O Extra é um Gênio!?

Capítulo 415

O Extra é um Gênio!?

O ar ainda vibrava com o eco do último golpe de Noel.

O Quarto Pilar cambaleou para trás, o sangue traçando uma linha fina pelo queixo antes de desaparecer na febre que cintilava pelo entorno da câmara. Sua respiração era ofegante, irregular — cada expiração ardia com mana instável que tremeluzia em tom carmesim pela pele.

Noel se levantou da posição agachada, a Presa do Fantasma arrastando uma linha superficial pelo chão derretido ao se endireitar. Selene e Noir ficaram atrás dele, silenciosas, com os olhos fixos no inimigo que, de alguma forma, permanecia de pé.

Um relâmpago de luz dourada de Albrecht brilhou ao longe — o confronto constante com o Terceiro Pilar ainda rugia além da névoa. Cada impacto do duelo fazia as paredes tremerem, mas aqui, o foco se reduzia a uma única luta.

O Quarto Pilar fincou sua espada no chão, forçando seu corpo a ficar ereto. As rachaduras de magma sob seus pés pulsavam como veias de fogo, sua aura reagindo novamente em ondas instáveis.

O leve tremor de luz vermelha ao seu redor começou a se intensificar — dor substituída por fúria.

Noel não esperou. Avançou, chamas explodindo de seus calçados.

O aço encontrou o aço — faíscas voaram como estilhaços. O som era cru, implacável, ecoando pelos escombros enquanto ambos os combatentes lutavam pelo controle.

Os movimentos do Quarto eram violentos, desesperados. Ele brandia mais rápido, mais forte, sua lâmina rasgando o ar com força suficiente para abri-lo. Noel se abaixou sob um ataque, seus cabelos tocando o calor, e contra-atacou com um golpe apertado no ombro do inimigo.

O impacto provocou outra explosão de luz vermelha — o Pilar rosnou, sua aura se inflamando como uma onda de choque. A detonação fez Noel escorregar para trás, percorrendo o chão queimado, botas deixando trilhas de fumaça.

Selene levantou a varinha instintivamente, formando um anel de gelo para protegê-los da onda. O gelo rachou sob o calor, mas resistiu.

Noir abaixou-se ao lado dela, os olhos brilhando em violeta fraco. "Ele está se queimando por dentro," ela rosnou.

Noel limpou sangue dos lábios, os olhos se estreitando. "Bom. Assim fica mais fácil acabar com isso."

O Quarto Pilar levantou sua lâmina novamente, o brilho vermelho intensificando-se até quase cegá-los.

O Quarto Pilar rugiu — um som gutural, truncado, que sacudiu o chão. Sua lâmina cortou o ar, e o brilho carmesim ao redor dele explodiu em uma tempestade de energia. A luz penetrou por todas as rachaduras no chão até fazer os escombros brilharem como metal derretido.

Noel ergueu a Presa do Fantasma e avançou, mana pulsando pelas veias. "Surto de Ignição!"

Chamas envolveram a lâmina, queimando de preto nas bordas. Ele enfrentou o golpe inimigo de frente, o impacto lançando ambos os lutadores para longe. A onda de choque atravessou a camada de gelo que Selene tinha formado, espalhando-a em fragmentos cintilantes.

Selene firmou os pés, sua varinha brilhando suavemente de azul. "Muralha de Gelo!"

Uma nova parede de gelo surgiu diante dela, espessa e irregular, capturando a onda de explosão. A temperatura oscilou violentamente — calor e frio colidiram até que o vapor encheu o ar.

Do outro lado, Noir apareceu da névoa, já em movimento. Seu corpão enorme, sombreado, disparou à frente, garras arrastando pelo chão. "Passo Sombrio!"

Ela desapareceu na própria escuridão, reaparecendo atrás do Pilar, mordendo com a boca. Suas presas chocaram contra a cota de malha dele, faíscas e mana negra explodindo ao redor.

O Quarto virou instantaneamente, sua espada cortando para cima em um arco vermelho. Noir se esquivou de lado, a lâmina raspando sua lateral, deixando uma linha que assobiou contra sua pelagem. Ela rosnou, a raiva intensificando o brilho nos olhos.

Noel aproveitou a abertura. "Arco de Fogo!"

