
Capítulo 364
O Extra é um Gênio!?
A câmara permanecia silenciosa, exceto pelo fraco zumbido de mana dormente. Dezena de autômatos continuavam de joelhos, suas estruturas metálicas curvadas em uma reverência congelada. Noel avançou, a Chave balançando solta entre os dedos.
"Bem," murmurou baixo, com um sorriso no rosto, "não custa testar."
Ele empurrou um fio de mana para o pingente. Sua superfície opaca pulsou uma vez, levemente. Imediatamente, vários autômatos levantaram as cabeças em perfeita uníssono. O som de engrenagens se ajustando ecoou, estranho em sua sincronicidade.
Selene ficou tensa ao seu lado. "Noel..."
"Relaxe." Seu sorriso se alargou. "Vamos ver até que ponto eles estão ouvindo."
Ele elevou a voz. "Façam flexões."
De imediato, a fila mais próxima de constructos se abaixou sobre seus braços blindados, levantando e descendo em ritmo mecânico. O chão tremeu suavemente sob o movimento sincronizado deles.
As sobrancelhas de Selene franziam, sua expressão normalmente calma traindo um leve sinal de descrença. "O quê—?"
"Então tá," continuou Noel, lutando para não rir, com a boca puxada de lado. "Agachamentos pulando."
Os autômatos obedeceram sem hesitar, lançando-se para cima e para baixo em uma sincronia pesada e perfeita. Poeira se desprendia do teto a cada impacto.
A voz de Selene escapou, baixa e incrédula. "Eles... estão respondendo a você."
Noel lançou um olhar por cima do ombro, com um brilho brincalhão nos olhos. "Disse que valia a pena tentar."
Ele se virou de volta para as construções, deixando seu sorriso se transformar em algo mais afiado. "Chega. Mostrem o caminho para fora."
Os autômatos pararam no meio do movimento, depois se levantaram todos de uma vez. Seus rostos inclinados pareciam reconhecer a ordem, antes de girarem em direção a um corredor sombreado no canto mais distante do salão.
Noel ajustou a Lâmina do Cedente ao lado, aproximando-se de Selene. "Aposto que agora temos um serviço de guia."
Os autômatos marcharam à frente, seus passos metálicos ecoando como um tambor na vastidão dos corredores. Noel e Selene seguiram logo atrás, o ar ainda pesado, mas não mais hostil.
Noel girou a Chave entre os dedos, o sorriso oscilando. "Vamos tornar isso mais interessante."
Ele elevou a voz. "Girem em círculos."
Os dois construtos na linha de frente imediatamente pararam, depois começaram a girar desajeitadamente, seus corpos blindados rodando como dançarinos rígidos.
Selene piscou, cobrindo a boca com a parte de trás da mão. "...O que você está fazendo?"
"Testando limites", disse Noel inocente, embora o canto da boca se elevasse. "Nunca se sabe quando isso pode ser útil."
"Útil?" replicou Selene, com tom frio.
Ele ignorou o tom dela e chamou novamente. "Parada de mão. Vamos."
Quatro autômatos bateram suas mãos pesadas no chão de pedra e equilibraram-se de cabeça para baixo de forma desajeitada, as pernas tremendo enquanto tentavam manter a pose.
Desta vez, a compostura de Selene quebrou. Uma risada aguda escapou—depois outra, até ela se inclinar um pouco para frente, com os ombros tremendo, rindo livremente.
Noel travou, pisca para ela. Não era a curva suave, quase invisível de seus lábios que ele tinha visto antes. Era uma risada plena, luminosa e totalmente espontânea.
Por um momento, ele apenas a encarou. 'Ela... realmente ri assim?'
Selene se recompôs após alguns segundos, percebendo que seus olhos estavam nela. Sua risada foi cortada abruptamente, e suas bochechas ficaram vermelhas. Ela virou a cabeça rapidamente, escondendo fios de cabelo atrás da orelha. "Não... olhe pra mim assim."
O sorriso de Noel suavizou-se, mais sincero desta vez. "Não sabia que tinha isso em você."
