O Extra é um Gênio!?

Capítulo 388

O Extra é um Gênio!?

Os olhos de Sylvette ainda estavam arregalados enquanto ela apontava na direção da clareira. "O que... o que era aquilo, Noel?"

Noel expirou lentamente, passando a mão na manga para tirar a sujeira. "Aquilo," disse ele, olhando para a pequena loba negra que agora abanava o rabo aos seus pés, "é a Noir."

Sylvette piscou, a expressão de confusão se aprofundando. "Noir? Quer dizer aquela sombra que costumava te seguir na academia?"

"Sim," Noel assentiu, agachando-se para arranhar atrás da orelha da loba. Noir inclinou-se ao toque, seus olhos violetas brilhando suavemente. "Ela é minha familiar."

Sylvette o encarou como se ele tivesse crescido uma cabeça extra. "Sua familiar? Noel, aquele monstro tinha cinco metros de altura há dois minutos."

"Ela... é adaptável," respondeu Noel com secura.

Noir emitiu um som suave, meio arfado, meio ronronar, e abanou o rabo com satisfação. Sylvette deu um passo hesitante à frente, a curiosidade tomando o lugar do medo. Quando ela se ajoelhou, Noir cheirou sua mão uma vez antes de permitir que ela a acariciasse na cabeça. A pelagem estava surpreendentemente quente.

"Ela... é linda," admitiu Sylvette. "Mas nunca vi uma familiar assim. Nem os falcões de fogo do pai são tão—vivas."

"Sim," disse Noel, olhando para Noir com um sorriso envergonhado. "Ela é especial."

Os olhos de Sylvette saltaram para ele novamente, uma pequena carranca se formando. "Você podia ter mencionado que tinha uma coisinha tão linda aqui?"

Noel levantou uma sobrancelha. "Não achei que fosse importante."

Sylvette ignorou completamente e se agachou ao lado de Noir, estendendo a mão para acariciar sua cabeça. Noir balançou o rabo e, em seguida, rolou de lado, expondo sua barriga como um animal mimado que exige atenção.

"Olha só pra você," disse Sylvette rindo, passando a mão pelo pelo macio e preto da loba. "Você é uma adorável."

Noir soltou um ronronar baixo e satisfeito, com os olhos violetas semicerrados. Noel observou, divertido.

"Ela tem bom gosto," murmurou ele.

Sylvette lançou um olhar brincalhão para ele. "Não estava falando de você."

Noir balançou o rabo uma vez, claramente curtindo a atenção, antes de se enroscar de novo no chão. O momento parecia estranhamente tranquilo—dois irmãos e uma loba sombra, a tensão entre eles dissipando-se como neblina matinal.

Os dois sentaram perto da borda da floresta, onde a luz do sol filtrava pelas folhas em padrões silenciosos. Noir tinha se enroscado ao lado de Noel, sua cabeça descansando preguiçosamente em seu colo, como se fosse dona do lugar.

Sylvette encostou-se a um tronco, com os braços cruzados com descontração. "Então... há quanto tempo você tem ela?"

"Desde o meu primeiro ano na academia," disse Noel, com a voz calma. "Ela era menor na época. Mais sombra do que loba."

Sylvette assentiu lentamente, olhando para Noir. "Ela é incrível. Você realmente cresceu, Noel. Não só ela—você mesmo."

Noel soltou uma risada tênue. "Aposto que o tempo faz isso. E algumas experiências quase fatais."

"Certo..." Sylvette sorriu com suavidade, embora sua voz carregasse uma ponta de culpa. "Não percebi o quanto você tinha ficado mais forte. Ou o quanto você mudou."

Noel não respondeu imediatamente. Olhou para Noir, passando a mão pelo pelo dela. "A mudança nem sempre é algo que se percebe enquanto acontece."

Sylvette inclinou a cabeça. "Você parece um velho."

"Às vezes me sinto assim." Ele respondeu para Sylvette, mas, por dentro, pensou: 'É porque eu sou.'

Isso provocou uma risada suave dela. O clima entre eles ficou... mais leve, algo que não acontecia há anos.

Depois de alguns momentos, Sylvette falou novamente, desta vez em um tom mais silencioso. "Sabe... quando você voltou, achei que tentaria provar algo. Para o pai ou para os outros. Mas você não. Você simplesmente... fez o que tinha que fazer."

O olhar de Noel cruzou com o dela. "Provar alguma coisa mudaria o passado?"

Ela sorriu, balançando a cabeça. "Não. Mas é estranho. Você está mais calmo agora. Talvez mais frio. Mas combina com você."

A orelha de Noir trepidou, como se concordasse.

"Cuidado," disse Noel com secura. "Quase pareces que me respeita."

