O Extra é um Gênio!?

Capítulo 398

O Extra é um Gênio!?

A noite estava anormalmente silenciosa. O único som vinha do suave crunch de cascalho sob as botas de Noel enquanto ele acompanhava seu pai pelo pátio. O cheiro de chuva pairava no ar, embora os céus estivessem secos — apenas um traço residual de mana deixado após uma luta.

A voz de Noir sussurrava em sua mente, tranquila, mas certa.

'Pai… o cheiro dela vai para esse lado. Está fresco.'

Noel assentiu discretamente, sem olhar para baixo. 'Então ela não correu muito longe.' Seus passos o conduziram ao jardim leste — o mesmo lugar onde ele e Noir tinham enfrentado o Quarto Pilar há menos de uma hora. A grama ainda exibia marcas da batalha: manchas queimada no solo onde o raio tinha atingido, geada ainda marcando as bordas de arbustos trincados.

"Olha," disse Noel, apontando para um amontoado de pedras quebradas perto da fonte. "Mana residual. Fogo, relâmpago, sombra — em conflito. Você não acha que isso é nada?"

Albrecht se abaixou brevemente, seus olhos rubros examinando o brilho azul pálido na terra. "Eu vejo, mas pode ser uma criatura elementar solitária da floresta," disse com calma. "Às vezes elas vagam perto da propriedade."

Noel não respondeu. Não tinha visto nenhuma criatura daquele tipo por quilômetros — a barreira de Thorne garantira isso. 'Vai fingir ignorância mesmo, Albrecht?'

'Ela está perto,' disse Noir novamente, o tom tenso. 'Logo ali, atrás daquela esquina.'

Os olhos de Noel se voltaram adiante. E lá, parcialmente envolta pela luz da lua filtrando pelas árvores, estava Mirelle. Seu vestido fluía com elegância, sua expressão calma — quase demasiado calma.

Ela piscou, surpresa moderada, enquanto eles se aproximavam, as mãos elegantemente cruzadas à frente dela. "Ah… Albrecht, Noel. O que vocês dois estão fazendo aqui fora a essa hora?"

Noel não respondeu. Seus dedos tocaram a empunhadura de Dente do Finado.

A expressão de Mirelle mudou sutilmente, como quem finge preocupação. "Está tudo bem?" perguntou suavemente, com um tom carregado de confusão delicada. "Saí do jantar porque não estava me sentindo bem. O ar lá dentro… era sufocante."

A postura de Albrecht relaxou levemente ao ouvir suas palavras. "Você poderia ter enviado uma criada ou um guarda para nos informar," disse ele. "Noel achou que algo pudesse ter acontecido."

Ela sorriu de forma ensaiada. "Que fofura dele se preocupar." Seu olhar brevemente se dirigiu a Noel, calmo e imperturbável, como se não notasse as marcas de queima no chão próximo, ou o olhar atento dele.

Noel permaneceu em silêncio. Apenas a observava cuidadosamente, cada movimento, cada piscar. 'Nem uma ponta de nervosismo… ela já fez isso antes.'

A voz de Noir tocou sua mente, fria e precisa.

'É ela. O cheiro — exatamente o mesmo de antes. As mesmas duas pessoas estavam com ela mais cedo.'

'Sei,' Noel pensou de volta. Forçou seu tom a ficar calmo antes de falar alto. "Estranho. Encontramos vestígios de mana por toda parte no jardim leste. Fogo e sombra… uma luta, pelo visto."

Mirelle inclinou levemente a cabeça, os olhos se arregalando um pouco. "Sério? Eu não percebi nada. Talvez você esteja enganado?"

Noel deu um passo à frente. "Estou?"

Seus olhos não vacilaram. "Você tem estado sob muita pressão ultimamente, Noel. Talvez esteja vendo perigo onde não há." As palavras dela eram veludo sobre lâminas — suaves o suficiente para desarmar, cortantes o bastante para ofender.

Albrecht levantou uma mão antes que Noel pudesse responder. "Já basta. Vamos pedir aos guardas que verifiquem o terreno amanhã."

Noel cerrava a mandíbula. O leve aroma de perfume misturava-se com o cheiro persistente de sangue e cinzas. Quase ouvia o açoitar silencioso de Noir na sua mente.

