
Capítulo 390
O Extra é um Gênio!?
Os portões da Casa Thorne rangeram ao se abrirem, ferro encontrando pedra com um silêncio profundo que ecoou pelo pátio. O sol do meio-dia atingia o caminho gasto que levava ao manor, seu brilho capturando minúsculas partículas de poeira dançando no ar.
Noel estava na entrada, com uma mão descansando casualmente sobre a empunhadura de Revenant Fang e a outra no bolso. Noir sentava ao seu lado, em sua pequena forma, caçando a cauda preguiçosamente enquanto seus olhos violetas acompanhavam a carruagem que se aproximava.
"Eles realmente chegaram," pensou Noel, observando o brasão ornamentado de Estermont pintado na porta da carruagem. "Os quatro. Juntos. Ótimo."
As rodas pararam com um rangido suave. Um instante depois, a porta se abriu—e Elyra von Estermont foi a primeira a descer. Sua longua trança preta balançava com o movimento, e o sorriso confiante nos lábios era tão natural quanto respirar.
"Bom," ela disse, com as mãos nos quadris, "olha quem está fazendo pose de responsável."
Entretanto, a sobrancelha de Noel se contraiu. "Chama-se estar de pé."
Elyra sorriu. "E estar indo bem, pelo visto."
Logo atrás dela, Elena desceu graciosamente, com o sol refletindo em seus cabelos loiros platinados. Ela observou ao redor com curiosidade silenciosa, seus olhos cor de ambra suavizando ao pousar em Noel. "Você… está bem. Isso é uma alívio."
Ele assentiu, um sorriso leve surgindo nos lábios. "Você também."
Depois veio Charlotte, acenando alegremente assim que seus botins tocaram o chão. "Noel!" ela chamou, com a voz tão brilhante quanto sua expressão. Ela quase tropeçou na barra do vestido, se segurando com uma risada nervosa. "Faz Tempo que não vejo você!"
Noel suspirou, mas havia calor na expressão. "Se você tropeçar mais uma vez, vou colocar uma Muralha de Gelo entre nós."
Charlotte riu. "Sempre tão encantadora."
Finalmente, Selene desceu. Ela não falou nada inicialmente—apenas fixou Noel com seus olhos calmos de cyan. Não havia emoção no rosto, mas seu olhar permaneceu por meio segundo a mais do que o normal.
Noel correspondeu e inclinou um pouco a cabeça. "Você veio."
Selene assentiu. "Claro."
O ar entre eles parecia estranho—como cinco peças de quebra-cabeças de diferentes histórias tentando se encaixar novamente após tempo demais separados.
Noel quebrou o silêncio primeiro. "Então, finalmente chegou a cavalaria."
Charlotte cruzou as mãos atrás das costas, provocando, "Na verdade, preferimos 'namoradas'."
Elyra sorriu de lado. "A mesma coisa, né?"
Até os lábios de Selene se contorceram levemente.
Noel respirou fundo lentamente, relaxando os ombros pela primeira vez em dias. "Bem-vindos à Casa Thorne."
Noir latiu uma vez, como se estivesse concordando.
Charlotte se agachou imediatamente, sorrindo largo. "E a Noir também! Está ainda mais fofa! Espera… Noir!?"
Ao ouvir isso, as outras três meninas quase ao mesmo tempo viraram-se.
"Noir?" perguntou Elyra, com a sobrancelha levantada.
Elena sorriu suavemente. "Faz tempo que não a vemos."
Selene inclinou um pouco a cabeça. "Você cresceu."
Na surpresa de todos, o rabo de Noir se moveu uma vez, e ela abriu a boca e falou de forma clara:
"Olá, a todos."
As quatro meninas ficaram paralisadas, com os olhos bem abertos.
Noel piscou. "Espere—o quê?" Ele se agachou, apontando para Noir. "Você pode falar com elas agora?"
Noir olhou para cima, completamente calma. "Claro. Você nunca perguntou se eu sabia, pai."
Noel piscou de novo, cerrando a mandíbula enquanto exalava. "...Ótimo. Mais um segredo."
Elyra riu baixinho. "Aposto que ela puxou isso de você."
Charlotte juntou as mãos, com os olhos arregalados. "Espere—agora ela consegue falar?"
Elena piscou rapidamente. "Desde quando?"
