
Capítulo 391
O Extra é um Gênio!?
A cozinha da Casa Thorne estava inusitadamente calma, um raro momento de paz dentro da mansão enorme.
Noel estava ao lado do balcão, com as mangas arregaçadas, cuidadosamente despejando água quente em uma chaleira. A vapor ascendente formava redemoinhos, carregando o aroma de ervas e uma leve nota de baunilha. Ao lado dele, uma bandeja aguardava com várias xícaras delicadas e um prato de cookies recém-assados — redondos, dourados e polvilhados com açúcar.
Do corredor, risadas abafadas ecoavam suavemente. Mesmo através das grossas paredes de pedra, Noel conseguia distinguir os tons distintos de Elyra, Charlotte, Elena e Selene — vozes que, de alguma forma, preenchiam cada canto vazio da propriedade.
Noir, que tinha cochilado próximo à cama, ergueu as orelhas ao som. Sua cauda se mexeu uma vez.
'Eles… estão ruidosos,' ela murmurou pelo vínculo, com um tom que era meio irritado, meio curioso.
Noel sorriu de lado. "Sim, eles provavelmente estão dando um jeito de virar meu quarto de cabeça para baixo."
'Então eu vou junto,' disse Noir, levantando-se e se esticando. 'Não consigo descansar com esse barulho.'
"Tudo bem," respondeu Noel, lançando um olhar para ela. "Só não morda ninguém."
'Sem promessas,' ela provocou, piscando com uma expressão travessa.
Ele deu uma risadinha suave antes de voltar a cuidar do chá.
Enquanto trabalhava, seus pensamentos vagaram. 'Elas realmente vieram de tão longe… Elyra, Charlotte, Elena, Selene. Poderiam ter ficado seguras na academia, mas, ao invés disso, me seguiram até aqui — até território Thorne. Só para me ver.'
Ele fez uma pausa, o som de porcelana tilintando levemente rompendo o silêncio. 'Sou grato, mas… elas podem ter pisado na vala sem perceber.'
A horda viria em menos de uma semana. E, se o comportamento estranho de Mirelle significava o que ele suspeitava, então os Pilares — os gémeos — talvez já estivessem preparando alguma coisa.
'Você está pensando demais de novo, pai,' a voz de Noir veio suavemente.
Noel sorriu de leve. "Sim. Acho que sim."
Ele colocou a chaleira na bandeja, equilibrando tudo com mãos firmes. "Vamos lá," murmurou. "Antes que eles comecem a demolir as paredes."
'Finalmente,' disse Noir, pulando no ombro dele. 'Vamos ver que tipo de confusão suas namoradas estão aprontando desta vez.'
E juntos, deixaram a calmaria da cozinha — indo direto ao barulho do andar de cima.
Noel nem precisou chegar à porta para saber o que estava acontecendo.
O barulho — risadas, passos apressados, e o inconfundível "Espera, não abra isso!" de Charlotte — era suficiente para dizer exatamente o quão seriamente sua sala estava sendo invadida.
Ele suspirou. "Inacreditável."
Empurrando a porta, deparou-se com uma cena que o fez apertar a ponte do nariz.
Elyra estava na sua escrivaninha, folheando um livro com o sorriso mais inocente que se podia imaginar.
Charlotte estava ajoelhada perto da cômoda, inspecionando um pequeno objeto como se fosse um tesouro.
Elena estava meio por baixo da cama, resmungando algo sobre "bolotas do caos", e Selene — claro — encostada na parede com os braços cruzados, assistindo ao caos com um julgamento silencioso.
As orelhas de Noir twitcharam do seu ombro. 'Você não exagerou… elas estão ruidosas.'
"Sim," murmurou Noel. "Bem-vindos à minha vida."
Assim que perceberam a presença dele, as quatro congeleram no meio do movimento.
Elyra rapidamente deixou o livro cair, fingindo arrumar o cabelo. Charlotte enfiou de modo desconfortável o objeto nas costas. Elena bateu a cabeça na estrutura da cama ao tentar sair de rastejo.
Apenas Selene encarou seu olhar sem hesitar.
"Nós estávamos… hum—" começou Charlotte.
"Explorando," interrompeu Elyra com um sorriso que não enganou ninguém.
Selene suspirou, cortando seco: "Elas estavam tentando achar alguma coisa constrangedora para usar contra você. Não conseguiram."
"SELENE!" gritaram as três, em uníssono.
Noel simplesmente ficou ali, com a bandeja na mão, tentando não rir. Noir, empoleirada no ombro dele, olhou para todas e abanou a cauda.
'Elas estão com cara de culpadas,' ela sussurrou.
Colocando a bandeja na mesinha baixa, Noel levantou uma sobrancelha. "Então. Como vai a expedição?"