A voz de Selene ficou afiada novamente, embora mais fina, quase defensiva. "Esquece isso."
O corredor se estendia à frente, seus passos ecoando atrás da marcha constante dos autômatos. O silêncio entre eles parecia diferente agora—não pesado, mas frágil, como se algo não dito permanecesse após a risada de Selene.
Noel olhou para ela de lado, captando o leve rubor ainda presente nas bochechas dela. Pela primeira vez, sua máscara afiada não estava completamente no lugar.
Ele deixou as palavras escaparem antes que pudesse se impedir. "Sabe... você tem um sorriso bonito."
Selene piscou, os passos vacilaram por meia respiração. "O quê?"
Ele sorriu levemente, com os olhos fixos à frente. "A risada de antes. O jeito que você sorriu—fica bom em você. Deviam fazer isso mais."
O ar ficou de repente mais carregado. A compostura de Selene se quebrou, ela quase engasgando, o ar preso na garganta. Ela virou o rosto um pouco, como se estivesse estudando a parede em vez dele. "Não diga coisas assim com tanta facilidade."
Noel deu de ombros.
Por alguns momentos, nenhum deles falou. Os autômatos continuavam seu marchar mecânico, guiando-os mais fundo no labirinto.
Selene finalmente murmuru, suficiente para que apenas ele ouvisse: "Sorrir assim... não sou eu."
Noel olhou para ela, seu sorriso mais suave desta vez. "Pode ser que sim."
Seus dedos se apertaram ao redor da varinha, e ela avançou rapidamente, sua máscara fria se recolocando. Mas o leve rubor nas orelhas a entregava.
Por fim, o corredor se alargou para uma câmara circular. No centro, uma plataforma de pedra com runas brilhantes esperando, poeira acumulada ao redor. Os autômatos alinhados em volta, de silêncio, como sentinelas.
Selene estreitou os olhos para a plataforma. "Um elevador."
Noel exalou, ajustando os ombros. "Acho que essa é nossa saída."
As runas sob a plataforma se acenderam ao toque de Noel com a Chave. Um baixo zumbido encheu a câmara, e lentamente o elevador começou a subir, com o atrito de pedra contra pedra.
Nenhum deles falou durante a elevação. Os autômatos permaneciam na parte de baixo, observando silenciosamente enquanto a plataforma levava seu novo mestre para cima. Quanto mais alto subiam, mais frio ficava o ar, até que, por fim, uma rajada de vento montanhoso cortou o ambiente.
A luz entrou por uma fenda estreita. A plataforma estremeceu uma última vez antes de travar no lugar, revelando uma saída escondida na encosta da montanha. Musgo e rochas irregulares camuflavam a entrada, tão bem feita que Noel duvidava que alguém pudesse encontrá-la por acaso.
Ele saiu primeiro, escaneando a encosta rochosa. Estavam lá em cima—bem acima da linha das árvores, onde nuvens tocavam os penhascos. A entrada do santuário agora era invisível, engolida pela própria montanha.
Selene saiu atrás, com voz calma, mas cautelosa. "Inteligente. Uma porta que ninguém jamais acharia."
Noel ajustou a Lâmina do Cedente ao ombro, seus olhos estreitando-se ao horizonte. "Escondida, mas não por muito tempo."
Não se moveram longe da abertura. Por um tempo, só o vento e o grito de aves distantes preencheram o silêncio. Depois, um leve zumbido mecânico cortou as rochas.
O olhar de Noel se levantou rapidamente. Flutuando acima dos penhascos, um pequeno construto semelhante a um drone surgiu. Um único olho vermelho brilhava no centro. Ele parou, escaneando a área.
O zumbido aumentou, e um feixe de luz passou sobre eles.
O maxilar de Noel se cerruscou. "Parece que fomos descobertos."
O drone zuniu uma última vez antes de partir rapidamente, desaparecendo além dos penhascos.
Apertando a mão na varinha, Selene respirou fundo. "E agora?"
Noel exalou lentamente, sentando-se numa pedra. "Vamos esperar aqui um pouco. Não adianta correr atrás—vamos lidar com o que quer que venha depois que ele der o informe."