O Extra é um Gênio!?

Capítulo 402

O Extra é um Gênio!?

A porta pesada se fechou suavemente atrás dele com um clique silencioso.

Por um momento, Noel apenas ficou ali no corredor — o tênue brilho laranja das arandelas estendendo sua sombra pelo chão de mármore. O silêncio da mansão Thorne parecia mais pesado do que antes, pressionando-o como uma velha lembrança que se recusa a desaparecer.

Seus passos ecoaram suavemente enquanto ele começava a caminhar. A conversa com Albrecht reprisava em fragmentos — palavras sobre sua mãe, seu sorriso, seu calor, sua morte. Era estranho. Ele nunca a conheceu, mas agora, após ouvir seu pai falar, quase podia imaginá-la. A maneira como ela ria. Como ela talvez tivesse o segurado.

E de alguma forma… doía.

'Então é esse tipo de pessoa que ela era,' pensou, fixando o olhar à frente. 'O tipo de pessoa que esse mundo levou dele.'

O pensamento o puxou ainda mais para dentro, além dessa vida, além dessa família, de volta a um quarto de hospital em outro mundo — branco estéril, máquinas zumbindo, ar que cheirava a produtos químicos e solidão. Ele se lembrou da quietude daquilo. Do frio que se infiltrava em suas mãos enquanto o bip do monitor desacelerava.

Ninguém veio. Ninguém chorou. Nem perceberam quando ele desapareceu.

Um risinho escapou-lhe — suave, amargo. "Acho que pouco mudou," murmurou, mesmo sabendo que não era mais verdade.

Aqui, neste mundo, ele tinha pessoas que esperavam por ele. Que se preocupavam quando ele não retornava. Pessoas que sorriam quando ele entrava numa sala.

Pela primeira vez em anos, o peso de ambas as vidas — o garoto solitário da Terra e o filho indesejado da Casa Thorne — parecia um só.

Os passos de Noel o levaram lentamente pelo longo corredor. A luz suave das arandelas refletia nos quadros dourados alinhados às paredes — retratos da linhagem Thorne olhando com olhos frios e sem vida. Durante a maior parte da sua vida, ele pensou dessa forma: distante, pouco acolhedora, e dolorosamente vazia.

Porém, agora, alguma coisa era diferente.

'Talvez não seja a casa que mudou,' pensou. 'Talvez seja eu.'

Ele lançou um olhar para seu reflexo numa das janelas — o leve brilho verde de seus olhos, a expressão cansada e calma. O rosto que via não era o homem frágil, esquecido, que morreu numa cama de hospital. Era alguém que lutou, sangrou, e conquistou cada respiração desde que acordou neste mundo.

E pela primeira vez, permitiu-se pensar no que ganhou, ao invés do que perdeu.

Marcus — um bom amigo que sempre esteve lá.

Clara, Laziel e Garron — calorosos à sua maneira, sustentando o grupo quando as coisas ficavam difíceis.

Serafina, que ainda acreditava nele mais do que ele acreditava em si mesmo.

Seu melhor amigo Roberto, com quem sempre dá para rir junto.

Até Balthor, o anão bêbado que o acompanhava.

E então estavam elas — as garotas que tornaram seus dias mais silenciosos e brilhantes. A paciência suave de Elena, a confiança brincalhona de Elyra, a risada de Charlotte que sempre encontrava um jeito de tirá-lo de seus pensamentos. E Selene… que aprendeu a sorrir novamente.

Cada uma ficou. Mesmo sabendo do perigo. Mesmo depois de ver quem ele realmente era.

Noel parou por um momento, sustentando uma mão na parede fria. "Já não estou mais sozinho," sussurrou, as palavras quase estrangeiras na língua. A voz de Noir acariciou suavemente sua mente, quente e silenciosa:

'Claro que não, pai.'

Um sorriso pequeno se formou em seus lábios. "É…" disse tranquilamente. "Sim."

No final do corredor, ele parou bem na frente da grande porta de madeira do seu quarto. O som suave de tochas crepitando encheu o silêncio, e seu reflexo brilhou tenuemente na maçaneta de bronze.

