O Extra é um Gênio!?

Capítulo 421

O Extra é um Gênio!?

Ninguém falou nada.

O sorriso do holograma permaneceu na luz azul piscante, projetando sombras longas sobre as prateleiras antigas. O murmúrio suave da mana preenchia a biblioteca — quieto, baixo, infinito.

Os olhos de Noel não desgrudaram da figura. Cada instincto gritava que aquilo que estava diante dele não deveria existir. Que isso não podia acontecer.

E, no entanto… lá estava — o mesmo rosto que ele vira nos espelhos há muito tempo, em outro mundo que há tempos havia se desfeito em cinzas.

A projeção inclinou um pouco a cabeça, o sorriso se alargando. "Você parece ter visto um fantasma."

A voz de Noel saiu áspera. "Você não é um fantasma."

"Inteligente," o holograma riu, descansando as mãos brilhantes nos bolsos. "Chamo-me Noctis. Prazer finalmente te conhecer de verdade, Noel Thorne — ou, mais informal, Noel da Terra."

Charlotte piscou, com confusão atravessando seus olhos dourados. "...Terra?"

Elena franziu a testa, sussurrando: "Isso não é nenhum continente que eu conheça."

Elyra fez uma expressão de preocupação, tentando esconder seu nervosismo. "Espera— você está dizendo que ele não—"

O holograma a interrompeu, ainda sorrindo suavemente. "Deixe-me adivinhar. Vocês achavam que ele era apenas mais um prodígio? Um cara quieto, com segredos e bom timing?" Ele deu de ombros. "Pois bem, surpresa. Ele não é um de vocês. Na verdade, não é."

O peito de Noel se apertou, e antes que pudesse se controlar, sussurrou: "Você… consegue dizer isso?"

Noctis sorriu ainda mais. "Claro que sim. Sou eu quem colocou sua boca no lugar primeiro."

Seu tom ficou um pouco mais suave, quase brincalhão. "E olha só para você — mais de um ano fingindo, engolindo a língua toda vez que queria contar a verdade. Difícil, né?"

A mandíbula de Noel se emperrou. "Por que você fez isso comigo? Por quê?"

"Culpado," Noctis respondeu simplesmente. "Não queria que você dedurasse demais cedo e fosse apagado. Mas agora…" Ele abriu as mãos. "Você conquistou o direito de falar. Então vá em frente, herói — diga a verdade. Você aguentou tempo demais."

A biblioteca ficou em silêncio. Cada par de olhos se voltou para Noel.

O ar ficou pesado, como se esperasse por algo que nunca poderia ser desfeito.

Noel engoliu em seco. O peso de tudo pesava em seu peito. Finalmente, ele pôde dizer — aquilo que o atormentava desde o dia em que acordou neste mundo.

Ele levantou os olhos e falou, de forma quieta, mas clara:

"Não sou daqui. Morri… em outro lugar. E quando acordei — estava neste corpo."

As palavras caíram na silêncio como uma pedra na água parada.

Charlotte abriu os lábios um pouco, mas nenhum som saiu.

Selene congelou, sua calma habitual vacilando.

Elyra fitou, com os olhos entrecortados entre Noel e o holograma.

E Elena… ela apenas acompanhou tudo, com olhos âmbar afiados, mas incertos — tentando juntar os pedaços de algo que não fazia sentido algum.

Noctis quebrou o silêncio com uma risada baixa. "Aí está. Finalmente na cara." Ele lançou um olhar de lado para Noel, divertido. "Aposto que isso foi bom, hein?"

Noel o encarou, a voz firme. "Você acha que isso é uma piada?"

"Não é piada," respondeu Noctis. "É uma história. E ainda estamos na metade dela."

A luz azul ao redor dele pulsou com mais intensidade, iluminando toda a sala. Sombras dançaram pelas prateleiras, e o ar vibrava levemente com energia.

A expressão de Noctis mudou — ainda confiante, mas agora com peso na voz.

"Deixe-me me apresentar devidamente," ele disse. "Sou Noctis — o irmão esquecido de Elarin."

O nome caiu como um trovão.

Charlotte foi tomada por um susto, recuando um passo, a mão cobrindo a boca. "Isso— isso é impossível…"

A voz de Elena saiu dura, desconfiada. "Irmão de Elarin? Mas ele—"

"Foi apagado," Noctis interrompeu com suavidade. "Sim. É o que a história diz."

