O Extra é um Gênio!?

Capítulo 394

O Extra é um Gênio!?

No momento em que Mirelle saiu do salão de jantar, Noir deslizou pela extremidade da sombra de Noel como fumaça se dissolvendo no ar.

Os corredores do palácio estavam silenciosos——demasiado silenciosos. O leve zumbido das lâmpadas de mana projetava longas silhuetas imóveis ao longo das paredes de mármore. Para qualquer outra pessoa, pareceria apenas uma caminhada normal após o jantar. Mas os instintos de Noir começaram a pinicar.

O perfume da mulher, que antes era doce, agora carregava algo podre por baixo——metálico, afiado, errado. O nariz de Noir concentrou-se, enquanto ela seguia silenciosamente, andando sobre o tapete carmesim com as patas quase tocando o chão.

Mirelle se movimentava com elegância, cabeça erguida, cada gesto deliberado. Não olhava ao redor uma única vez, como se já soubesse que ninguém teria coragem de segui-la. O leve click dos saltos ecoava à frente, conduzindo Noir ao lado lateral da mansão——aquela parte raramente usada desde a reconstrução anos atrás.

'Para onde você vai…?' Noir pensou, permanecendo perto da parede.

A mulher parou diante de um arco estreito coberto por cortinas de veludo escuro. Com um único olhar sobre o ombro——sem ver, distante——pressionou a mão contra a parede. Uma suave pulsação de mana respondeu, e a porta de pedra deslizou, revelando o brilho frio do jardim lá além.

Noir esperou, com a respiração parada, até que a porta começasse a fechar novamente. Então, ela se lançou para a frente, se achatando na passagem estreita e entrando como uma sombra viva.

Do lado de fora, o ar noturno era frio e pesado, repleto do cheiro de orvalho e terra úmida. O som de ondas distantes chegou baixinho da costa abaixo dos penhascos. A figura de Mirelle se movia pelo caminho iluminado pela lua em direção ao jardim interior——um lugar que poucos funcionários ousavam entrar após o anoitecer.

O pelo de Noir arrepelou-se levemente. 'Algo está errado aqui. Muito errado.'

A luz da lua filtrava-se pelas arcadas abertas do antigo pavilhão, tornando prateados os mosaicos de pedra desgastada e a hera que se agarrava aos pilares. Os passos de Mirelle ecoavam suavemente enquanto ela se aproximava da fonte no centro——seca, rachada e esquecida.

Esperando por ela estavam duas figuras: um jovem e uma jovem.

"Veio," disse a mulher, com tom suave e aprovado.

Mirelle ajustou as luvas, sem se incomodar. "Claro. Eu não perco o começo da minha própria ascensão."

O homem suspirou discretamente. "Confiante, hein?"

"Esperei anos por isso," respondeu Mirelle com frieza. "A queda de Albrecht fortalecerá a Casa Thorne. Com ele fora, a família finalmente terá uma líder de verdade——alguém capaz de recuperar seu nome."

"E essa líder," murmurou a mulher, aproximando-se mais, "será você."

Os olhos de Mirelle brilharam de satisfação. "Como deveria ser. Não me importa como aconteça. Se os monstros o matarem ou se ele morrer por outros meios — o resultado será o mesmo."

O homem deu uma leve confirmação com a cabeça. "Então, pode considerar feito. Quando a horda chegar, garantiremos que ele não saia vivo do campo de batalha. Você assumirá seu lugar de direito como matriarca, e a família seguirá você."

Mirelle não perguntou por que eles estavam ajudando, nem o que ganhariam com isso. Ela não se importava. A ambição já a cegara para tudo mais.

Das sombras próximas ao hedge, Noir se agachou, com o pelo eriçado.

'Eles… querem matar o avô do pai?' pensou, com a mente acelerada. 'Sei que meu pai não gosta dele… mas ele precisa salvá-lo, certo? Precisa… se isso significar salvar a casa.'

A cauda dela se mexeu nervosamente. 'Tenho que avisar ele. Agora.'

A luz da lua aumentava, espalhando um brilho pálido pelos azulejos rachados do pavilhão. O olhar do homem mudou de repente, suas íris vermelhas se estreitaram levemente na direção dos arbustos onde Noir se escondia. Sua expressão permaneceu impassível——apenas um lampejo de concentração passou por seu rosto antes de ele sorrir novamente.

