O Extra é um Gênio!?

Capítulo 381

O Extra é um Gênio!?

— Então, — começou Charlotte, apoiando o queixo na mão, — você realmente quer que viajemos até o território de Thorne?

Elyra assentiu uma vez, seu cabelo trançado balançando levemente enquanto ela se recostava. — Sim. Tenho certeza disso.

Selene levantou uma sobrancelha. — Certa? Com base em quê?

— Minha intuição, — respondeu Elyra simplesmente. Seu tom não carregava hesitação, apenas uma convicção tranquila. — É a mesma sensação que tive antes de voltar para cá. Ela me dizia que algo importante ia acontecer — e aconteceu. — Ela fez um gesto leve em direção às outras. — Essa conversa, tudo que resolvemos — não foi por acaso.

Elena cruzou os braços, com os olhos dourados pensativos. — Você acha que a mesma intuição está dizendo que algo está acontecendo com Noel?

— Eu não acho, — corrigiu Elyra suavemente. — Eu sei.

Charlotte soltou um pequeno assobio. — E quando Elyra sente a intuição, alguma coisa sempre acontece. Lembra da última vez que ela falou isso? A biblioteca pegou fogo dez minutos depois.

Selene lançou um olhar severo para ela, sem se impressionar. — Isso realmente não é um sinal reconfortante.

Elyra sorriu de lado. — O ponto é que ela nunca erra. E desta vez, ela me diz que Noel está envolvido. Algo grande está por acontecer — ou vai acontecer em breve.

O silêncio que se seguiu foi pesado, mas concentrado.

Elena foi a primeira a falar. — Então vamos.

Selene concordou com a cabeça. — Combinado.

Charlotte sorriu, com os olhos brilhando. — Uma viagem com as quatro namoradas do Noel? Parece que já vai ser uma confusão só.

Elyra sorriu com um sorriso convencido. — Talvez. Mas se minha intuição estiver certa, essa viagem não vai ser só para visitar ele.

A cafeteria dentro do dormitório estava tranquila naquela tarde, com o sussurro suave das lâmpadas de mana misturado ao tilintar sutil das porcelanas. As quatro ainda sentavam na mesinha do canto — a mesma em que Elyra tinha compartilhado sua intuição sobre Noel.

Charlotte mexeu o restante do chá, inclinando-se para frente com um sorriso. — Sabe, Selene, — disse, com a voz leve e brincalhona — você tem falado mais hoje do que durante o semestre todo.

Selene piscou, com expressão calma, mas curiosa. — É... uma coisa ruim?

Charlotte riu. — Não! Só inesperado. Quero dizer, quando a gente se conheceu, você era toda silenciosa, com paredes de gelo. E agora você — bom, quase queate.

Elyra sorriu de lado, tomando um gole de sua bebida. — Ela tem razão. Você mudou.

Selene olhou para baixo por um momento, passando uma mecha de cabelo azul atrás da orelha. — Talvez eu tenha mudado, — admitiu suavemente. — É por causa do Noel. Desde que ele me ajudou, eu tenho me sentido... diferente. Como se eu não precisasse mais me esconder atrás daquela fachada fria.

Elena sorriu de leve, apoiando o queixo na mão. — Ele tem esse efeito nas pessoas. Faz elas esquecerem as paredes que construíram.

Charlotte recostou-se na cadeira, ainda sorrindo. — Bem, eu gosto dessa versão sua. Agora você é mais fácil de conversar. Menos assustadora, mais... humana.

Selene revirou os olhos, embora um pequeno sorriso escapou. — Eu não era tão assustadora assim.

Elyra ficou um pouco divertida. — Você congelou até um manequim de treino uma vez, porque ele olhou para você errado, Selene.

Isso provocou uma risada silenciosa de todos na mesa — até de Selene.

O calor permaneceu por alguns segundos antes de Elyra falar novamente, com voz calma, mas certa. — Vamos partir amanhã. Vou providenciar para que o carruagem de Estermont esteja pronta.

Charlotte assentiu, colocando a xícara na mesa. — Para mim, tudo bem. Estou só feliz que vamos juntos.

Selene olhou para a janela, seu reflexo moldurado pela luz dourada lá fora. — Então, amanhã, — murmurou.

Elyra seguiu seu olhar, aquele leve puxar de intuição apertando no peito. — Sim, — sussurrou, quase para si mesma. — Amanhã.

