
Capítulo 414
O Extra é um Gênio!?
Por alguns segundos impossíveis, o mundo parou de respirar.
As ruínas brilhavam com um tom tênue, semelhante a um metal derretido — a última luz das chamas que Albrecht deixara para trás. Cada brasa flutuava para cima, leve como fagulhas atraídas por algo divino.
Os Pilares Terceiro e Quarto se erguiam diante dele, sua mana sincronizada ainda torcendo o ar em ondas violetas e carmesim. Ainda assim, mesmo eles hesitaram, a pressão combinada vacilando sob o peso de sua presença.
Selene sentiu os joelhos fraquejarem só de ficar perto dele. A sombra de Noir tremia contra o calor, o preto de sua pelagem agora refletindo dourado.
Noel exalou lentamente, os olhos fixos nas costas do pai. "Já o vi lutar antes... mas nunca assim."
Albrecht não falou. Seus olhos eram afiados, firmes — o olhar de um homem que carregou batalhas demais e nunca se curvou.
Então, ele cravou a espada no chão com um clangue surdo. O som reverberou pelas ruínas, e cada fragmento de luz se inclinou em direção a ele.
O Pilar Quarto quebrou o silêncio primeiro, com tom afiado, porém divertido. "Você de novo. Então sobreviveu aos monstros."
Albrecht não aparentou estar impressionado. Rozou cinza do ombro, um sorriso sutil se formando na boca. "Depois de trinta anos, já estou achando rotina."
A Pilar Terceira inclinou a cabeça, olhos estreitando-se. "Ainda de pé, mesmo depois de cortar todos eles…"
"Ainda falando enquanto deveria estar fugindo," respondeu Albrecht com tom tranquilo. Sua voz atravessava o calor, profunda e firme.
Os irmãos trocaram um olhar — uma breve centelha de tensão antes de ambos levantarem as mãos, mana violeta e carmesim inflamando ao redor deles mais uma vez.
"Então vamos acabar com a rotina," disse o Quarto, sua lâmina ganhando vida com um reluzir.
O mundo incendiou-se.
Chama dourada encontrou vermelho e violeta num instante — sem sinal, sem aviso. O impacto foi ensurdecedor, como trovão preso dentro de pedra.
O primeiro passo de Albrecht rachou o chão sob seus pés; seu golpe quebrou o ar. O fogo que o seguiu não foi selvagem — foi preciso, comprimido, uma lâmina de luz solar rasgando direto pelo campo de batalha.
O Quarto Pilar avançou para enfrentá-lo, seu espada varrendo em um arco de contra-ataque. A colisão gerou uma onda de choque que dobrou as paredes para fora. Veias de lava ondularam pelo solo, brilhando em vermelho sob pedras quebradas.
A Pilar Terceira desapareceu em um borrão violeta, sua mana torcendo a gravidade em si mesma. A luz ao seu redor se distorceu — calor e sombra se entrelaçaram — e, no instante seguinte, reapareceu acima de Albrecht, sua mão cortando o ar em um golpe de força condensada para baixo.
Albrecht virou-se, uma aura dourada explodindo de seu ombro numa esfera perfeita. A lâmina gravitacional golpeou-a, dispersando-se harmlessamente em fragmentos de luz vermelha.
Ele respondeu com um golpe de costas, que fez ela se espatifar contra a parede mais distante.
O Pilar Quarto avançou imediatamente, fechando o espaço deixado pela irmã — seu ritmo inabalável. Faíscas e luzes giraram entre eles enquanto trocavam golpes, cada impacto abalando as ruínas até suas fundações.
Selene e Noir protegeram Noel com gelo e sombra contra as ondas de pressão que se rolavam. Ele mal conseguia distinguir formas — flashes de ouro, rajadas de vermelho e violeta, e o contorno do pai se movendo como algo além do humano.
Albrecht deu um passo à frente, cada movimento deliberado, cada golpe carregando o peso de décadas. Sua lâmina traçou arcos largos de luz, engolindo tudo diante dele.
Os irmãos movimentavam-se como uma tempestade espelhada — uma envolvendo fogo, a outra dobrando o espaço — suas energias gêmeas logo se fundindo, girando, apenas para se despedaçar e se reencontrar.
A cada impacto surgiam crateras novas. Cada confronto apagava tochas, sugava o ar do cômodo e o preenchia novamente com cinzas e luz ardente.
