O Extra é um Gênio!?

Capítulo 379

O Extra é um Gênio!?

Uma semana tinha se passado desde seu retorno a Valon, mas o sentimento não tinha desaparecido.

Aquela sensação silenciosa no peito — a mesma que a impediu de voar direto para o território de Thorne.

Elyra estava no jardim do pátio nos fundos dos dormitórios, a brisa da manhã balançando sua trança. Os estudantes estavam retornando lentamente à academia após a Caçada, suas vozes ecoando suavemente pelos caminhos de mármore. A vida começava a voltar ao normal — ou pelo menos fingia que sim.

Porém, ela não conseguia se desprender disso.

'Algo está vindo. Não sei o quê, mas se eu sair agora… vou perder a oportunidade.'

Seus instintos nunca a decepcionaram. Nunca. E, embora cada fibra do seu ser desejasse ir até Noel — vê-lo, garantir que ele estava bem — algo mais profundo a incentivava a esperar.

Ela respirou fundo, inclinando o rosto em direção à luz que filtrava pelas arcadas do pátio. "Você está testando minha paciência de novo, Noel", murmurou, meio divertida, meio apreensiva.

De onde estava, ela podia ver o brilho tênue do horizonte da cidade além dos muros da academia — o Castelo Imperial ao longe, com suas bandeiras douradas ondulando ao vento. Mesmo de onde estava, transmitia poder e ordem, mas Elyra não podia ignorar a tensão que parecia envolver o ar nos últimos tempos.

Sua mão tocou a corrente de prata no pescoço, um presente de sua mãe. "Uma semana", ela sussurrou para si mesma. "Só mais um pouco. Se nada acontecer até lá, eu vou atrás de você."

O som de passos atrás dela quebrou seus pensamentos. Ela se virou levemente, reconhecendo o ritmo leve imediatamente.

Charlotte.

Elyra sorriu de leve, afastando uma poeira invisível de seu uniforme antes de se dirigir à sua amiga.

O café do dormitório não estava lotado — apenas o tilintar suave de xícaras e o zumbido distante das lamparinas de mana mantendo o local aquecido. A luz da manhã entrava pelas janelas altas, iluminando o chão de dourado.

Charlotte já estava lá, sentada perto da janela com seu sorriso radiante habitual e uma xícara de chá na mão. Seus cabelos castanhos dourados brilhavam suavemente ao sol — efeito do Véu Santa ainda ativo.

O rosto de Elyra se iluminou ao vê-la. "Charlotte!"

Charlotte olhou para cima, seus olhos acendendo-se instantaneamente. Ela se levantou rindo e praticamente correu até ela. "Elyra! Finalmente!"

As duas se encontraram no meio do caminho, e sem pensar, Charlotte a abraçou. Foi um abraço suave, familiar, cheio de um calor que Elyra não recebia de muitas pessoas.

Elyra deu uma risadinha baixa, batendo nas costas dela. "Ainda uma abraçadora, hein?"

"Claro," disse Charlotte, sorrindo enquanto se afastavam. "Faz tempo que não vejo Tharvaldur. Como você tem estado?"

Elyra sorriu de lado, acomodando-se na cadeira em frente a ela. "Correria. Assuntos de família. Você bem sabe como meu pai fica."

Charlotte rolou os olhos, sentando-se novamente. "Pais nobres superprotetores… acho que isso é universal."

"O seu só é o próprio Papa do mundo," Elyra brincou.

Charlotte riu — um som brilhante, sincero. "Hmpf. Mas é bom te ver. Você parece… mais leve."

"Mais leve?" Elyra arqueou uma sobrancelha. "Você faz parecer que eu estava infeliz."

O sorriso de Charlotte suavizou. "Falo sério. Você parece feliz. Pacífica. Aposto que Noel tem alguma coisa a ver com isso?"

Ela sorriu maliciosamente, com um sorriso maroto. "Talvez. Ele é difícil de ignorar, afinal."

Charlotte encostou o queixo na mão, com os olhos meio brincalhões, meio carinhosos. "Fala sério. Entre a gente, acho que ele está condenado."

Elyra soltou uma risada curta. "Ah, com certeza."

Por um momento, as duas riram juntas — o som leve e sincero, um pequeno eco de calma após tudo que sobreviveram.

Depois, o tom de Charlotte ficou levemente mais sério, pensativa. "Ainda assim… algo está estranho ultimamente. O pai Orthran disse que as correntes de mana estão diferentes. Como se o mundo estivesse mudando."

Sorriso de Elyra desapareceu, seu rosto ficando mais sério. "Eu também senti. Minha intuição nunca errou."

