O Extra é um Gênio!?

Capítulo 413

O Extra é um Gênio!?

O gelo que cobria o chão vibrava a cada impacto distante, e fragmentos de poeira do teto caíam em cascatas suaves. Selene ainda podia sentir o pulsar da mana do Terceiro Pilar — irregular, pesada — mas agora havia algo mais, sobreposto a ela.

Algo mais veloz. Mais próximo.

As orelhas de Noir se tremeram. Seus olhos brilhavam suavemente em violeta, captando a luz do gelo trincado.

"Selene", ela rosnou, com tom baixo, mas urgente. "Algo está vindo. Rápido."

Selene virou abruptamente, levantando sua varinha. "De onde?"

O olhar de Noir se lançou para cima. "Acima."

Um instante depois, o próprio ar se abriu com um estrondo ensurdecedor.

Algo — alguém — atravessou o teto como um meteoro, deixando rastros de chamas e destroços de pedra. O impacto enviou uma onda de choque por toda a câmara, derrubando Selene de equilíbrio e destruindo o orvalho sob suas botas.

Quando a poeira baixou, uma figura estava ajoelhada na cratera — ensanguentada, respirando com dificuldade, uma mão enterrada no chão para se estabilizar.

Um fraco brilho de mana carmesim brilhava em suas costas.

Os olhos de Selene se arregalaram. "Noel—!"

Ele exalou lentamente, puxando a Dente do Fantasma do pedra ao seu lado. A lâmina ainda queimava suavemente, sua superfície rachada, mas viva.

"…Acho que pulei longe demais", ele murmurou baixinho, olhando para ela com um sorriso torto.

Noir bufou. "Quase nos achataste."

"Pois é, desculpe", disse Noel, endireitando-se com um gemido. "Não foi exatamente intencional aterrissar assim."

Selene se aproximou, examinando-o rapidamente. "Você está parecendo um desastre."

"Pior do que parece, acho", respondeu, revirando o ombro. Então, sua expressão se endureceu. "Onde ela está?"

Antes que Selene pudesse responder, uma voz ecoou vindo da névoa.

"Pois então, sobreviver a essa queda, não é mesmo? Impressionante."

Da poeira, o Quarto desceu pelo mesmo buraco, pousando graciosamente entre os destroços. Sua armadura brilhava com luz dourada, e sua lâmina vibrava como uma chama viva.

A poucos metros de distância, a Terceira sorriu levemente, afastando a geada do ombro.

Agora, os dois estavam lado a lado — auras gêmeas de luz violeta e carmesim se misturando, distorcendo o ar.

Noel girou sua espada uma vez, estalando o pescoço. "Não é bom."

Ele olhou por cima do ombro para Selene e Noir. "Fiquem atentos. Vai piorar."

A câmara vibrava — baixa, profunda, viva.

As luzes vermelha e violeta se espalharam do centro, duas ondas de frequência oposta que não deveriam coexistir, mas que se moviam em perfeita harmonia.

Selene apertou ainda mais sua varinha. O pelo de Noir arrepiava-se, cada instinto em seu corpo gritava perigo.

"Eles… estão sincronizando", ela murmurou.

Noel estreitou os olhos. "O quê?"

Antes que alguém pudesse responder, o ar estalou. Os Pilares Terceiro e Quarto se moveram — não separadamente, não ao acaso, mas juntos. Suas auras pulsaram na mesma vibração, seus passos sincronizados, cada respiração alimentando a outra.

Pela primeira vez desde que a luta começou, eles não eram apenas dois inimigos poderosos. Eram uma única unidade.

A voz do Pilar Terceiro ecoou suavemente pelo ar gelado. "Já faz um tempo, não é, irmão?"

O Quarto sorriu de modo pequeno, sem humor. "É, faz anos que não usamos isso."

Ela inclinou levemente a cabeça, com olhos fixos na cristal atrás de Noel. "Então, vamos aproveitar ao máximo. A missão vem em primeiro lugar."

"Concordo."

Eles levantaram as mãos em uníssono.

A luz violeta e carmesim se enrolou para cima, formando um espiral até se fundir em um brilho escarlate profundo e instável — que vibrava em ressonância, como dois corações batendo como um só.

