
Capítulo 383
O Extra é um Gênio!?
A floresta estava silenciosa.
Cada passo de Noel ecoava suavemente contra a terra úmida, o estalar de galhos e folhas sendo engolido pela pesada concentração de silêncio que pairava sobre o caminho. À sua frente, Albrecht caminhava com a sua habitual compostura, sem dar uma olhada para trás.
"Para onde exatamente estamos indo?" perguntou Noel finalmente.
Seu pai não diminuiu o ritmo. "Você verá em breve."
Clássico.
Os olhos de Noel se moveram para os lados do caminho. Quanto mais avançavam, mais tudo parecia antigo—carvalhos gigantes com casca escurecida pelo tempo, raízes retorcendo-se através de pedras rachadas, o leve zumbido de mana escapando do solo. O ar estava denso disso, quase sufocante.
'Este lugar… não está no romance,' pensou Noel, franzindo a testa. 'Nem mencionado.'
Eles passaram sob um arco torto, quase engolido por trepadeiras. Estranhos glifos estavam esculpidos na pedra—erosionados, ilegíveis, mas emitindo um brilho fraco sob a luz filtrada do sol. Quanto mais avançavam, mais pareciam sepulturas do que marcas.
Depois de quase uma hora de caminhada, a floresta se abriu. Uma parede de pedra surgiu diante deles, escondida por trepadeiras e musgo, com uma única entrada em formato de arco esculpida na face do penhasco. Não era grandiosa, mas carregava uma sensação inquietante—como algo que não deveria mais existir, mas se recusava a desaparecer.
Noel exalou suavemente. "Uma ruína?"
Albrecht assentiu uma vez. "Mais antiga que nossa família."
Noel olhou para ele. "E só agora estou sabendo disso?"
"Porque agora," disse seu pai, finalmente parando em frente à entrada, "você é forte o suficiente para vê-la."
Os olhos de Noel se estreitaram enquanto ele seguia o pai na direção das sombras além do portão de pedra, o ar instantaneamente esfriando como se a própria ruína tivesse ficado respirando por séculos.
Aos poucos, o som mudou assim que entraram—sem vento, sem floresta, apenas o som suave de gotas de água ecoando de algum lugar profundo dentro.
As botas de Noel arranharam a pedra lisa, e pequenos lampejos de luz vermelha brilhavam nas paredes, presos em padrões que pareciam quase deliberados.
O local não era uma caverna natural. Pilares alinhavam o corredor, esculpidos na mesma pedra negra das paredes. Runas antigas percorriam seus lados, desbotadas, mas ainda pulsando fracamente com mana.
"Isso não parece com qualquer arquitetura Thorne que eu já tenha visto," murmurou Noel.
"Pois é, não é," respondeu Albrecht, com a voz baixa, porém firme. "Não construímos este lugar. Herdamos."
Continuaram andando até que o corredor se alargou em uma câmara—um círculo perfeito, cujo centro era dominado por algo que fez Noel parar de repente.
Empoçado no chão, um cristal enorme, escuro e irregular, semi-enterrado na pedra. Sua superfície pulsava com uma luz lenta e rítmica, vermelha como sangue iluminado de dentro. Veias da mesma cor se espalhavam pelo chão ao redor, formando uma teia como artérias no interior da câmara.
A testa de Noel se franziu. "Que diabo…" Ele deu um passo cauteloso mais perto, sentindo a mana que pressionava contra sua pele. Não era algo caótico—era ancestral, estratificada, densa. Uma espécie de pressão que ele só tinha sentido uma vez antes.
O olhar de Albrecht permaneceu fixo no cristal. "Este é o que cada patriarca e matriarca Thorne tem protegido por gerações. Ninguém sabe o que é. Ninguém conseguiu movê-lo."
Noel passou ao redor dele lentamente, refletindo seu rosto na superfície brilhante. "Então você também não sabe o que ele faz?"
"Nem remotamente," disse Albrecht. "Nossas anotações o chamam de Núcleo das Sombras. Ele precede a fundação de Valor. Todas as tentativas de estudá-lo terminaram em fracasso."
Noel se abaixou ao lado dele, estendendo a mão perto o suficiente para sentir o zumbido de poder sob a palma.
'Núcleo das Sombras…' pensou, estreitando os olhos. 'Esse tipo de nome não pertence a algo comum.'