Elyra se inclinou para frente, curiosa. "Noir, quando foi que aprendeu isso?"
Selene inclinou a cabeça suavemente. "Você não conseguia fazer isso antes."
Noir balançou o rabo uma vez, parecendo satisfeita com a atenção. "Desde que meu pai evoluiu para Ascendente," ela respondeu de forma direta, com um tom quase de orgulho.
As quatro meninas trocaram olhares impressionadas.
Charlotte respirou fundo, sorrindo. "Pai? Que fofo!"
Elyra deu um sorriso de lado. "Bem, ela definitivamente puxou você."
Elena sorriu suavemente. "Incrível, Noir."
Até os olhos de Selene suavizaram um pouco. "Então, sua evolução mudou mais do que só força."
Noel esfregou a nuca, meio divertido, meio envergonhado. "Pois é… pelo jeito, veio com chat de voz."
Noir balançou o rabo orgulhosa. "Agora posso contar para todo mundo o quão incrível meu pai é."
Noel suspirou por baixo, pensativo. "Perfeito. Exatamente o que eu precisava—de relações públicas."
A risada que se seguiu descongestionou o ambiente ao redor, e, pela primeira vez em dias, a Casa Thorne não parecia tão pesada.
Noel guiou-as pelos corredores sombrios do palácio Thorne até chegar ao seu quarto.
Ele fez um gesto para que se sentassem. "Fiquem à vontade."
Charlotte já girava lentamente no lugar, com os olhos arregalados. "Este lugar é… velho, mas até que é bom!"
Elyra olhou para ela. "Chama-se estilo antigo."
Selene apenas sentou-se, sempre discreta. Elena a seguiu, dobrando as mãos no colo.
Depois que todos se acomodaram, Noel se encostou na mesa. "Certo. Conta pra mim—como foi a coisa entre vocês?"
Os olhos cinzentos de Elyra se estreitaram um pouco, captando a tonalidade do tom dele. "Você quer dizer a conversa."
Noel confirmou com a cabeça. "Sim."
Ela cruzou as pernas e suspirou baixinho. "No começo, eu fiquei… puta, Noel. A gente tinha combinado que qualquer decisão importante seria discutida entre todos. Eu tava pronta para voar até aqui e te acertar uma surra."
Charlotte episou uma risada. Elena disfarçou com uma tosse educada. Até Selene parecia um pouco culpada.
Elyra continuou, mais suave agora. "Mas Elena explicou tudo—e Selene também me contou o lado dela. Então…" Ela se inclinou para frente, com um sorriso divertido. "Vou repetir o que sempre digo: é melhor você nos mimar direito, entendido?"
Noel soltou pelo nariz. "Anotado. Vou fazer o meu melhor para sobreviver a essa tarefa."
Charlotte riu. "Você fala como se fosse tão difícil."
Noel olhou para elas uma a uma. "Ainda assim… por que vocês vieram todas juntas aqui? Sabe que eu não estava muito afim de ter qualquer ligação com a família Thorne."
O sorriso provocador de Elyra desapareceu. "Porque minha intuição nunca falha—e ela avisou que algo ruim vinha."
Noel fez uma pausa, o olhar escurecendo. "...Você tem razão. Acho que Elena já te contou o que eu disse antes? Sobre algo perigoso prestes a acontecer."
As três assentiram silenciosamente.
Ele se endireitou. "Então, é isso mesmo." Um momento de silêncio se alongou antes que ele forçasse um sorriso tímido. "Enfim. Querem algo para beber? Comer?"
Charlotte animou-se instantaneamente. "Chá seria perfeito!"
Elena acrescentou suavemente: "Se tiver doces, também seria bom."
Elyra deu de ombros. "Surpreendam a gente."
Selene apenas assentiu vigorosamente.
"Certo," disse Noel, levantando-se da mesa. "Fiquem aí. Não quebrem nada."
Assim que saiu do quarto, o silêncio tomou conta por meia segunda—até Charlotte se virar para as outras, com os olhos brilhando de malícia. "Então… vamos dar uma fuçada, né?"
Elyra sorriu de lado. "Obviamente."
E enquanto Noir bocejava preguiçosamente perto da cama, as quatro meninas começaram a explorar cada canto do quarto de Noel, curiosas para descobrir quais segredos o misterioso herdeiro de Thorne poderia estar escondendo.