O Extra é um Gênio!?

Capítulo 429

O Extra é um Gênio!?

A porta se fechou atrás dele com um clique silencioso.

Por um instante, Noel ficou ali na passagem, a mão descansando contra a madeira, ouvindo o suave crepitar do fogo do outro lado. Ainda conseguia imaginar Nicolas sentado ali — semi-sombreado pela luz, com os olhos fixos na academia que brilhava fracamente além do vidro.

Ele exalou pelo nariz, o calor do cômodo dando lugar ao ar mais fresco do corredor. “Ele ainda está olhando para aquilo”, pensou. “Aquele lugar era toda a vida dele.”

Com calma, virou-se lentamente, os passos reverberando contra o mármore polido enquanto começava a caminhar pelo corredor. Através das janelas altas, o sol despontava em direção ao horizonte — um brilho laranja derretido se espalhando pelos jardins do castelo.

No final do corredor, uma figura familiar o aguardava. Charlotte encostava-se na parede, as mãos descansando frouxamente na frente do corpo, o cabelo rosa captando a luz do entardecer. Quando o viu, seu sorriso foi pequeno, mas firme.

“Como ele está?” perguntou.

Noel parou ao lado dela, coçando a nuca. “Ainda teimoso. Mas... em paz, acho.”

Charlotte assentiu suavemente, os olhos se suavizando. “Ele sempre foi assim.”

“Sim”, disse Noel baixinho. “Continua sendo.”

Começaram a caminhar lado a lado em direção ao setor de hóspedes. Nenhuma das palavras foi dita por um tempo — não havia muito o que dizer. Os corredores do Castelo Valor eram vastos e silenciosos, adornados com bandeiras que ondulavam suavemente com a brisa das janelas abertas.

Quando chegaram à porta, Noel hesitou. Sua mão ficou alguns segundos no puxador.

Charlotte percebeu. “Algo está errado”, disse suavemente.

Ele ficou em silêncio por um momento, depois assentiu uma vez. “É. Nicolas me disse algo que eu não queria ouvir.”

A expressão de Charlotte se tensou, sua voz baixou quase num sussurro. “O que você quer dizer?”

Noel virou-se para ela, os olhos carregados, porém calmos. “Ele está morrendo, Charlotte. Um ano, talvez menos.”

As palavras ficaram no ar — pesadas, definitivas, impossíveis de suavizar.

Charlotte levou a mão ao peito. “Não...”, ela respirou. “Deve haver algo—”

“Não”, interrompeu Noel suavemente. “Ele já fez as pazes com isso.”

Charlotte abaixou a cabeça, a voz tremendo. “Então eu não farei.”

Noel sorriu de maneira triste, um sorriso pequeno. “Sim”, disse com um suspiro. “Parece você.”

Charlotte se virou para ele, os olhos brilhando com aquela obstinação familiar. “Eu vou tentar, Noel. Uma bênção pode—”

“Não”, ele afirmou com firmeza.

Ela abriu os lábios, surpresa pelo tom.

Noel respirou fundo lentamente e atravessou a distância até ela, chegando perto o suficiente para ela sentir seu calor. “Ele pediu que eu não deixasse você”, disse, a voz tranquila, mas firme. “Ele sabe quanto as bênçãos custam para você. Não quer que seus últimos meses sejam comprados com sua vida.”

As mãos de Charlotte se cerraram ao lado do corpo. “Isso não vai me matar.”

“Vai doer, sim”, respondeu suavemente. “E por quê? Por umas semanas a mais para alguém que já se despediu?”

As palavras foram mais duras do que ele pretendia. Ela virou-se de costas, os ombros tremendo. “Você faz parecer tão frio...”

“Eu sei”, disse Noel, a voz quase se rompendo. “Mas ele já não tem mais medo, Charlotte. E eu não posso deixar você se esgotar por alguém que já está pronto para descansar.”

O silêncio voltou — longo, pesado, interrompido apenas pelo som da chuva batendo no vidro.

Finalmente, Charlotte sussurrou: “Então, o que eu faço?”