O ar matinal em Valon estava fresco, carregando o aroma sutil de orvalho e flores de mana em plena floração nos jardins ao redor da academia. Os portões grandes estavam abertos, e à frente, a carruagem de Estermont esperava — uma obra de luxo e poder, feita de prata encantada e detalhes em ouro. A insígnia da família brilhava suavemente na lateral, uma fênix entrelaçada com uma estrela.

Elyra estava ao lado dela, com seu cabelo longo e preto balançando enquanto supervisionava os preparativos. Dois guardas da Casa Estermont terminavam de verificar os condutores de mana sob as rodas, enquanto o cocheiro — um aguerrido serviçal, de roupas bem passadas — ajustava as rédeas dos cavalos com asas.

Charlotte soltou um assobio longo ao se aproximar com sua pequena mala de viagem. — Não estava brincando quando disse que viajaríamos com conforto. Acho que essa carruagem custa mais do que o café do dormitório inteiro.

Elyra sorriu de lado. — Provavelmente, sim.

Elena veio atrás, com o cabelo prateado refletindo o sol da manhã. — Ao menos, podemos chegar com estilo, — disse com secura, subindo primeiro.

Selene foi a última a aparecer, vestida de forma simples, mas elegante como sempre, com sua varinha presa na cintura. Ela parou por um instante, os olhos luminosos varrendo as muralhas da cidade. — Parece estranho partir de novo, — murmurou. — Sempre que faço isso, alguma coisa muda.

Elyra deu um leve aceno. — Talvez esse seja o ponto.

O cocheiro se virou, fazendo uma reverência ligeira. — Senhora Estermont, o caminho até o território de Thorne está livre. Podemos partir assim que dar a ordem.

Elyra subiu na carruagem, escolhendo o assento mais próximo à janela. — Então, vamos.

Charlotte abriu as cortinas, com um sorriso, para uma melhor vista. — Próximo destino — Casa Thorne. Espero que Noel esteja pronto para nós.

Quando a carruagem começou a se mover, as Runas de mana ao seu redor brilharam, impulsionando-a suavemente pelo ar. As paredes da academia ficaram para trás, substituídas por planícies ondulantes e rios cintilantes.

Elyra apoiou o queixo na mão, com o olhar distante. — Aguente firme, Noel, — pensou. — Estamos a caminho.


— Ponto de vista de Noel —

O pátio de treinamento nos fundos da mansão de Thorne estava silencioso — até demais. O sol do meio-dia projetava longas sombras pelo chão de pedra rachada, onde gerações de herdeiros de Thorne já tinham treinado.

Agora, Noel permanecia ali, com a Lâmina do Revenant na mão. A lâmina amaldiçoada brilhava suavemente sob a luz, sua lâmina negra pulsando com poder contido. Em frente a ele, Albrecht Thorne se erguia alto, de ombros largos, com sua longa espada negra descansando tranquilamente no ombro. O ar entre eles estava pesado — anos de distância e palavras não ditas concentrados em um único momento.

Noel ajustou sua postura, com expressão calma, mas afiada. — Então é assim que você me testa? — perguntou baixinho. — Um duelo?

Albrecht tinha um tom firme, imperturbável. — Preciso saber se você será útil para o que vem por aí.

— Útil, — afirmou Noel, cerrando a mandíbula. — Não era de se espantar que você me veja assim.

Os olhos vermelhos de Albrecht se estreitaram um pouco, uma faísca de algo — orgulho, talvez, ou decepção — passando por eles. — Você entendeu errado. Força é que determina o valor neste mundo. Você tem potencial, mas não vou confiar nisso até ver provas.

Noel apertou a presa na Lâmina do Revenant, que reluziu mais. — Igual de sempre... tudo vira uma troca para ele.

Albrecht levantou sua espada, cujo aço negro vibrava com mana. — Mostre-me, Noel Thorne. Mostre que você é mais do que palavras.

Noel respirou fundo. O mundo ao seu redor se ajustou — cada batida do coração, cada respiração —, alinhando-se enquanto suas habilidades despertavam.

[Trait: Foco Obsessivo – Ativo.]

[Trait: Vontade do Esquecido – Ativo.]

Faíscas elétricas crepitavam ao redor de sua mão, e relâmpagos brilhavam na lâmina da Revenant Fang.

Ele olhou mais uma vez nos olhos do pai. — Quer prova? — disse com frieza. — Então tá, — concluiu.

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