Sorriu com amargura. "Na verdade, foi ele quem apagou. Meu irmão não gostava de compartilhar sua divindade."

As mãos de Noel cerraram-se em punhos. "Elarin… o deus deste mundo."

Noctis assentiu lentamente. "E o que você vai encontrar mais cedo do que gostaria."

A sala voltou a ficar em silêncio atônito.

A cabeça de Noel girava. Os outros estavam congelados — cada um tentando compreender a enormidade do que acabara de ouvir.

Noctis respirou fundo e cruzou os braços. "Bem," disse com uma sutil dose de diversão, "agora que as apresentações terminaram, que tal falarmos sobre o que vocês acabaram de estragar?"

"Espere—espere, calma!"

A voz de Elyra cortou o silêncio — não fria, mas trêmula de emoção. "Uma explicação, Noel. Nós merecemos uma."

Sua confiança habitual vacilou; a nitidez da voz carregava algo mais suave por trás. "Sempre achei que havia algo diferente em você," disse, a boca tremendo numa expressão de sorriso conturbado. "Minha intuição nunca falha… mas não imaginei que fosse assim."

Os olhos de Charlotte brilhavam de confusão. "Então… você não era de verdade deste mundo?" ela sussurrou, quase com medo da resposta.

A voz de Selene veio quieta, medida — como se estivesse juntando fragmentos que finalmente se encaixavam. "Por isso existiam momentos em que você parava, por que havia coisas que não podia nos contar."

E Elena permaneceu em silêncio, com olhos âmbar fixos. Ela não olhava com medo ou julgamento, só com uma compreensão silenciosa — a espécie de compreensão que machuca mais que a raiva.

Noel não conseguiu olhar nos olhos deles. A garganta ardia; cada respiração pesada. "Eu não pedi por isso," disse, finalmente, a voz quase um sussurro. "Quando acordei aqui, não entendi nada. Não estava… pronto para uma nova vida. Nem pensei que merecia uma."

Ele fechou os punhos até as unhas cravarem nas palmas. "No começo, só queria ficar sozinho. Depois, Noctis me obrigou a fazer missões, e—" ele hesitou, a voz quebrando, "—comecei a tentar ajudar. Viver, ajudar, fazer a diferença, uma vez na vida. Tenho mudado ao ver as pessoas, mudei com o tempo, as pessoas começaram a importar pra mim, aos poucos, cada vez mais. Você, por exemplo, e Noir, são as coisas mais importantes que já tive, na minha vida de verdade."

O silêncio que seguiu não foi frio. Foi cru — carregado com o peso de tudo que ele acabara de revelar. O sussurro fraco da projeção preenchia o espaço como um batimento de coração.

Elyra deixou os braços caírem lentamente ao lado. Sua voz tremeu. "Você é um idiota…" ela murmurou, dando um passo à frente. Seus lábios formaram um sorriso trêmulo. "Você realmente acha que te deixaríamos por causa disso? Desde o começo, sabia que você era diferente, além do mais, eu nunca conheci o antigo Noel até te conhecer, eram só boatos, o passado ficou no passado e sempre vai ficar."

Charlotte piscou, lágrimas brilhando nas pontas de seus olhos dourados. "O Noel que conhecemos não é um estranho," ela disse suavemente. "Ele é você. Aquele que lutou por nós, que nos salvou. O que está bem aqui."

O tom de Selene era calmo, mas firme — uma certeza capaz de silenciar tempestades. "Quem você foi antes não importa. Conhecemos esse você. E é esse que nos importa."

Noel olhou lentamente para cima. Os rostos deles — preocupados, emocionados, firmes — se confundiam na suave luz azul. Seu peito se apertou, a bola na garganta pesada demais para engolir.

Conseguiu sorrir timidamente, tremendo. "Obrigad…"

Por trás deles, a voz de Noctis quebrou o momento frágil com uma risada seca. "Lindo. Muito tocante. Mas não se acomodem — vocês vão precisar de toda essa estabilidade emocional para o que vem a seguir."

Elena foi a primeira a romper o silêncio e não deixou Noctis falar. "Noel… como você era antes de vir pra cá?"

