
Capítulo 372
O Extra é um Gênio!?
O ar fresco das montanhas ainda carregava o peso da caçada. Carroças alinhavam-se na clareira, guardas comandavam ordens, e os últimos vestígios do acampamento estavam sendo desmontados. Em breve, cada casa retornaria ao seu próprio território.
Noel ajustou a Presa do Espanto ao seu lado, o olhar firme enquanto os momentos de partida se sucediam.
Elena aproximou-se silenciosamente, seus passos deliberados. Desta vez ela não hesitou—apenas foi até ele, inclinando-se e tocando suavemente seus lábios contra os dele. Foi breve, mas suficiente para apertar seu peito.
"Nos vemos na academia", ela sussurrou, a voz baixa, só para ele.
Noel respondeu com um sorriso discreto. "Sim."
Depois veio Clara, com seu brilho habitual, mesmo exausta pelos dias anteriores. "Cuide-se, Noel. Não suma repentinamente."
"Não vou", respondeu ele simplesmente.
Marcus foi o seguinte, com tom mais firme, menos competitivo do que o de costume. "Não exagere. Você também tem limites."
Noel respirou fundo, em silêncio. "Vou lembrar disso."
Então apareceu Selene. Ela não olhou para a mãe, que aguardava próxima, focou apenas em Noel. Seu olhar permaneceu mais tempo do que o necessário antes que ela finalmente falasse. "Vou voltar à academia. Não tenho motivo para… ir com ela."
Noel não respondeu, mas entendeu. 'Depois de tudo… claro que ela não iria.'
Selene virou-se, indo embora com o grupo que se dirigia à Academia Imperial.
Uma por uma, as despedidas chegaram ao fim. A clareira ficou mais silenciosa, até que restaram apenas as carroças da Casa Thorne, esperando levá-lo de volta—de volta à família e ao território de que não podia fugir mais.
'Território de Thorne… hora de cumprir uma missão.'
A clareira se ia ficando menor rapidamente, a maioria das bandeiras já abaixadas, as carroças partindo em seu caminho. Selene ficou imóvel por um instante, com a varinha na mão, os olhos frios fixos na mulher de cabelos prateados que aguardava na borda.
Vaelora von Iskandar—matriarca, guerreira, mãe.
"Selene", começou Vaelora, com a voz mais baixa do que se lembrava. Não aguda, não imponente—quase cautelosa. "Você fez um bom trabalho. Venha comigo. Vamos voltar para casa juntas."
Resposta de Selene curta e imediata. "Não. Eu vou para a academia."
O olhar de Vaelora se fechou. "Você não precisa ficar separada. Eu… estou tentando."
Os lábios de Selene se comprimiram em uma linha fina. "Tarde demais para tentar."
As palavras cortaram o ar entre elas. Por anos, ela suportara crueldade, rigidez, fome. Um único ano de mudança não poderia apagar esse peso.
Os ombros de Vaelora se mexeram, mas ela não argumentou. Ao invés disso, respirou fundo, longo e firme, e assentiu uma vez. "Então, faça o que desejar. Apenas… mantenha-se firme."
Selene virou-se sem mais palavras, sua capa roçando na pedra.
Noel esperava perto das carroças da Casa Thorne. Seus olhares se cruzaram brevemente enquanto ela passava.
"Vamos ter que conversar com os outros quando estivermos todos juntos", disse Selene, com a voz mais baixa, longe dos ouvidos de sua mãe.
Noel assentiu, com expressão tranquila. "Isso mesmo. Tudo no seu tempo. Cuide-se, Selene. Se quiser, passa lá na casa com os outros."
Por um súbito instante, sua fachada severa se quebrou, uma leve faísca de calor em seus olhos cianos. Depois ela virou-se, caminhando em direção ao grupo rumo à Academia Imperial.
Noel a observou partir, as palavras ainda pairando no ar da manhã. 'Tudo no seu tempo.'
Logo atrás dele, a carroça de Thorne esperava, as rodas rangendo contra as pedras. A jornada de volta começava.
