O Extra é um Gênio!?

Capítulo 378

O Extra é um Gênio!?

"Elira!"

O sorriso nos lábios de Elira era sincero e radiante enquanto ela avançava.

"Serafina!"

As duas apertaram as mãos, suas risadas cortando o barulho do pátio da academia. Por um instante, a formalidade do sangue nobre e do protocolo real desapareceu — eram apenas duas amigas, reunidas depois de tempo demais.

O cabelo escarlate de Serafina brilhava sob o sol enquanto ela se aproximava, o manto carmesim acompanhando a brisa. "Você parece tão viva quanto sempre", ela provoca. "Comecei a pensar que a herdeira de Estermont tinha desaparecido na fortaleza da sua família."

Elira sorriu de lado. "Por favor. Você sabe que não fico sem fazer nada por muito tempo. Acabei de voltar de casa."

O olhar de Serafina suavizou um pouco. "E sua mãe, como está?"

"Ela está bem agora", disse Elira, com orgulho silencioso. "Recuperada completamente."

"Isso é ótimo", respondeu Serafina, alívio transparecendo na voz. Depois, com seu habitual tom régio de brincadeira, deu um empurrãozinho no ombro de Elira. "Vamos lá. Precisamos conversar em um lugar melhor do que aqui na frente dessas paredes."

O olhar de Elira se dirigiu para os portões da academia. Além dos muros de pedra e dos guardas armados, Valon fervilhava de vida — ruas lotadas de vendedores, carruagens e cafés com janelas de vitral. "Você é princesa", ela disse, inclinando a cabeça. "Tem certeza de que quer andar por aí sem guarda?"

Serafina sorriu. "Trouxe uma", ela afirmou, bata no peito. "Eu mesma."

Elira riu baixinho. "Ainda rebelde como sempre."

As duas passaram pelo portão sem dificuldade — os guardas rapidamente se curvaram ao reconhecerem o insignia de Serafina. A cidade se abriu diante delas: ruas largas de mármore, o ar carregado com o aroma de café torrado e pão assado.

"Tem um café perto do rio", disse Elira. "Silencioso, reservado. Se precisar, pago para fechar."

Os olhos de Serafina brilharam com travessura. "Ah? Planejando comprar o lugar todo só para falar comigo? Sinto-me lisonjeada."

"Não por você", disse Elira, com sorriso de canto. "Pelo que vamos conversar."

E com isso, as duas sumiram na movimentação das ruas de Valon, seus mantos esvoaçando atrás delas enquanto as paredes da academia ficavam ao longe.

O café ficava perto da curva do rio interno de Valon, em um canto tranquilo entre arcos de pedra branca e muros cobertos de hera. Pelas janelas altas, a luz do sol se espalhava sobre mesas polidas e o cheiro sutil de grãos assados preenchia o ar.

Elira já havia conversado com o dono, entregando-lhe uma pequena bolsa de veludo antes de entrarem. Algumas palavras depois, a placa na porta virou para Fechado.

Agora, restavam apenas as duas.

Serafina recostou-se na cadeira, com as pernas cruzadas numa postura fácil, enquanto Elira despejava café em ambos os copos. A luz dourada refletia-se na superfície da bebida, quente e serena — diferente da conversa que estava por começar.

Elira deu o primeiro gole, estreitando levemente os olhos. "E Nicolas?"

Serafina soltou um suspiro suave, o olhar caindo sobre sua xícara. "Ele… bem, tanto quanto pode estar. Mais velho. Mais lento. Você sabe que ele não tem mais a essência dele."

Elira hesitou com o utensílio ainda suspenso, a colher pairando sobre a bebida. "Sim… Mas não parece verdade. Alguém tão forte agora é só um velho? Ele não consegue usar magia algum?"

Serafina balançou a cabeça. "Nem uma faísca. Sem fluxo de mana, sem canalização. Agora, é apenas Nicolas. Não mais o homem que enfrentou as primeiras linhas do Império. Mas ele parece não guardar ressentimentos."

Elira franziu levemente a testa. "Então, onde ele está?"

"No castelo", disse Serafina, suavizando a voz. "Pai insistiu para que ele permanecesse lá. Nicolas é como família para ele — mais que isso, sinceramente. Quando perdeu sua essência, Pai ficou mais abalado que qualquer um. Sempre o viu como irmão, não apenas um aliado."

Elira recostou-se, os dedos batendo levemente na xícara. 'Aquele que um dia carregou metade do continente nas costas… agora sentado quieto numa sala de castelo. O mundo mudou mais rápido do que alguém imagina.'

Serafina olhou novamente, um sorriso gentil surgindo. "Daemar assumiu agora. Nicolas fez a oficial antes de sair da academia."

Elira assentiu, mexendo lentamente seu café. "Foi a única escolha lógica. Todo mundo sabia que Daemar seria o próximo, no final."

