
Capítulo 380
O Extra é um Gênio!?
O silêncio ficou pesado após as palavras de Selene.
Elena foi a primeira a respirar novamente, puxando um fio de cabelo platinado atrás da orelha. "Eu já sabia," ela disse calmamente. "Noel me contou depois da Caçada. Você se confessou a ele naquela hora, não foi?"
Selene deu uma pequena cabeça, com uma expressão difícil de decifrar.
Elyra piscou uma vez, seus olhos cinzentos se estreitando levemente. "Espere—o quê?" ela perguntou, a incredulidade escapando de sua compostura habitual. "Você já sabia?"
Charlotte se inclinou para frente, apoiando o queixo nas mãos, um sorriso suave rompendo a tensão. "Então é sobre isso! Por um momento, achei que fosse algum tipo de desafio de duelo."
Elena soltou um risinho leve. "Por favor. Não somos selvagens."
Mas Elyra não riu. Seu sorriso tinha desaparecido, e o ar ao redor dela carregava uma leve ponta de dureza. "Então, deixe-me perguntar algo," ela disse de forma firme, o olhar fixo em Selene. "Aconteceu alguma outra coisa entre vocês duas?"
A mão de Selene se apertou um pouco ao redor da varinha, depois ela respirou fundo. "Por que você pergunta?"
"Porque eu conheço Noel," Elyra afirmou. Sua voz era tranquila, mas incisiva. "Ele não deixa as pessoas tão próximas assim facilmente—salvo se alguma coisa mudou."
Charlotte piscou, olhando alternadamente para as duas. "Espere, estamos… falando de perto, emocionalmente, ou…?"
"Ambos," Elyra respondeu simplesmente.
Por um momento, o único som foi o tique-taque suave do relógio na parede. Selene olhou para baixo brevemente, como se estivesse ponderando suas próximas palavras. Elena percebeu o tremor sutil em seus dedos, mas não disse nada—ela queria ver o que Selene faria.
Finalmente, Selene levantou novamente o olhar, com uma voz firme apesar da tensão que aumentava na sala.
"…Se vocês realmente querem saber," ela falou baixinho, "então sim. Algo aconteceu."
O silêncio que se seguiu alongou-se o suficiente para fazer Selene se mexer desconfortável. Elyra expirou pelo nariz, os olhos suavizando um pouco enquanto se inclinava para frente na cadeira.
"Então," ela começou, a voz calma, mas com uma ponta de curiosidade, "quem começou?"
Selene hesitou por um momento, seu olhar passeando até o chão antes de responder. "Fui eu."
Charlotte piscou surpresa. "Espere—você?"
Selene assentiu uma vez, com tom tranquilo, mas firme. "Ele não esperava. Eu simplesmente… fiz. Foi de repente, e peguei-o desprevenido. Nada mais aconteceu. Eu só beijei ele."
Elyra inclinou a cabeça levemente, um sorriso leve surgindo no canto dos lábios. "Só um beijo, hein? Geralmente, isso já basta para acender fogo."
A compostura de Selene se quebrou por um segundo; ela franziu a testa levemente. "Você… está irritada?"
Elyra deu uma pausa por um instante, depois balançou a cabeça. "Não. Não estou irritada." Sua voz suavizou, quase como se estivesse refletindo. "Confusa, talvez. Sempre conversamos sobre coisas assim antes. Desde que eu fui a primeira, foi assim que combinamos fazer. Então, sim—é meio estranho, isso tudo."
Charlotte assentiu lentamente, concordando com ela com um pequeno murmúrio. "É,… é estranho não ter aquele encontro habitual."
Selene baixou a cabeça um pouco, sua máscara de calma deslizando para algo menor—quase vulnerável. "Eu entendo. Deveria ter esperado. Não tive intenção de quebrar aquela… nossa regra."
Elyra a observou por um segundo longo, depois suspirou e se recostou. "Não é uma regra," ela disse por fim. "É só uma maneira que encontramos de manter o equilíbrio. Comunicação."
Os dedos de Selene se apertaram ao redor da varinha antes dela assentir, a voz baixa. "Então… podemos conversar agora? De verdade, quero acertar as coisas."
Seu tom foi tímido—quase uma vergonha, de uma maneira que nenhuma delas tinha ouvido antes dela.