"Tem alguém vigiando," murmurou suavemente.

A mulher inclinou a cabeça, com seu cabelo azul frio refletindo a luz. "De novo?" ela sussurrou, com tom divertido mais do que preocupado.

Mirelle se enrijeceu imediatamente. "O que?" Sua voz tremeu um pouco, apesar do esforço para parecer calma. "Você disse que ninguém poderia nos rastrear aqui——"

"Não podem," interrompeu o homem, com calma e desdém. "Pelo menos não facilmente. Mas a presença é fraca. Quem quer que seja, é hábil em esconder-se."

A mulher deu uma risada suave, quase brincalhona. "Da última vez, você entrou em pânico e assustou ela, lembra? Vamos não repetir isso."

As mãos de Mirelle, guardando a luva, fizeram um punho firme. "Você não entende. Se alguém descobrir que estou me encontrando com você——"

"Não vão," disse o homem, com firmeza, os olhos brilhando na escuridão. "A última conseguiu escapar porque você agiu com medo. Desta vez, fique parada. Deixe que nós lidemos com isso."

A mulher se aproximou dele, sua voz baixando para um sussurro. "Vou garantir que nossa hóspede não fuja de novo."

E, de repente, sua forma brilhou——todo o corpo cintilando como luz refletida na água. Um instante depois, ela desapareceu.

As orelhas de Noir achatadas. O cheiro não tinha desaparecido——ele tinha se multiplicado.

Agora, dois aromas idênticos. Um se aproximando.

'Não… ela não saiu,' percebeu Noir, ficando mais baixa nas sombras. 'Ela copiou a si mesma. Uma ainda está aqui.'

A Whisper ansiosa de Mirelle cortou a tensão. "Você tem certeza de que isso é seguro?"

O homem deu um sorriso paciente, seu tom suave e firme. "Completamente. Se há alguém realmente nos observando, eles não vão ficar escondidos por muito tempo."

Sob o hedge, o pulso de Noir acelerou. 'Preciso me mover antes que me encontrem.'

Ela correu entre os arbustos, com as patas tocando levemente o chão. Os jardins antes imóveis da Casa Thorne agora pareciam um labirinto de perigo.

Logo atrás, ouviu passos leves. A cópia sombra da mulher moveu-se como neblina, deslizando pelo ar, rastreando seu cheiro.

'Pai… preciso de ajuda!' A voz de Noir atravessou a mente de Noel, urgente e tremendo. 'Eles me encontraram. Estou perto da fonte leste!'

Noel parou, com o garfo na metade do caminho até a boca. Ao redor dele, a família ainda comia e conversava sob a luz das velas, alheios ao caos que se desenrolava do lado de fora.

Ele colocou o garfo quietamente e recuou a cadeira. "Com licença," disse calmamente, com tom equilibrado. "Voltarei logo—preciso clarear a cabeça por um momento."

Albrecht acenou com a cabeça, ainda conversando com Elyra. "Não demore muito."

Noel sorriu de leve e se afastou, com a pulsação firme, mas o olhar afiado. Assim que cruzou as portas do salão de jantar, sua fachada educada desapareceu.

'Espera aí, Noir. Estou chegando.'

Do lado de fora, o ar noturno o atingiu como uma onda—gelado, pesado de mana. Ele já podia sentir pequenas distúrbios rumo ao jardim leste, controlados, mas presentes. Quem quer que fossem, eram habilidosos.

Seus passos aceleraram enquanto atravessava os corredores, a mão tocando o peso familiar de Lâmina Revenant, que descansava nas costas.

"Passo Sombrio," murmurou.

O mundo se escureceu em densidade total. Num piscar de olhos, ele emergiu atrás do caminho cercado de arbustos que levava às fontes. Agora, podia ver Noir——pequena, rápida, zigzagueando entre as árvores enquanto uma tênue cintilação de ilusão a perseguia, silenciosa e predatória.

Os olhos de Noel se estreitaram. "Te peguei."

A mana elétrica prateava seu braço ao levantar a mão, com o símbolo de um feitiço de relâmpago já se formando.

"Agulha de Tensão."

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