave. "Preciso ir. Já faz tempo demais desde que entrei nas gêmeas de Luceria — tenho certeza que os estudantes já fizeram uma bagunça sem mim."

Nicolas virou a cabeça levemente, sua voz mais suave agora. "Você sempre detestou ficar longe do trabalho."

Redna sorriu, mas havia algo agridoce nela. "E você sempre trabalhou demais para notar."

O silêncio que se seguiu foi suave — não constrangedor, apenas pesado pela quieta carga da história compartilhada.

Ela se aproximou dele, apoiando a mão levemente em seu ombro. "Cuide-se, Nicolas. Tente não pensar demais, por uma vez."

Ele olhou para ela com um sorriso cansado, mas gentil. "Sem promessas."

Ela deixou a mão por mais um instante, então se afastou, voltando-se para a porta. "Então, até logo. Não os deixe preocupados demais."

Nicolas não respondeu — apenas levantou a mão num gesto de despedida discreto.

Redna acenou uma vez, depois passou por Noel e Charlotte, o som de seus passos desaparecendo pelo corredor até que só restasse o murmúrio do mana e o vento distante.

Noel olhou de volta para Nicolas. "Você realmente sentiu falta, hein?"

O homem mais velho não se virou — seu olhar permanecia na linha do horizonte, onde as torres da academia brilhavam ao longe sob o sol.

"Construí aquele lugar para durar," disse Nicolas calmamente. "Mas algumas coisas você não ensina em sala de aula."

Charlotte ficou ao lado de Noel, seguindo seu olhar até aquele mesmo horizonte.

Noel cruzou os braços relaxadamente. "Ainda assim, está de pé — e você também. Acho que nos ensinou algo de verdade."

Nicolas sorriu levemente a isso, embora seus olhos nunca deixassem a vista.

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