Ele estendeu a mão, tocando delicadamente uma mecha de cabelo que caía em seu rosto. “Faça o que você sempre faz”, disse baixinho. “Ajude aqueles que ainda precisam de você. Continue vivo.”

Charlotte olhou para ele, os olhos brilhando. “Isso não é justo.”

Noel sorriu de leve, cansado, mas sincero. “Nada neste mundo é justo mesmo.”

Ela não respondeu imediatamente — apenas deu um passo mais perto até que suas testas se tocassem, seu respirar tremendo contra o dele. “Ele teve sorte de ter você”, ela murmurou.

Noel fechou os olhos e sussurrou de volta: “Não. Eu tive sorte de tê-lo.”

Por um tempo, nenhum deles se moveu. O único som era o ritmo lento de suas respirações, se misturando ao pulso constante da chuva nas janelas.

Charlotte foi a primeira a se afastar, passando rapidamente a mão pelo canto do olho — fingindo que não havia chorado. “Desculpe”, disse com uma risada pequena e trêmula. “Prometi a mim mesma que não iria mais chorar hoje.”

Noel lhe lançou um olhar suave. “Você tem o direito de chorar”, afirmou simplesmente. “Depois de tudo o que passamos... acho justo uma ou duas lágrimas.”

Ela sorriu timidamente, sentando-se na beirada da cama e puxando os joelhos um pouco para cima. “Você fala como Nicolas quando diz essas coisas.”

Noel riu, puxando uma cadeira e sentando-se de frente para ela. “Então, estou mesmo envelhecendo...”

Charlotte inclina a cabeça, seu semblante se suavizando novamente. “Não. Só mais sábia.”

Ele se recostou na cadeira, ela rangeu sob ele. “Se é isso que a sabedoria parece, passo essa parte”, murmurou com um sorriso irônico. “Não vale a pena.”

Charlotte riu — a primeira risada sincera desde que deixaram a propriedade dos Thorne. O som foi pequeno, mas brilhante, como uma faísca na atmosfera pesada.

“Você realmente acha que eu não deveria fazer nada?” ela voltou a perguntar, desta vez mais baixo.

Noel assentiu. “Acho... que ele preferiria te ver sorrindo do que te vendo salvar ele. Pediu para eu garantir que você não desperdice o que ainda tem.”

O olhar de Charlotte se deteve na janela. A tempestade tinha se suavizado em garoa agora, linhas prateadas escorriam suavemente pelo vidro. “Você protege todo mundo, até de si mesmo”, ela sussurrou. “É exaustivo só de te observar.”

Noel levantou uma sobrancelha. “Você faz parecer que é algo ruim.”

Ela olhou nos olhos dele, e por um instante, o ar entre ambos ficou mais pesado novamente. “É mesmo”, ela disse suavemente. “Porque, um dia, não vai sobrar mais ninguém para te proteger.”

Ele abriu a boca, mas nenhuma palavra saiu. Em vez disso, estendeu a mão para ela.

Charlotte não recuou. Ela apertou seus dedos uma vez, depois inclinou a cabeça levemente contra o braço dele.

O suave toque na porta veio justo quando Charlotte havia fechado os olhos.

A voz de Seraphina veio calma e composta. “Ainda acordada?”

Noel se levantou, abrindo a porta só o suficiente para ela espiar dentro. A princesa parecia quase régia mesmo na luz suave do corredor — o cabelo preso de forma frouxa, uma leve fadiga nos olhos que, porém, não diminuía sua autoridade.

“Só queria avisar que amanhã de manhã partiremos para a academia. Arrumei carruagens para nós três.”

Seu olhar permaneceu um momento mais longo em Charlotte — na leve vermelhidão ao redor dos olhos, no sorriso pequeno que não atingia totalmente o rosto. Seraphina pareceu entender sem precisar de explicação.

“Vocês devem descansar”, acrescentou suavemente. “Foram dias longos.”

“Obrigada”, disse Noel em voz baixa.