Quando a poeira começou a assentar, a única coisa ainda inalterada era o cristal no centro das ruínas — ainda brilhando fracamente, resistente no meio da destruição.
Os combatentes pausaram por um instante, suas silhuetas iluminadas pelo reflexo derretido.
Então, o chão voltou a se partir, e a tempestade recomeçou.
O campo de batalha era caos.
Llamas e luz vermelha se misturavam como uma tempestade, rasgando as ruínas. A cada poucos segundos, as paredes rachavam novamente sob a pressão — pedaços de rocha derretida caindo em ritmo que quase parecia um batimento cardíaco.
Noel se agachou atrás de uma coluna parcialmente destruída, a Gume do Espólio apoiada no ombro. Seu peito arfava a cada respiração, o suor e a cinza mesclando-se pelo rosto. Mesmo de longe, o calor da aura de Albrecht queimava pelo ar como uma forja aberta.
Selene ficou ao seu lado, com uma varinha na mão, seu gelo mal mantendo a forma contra o inferno à frente. "Se entrarmos agora, seremos vaporizados," ela disse, a voz tensa, mas firme.
Noir rosnou suavemente, sua forma oscilando entre lobo e sombra. "Eles nem estão focados em nós… mas um passo errado e acabou."
Noel estreitou os olhos, monitorando o padrão da batalha — luz dourada piscando, depois sumindo em rajadas violetas e vermelhas. "Ele segura os dois ao mesmo tempo," murmurou. "Mas nem ele consegue sustentar isso pra sempre."
A visão de Selene se voltou para ele. "Então, qual é o plano?"
Ele não respondeu imediatamente. Em vez disso, observou o momento em que Albrecht desviou ambos os irmãos num único movimento — a explosão que veio depois, a fumaça que encobriu tudo por um instante.
"Isso," finalmente, Noel falou com tom baixo. "É quando devemos agir."
A cauda de Noir se moveu uma vez. "Você quer dizer por ali?"
"Exatamente por ali." A boca de Noel se curvou num sorriso sutil, um brilho de calor nos olhos. "Esperamos o impacto, o instante em que ninguém enxerga mais nada. É aí que atacamos."
Selene apertou a varinha com força. "Então, vamos cronometrar certinho. Eu bloquearei um deles quando a fumaça se dissipar."
A sombra de Noir ondulou sob eles, espalhando-se mais larga, mais escura, até tocar as bordas do cratera. "E eu vou tirar o outro do posicionamento."
Outra explosão sacudiu o chão. A onda de choque lançou pedregulhos pelo chão, e a aura dourada de Albrecht se acendeu novamente — mais brilhante, mais intensa, quase cegante.
Os olhos de Noel ficaram mais afiados. "Lá vem."
Ele apertou a Gume do Espólio com mais força. "Prepare-se. Quando ele empurrar eles de volta—"
A próxima explosão o interrompeu, uma parede de calor varrendo toda sala.
Selene levantou uma Véu de Gelo para bloquear a onda, seus cabelos chicoteados pela força.
Noel fechou os olhos brevemente pelo nevoeiro, observando as formas das três figuras reaparecendo no meio do fogo.
"—esse é o nosso sinal."
O rugido da batalha aumentou até parecer mais do que luta — era o próprio trovão, bruto e infinito.
Cada golpe entre Albrecht e os Dois Pilares quebrava o equilíbrio da sala, suas forças distorcendo o ar e curvando a luz até que até as cores começassem a desaparecer.
O Pilar Quarto foi o primeiro a atacar, sua lâmina revestida de sangue derretido.
Albrecht o enfrentou no meio do caminho — suas espadas colidiram, dourado contra vermelho, a onda de choque formando uma cratera sob eles. As paredes atrás deles derreteram e se solidificaram no mesmo instante.
A Pilar Terceira já se movia, deslizando por trás do irmão, a gravidade se curvando ao redor de sua mão. Ela levantou-a alto e fez um golpe para baixo — a força de sua magia colapsando tudo no alcance dela.
Albrecht se virou a tempo de fincar o pé no chão. Chamas douradas explodiram numa espiral, partindo a distorção antes que pudesse esmagá-lo.
Eles se moveram rápido demais para serem seguidos a olho nu.
Cada passo deixava pegadas fundidas em magma na terra, cada colisão apagava o som por um breve instante.
Chama e pressão se entrelaçavam como fios gêmeos — arcos vermelhos cortando o ar, espirais violetas puxando-os para dentro, trilhas douradas contrapondo-se a cada um.