Dela, uma presença familiar despertou. A pequena figura de Noir começou a emergir — metade luz, metade escuridão — seus olhos roxos brilhando de leve.

'Você está pensando alto de novo, pai,' ela disse, com tom leve e afetuoso.

Noel respirou fundo, passando a mão pelo pescoço. "Talvez. É difícil não pensar nisso depois de hoje à noite."

Uma breve pausa se seguiu antes que Noir falasse novamente, mais curiosa desta vez.

'Posso te perguntar uma coisa?'

Ele assentiu. "Você acabou de perguntar, mas vá em frente."

'Você… gosta da sua vida aqui?' ela perguntou. Sua voz, normalmente brincalhona, suavizou. 'Depois de tudo o que aconteceu antes de você vir pra cá?'

Noel se encostou na parede ao lado da porta, cruzando os braços. Por alguns segundos, não respondeu. O brilho das tochas refletido em seus olhos os fazia parecer cansados, mas vivos.

"…A verdade?" finalmente disse. "No começo, fiquei aterrorizado. Não tinha ideia do que fazer. Os primeiros meses foram… infernais. Confusos. Solitários. Eu não tinha lugar algum." Ele deu uma risada tímida, sem muito humor. "Sinceramente, ainda não tenho às vezes."

Noir inclinou a cabeça. 'E agora?'

Agora.

O olhar de Noel suavizou. "Agora, sou feliz," admitiu em voz baixa. "Tenho pessoas que se importam comigo, que lutam ao meu lado, que fazem este mundo parecer realmente digno de ser salvo." Ele olhou para Noir, um leve sorriso na ponta dos lábios. "E tenho você."

Ela balançou a cauda, satisfeita. 'Você parece um pai quando fala essas coisas.'

Ele riu, afastando-se da parede. " Acho que estou começando a me acostumar."

'Que bom,' respondeu Noir, voltando para seu próprio shadows enquanto ele pegava na maçaneta. 'Porque eu não vou a lugar algum.'

Noel soltou um suspiro suave, a mão descansando na porta. "Pois é," ele murmurou. "Eu também não."

A porta rangeu suavemente ao se abrir.

Uma luz quente invadiu o interior, banhando o corredor silencioso atrás dele. Noel piscou uma vez, os cantos da boca se levantando levemente ao visualizar a cena à sua frente.

Charlotte e Elena dormiam profundamente em sua cama — Charlotte enrolada, com o cabelo espalhado pelo travesseiro como uma auréola de seda rosa, e Elena repousando ao lado dela, com traços élficos relaxados pela primeira vez. Ambas respiravam em ritmo tranquilo, suas mãos quase se tocando entre si.

Elyra estava perto da janela, com a trança longa repousando sobre um ombro enquanto a luz da lua delineava a linha aguda de seu maxilar. Ao lado dela, Selene sentava-se ereta, seu olhar habitual de gelo suavizado pela ternura nos olhos enquanto conversavam em voz baixa.

Elas se viraram ao ouvirem a porta fechar.

O sorriso de Elyra se curvou numa expressão de entendimento. "Achou que ia demorar?"

"Tive bastante o que pensar," disse Noel, mantendo a voz baixa enquanto atravessava o cômodo.

O olhar de Selene seguiu-o, calmo e indecifrável. "Não queríamos dormir até você voltar."

Noel assentiu uma vez, olhando para o casal adormecido na cama. "Parece que elas não tinham essa intenção."

Elyra riu baixinho. "Tentaram... e falharam miseravelmente."

Ele ficou ali por um momento, apenas observando — essas pessoas que, de algum modo, escolheram ficar com ele apesar de tudo. A luz tremeluzente das lâmpadas pintava seus rostos em tons de ouro e âmbar, suaves e reais.

'Se eu nunca tivesse vindo para cá,' pensou, 'teria morrido sozinho naquela cama de hospital. Ninguém iria lembrar de mim. Ninguém se importaria.'

Ele inspirou lentamente, sentindo uma sensação apertar e depois aliviar-se no peito.

Mas aqui…

Aqui eu tenho eles.

Um sorriso silencioso cruzou seu rosto ao apagar a luz de cristal na porta.

Sim… estou realmente feliz por ter vindo para cá.

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