O ar se distorceu, vibrando sob a pressão enquanto os irmãos começavam a se mover em perfeita sincronia novamente, não por costume, mas por propósito.

O alvo não era Noel. Era o cristal.

O mundo estallou.

A luz escarlate e violeta colidiu no centro da câmara, formando uma onda de choque tão violenta que até as pedras pareciam gritar. O ar engrossou, curvando-se sob a força da mana bruta.

Noel fincou as botas no chão rachado, a Dente do Fantasma vibrando em sua mão. A onda de energia o atingiu antes que pudesse se preparar — o impacto o lançou para trás, através de uma cortina de orvalho congelado. Ele rolou pelo chão, faíscas e pedaços de gelo espalhando-se ao seu redor.

Selene tentou se estabilizar com uma magia, sua varinha brilhando suavemente em azul, mas o peso da pressão a esmagou instantaneamente. O orvalho sob ela rachou e cedeu; ela foi jogada contra Noir, as duas caindo juntas na poeira.

Noir rugiu, forçando seu corpo a se expandir — as sombras surgiram como um escudo, absorvendo parte da explosão. Mas até sua magia enfrentava o duplo impacto. Suas garras arranharam trincheiras na pedra enquanto lutava para se manter firme.

A força não parou. Pulsou novamente, mais pesada desta vez. Chamas entrelaçadas com a gravidade rasgavam gelo, sombra e ar, tudo ao mesmo tempo.

Noel conseguiu se erguer, o corpo tremendo, o chão ao seu redor ardendo em vermelho incandescente. Ele levantou a espada justo quando a segunda pulsação atingiu — mais forte, mais aguda, mais controlada. Todo o chão desabou ao seu redor, as rachaduras se espalhando como veias de vidro derretido.

Selene se apoiou em um joelho, a luz fria de sua varinha piscando. Sua respiração estava desigual, os olhos lutando contra a tempestade. Noir se agachou ao lado dela, ofegante, o roxo em seus olhos diminuindo.

Os irmãos não se moveram do centro.

Não precisavam.

A aura fundida ao redor deles se expandia lentamente — firme, deliberada, imparável — empurrando tudo ao redor até que os três mal conseguiam respirar dentro de seu alcance.

Quando a luz finalmente baixou por um momento, Noel, Selene e Noir estavam de pé novamente, machucados e parcialmente enterrados em destroços.

E ao longe, enquadrados pelo brilho do escarlate e do violeta, os dois Pilares os observavam — calmos, silenciosos, inabaláveis.

Selene foi a primeira a se levantar, sua varinha tremendo em mãos. Geada se espalhou de suas botas, estendendo-se em uma tentativa vã de conter o calor e a pressão ao redor.

Noir ficou ao lado dela, sua grande figura oscilando entre sombra e matéria, como se até seu corpo estivesse lutando para existir sob aquele campo de mana esmagador.

Noel deu passos lentos para frente, a Dente do Fantasma arrastando pelo chão rachado, deixando uma cicatriz de magma por onde passava. Ele não precisou falar — o olhar em seus olhos dizia tudo.eles se moveram juntos, silenciosos, cada passo sincronizado naturalmente em ritmo.

Pela frente, os Pilares Terceiro e Quarto levantaram as mãos ao mesmo tempo. Seus olhos brilhavam na mesma tonalidade de vermelho agora, a fronteira entre eles completamente sumida.

Quando exalaram, seu poder irrompeu — o calor do fogo e a atração da gravidade se uniram numa onda implacável e perfeita.

A pulsação atingiu como um martelo.

Selene reagiu primeiro, arremessando sua varinha à frente. "Prender Gélido!"

Dezenas de mãos de gelo surgiram do chão, agarrando-se à onda de energia, congelando fragmentos no ar até se desfazerem. Noir pulou à frente, suas garras brilhando de preto, usando a energia congelada como apoios para aproximar-se.

Os irmãos se moveram em uníssono — a espada do Quarto acendendo, a energia do Terceiro envolvendo-a. A arma pulsou mais forte que tochas, quase divina.

Seu golpe combinado rasgou o chão, partindo o campo ao meio.