A carroça balançou suavemente enquanto descia a estrada da montanha, deixando para trás o acampamento e suas bandeiras. Diferente das cumbres nevadas ao norte, essas encostas logo deram lugar a trilhas rodeadas de florestas, e além delas, os ventos costeiros de Nivária se perderiam nas terras mais temperadas de Thorne.
Por dentro, Noel sentou-se de frente para Sylvette. O silêncio se estendeu entre eles, pesado, mas não desconfortável.
Ela foi a primeira a quebrar o silêncio. "Você realmente não diz nada sobre a caça?"
Noel recostou-se, com os braços frouxamente cruzados. "Nem muito. Caçei, sobrevivi. O que mais há para dizer."
Sylvette arqueou uma sobrancelha, estudando-o. "Você chama isso de nada? Sobreviveu a todos. Até a mim. Como?"
O olhar de Noel piscou nela, calmo e firme. "Sou mais forte. Só isso."
A franqueza na resposta a fez piscar. Por um momento, quase riu, mas a honestidade no tom dele a fez calar. Ela se mexeu, cruzando os braços.
"Então," pressionou, "você entende o que isso significa?"
Noel não respondeu de imediato. Observou a floresta passando veloz pela janela, sua mente longe da trilha rochosa. 'Primeiro lugar… herdeiro… tudo o que não quero.'
A voz de Sylvette cortou novamente, firme, mas afiada. "Significa que agora você é o herdeiro legítimo. Mais do que qualquer um."
Noel finalmente a olhou, com os lábios formando um sorriso que não era exatamente um sorriso. "Não estou interessado. Essa posição será sua."
Sylvette estreitou os olhos. "Tem certeza disso? Assim, de repente?"
"Sim", disse Noel, com franqueza. "Pense bem. Lembra da caça do ano passado? Dois irmãos nossos se machucaram. Outra irmã já foi prometida a alguém. Sobramos eu e você. E eu não quero mais nada com nossa casa."
Sylvette recostou-se, silenciando por um instante. Sua expressão relaxou um pouco, por curiosidade mais do que por dureza. Pela primeira vez, ela começou a questionar se o irmão mais novo era realmente o rival que pensava—ou algo totalmente diferente.
As rodas da carroça batiam contra as pedras, marcando o ritmo enquanto a estrada da montanha se estendia. Lá fora, a paisagem mudava lentamente—os picos agudos ficavam mais distantes, dando lugar a encostas arborizadas, o ar perdia seu frescor intenso com a aproximação das terras mais quentes de Thorne.
Dentro, o silêncio entre Noel e Sylvette permanecia, mas já não era pesado. Havia mudado.
Agora, Sylvette o estudava abertamente, seus olhos azuis afiados não mais em sinal de desconfiança, mas em reflexão. "Você realmente quer isso, não é? Então abrir mão do herdeiro sem hesitar."
O olhar de Noel permaneceu na janela, observando a mistura de árvores. "Já te disse. Não quero isso. Nunca quis."
Ela apertou os lábios. Há tanto tempo, ela o via como mais uma peça no jogo—um rival a ser superado na interminável política familiar. Mas agora…
"Você é estranho", ela sussurrou. "A maioria de nós luta por reconhecimento. Por uma chance de ser vista. E você…" Seus olhos suavizaram, uma fração. "…se afasta disso."
Finalmente, Noel virou a cabeça, seus olhos cinzentos encontrando os dela. "Porque poder sem liberdade é só mais uma corrente."
As palavras ficaram no ar do carro, mais pesadas que o rangido das rodas. Sylvette não respondeu de imediato. Em vez disso, recostou-se, cruzando os braços, com expressão indecifrável.
Porém, algo na sua visão dele havia mudado. A arrogância que carregava ao olhar para o irmão mais novo se desfez, substituída por algo mais silencioso.
Respeito.
Lá fora, a carruagem atingia a crista de uma colina, a trilha descendo rumo às planícies. Brevemente, as bandeiras de House Thorne surgiriam no horizonte—mas a jornada ainda não tinha acabado.
As rodas continuariam girando, levando-os ao destino certo.