Sylvette revirou os olhos, sorrindo. "Não abuse da sorte."

O sorriso de Sylvette desapareceu pouco a pouco, substituído por uma expressão tranquila, quase reflexiva. A risada entre eles se dissolveu em uma quietude que parecia mais pesada que o silêncio.

"Noel," ela finalmente falou, com um tom mais suave.

Ele fez um som, olhando na direção dela.

"Tenho pensado em dizer algo há algum tempo." Ela mexeu numa das argolas do brincos—um hábito nervoso que não via há anos. "Sobre como eu costumava te tratar."

Noel inclinou a cabeça um pouco, curioso, mas calmo. "Continue."

"Quando éramos mais jovens, eu... não era exatamente gentil." Ela deu uma risada curta, meio sem jeito. "Na verdade, eu era terrível. Dizia coisas que não queria dizer—porque todo mundo fazia isso. Porque era mais fácil se encaixar do que questionar por que o pai e os outros te tratavam assim."

Noel ficou quieto, com os olhos baixos. A lembrança não era agradável, mas também não era recente.

Sylvette olhou para suas mãos. "Nem sei se pedir desculpas agora muda alguma coisa, mas... eu sou. Desculpa, quero dizer."

Noel soltou um suspiro que poderia ter sido uma risada. "Você está atrasada, sabe? Mais ou menos uns quinze anos."

Ela sorriu de leve, relaxando os ombros. "Achei que sim. Ainda assim, senti que precisava dizer isso."

Ele deu de ombros. "Então, aceito. E vou dizer uma coisa—obrigado por ser a herdeira agora. Você está me poupando de um gosto amargo."

Sylvette piscou e, de repente, começou a rir baixinho. "Você realmente não quer saber de nada da família, né?"

Noel se encostou a uma árvore, com a voz calma. "A menos que eu seja obrigado. Estou aqui porque preciso estar, não porque pertenço."

A última palavra pairou entre eles por um tempo. Sylvette não respondeu—não tinha como argumentar contra isso.

Noir se moveu ao seu lado, abrindo um olho violeta brilhante como se percebesse a tensão, e então colocou a pata cuidadosamente sobre a bota de Noel, reconduzindo-o ao presente.

Noel olhou para ela e murmurou, quase para si mesmo: "Sim... sei disso."

A luz começou a desaparecer quando deixaram a floresta. O horizonte brilhava dourado e violeta, tocando os telhados distantes da propriedade Thorne. Noel seguiu na frente, com as mãos no bolso, enquanto Sylvette o acompanhava, seus olhos ocasionalmente se voltando para Noir, silenciosa ao lado deles, em seu pequeno tamanho.

"Então," quebrou ela o silêncio, "não vim só para pedir desculpas."

Noel arqueou uma sobrancelha. "Pensei que não."

Ela sorriu de leve, puxando um bilhete dobrado do bolso. "O pai recebeu isso há alguns minutos—uma mensagem urgente dos guardas na porta sul."

Ele pegou, lendo a caligrafia antes de olhar para cima. "Uma mensagem?"

Sylvette assentiu, exibindo uma expressão brincalhona. "Aparentemente, a propriedade espera visitantes."

"Visitantes?" Noel perguntou, sentindo um leve calafrio.

"Hã-hã." Ela cruzou os braços, curtindo a expressão dele. "A carta disse—e cito—'As namoradinhas encantadoras do Noel estão a caminho do Território Thorne.'"

Noel congelou. "...O quê?"

Sylvette bufou. "É exatamente o que diz."

Ele passou a mão no rosto, gemendo. "Claro que sim..."

"Então," ela provocou, chegando mais perto, com a sobrancelha levantada, "quantas são? Duas? Três?"

Noel desviou o olhar, murmurando: "Quatro."

Ela arregalou a mandíbula. "Quatro?!"

Ele assentiu, de tom casual. "Não tinha mencionado isso?"

"Não!" exclamou Sylvette, rindo meio sem graça, meio exasperada. "E eu aqui—o pai nem me deixa olhar para um homem porque tenho que agir como a próxima herdeira da família—enquanto meu irmãozinho tem quatro namoradas?"

Noel cruzou os braços, impassível. "Aposto que sou eficiente."

Sylvette gemeu, levando a mão à testa. "Impossível."

Ele deu uma risadinha baixa, mas os olhos ficaram mais suaves ao olhá-la. "Ei, você estar sendo a herdeira é uma vantagem pra família. Depois que tudo isso acabar, posso finalmente estar livre disso."

Sylvette olhou para ele, a expressão mudando. "Você realmente não pensa em ficar, né?"

Noel olhou na direção da mansão, o olhar distante. "Não."

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