Um crescente de chamas cortou a névoa, atingindo o lado do Pilar. O golpe o fez cambalear — por um breve momento — antes de sua aura reagir novamente, mais quente, mais densa.

De cima, uma voz retumbou na câmara.

"Mantenha a pressão nele!"

Albrecht.

Ele surgiu da plataforma superior, chamas douradas girando ao redor das mãos ao aterrisar. "Divisão Solar!"

Um enorme arco de luz varreu à frente, colidindo com o contra-ataque do Quarto Pilar. A explosão dividiu o campo de batalha — metade vermelho, metade dourado — sacudindo todas as paredes ao redor.

A voz de Selene cortou o rugido. "Preso na Gravidade!"

Um peso invisível fez o Pilar ajoelhar. Sua espada arranhou o chão enquanto lutava para se erguer, mana convulsionando sob a força gravitacional.

Noir avançou novamente por trás, suas garras arrastando-o para baixo enquanto Noel se aproximava pela frente. Chamas lamberam seus calçados; o chão rachou a cada passo.

O momento se aproximava — quatro forças convergindo sobre um alvo.

Porém, o Pilar não cedeu. Seu corpo brilhava em vermelho de dentro, as veias ao longo dos braços explodiam com luz. As rachaduras na armadura ficavam brancas-quentes.

Os olhos de Albrecht se estreitaram. Ele reconheceu imediatamente — "Auto destruição."

"Voltem!" — gritou — mas já era tarde demais.

O Quarto Pilar explodiu em um clarão de luz escarlate.

A explosão rasgou o chão ao meio. Por um instante, tudo era calor, ruído e luz despedaçada.

Selene reagiu primeiro, empurrando sua varinha para baixo. "Explosão do Ponto Zero!"

Uma esfera de gravidade se colapsou ao redor dela, puxando o fogo para dentro antes que pudesse consumi-los. As chamas se fecharam num núcleo denso, e então implodiram com um estrondo oco, deixando apenas uma nuvem de fumaça ondulante.

Noir rompeu a fumaça, metade sombra, metade fera, seu corpo crepitando com mana residual. "Uivo do Abismo!"

A garganta roncou destruindo a fumaça e lançou contra o Quarto Pilar, jogando-o pelo ambiente.

Ele bateu forte na parede oposta, formando um craterão, mas ainda conseguiu se recompor. A armadura dele estava em fragmentos, a pele brilhando entre as fissuras como vidro derretido. A aura vermelha que vazava dele não era mais poder — era decadência.

Noel não hesitou. Avançou, fogo e relâmpagos envolvendo suas pernas. "Ataque de Tempestade!"

Ele desapareceu em uma rajada de luz azul-branca e reapareceu no peito do Pilar, a Presa do Fantasma já em movimento.

De novo, aço contra aço — mas desta vez, o choque enviou uma onda de choque que distorceu o ar. Faíscas e gotas de metal derretido se espalharam pelo chão. Ambos se afastaram rodando, as botas arrastando pedra, o som ofuscado pelo som da respiração.

Selene gritou: "Lança de Gelo!"

Uma dúzia de lanças de gelo disparou de sua varinha, perfurando o névoa em direção ao alvo. O aura do Pilar quebrou metade delas, mas três pegaram, enterrando-se no ombro e na coxa dele.

Ele cambaleou.

Noir avançou para continuar o ataque, sombras se retorcendo ao redor de suas pernas. "Fenda de Urró!"

A terra escureceu sob ele; tendões em forma de garras se enrolaram para cima, cortando sua armadura restante e prendendo-o no lugar.

Noel reapareceu, sangue escorrendo de um corte acima da testa, olhos fixos nas fissuras fracas que se espalhavam pelo peito do homem. Cada rachadura pulsava como um coração pronto para explodir.

O Quarto Pilar tentou levantar a espada — seu braço tremia, a energia vazando em fios finos de luz vermelha.

Noel exalou lentamente, a voz áspera. "Chegou ao fim."

Ergueu a Presa do Fantasma. Chamas se apertaram, formando um turbilhão. O ar começou a torcer-se, o zumbido da mana intensificando à medida que a arma absorvia as últimas forças dele.

A próxima investida decidiria tudo.