Seraphina assentiu uma vez, depois recuou pelo corredor. “Boa noite”, murmurou antes de fechar a porta, deixando-os novamente sob o brilho suave da única lâmpada.

O silêncio voltou — mais suave agora, mas pesado de uma forma diferente. Charlotte ainda estava na ponta da cama, com as mãos entrelaçadas no colo. A chuva tinha parado, deixando o mundo lá fora envolto em silêncio.

Noel voltou-se para ela, sem saber exatamente o que dizer. “Ela quer bem”, começou.

Charlotte sorriu levemente, balançando a cabeça. “Sei.” Sua voz era calma, pensativa. “Ela sempre quer.”

Seu olhar então se dirigiu a ele — suave, porém procurando. “Você realmente quis dizer o que disse? Sobre viver pelo que ainda está por vir?”

Ele assentiu uma vez. “Sim, quis.”

Charlotte se levantou, dando um passo lentamente mais perto. Sua expressão mudou — não tristeza, desta vez, mas algo mais profundo. “Então, talvez eu também devesse começar a fazer isso.”

Antes que Noel pudesse responder, ela puxou a lapela dele, os dedos tremendo levemente. O movimento foi hesitante, mas verdadeiro — um aperto de proximidade carregado de mais sinceridade do que palavras poderiam expressar.

“Charlotte...” começou ele, com uma voz baixa, incerta.

Ela balançou a cabeça suavemente. “Só... deixa eu esquecer por hoje à noite.”

Noel olhou nos olhos dela, procurando por dúvida — mas não encontrou nenhuma. Apenas a dor silenciosa de alguém tentando encontrar calor na frieza após a verdade.

Ele exalou lentamente e colocou a mão sobre a dela. “Se você tiver certeza.”

“Tenho”, ela sussurrou.

A luz da lâmpada diminuiu, as sombras balançando suavemente pelas paredes enquanto seu mundo se tornava menor — apenas os dois, e o suave ritmo de suas respirações.

Charlotte se moveu primeiro, fechando a distância completamente. Seu beijo não foi suave; foi desesperado — uma enxurrada de emoções que ela tinha guardado por tempo demais. Cada tremor nas mãos, cada suspiro contra seus lábios dizia de medo, dor, e uma força viva que pulsava sob tudo isso.

Noel respondeu lentamente, tentando acompanhar a tormenta que a havia dominado. O peso do corpo dela, o toque dele na pele, a fome nas mãos que combinava coração partido com esperança colidindo.

Por um tempo, não houve pensamentos — nem deuses, nem pilares, nem destino. Apenas o calor do momento, o ritmo de seus corações encontrando sintonia um no outro.

Charlotte era apaixonada, quase avassaladora — uma proximidade que roubava sua respiração mais de uma vez. Os dedos entrelaçados no cabelo dele, os lábios se encontrando repetidamente, como se temesse que, se parasse, o mundo voltasse rápido demais.

Quando, enfim, a chama daquela necessidade amainou, ela descansou a cabeça contra o peito dele. A respiração dela desacelerou, a voz quase um sussurro. “Você não vai me deixar para trás… certo?”

O braço de Noel deslizou por seus ombros, puxando-a mais perto. “Não, a não ser que você me afaste”, murmurou.

Ela soltou uma risada pequena — cansada, silenciosa, mas verdadeira. “Então acho que você está preso comigo.”

“Acho que sim”, disse ele suavemente, passando os dedos pelos cabelos dela.

A noite lá fora estava completamente quieta agora. As últimas centelhas da lâmpada piscaram uma, duas vezes, e se apagaram, restando apenas o leve brilho da lua através das cortinas.

Arespiração de Charlotte ficou estável contra ele, seu calor pressionado contra o dele enquanto seu corpo relaxava totalmente. Em poucos momentos, ela adormeceu, ainda segurando-o como se ele pudesse desaparecer.

Noel permaneceu acordado um pouco mais, observando a luz prateada dançar pelo cabelo dela, sua mente vagando entre cansaço e paz.

Ele sussurrou, quase inaudível, “Você também merece descansar.”

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