Elena foi a primeira a quebrar o silêncio novamente, com um tom calmo, mas firme. "Então, explique para elas," ela disse, apontando suavemente para Elyra e Charlotte. "Elas merecem ouvir diretamente de você."
Selene piscou, surpresa um pouco desconcertada. "Explicar… o que eu sinto?"
Elena assentiu. "Sim. Você já me contou após a Caçada, mas elas não sabem. Seja honesta. Vai facilitar para todo mundo."
Charlotte inclinou a cabeça, olhos cor de avelã arregalados de curiosidade. "Sim, vai lá! Quero ouvir direto da princesa do gelo."
Elyra permaneceu em silêncio, observando com sua expressão habitual de compostura—mas seus olhos estavam afiados, atentos.
Selene respirou lentamente, tentando organizar seus pensamentos. Quando finalmente falou, sua voz saiu mais baixa do que o normal, desprovida da frieza cortante que a maioria conhecia nela.
"Eu… gosto do Noel," começou, a voz tremendo um pouco. "Não por causa de força dele, ou de tudo que conquistou. Eu gosto dele porque ele nunca me olhou como alguém que estivesse destruída."
O sorriso de Charlotte suavizou.
Selene continuou, os dedos traçando círculos ausentes na varinha. "Ele não me trata como alguém que precisa ser salvo, ou como alguém que merece pena. Ele só… conversa comigo. Fica comigo. Ele faz eu me sentir—normal."
Por um momento, ninguém falou. As palavras ficaram ali, cruas e simples, uma honestidade sem need de adornos.
Elyra finalmente recostou-se, expirando lentamente. "Então é isso," ela murmurou. "Você realmente gosta dele."
Selene assentiu uma vez, quase timidamente.
Charlotte soltou um murmúrio suave, apoiando o queixo na palma da mão. "Bem," ela disse de brincadeira, "isso explica muita coisa. A forma como você o olha durante o treinamento era demais para ser apenas admiração."
As bochechas de Selene ficaram levemente coradas, mas ela não negou.
O clima na sala mudou—menos tensão, mais compreensão. Mas os olhos de Elyra ainda tinham aquele brilho pensativo, como se algo dentro dela ainda não estivesse totalmente resolvido.
Charlotte foi a primeira a se mover, empurrando a cadeira para trás com um sorriso. "Bem, para mim já está resolvido," ela disse, seu bom humor habitual voltando como sol após a tempestade. "Você tem minha bênção, Selene. E se Noel realmente significa tanto para você, então estou feliz pelos dois."
Selene piscou, quase surpresa. "Você… não se importa?"
Charlotte riu suavemente. "Por quê? Você passou por muita coisa. E se conseguir fazê-lo sorrir mesmo metade do que nós fazemos, então você também pertence aqui."
Selene abaixou um pouco a cabeça, com um sorriso genuíno e suave. "Obrigada."
Enquanto isso, Elyra ficou em silêncio por mais um momento. Ela tinha estado olhando para a mesa, perdida em pensamentos, o ritmo de seus dedos batendo levemente na superfície. Então, ela se levantou, os olhos levantando para encontrar os de Selene.
"Não vou mentir," ela disse de modo firme, "isso me pegou de surpresa. Normalmente, conversamos sobre essas coisas primeiro—mas… agora entendo."
A voz dela suavizou. "Você gosta dele pelos motivos certos. E Noel não é do tipo que deixa qualquer um chegar perto assim."
Selene assentiu silenciosamente, a tensão nos ombros finalmente aliviando.
Elyra sorriu levemente, a tonalidade de sua voz aquecendo. "Então acho que virou oficial. Bem-vinda ao grupo."
Elena Expirou lentamente, alívio visível em sua expressão. "Boa. Eu esperava que não virasse mais uma guerra de palavras."
Charlotte riu. "Por favor, somos demais para isso."
Nem Selene conseguiu segurar a pequena risada que escapou dela.
Elyra olhou para todas elas—as três que, apesar de tudo, compartilhavam aquela ligação estranha—e virou-se para a janela. A luz do fim da tarde espalhava-se pelo ambiente, pintando tudo de dourado.
"Bem," ela falou por fim, com um brilho de compreensão nos olhos cinzentos, "agora que tudo está resolvido…"
Ela fez uma pausa, seu sorriso se intensificando com intenção.
"…que tal irmos ver o Noel? Já tá na hora de fazermos uma visita ao território do Thorne."