O chão tremeu sob o peso da magia prestes a colapsar.

Cada chama, cada fio de mana no ar, parecia se inclinar para o centro — para o momento que logo se desenrolaria.

A lâmina de Noel queimava com fogo ambulante, a beira negra vibrando como uma estrela morrente. Os olhos do Quarto Pilar brilhavam em vermelho, fúria misturada com medo enquanto seu corpo lutava para obedecer. Ainda tentava levantar a espada, mas seu braço mal se movesia.

Os tendões da Fenda de Urró de Noir o seguravam firme, cavando mais fundo nas fissuras da armadura, zunindo a cada pulsar de calor.

Selene permanecia logo atrás de Noel, a camada de gelo sob seus pés se espalhando como veias pelo chão. Sua varinha tremia, mana girando na ponta. "Lança de Gelo!"

Uma chuva de lanças de gelo atingiu o chão ao redor do Pilar, fechando todas as rotas de fuga.

O impacto quebrou rocha, aprisionando-o numa gaiola de gelo e sombra.

De cima, outra explosão sacudiu a câmara. A luz dourada de Albrecht brilhou pelo teto enquanto lutava contra o Terceiro Pilar, ambos quase apenas borrões de energia. Sua chama cortava ondas gravitacionais como lâminas, impedindo que ela interferisse.

Aqui, sob a tempestade, tudo parecia desacelerar.

O Quarto Pilar bradou uma última resistência, rasgando as ligações de sombra com força bruta. As veias de luz vermelha ao longo do corpo dele se expandiam, sua mana se retorcendo violentamente.

Noel não hesitou. "Surto de Ignição!"

A explosão de fogo ao seu redor consumiu o chão sob seus pés. Ele atravessou a névoa, a Presa do Fantasma envolta em chama negra.

O Pilar brandiu às cegas — tarde demais. Seus espadões se encontraram uma última vez, o som final e cortante. Uma onda de choque se espalhou, achatando detritos e apagando as últimas tochas.

Por um instante, tudo ficou em silêncio.

A luz vermelha no corpo do Pilar piscou fracamente, então se abriu em dezenas de fissuras.

A camada de gelo de Selene virou branco-quente pelo calor, as sombras de Noir fizeram sibilo enquanto recuavam, e toda a câmara se encheu de uma luz vermelha ofuscante—

—então, silêncio.

Quando tudo clareou, o Quarto Pilar estava de joelhos, armadura rachada, espada abaixada. Noel estava diante dele, com fumaça subindo dos ombros, a Presa do Fantasma vibrando suavemente em sua mão.

O fim tinha chegado.

A luz escarlate se dissipou em brasas dispersas.

O rugido da batalha lá em cima diminuiu, os ecos dos golpes dourados de Albrecht se misturando ao crackle distante da pedra derretendo-se.

Noel permanecia imóvel.

Seu peito arfava, o corpo tremendo de cansaço, a Presa do Fantasma ainda profundamente cravada no peito do Quarto Pilar. A lâmina pulsava suavemente, absorvendo os últimos fios de mana escarlate que vazavam do cadáver.

Por um instante, não houve som. Só o sibilo suave do metal esfriando.

A cabeça do Quarto Pilar se inclinou para frente. Seus lábios se moveram, como se fosse falar — mas nada saiu. A luz dos olhos dele piscou uma vez, então se apagou completamente.

O corpo caiu para frente, desintegrando-se em poeira vermelha que se espalhou pelo chão e desapareceu como fumaça.

Noel não puxou a arma imediatamente. Apenas ficou ali, contendo a respiração, a última imagem da luta ainda queimando por trás dos olhos.

Selene se aproximou lentamente por trás, seus passos sobre gelo e destroços rangendo. Não falou nada — apenas colocou uma mão leve no ombro dele.

Noir veio ao lado, encolhendo-se na própria forma menor, o pelo em partes blackened pelo calor. Ela encostou a cabeça na perna dele, emitindo um rosnado silencioso.

Noel finalmente expirou. A voz saiu áspera, cansada. "...Acabou."

A câmara voltou ao silêncio, salvo pelo trovão distante de Albrecht e do Terceiro Pilar ainda envolvidos na batalha.

Então—

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