
Capítulo 393
O Extra é um Gênio!?
A sala de jantar da Casa Thorne brilhava sob o suave brilho de candelabros. Cortinas com detalhes em ouro emolduravam janelas altas, e a longa mesa se estendia pelo cômodo como um espelho polido de autoridade. O aroma sutil de ervas assadas e velas infusionadas com mana preenchia o ambiente.
Noel entrou primeiro, com as mãos nos bolsos, seguido de perto pelas quatro garotas. Toda conversa parou. Albrecht estava sentado na cabeça da mesa, com postura firme como uma lâmina de ferro, enquanto o restante da família—Serina, Mirelle, Kael, Damon e Sylvette—se voltavam para recebê-los.
Por um instante, ninguém falou. Então Elyra avançou com elegância tranquila. "Elyra von Estermont," ela disse suavemente, inclinando levemente a cabeça. "É uma honra ser recebida."
Elena a seguiu com sua graça habitual, com as orelhas levemente twitchando. "Elena von Lestaria, prazer em conhecê-los."
Charlotte sorriu calorosamente. "Charlotte, da Capital Sagrada. Obrigada por nos acolher."
Selene manteve o tom neutro. "Selene von Iskandar."
Uma breve pausa se seguiu às apresentações. Serina piscou, visivelmente impressionada, enquanto o olhar de Mirelle se aguçou—meio de descrença, meio de irritação.
"São… seus acompanhantes?" Mirelle perguntou lentamente, voltando os olhos para Noel.
"Sim," respondeu Noel, com voz monótona.
Serina se recuperou primeiro, sorrindo educadamente. "São uma companhia bastante distinta."
Porém Mirelle se inclinou levemente para frente, com tom carregado de veneno. "Não posso deixar de me perguntar—por que recusaram as propostas feitas aos nossos filhos, Kael e Damon, quando as receberam? Seria uma união muito mais… adequada."
Elyra trocou olhares com as demais antes de responder com frieza: "Porque nossas famílias nos permitem escolher com quem queremos estar ao lado."
O sorriso de Charlotte não vacilou. "E nós escolhemos Noel."
Sylvette soltou uma risada irônica, recostando-se na cadeira. "Viu, pai? Até eles podem escolher. Talvez eu devesse também."
Todas as cabeças se voltaram para Albrecht. Pela primeira vez, seu olhar suavizou—não muito, mas o suficiente para fazer a mesa respirar fundo.
"Você tem razão," ele disse simplesmente. "Deve escolher por si mesma."
Serina ficou agradavelmente surpresa. Mirelle paralisou, os músculos apertando a mandíbula.
Noel olhou para o pai, inquieto. 'O que foi que aconteceu com ele…?'
Por alguns segundos, ninguém se mexeu. As palavras de Albrecht ainda pairavam no ar, mais pesadas do que o silêncio que se seguiu.
Até Sylvette piscou, surpresa com o acordo do pai.
Serina riu suavemente, apoiando a mão no ombro da filha. "Escutou? Parece que seu pai ficou mais conformado com o passar dos anos."
Mirelle bufou silenciosamente, com voz afiada e carregada de raiva contida. "A brandura não faz um líder. Liberdade de escolha soa conveniente quando você nunca enfrentou o peso do dever."
A tensão foi instantânea. O leve tilintar dos talheres foi o único som até Albrecht finalmente colocar sua taça na mesa. "Chega de papo, Mirelle," disse com equilíbrio, sem elevar a voz—mas a força na sua fala era inquestionável. "Não transforme o jantar em um espetáculo."
Os lábios de Mirelle se pregaram, os olhos se estreitaram, mas ela não disse mais nada.
Do outro lado da mesa, Noel sentiu os dedos de Elyra roçarem sua mão sob a mesa—um gesto sutil, de quieta reassurance. Ele não olhou para ela, mas o contato o manteve firme.
Elena se inclinou um pouco mais perto, com voz suave, porém curiosa. "Seu pai parece… diferente, não é?"
Noel olhou na direção de Albrecht, que cortava sua comida com calma, seus movimentos tão metódicos quanto sempre—mas havia algo estranho nele. Seu tom, suas palavras, até mesmo a curva vaga de seu rosto—era diferente do homem frio e distante que Noel conhecia a vida toda.
"Pois é," murmurou Noel. "Tá estranho. Ele… quase parece humano hoje à noite."
Charlotte tampou a boca para disfarçar uma risadinha. "Quase?"