Serafina expirou pelo nariz, uma risada quase de relutância. "Ele está segurando melhor do que eu esperava. Ainda assim, duvido que alguém possa substituir Nicolas."

Os lábios de Elira se curvaram suavemente. "Ninguém poderia. O homem carregou metade do Império nas costas por anos. Mesmo após perder sua essência, ainda parece alguém que poderia comandar um exército só com um olhar."

Serafina deu uma risada suave, cheia de carinho. "Ainda repreende os cavaleiros no castelo como se fosse superior a eles. Pai só deixa. Diz que isso lembra os velhos tempos."

Elira sorriu para a xícara, embora os olhos estivessem pensativos. "Isso combina com ele. Nicolas nunca foi de desaparecer silenciosamente."

O café ficou mais silencioso conforme o sol da tarde começava a se pôr, sua luz espalhando-se pela bancada polida e refletindo o brilho suave do vapor que subia de suas xícaras.

Serafina recostou-se, mexendo o que restava na sua bebida. "E então", começou, com aquele tom meio curioso, meio divertido que ela sempre usava ao falar de política, "como foi a negociação com os Tharvaldur? Ouvi dizer que você causou ótima impressão nos anões."

Elira deu um sorriso irônico, batendo a colher na borda da xícara. "Melhor do que esperava, na verdade. Concordaram em importar aço de Estermont e pedras de mana direto. Aparentemente, a notícia se espalhou rápido depois daquela confusão no torneio."

Serafina levantou uma sobrancelha. "Ah, então sua famosa diplomacia funcionou mais uma vez?"

"Mais ou menos", disse Elira, com um sorriso maior. "Diria que foi exatamente como você previu. Você me disse que os anões valorizam confiabilidade mais do que preço — e tinha razão. Assinaram em uma semana."

Serafina soltou uma risada suave, ajeitando um fio de cabelo. "Claro que fizeram. Eu te avisei — quando eles confiam em você, permanecem fiéis. Não são como os comerciantes de Valon."

Elira cruzou uma perna sobre a outra, apoiando o queixo na mão. "Falando em fidelidade…" Os olhos dela brilharam de brincadeira. "Você lembra da sua promessa, não lembra? Quando assumir o trono, as rotas comerciais de Estermont terão prioridade."

Serafina rolou os olhos, mas sorriu. "Você nunca esquece de nada, né?"

Elira sorriu de lado. "Não quando se trata de negócios ou de promessas de futuras rainhas."

Serafina riu, balançando a cabeça. "Está bem. Eu vou cumprir. Quando chegar a hora, Valor apoiará Estermont. Isso é uma garantia real."

Elira levantou a taça em um brinde falso. "Então, um brinde à futura Rainha de Valor — e ao seu gosto impecável em aliados."

Seus copos brilharam suavemente ao se chocarem.

O riso entre elas lentamente se desfez, dando lugar a um silêncio mais reflexivo. O sol já começava a se esconder por trás das torres altas de Valon, tingindo o céu de tons de âmbar e violeta. As luzes do café se acenderam uma a uma, suaves e acolhedoras.

Elira passou o olhar absorta na borda de sua xícara, os olhos cinzentos distantes.

Serafina percebeu imediatamente. "Você ficou quieta", ela disse suavemente. "Tem algo na sua cabeça?"

Elira hesitou por um instante, depois suspirou. "É o Noel."

Serafina inclinou a cabeça. "O que aconteceu com ele?"

"Não sei", admitiu Elira, apertando a xícara. "Só tenho essa sensação… como se algo estivesse errado. Acordei ontem com um peso no peito, e até agora não passou."

Serafina recostou-se na cadeira, observando a amiga. Conhecia aquele olhar — o jeito que Elira perdia o controle só quando sua intuição gritava. "Seus instintos de novo."

Elira deu uma risada pequena, sem humor. "Sim. Os mesmos instintos que avisaram sobre tudo. Nunca me enganam, Serafina. Nunca."

O semblante de Serafina suavizou, a provocação desaparecendo. "Então confie neles. Você sempre teve essa sensação — algo além da lógica. Se acha que ele está em perigo, talvez realmente esteja."

Elira olhou para a janela, as luzes da cidade refletidas nos olhos. "É isso que me assusta", murmurou. "Se eu estiver certa… então ele já está enfrentando algo sozinho."

Por um tempo, nenhuma falou. O leve zunido da cidade atravessava o vidro — carruagens distantes, risadas e o ritmo constante de um mundo que seguia girando, alheio a tudo.

Serafina estendeu a mão por cima da mesa, tocando brevemente a de Elira. "Ele é forte. Mas você é mais. Quando chegar a hora, você saberá o que fazer."

Elira fitou, com o canto dos lábios levemente levantado. "Espero que sim."

Do lado de fora, o vento carregava o som de sinos do distrito superior. Os olhos de Elira ficaram no céu que se fechava, seu coração sussurrando uma oração silenciosa.

"Segure, Noel. Ainda por um pouco mais."

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