Elyra cruzou os braços. "PIOR. Você está muito limpo, Noel. É suspeito."
Charlotte fez bico. "Você nem tem cartas ou fotos escondidas! Quem vive assim?"
Elena acrescentou timidamente: "É… bem organizado."
Noel riu baixinho, balançando a cabeça. "Quem sabe porque eu não tenho tempo de esconder segredos."
Ele despejou o chá com calma, e a tensão desapareceu rapidinho, enquanto o aroma se espalhava pelo ambiente.
"Vamos lá," ele disse, apontando para a mesa. "Antes que a Noir coma todos os cookies."
'Não me ameaçe com uma diversão dessas,' pensou Noir, pulando para se acomodar ao lado da bandeja.
As garotas trocaram olhares, rindo enquanto se sentavam ao redor da mesa — a travessura dando lugar ao afeto.
Exatamente quando Noel esperava, alguém bateu à porta.
Albrecht Thorne nunca chegava cedo, nunca atrasado. Sempre na hora certa.
A porta se abriu, e seu pai entrou — alto, com ombros largos, vestindo seu casaco formal preto e vermelho. Sua expressão, como sempre, era indecifrável, a calma fria que fazia a sala ficar silenciosa sem precisar falar.
"Recebi sua carta," ele começou, com o olhar percorrendo o grupo. "Aquela dizendo que meu filho receberia quatro… convidados."
As meninas se levantaram de imediato. Elyra fez uma reverência graciosa; Charlotte juntou as mãos educadamente; Elena seguiu com elegância silenciosa, e até Selene inclinou levemente a cabeça em sinal de reconhecimento.
Noel se endireitou, com tom tranquilo. "Eu ia te procurar assim que eles estivessem acomodados."
O olhar afiado de Albrecht se voltou para ele. "E me fazer esperar enquanto metade das filhas nobres do continente estão na minha casa? Não. Eu as receberei pessoalmente."
A atenção dele primeiro se voltou para Selene.
"Senhora Selene von Iskandar," disse, com voz calma, mas carregada de um peso sutil de reconhecimento, "Você e meu filho desapareceram durante a Caçada da Herança. Confio que o que quer que tenha acontecido foi… produtivo."
Selene encarou-o sem hesitar. "Sobrevivemos. Isso foi suficiente."
Albrecht a estudou por um momento, depois assentiu ligeiramente. "Bom."
Depois virou-se para Charlotte. "A Santa da Geração. Filha de Orthran. A Capital da Valor deve estar mais silenciosa sem você."
Charlotte sorriu com sinceridade. "Talvez um pouco. Mas acho que vão sobreviver."
Isso quase arrancou um sorriso dele — quase.
Depois veio Elena.
"Elena von Lestaria. Seu pai ainda gerencia as fronteiras, certo? Veyron nunca ficou parado."
Elena sorriu cordialmente. "Ele ainda é o mesmo, meu senhor. Meus pais estão bem."
"Ótimo. Os Lestaria sempre foram aliados úteis," ele disse seco, e seguiu adiante.
Por fim, seu olhar repousou em Elyra.
"Elyra von Estermont. A herdeira mais influente de Valor — só atrás da linhagem imperial." Sua voz carregava um vestígio de respeito. "As negociações da sua família em Tharvaldur foram… impressionantes."
Os olhos de Elyra brilharam. "Ouvi dizer que você soube disso?"
"Escuto tudo que concerne ao Império," respondeu Albrecht com frieza.
Ele entrelaçou as mãos atrás das costas, observando-as. "É raro ver convidados tão ilustres reunidos sob um mesmo teto. Hoje à noite, vocês vão jantar com a família Thorne. A casa já está se preparando."
Noel franziu a testa levemente. "Foi você quem planejou isso, não foi?"
O lábio de Albrecht se curvou num sorriso sem humor. "Claro. Posso ser muitas coisas, mas não sou um anfitrião insensível."
Elyra deu uma risadinha discreta, Charlotte sussurrou: "Ele fica mais assustador quando é educado."
Selene murmurou, "Concordo."
Albrecht fez um último gesto com a cabeça, os olhos voltando a Noel. "Esteja pronto ao pôr do sol. E diga à sua… criatura para se comportar." O olhar dele brevemente se voltou para Noir, que piscou inocentemente para ele.
Quando virou-se para sair, Noir sussurrou na mente de Noel: 'Pai, não gosto dele.'
Noel suspirou suavemente. "Sim… eu também não."
Quando a porta se fechou, o silêncio voltou a preencher a sala.
Charlotte se inclinou para frente, rindo nervosamente. "Então… jantar com seu pai. Nada assustador, né?"
Elyra sorriu de lado. "Vai ser divertido."
Noel deixou a cabeça cair nas mãos. "Vocês e eu temos definições bem diferentes dessa palavra."