Noel deu um risquinho de ombros. "Vamos não abusar da sorte."
Os olhos de Selene foram rápidos até Albrecht, com tom medido, mas curioso. "Ele também esteve diferente na Caçada. Mais frio, mas concentrado. Talvez algo tenha mudado."
Noel deu um suspiro silencioso, sem responder. 'Mudou, hein? Talvez. Mas não acho que confie nisso.'
A calmaria não durou muito. Mirelle colocou o garfo com um som forte que ecoou pela mesa. Seus lábios formaram um sorriso estreito, que não alcançou os olhos.
"Então," ela começou, com voz lenta e cortante, "todos vocês vieram aqui… por ele?" Ela gesticulou um pouco na direção de Noel. "Tenho que me perguntar—por que ele?"
As palavras pairaram no ar como uma lâmina. Serina se mexeu desconfortável, enquanto Kael e Damon baixaram o olhar, tentando parecer invisíveis.
Elyra não hesitou. "Porque Noel é Noel," ela disse simplesmente, mantida firme, sem desviar o olhar. "Ele não finge ser alguém que não é."
Charlotte acrescentou suavemente: "Ele ouve. Mesmo quando não fala muito, entende o que as pessoas precisam."
Elena se inclinou à frente, com olhos brilhantes. "Ele não busca poder ou glória—faz o que precisa ser feito."
Selene foi a última a falar, com voz tranquila, mas certa. "Ele… é o único que, alguma vez, olhou para mim sem medo ou pena."
O silêncio voltou a tomar conta. Albrecht parou sua faca no ar, e por um momento, até a luz vacilante das velas pareceu parada. Seus olhos se moveram de uma garota para a outra, até finalmente descansar no seu filho.
Noel manteve o olhar firme, sem piscar. O olhar do velho era afiado, avaliador, mas havia algo mais escondido por trás—algo como respeito relutante.
"Entendo," finalmente disse Albrecht, recostando-se na cadeira. "Então, parece que meu filho fez algo que eu nunca consegui."
Serina piscou. "E o que seria?"
Os lábios de Albrecht formaram uma leve curva. "Conquistar lealdade sem exigir."
A frase deixou a sala sem fôlego. Até Mirelle não conseguiu pensar em uma resposta.
Noel também não respondeu. Apenas soltou um suspiro lento. 'Você tá cheia de surpresas hoje, velho.'
Sylvette quebrou o silêncio primeiro, batendo levemente a colher na mesa, como se aliviasse a tensão. "Bom, já que todos resolveram ficar encarando Noel, que tal mudarmos de assunto? Tipo—ainda tem Garotos bonitos na academia procurando namorada?"
"Sylvette!" Serina exclamou, meio repreendendo, meio rindo enquanto tocava no braço da filha.
"Que foi?" Sylvette respondeu inocente, sorrindo. "Já que o pai disse que posso escolher quem eu quero, acho que vou começar a procurar."
Isso até arrancou uma risadinha de Albrecht. "Ela tem razão," ele comentou secamente, tomando um gole do vinho. "Mas preferiria que seus padrões fossem… mais altos."
Serina caiu na risada; até Kael e Damon deram sorrisos tímidos.
Por alguns minutos, a sala se encheu de uma rara sensação—calor.
Apenas Mirelle permaneceu imóvel, apertando os dedos ao redor do copo.
Seu sorriso ficou tenso quando finalmente falou. "Com licença. Aqui dentro está… pesado."
Sem esperar permissão, ela se levantou e dirigiu-se à porta, com movimentos elegantes e contidos.
No momento em que desapareceu pelo arco, a voz de Noir tocou na mente de Noel como um sussurro sombria.
'Pai… devo segui-la?'
Noel não se moveu, apenas pegou sua taça para esconder a tensão na mandíbula.
'Sim,' respondeu silenciosamente. 'Só por precaução.'
A presença de Noir desapareceu na sombra dele e sumiu pelo corredor.
De volta à mesa, Albrecht levantou levemente a taça. "Vamos brindar, então. Aos convidados que trouxeram uma paz inesperada para a Casa Thorne—pelo menos por hoje."
As taças foram erguidas, sorrisos se espalharam.
E contudo, enquanto a luz das velas vacilava pelo corredor longo, os pensamentos de Noel vagaram longe da mesa.
Ele sentiu novamente—a mesma inquietação que o perseguiu a semana toda.
'Essa calma não vai durar…'