A pergunta pairou no ar, frágil mas sincera.

Elyra cruzou os braços novamente, com o tom mais suave agora. "Sim. Você disse que acordou aqui um dia. Mas… que tipo de pessoa você era antes de tudo isso?"

Charlotte se inclinou um pouco, com curiosidade brilhando por trás dos olhos dourados. "Você não precisa nos contar tudo. Só… quem você era?"

Noel hesitou, o olhar se perdendo no chão novamente. Por um momento, pareceu distante — como se estivesse olhando através das paredes, do próprio tempo.

"Não era alguém que valesse a pena lembrar," ele finalmente disse. "Quando cheguei aqui, não queria nada com ninguém. Tudo me irritava — pessoas, barulho, até estar vivo de novo. Pensei que o mundo já tinha desistido de mim, então eu também desisti."

O ambiente ficou silencioso outra vez. Os outros ouviram sem interromper, sentindo o peso da sinceridade dele.

Ele olhou um pouco para cima, forçando um sorriso amargo. "Acho que é por isso que é estranho eu ter acabado rodeado por todos vocês."

Um momento de silêncio — até que a voz de Noctis cortou, seca e impaciente.

"Emoção demais, de verdade. Mas podemos deixar isso para uma sessão de terapia?"

O tom dele ficou mais afiado enquanto a projeção vacilava ligeiramente. "Seu discurso trágico pode ficar pra depois, Noel. Agora que a maldição do seu discurso acabou, pode falar tudo o que quiser, depois que resolver a parte em que você—" ele fez uma pausa, levantando uma sobrancelha, "—estragou tudo de vez."

Noel franziu o cenho. "O que você—"

"O cristal," interrompeu Noctis, sem humor na voz. "Aquele que você deveria proteger. Aquele que segurava ele."

Sua expressão escureceu, a luz do holograma se tornando um azul mais frio.

"Parabéns, garoto," ele disse com frieza. "Você não só jogou a bola, como entregou a chave do apocalipse para a pessoa mais pior que existe."

As garotas trocaram olhares tensos, a apreensão se espalhando pelo ambiente novamente.

A barriga de Noel deu uma reviravolta. "Quer dizer, Elarin."

Noctis deu um sorriso sem humor. "Pois é, é exatamente isso que quero dizer."

A expressão de Noctis ficou distante — a brincadeira se foi. O azul do holograma diminuiu até traçar apenas um contorno sutil.

"Bom," começou, a voz mais baixa, mas carregada de peso, "como já estamos bem no meio dessa confusão, melhor eu explicar logo tudo."

Ele levantou a mão, uma pequena projeção se formando acima da palma — uma figura giratória do mesmo cristal que tinham visto nas ruínas. Sua luz fraca pulsava, parecendo um batimento de coração.

"Aquele cristal," ele disse, quase reverente, "não é apenas um artefato. É uma prisão. Uma porta. Um fragmento que liga esta dimensão a outra — e a coisa que ele contém lá dentro..." Os olhos dele passaram a olhar para Noel. "...é meu irmão."

Charlotte suspirou, com a mão cobrindo a boca. "Elarin…"

Noctis assentiu. "Sim. O chamado deus da criação. Aquele que suas igrejas louvam e seus reinos reverenciam."

Ele inclinou um pouco a cabeça. "A verdade? Ele está lá preso há mais tempo do que qualquer linha do tempo mortal poderia registrar. Mas ele não está indefeso. O cristal funciona como uma sela e também como um canal. Enquanto existir, ele pode alcançar por ele — influenciar, moldar as coisas."

Selene franziu a testa, com voz firme, mas preocupada. "Então, se alguém o roubasse—"

"Ele não está livre," interrompeu Noctis. "Só o cristal não basta para libertá-lo. Ele mantém a essência dele contida. Pense como uma fechadura sem chave."

Ele abaixou a mão, a imagem desaparecendo como poeira. "Mas se alguém conseguir abrir essa fechadura…—" o olhar dele se dirigiu lentamente a Noel, com a mais tênue sombra de sorriso — "—antes vai precisar de uma coisa."

A luz ao redor dele diminuiu para um azul frio.

"Você."

Noel congelou.

A voz de Noctis ficou suave, quase como um sussurro carregado de estática. "Você é a chave."

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