As três figuras desapareciam e reapareciam em flashes — uma na parede mais distante, outra no ar, depois de volta — cada impacto deixando uma onda de faíscas que se transformava em cinza antes de tocar o chão.
Um passo errado teria matado qualquer outro.
Mas Albrecht não era qualquer um.
Ele se abaixou sob um golpe combinado, girou e espatifou a empunhadura da espada no ventre do Quarto Pilar. O homem tropeçou, cuspindo sangue, mas sua irmã o fez parar instantaneamente, a gravidade curvando o espaço para puxá-lo de volta à posição vertical.
Aura dela inflou-se; a espada dele reacendeu.
Eles avançaram juntos nele.
Dois arcos de luz cruzaram a câmara — linhas gêmeas de escarlate e violeta convergindo na figura dourada ao centro.
Por um instante, pareceu que até o Patriarca entraria na zona de colapso.
Mas então, Albrecht ergueu sua mão esquerda — apenas dois dedos, fracamente brilhando — e as chamas ao seu redor se colapsaram para dentro.
Tudo silenciou.
O ar congelou.
O mundo ficou branco.
E então, explodiu.
A explosão foi silenciosa — aquela que ensurdece só com a pressão. Uma pulsa de luz dourada pura saiu do corpo dele, espalhando os irmãos pelo campo de batalha. As ruínas tremeram, o chão rachou, e o cristal no centro pisca violentamente sob a onda de energia.
Por um instante, só havia fumaça e poeira.
Noel, Selene e Noir assistiram à beira do campo, olhos fixos na vórtice de luz que preenchia o ambiente.
O aperto de Noel na Gume do Espólio apertou-se mais ainda.
"Agora," pensou, o pulso acelerado.
Noel se lançou antes que a poeira baixasse.
O chão se abriu sob seus pés enquanto ele avançava, seu corpo cambaleando entre sombra e fogo — cada passo um borrão de movimento e instinto.
"Passo das Sombras."
Ele desapareceu na escuridão deixada pela explosão, reaparecendo a meio do aposento. O calor ainda pairava no ar como um ser vivo, e sua visão oscilava com rastro de ouro. Mas ele não desacelerou.
Logo atrás, a voz de Selene ecoou pelo nevoeiro. "Agora, Noir!"
Noir irrompeu do chão — um espectro negro rasgando a névoa, seu rugido cortando o campo de batalha. Sua sombra se espalhava amplamente, torcendo-se em garras que agarraram os pés da Terceira Pilar enquanto ela tentava se recuperar do impacto de Albrecht.
Ao mesmo tempo, Selene levantou sua varinha, a voz afiada e firme.
"Explosão do Ponto Zero!"
Uma pulsação gravitacional explodiu para fora, puxando tudo em direção ao centro — detritos, fogo, mana — colapsando tudo num flash ofuscante.
Noel surgiu através daquela luz.
O Quarto Pilar virou-se tarde demais. A espada dele foi levantada por reflexo, mas a Gume do Espólio já brotava, brilhando em vermelho-preto, com a sua lâmina viva com energia pura do vazio.
"Rasgamento Eclipse!"
A sombra engoliu a luz. O golpe atravessou o ar e a armadura, deixando uma faixa de trevas que devorava tudo o que tocava. A força do impacto abriu o chão e lançou o Pilar para trás, contra a parede mais distante.
O impacto rendeu um som de trovão. Uma teia de rachaduras se espalhou pelo pedra, e um jorro de sangue vermelho espirrou na superfície derretida antes de evaporar no calor.
Por um momento, o mundo ficou novamente imóvel — o reverberar do ataque dele ainda vibrando nas ruínas.
Noel aterrissou forte, um joelho tocando o chão queimado, a Gume do Espólio cravada na pedra ao seu lado. O peito subia e descia rapidamente, a respiração difícil no gargalo.
Do outro lado, o Quarto Pilar levantou-se, o rosto com sangue escorrendo, olhos que brilhavam de raiva — e algo que talvez fosse surpresa.
Noel encarou a mirada dele, em silêncio. O brilho tênue de chama negra se enrolava ao redor de sua lâmina.
Ao fundo, Selene e Noir reagruparam-se ao seu lado. A aura dourada de Albrecht ainda queimava mais à frente, mantendo o Quarto Pilar à distância.
O ar permanecia pesado — tensão, calor, sangue e magia misturados numa neblina sufocante.
Um golpe crítico havia sido concretizado.