Noir interceptou o ataque com todo o corpo, sendo lançado de volta na parede com um som de trovão. Pedra desabou sobre ela.

Selene gritou, enviando uma "Lança Congelada!" atrás deles, uma dúzia de lanças de gelo cortando a fumaça. Metade derreteu antes de chegar aos irmãos — o resto se quebrou contra uma força invisível.

Noel avançou sem hesitar, fogo explodindo de seus pés enquanto cruzava a distância. Sua espada colidiu com a do Quarto — faíscas e brasas espalhadas como estrelas.

A Pilares Terceiro apareceu ao instante ao lado do irmão, mana violeta girando ao redor de seu braço enquanto atingia Noel nas costelas com uma onda de choque.

Ele caiu no chão, sangue espalhando-se pelo gelo, mas sua mão nunca soltou a Dente do Fantasma.

Ele se levantou, tossindo, com os olhos ardendo.

Os irmãos não perseguiram. Simplesmente ficaram juntos, levantando novamente os braços. As luzes vermelha e violeta pulsaram mais uma vez, desta vez se preparando para algo muito mais forte.

A temperatura na câmara caiu e subiu de repente. As paredes começaram a vibrar.

Selene limpou o sangue do lábio, sussurrando: "Eles estão carregando algo…"

Noir saiu dos escombros, fumaça subindo de seu pelo. "Então, vamos acabar com isso antes que esteja pronto."

Noel levantou sua espada novamente, a lâmina tremendo de calor. Ele acenou com a cabeça uma vez.

E por um instante, todos os três se moveram — geada, sombra e fogo convergindo contra a luz de dois.

Os irmãos voltaram suas cabeças enquanto o calor na câmara se deslocava, substituído por uma ressonância mais profunda — como se o próprio mundo estivesse contendo a respiração.

Do outro lado da ruína, os passos ecoaram. Devagar. Firmes. Cada um deixando um brilho dourado que cortava a fumaça.

Quando o nevoeiro se dissipou, estava lá Albrecht Thorne.

Seu armamento estava parcialmente destruído, os punhos cheios de sangue. Seu casaco às forças rasgado, seu rosto marcado por fuligem e cortes superficiais. Mas seus olhos — aqueles olhos — ardia com uma autoridade que calava tudo ao redor.

Era o Patriarca, chegando.

Noel olhou por cima do ombro, o sangue ainda escorrendo de sua boca. Por um segundo, aquela expressão dura, indecifrável, suavizou. "...Albrecht."

Albrecht ficou em silêncio por um instante. Olhou ao redor do dano — os corpos de seus inimigos, o chão quebrado, os rostos exaustos de seu filho, seu criatura e da garota ao lado deles.

Então, finalmente, seu olhar se fixou nas duplas de Pilares.

Sua voz foi calma. Baixa. Quase silenciosa para o peso que carregava.

"Então… vocês são os últimos."

Os irmãos não responderam. O sorriso do Quarto Pilar vacilou pela primeira vez; a Terceira deu um passo involuntário para trás.

Albrecht rolou os ombros, abrindo as mãos. Uma chama dourada transparecia de suas palmas — não de modo descontrolado, mas perfeitamente controlado, envolvendo seu corpo em um silêncio infernal.

O próprio ar vibrou.

O fogo se curvou em sua direção, não para longe. O gelo ao redor de Selene derreteu-se instantaneamente, as sombras sob as patas de Noir ondularam, e até a luz corrompida dos Pilares escureceu diante dele.

Noel engoliu em seco. Mesmo após todo esse tempo, ver aquela aura de perto fazia seu pulso acelerar. Não era força bruta — era domínio absoluto.

Albrecht exalou uma vez, o ar brilhando com calor.

"Inimigos de Thorne acabam aqui."

Ele deu um passo à frente. O chão rachou sob seu passo. A chama ao seu redor ficou mais intensa, tingindo as ruínas de dourado.

Selene, Noir, até os Pilares congelaram, presos naquele instante de silêncio, como se o mundo tivesse inclinado.

E quando Albrecht ergueu a mão, brasas douradas girando como estrelas ao seu redor, até mesmo os Pilares souberam —

que a verdadeira luta estava prestes a começar.

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