'Pai,' ela sussurrou, 'ela está mentindo.'

'Pois é,' Noel pensou tristemente, fixando o olhar em Mirelle. 'E ela é muito boa nisso.'

Noel deu um passo à frente, sua voz cortando o ar da noite como uma lâmina afiada.

"Chega de jogo, Mirelle."

Seus olhos piscaram — mal —, mas ele percebeu. Uma vibração sutil em sua expressão.

Ele prosseguiu, com tom baixo, porém firme. "Conversei com eles. Com as mesmas pessoas com quem você se encontrou."

Houve uma pausa, pesada e deliberada. "Então me diga — do que vocês estavam conversando? Por que querem a morte do meu pai? E como você sabe sobre a horda?"

Mirelle piscou uma vez, lentamente, a expressão mudando para a máscara de confusão perfeita. "O que você está dizendo, Noel? Você perdeu a cabeça? Quanto a mim?" Ela soltou uma risada silenciosa, incrédula. "Estive aqui a noite toda. Por que eu iria querer machucar meu marido?"

O olhar de Noel não vacilou. A mana dele se inflou levemente, uma ondulação sutil que deixou o ar tenso. Atrás dele, Noir balançava dentro de sua sombra, rosnando baixinho, suficiente para apenas Noel ouvir.

'Pai, ela está tremendo. O coração dela está acelerado.'

Ele não precisava do alerta — já via. A respiração de Mirelle, ligeiramente irregular. A mão dela, segurando a manga com força demais. Ela era boa de atuação, mas não perfeita.

"Então explique isto," disse Noel, apontando para as marcas queimadas no solo. "Traços de sombra, resíduo de relâmpago… ambos da mesma luta que tive há uma hora. No nosso próprio jardim."

A expressão de Albrecht escureceu ao trocar olhares entre os dois. "Noel," ele disse lentamente, "você me disse que quem te atacou estava ligado aos incidentes na Capital Sagrada, Tharvaldur, e na Academia, não foi?"

Noel assentiu. "Sim. E ela estava com eles."

Pela primeira vez, os olhos de Albrecht se estreitaram ao olhar para Mirelle. O ar ficou pesado entre eles, como o silêncio antes de uma lâmina ser empunhada. O sorriso de Mirelle vacilou, mas só por um instante.

"Albrecht," ela disse suavemente, a voz tremendo um pouco, com uma sinceridade aparente. "Você realmente acredita nisso?"

O silêncio se alongou, até o vento parecer com medo de se mover.

Mirelle permaneceu imóvel, sua fachada intacta, mas seu pulso denunciava — rápido, irregular, forte o bastante para Noir ouvir.

Noel respirou fundo, o som cortante na quietude. "Sabe," começou, avançando um passo, "não é a primeira vez que você faz isso."

Seus olhos se voltaram para ele. "O que quer dizer?"

Ele não respondeu de imediato. Em vez disso, baixou o olhar — para as trevas que se moviam sob seus passos, ondulando lentamente.

"Saia, Noir."

A sombra sob ele movimentou-se como líquido, expandindo-se antes de subir em um redemoinho de névoa púrpura-preta. Num piscar de olhos, a forma de Noir solidificou ao seu lado — seu pelo liso reluzindo sob a luz pálida da lua, olhos violeta brilhando como carvão em brasa.

A respiração de Mirelle ficou audível, e até Albrecht deu um passo atrás, a mão instintivamente tocando a empunhadura da espada.

Noir inclinou levemente a cabeça, a cauda balançando. "Oi," ela disse em voz alta desta vez, com calma, mas claramente inteligente.

Albrecht parou de repente, os olhos se estreitando em descrença. "Ela consegue falar?"

Mirelle, pálida agora, encarou a sombra do lobo como se visse um espectro. "Q–O que é aquilo?"

O tom de Noel permaneceu frio, firme. "Meu familiar. E quem tem observado você."

Ele deu mais um passo adiante, a sombra de Dente do Finado reluzindo suavemente ao seu lado.

"Tudo o que fez, cada reunião que tentou esconder — ela viu. Pode parar de fingir agora, Mirelle."

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