Os olhos de Charlotte brilharam de preocupação. "É sobre o Noel?"

Elyra a encarou, assentindo delicadamente. "Quem mais seria?"

Charlotte sorriu, embora uma ponta de preocupação estivesse escondida abaixo. "Então, espero que ele esteja seguro. Ele sempre encontra um jeito, não é?"

Elyra exalou lentamente. "É… ele sempre consegue."

A porta rangeu ao se abrir, e uma voz suave e familiar surgiu a seguir.

"Elena!" O rosto de Charlotte se iluminou na hora, um sorriso amplo e sincero.

Elena von Lestaria entrou na sala com sua postura tranquila habitual — cabelo prateado caindo pelos ombros, olhos âmbar com aquele brilho sereno. Ela fez uma reverência cortês. "Que bom ver vocês de novo."

Elyra sorriu de leve, cruzando os braços. "Finalmente apareceu, elfa. Estávamos começando a pensar que ficou presa nas montanhas."

Elena revirou os olhos, sentando-se ao lado delas. "Nem pensar. Estava resolvendo algumas pendências depois da Caçada."

Charlotte inclinou-se curiosa. "Ah, sim! A Caçada da Herança! Nunca vimos os resultados completos — como foi?"

Elena sorriu levemente. "Foi bem… para alguns, mais do que para outros."

Elyra ergueu uma sobrancelha. "Quer dizer?"

Elena respirou fundo. "Noel ganhou. Primeiramente."

O silêncio tomou o ambiente por um instante. Elyra e Charlotte trocaram olhares de incredulidade.

Elyra foi a primeira a falar. "Ele ganhou? Espere—ele realmente venceu todo mundo?"

Elena confirmou com a cabeça. "Sim. Com grande vantagem, inclusive. Vi com meus próprios olhos."

A mandíbula de Charlotte caiu um pouco, depois um sorriso radiante se abriu. "Incrível! Noel realmente não para, hein?"

Elyra sorriu de leve, orgulho reluzindo nos olhos. "Aquele idiota. Provavelmente nem descansou uma vez."

"De fato," Elena respondeu. "Ele lutou vinte e quatro horas seguidas. Os drones captaram tudo."

A atmosfera brincalhona começou a diminuir quando ela acrescentou de forma mais contida: "Ele ainda está dentro do território da família, nas terras de Thorne."

Elyra inclinou a cabeça. "Por que não voltou com os outros?"

Elena hesitou. "Disse que algo iria acontecer. Que precisava cuidar disso."

Charlotte franziu a testa. "Isso é coisa dele."

A olhar fixamente, Elyra voltou a falar, com a voz mais séria. "Exatamente o problema. Ele insiste em carregar tudo sozinho." Ela recostou na cadeira, exalando. "Quero ir atrás dele… mas algo me diz que ainda não é hora."

Os olhos de Elena alternaram entre as duas, suavizando-se. "Na verdade, antes de pensar em sair… há algo importante que preciso discutir."

Charlotte piscou. "Algo importante?"

Elyra levantou uma sobrancelha. "E o que isso quer dizer?"

Elena olhou para a porta, com um tom firme mas sério.

"Você vai entender quando ela chegar."

A porta se abriu novamente.

Selene entrou, com seus cabelos azuis levemente bagunçados pelo vento, os olhos cian que nada vacilavam ao encarar as três que a aguardavam.

"Elena," ela cumprimentou suavemente. Depois virou seu olhar para as outras. "Elyra. Charlotte."

Elyra recostou-se, curiosa. "Então é você quem estamos esperando?"

Selene deu um único aceno de cabeça. Sem hesitar. "Sim."

Charlotte inclinou a cabeça. "E… do que se trata isso?"

Selene respirou lentamente e falou com sua habitual compostura, embora sua voz tivesse um leve tremor abaixo dela.

"Gosto do Noel."

O ambiente ficou totalmente imóvel.

Charlotte piscou, processando. Elena apenas suspirou discretamente — já esperava por isso.

Enquanto isso, Elyra sentiu seu coração se estabilizar, acelerando logo depois. Seus lábios se abriram um pouco enquanto um pensamento ecoava em sua mente.

'Então era isso… o sentimento que não conseguia ignorar.'

Selene voltou a encarar-as, com tom silencioso, mas firme.

"Não estou pedindo permissão. Só achei que vocês precisavam ouvir de mim."

Elyra exalou lentamente, um pequeno sorriso quase consciente surgindo nos lábios.

'Claro… minha intuição nunca erra.'

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