O brilho dentro do cristal pulsou uma vez—fraco, mas suficientemente intenso para fazer sua batida de coração acelerar.
Voltando-se para Albrecht, perguntou: "Você disse que protegemos isso. De quê exatamente?"
O olhar do pai permaneceu fixo no Núcleo. "De monstros. Eles vêm todo mês—como um relógio. Sempre atraídos para cá."
Noel franziu a testa. "Quantos?"
"Consecutivamente. Às vezes mais."
Esse número apertou o estômago dele. "E qual é o nível de ameaça?"
O tom de Albrecht não mudou. "Os mais fracos são Ascendente. Os mais fortes… já vi um chegar ao nível de Arquimago uma vez. Quase me matou."
Os olhos de Noel se arregalaram levemente. Ele esperava algo sério—mas não tanto assim. "Você está me dizendo que essa coisa atrai criaturas tão poderosas? Para quê?"
"Não sabemos." As mãos de Albrecht estavam juntas atrás das costas, a voz distante, quase reverente. "Tentamos destruí-lo. Nada funciona. Tentamos movê-lo—não se mexe. A única coisa que podemos fazer é impedi-los de alcançá-lo."
Noel circulou novamente ao redor do Núcleo, a mente acelerada. 'Uma relíquia que ninguém consegue mover. Monstros atraídos todos os meses. Isso não é natural—é proposital.'
Seus instintos ficaram alertas. A mana que vazava dele não era caótica; era estruturada, viva.
"Alguém fora da nossa linhagem sabe disso?" perguntou.
"Não, apenas cada rei imperial, neste caso, Alveron," afirmou firmemente Albrecht. "A linhagem Thorne foi confiada a ela há séculos. Cada patriarca antes de mim lutou para mantê-la segura. E até agora, tenho feito isso sozinho."
A mão de Noel descansou na empunhadura da Dente do Espectro. Ele não a tirou—apenas sentiu o metal frio contra a palma. "Então é basicamente um cerco interminável pelo qual vocês lutam uma vez por mês."
"Exatamente."
Noel olhou para cima, com a luz carmesma refletida em seus olhos. 'Algo tão forte… e desconhecido…' pensou. 'Se realmente estiver ligado a Elarin de alguma forma, não posso deixá-lo cair.'
Ele exalou devagar, a expressão ficando mais firme. "E o próximo ataque, quando será?"
Finalmente, Albrecht se virou para ele, com os olhos escuros. "Em sete dias."
Eles voltaram pelo túnel em silêncio. O brilho do Núcleo desapareceu atrás deles, engolido pela escuridão, até que só restassem o suave eco de seus passos. A atmosfera da floresta os atingiu como uma lufada de vida ao voltarem ao exterior—fresca, úmida e carregada de mana.
Noel ajustou a Dente do Espectro em seu ombro. "Então, todo mês, sem falta?"
Albrecht confirmou com um simples aceno de cabeça. "Desde que a linhagem Thorne existe. E agora que você viu, vai entender por que não posso protegê-lo sozinho mais."
Noel levantou uma sobrancelha. "Quer a minha ajuda?"
"Preciso da sua ajuda." O tom de Albrecht não carregava orgulho desta vez—apenas certeza. "Em sete dias, eles voltarão. Se você é realmente a força da nossa linhagem, prove isso ao ficar ao meu lado."
Noel o observou por um longo momento. O homem que uma vez o desprezou agora falava como se compartilhassem o mesmo propósito. Ele não sabia se era orgulho, dever ou algo mais sombrio o que motivava seu pai—mas não havia dúvida da seriedade em suas palavras.
Finalmente, Noel suspirou. "Tudo bem. Vou ajudar."
Albrecht deu um aceno curto e virou na direção da propriedade. "Ótimo. Então, prepare-se. Enviarei uma mensagem quando chegar a hora."
Enquanto os passos do pai desapareciam ao longe, Noel permaneceu junto à linha das árvores, observando o tênue brilho da mana que ainda pairava no ar.
'Uma relíquia que atrai monstros… um segredo guardado há séculos… e agora faço parte disso,' pensou, estreitando os olhos. A janela da missão ganhou vida diante dele, tênue e translúcida:
Ele exalou pelo nariz. "Então é isso," murmurou entre dentes.
'A queda da Casa Thorne… acho que começa exatamente aí.'