O Extra é um Gênio!?

Capítulo 363

O Extra é um Gênio!?

A câmara destruída carregava um peso que parecia mais pesado do que os baixos tetos de pedra acima deles. Poeira flutuava preguiçosamente no ar, levantada apenas pelos passos deles. Selene se movia de forma metódica, seus olhos frios vasculhando as garrafas dispersas e joias quebradas com a precisão de alguém que desmonta um quebra-cabeça.

“Não parece algo cerimonial,” ela murmurou, passando os dedos por cima de um baú de roupas finas virado de cabeça para baixo. “É algo pessoal. Alguém morou aqui… alguém poderoso.”

Noel demorou a responder. Seu foco estava na mesa rachada, sua superfície marcada por riscos profundos e violentos. Ele se agachou, passando a mão pelas ranhuras. Um calafrio tênue atravessou sua palma—resto de mana, ainda persistente. Mas não era fogo, gelo ou trovão.

Era sombra.

Seu aperto na Marca do Falcão Espectral apertou-se. 'Sombra… isso não é de Elarin. Ele sempre usou luz. Não, isso é diferente. É a presença do irmão dele. Aquele que se opôs a ele, que tentou pará-lo na Mudança do Código de Mana. Ele esteve aqui.'

Fechando os olhos por um instante, Noel pressionou a mão contra a mesa. Mana pulsava, e sombras se retorciam como fumaça, infiltrando-se nas frestas. Com um clique, um compartimento oculto deslizou para fora sob a mesa.

A cabeça de Selene virou ao ouvir o som, seu tom cortante. “O que você fez?”

Noel puxou um pequeno baú, sua superfície selada por runas negras que pulsavam lentamente em resposta ao seu toque. As sombras não resistiram a ele—elas o acolheram, como se reconhecessem algo familiar.

Selene deu um passo mais perto, cautelosa. “Não posso abrir isso. A magia rejeita mim.”

Noel olhou para o baú, seu coração acelerado numa batida forte nos ouvidos. 'Claro que rejeita. Isso nunca foi feito para ele… era o legado do irmão dele. E agora, é minha missão descobrir.'

O baú era pequeno, suficiente para caber nas mãos de Noel, sua superfície áspera pelo tempo. As runas gravadas nele pulsavam levemente, sombras enrolando-se ao redor de seus dedos como se lhe instigassem a abrir.

Ele respirou fundo, empurrando mana contra o selo. A resistência cedeu imediatamente, como se o baú tivesse esperado por séculos por ele. O fecho clicou, e a tampa rangeram ao se abrir.

Dentro, repousava um único item.

Um colar.

Ele não era ornado nem cravejado de pedras preciosas. Apenas uma corrente simples de prata escurecida, segurando um pingente opaco, talhado com linhas tênues, quase invisíveis. Parecia antigo, desgastado, sem destaque—algo que você esperaria encontrar em uma banca de mercado, não enterrado dentro de um santuário de lendas.

Selene inclinou a cabeça, com voz plana, mas marcada por curiosidade. “Aquilo? Depois de tudo isso, é só… um colar?”

Noel não respondeu. No instante em que seus dedos tocaram o pingente, a interface do sistema explodiu em sua visão.

[Missão Concluída: Investigar o Santuário de Elarin.]

[Recompensa: ??? Desbloqueada. Deseja Reivindicar?]

[Você adquiriu: Pingente do Esquecido.]

Seu peito apertou enquanto uma energia tênue pulsava pela corrente, mais espiritual do que mágica, como um peso de história prensado em metal.

Selene cruzou os braços, observando-o. “O que é isso?”

Noel colocou o pingente na palma da mão, fechando o punho ao redor. Forçou um sorriso meio torto. “Não parece muita coisa. Mas… talvez signifique algo. Uma chave para alguma coisa maior.”

Ela pareceu não estar convencida, mas deixou passar.

Os pensamentos de Noel se aguçaram, sua voz virou para dentro. 'Isso não era de Elarin. Ele vivia pela luz, e isso cheira à sombra. A mão do irmão dele está por toda parte. O que quer dizer… ele esteve aqui. E deixou isso para alguém como eu encontrar.'

O pingente estava frio na sua palma, mais pesado do que seu tamanho permitiria. O aviso do sistema pairava na frente de seus olhos, pulsando lentamente, como se estivesse aguardando.

[Recompensa disponível. Reivindicar?]

Noel respirou fundo, sua voz baixa, para que Selene não pudesse ouvir. “…Reivindicar.”

O pingente brilhou brevemente, e o sistema respondeu.

[Recompensa Reivindicada.]

[Aguardo você no território de Thorne. A biblioteca. Quando impedir a queda da Casa Thorne, revelarei tudo.]

[Recompensa adicional: Avanço do Núcleo de Mana +10%.]

O impacto pareceu chegar instantaneamente. Uma onda de calor percorreu suas veias, seguida por uma pontada fria que sacudiu seus ossos. Seu núcleo de mana pulsou violentamente, expandindo-se, fortalecendo-se, como se correntes ao seu redor estivessem se desfazendo. Noel rangeu os dentes, suor escorrendo pelo pescoço enquanto a onda quase o fazia cair de joelhos.

[Progresso Atual do Núcleo: 29,23% – Núcleo de Mana: Ascendente]

Ele inalou um ar agudo, forçando-se a ficar ereto, o peito arfando. 'Então é verdade. O que me guia… o irmão. Ele esteve aqui. E agora, está levando-me direto ao território de Thorne.'

Os olhos de Selene se estreitaram na sua cambalhota, seu tom cortante. “O que aconteceu? Você se machucou?”

Noel se endireitou, guardando o pingente no bolso, escondendo sua expressão com um sorriso discreto. “Não. Só… uma emoção forte. Nada sério.”

Ela olhou para ele por mais um instante, a suspeita piscando em seu olhar, antes de finalmente se virar para conferir as prateleiras novamente.

A mão de Noel tocou o pingente por dentro do casaco, seu maxilar se fechando. 'Você deixou isso para trás. Não foi para Elarin. Foi para mim. Tudo bem. Vou fazer de conta. Mas quando nos encontrarmos no território de Thorne—você melhor ter as respostas.'

Aquietou-se a vibração da câmara, quebrada apenas pelo leve zumbido do mana ainda grudado às paredes. Noel respirou lentamente, passando a mão mais uma vez pelo pingente escondido em sua bolsa dimensional.

Ele se endireitou, sua voz decisiva. “Precisamos sair daqui. Ficamos tempo demais.”

Selene virou seu olhar afiado para ele, com uma expressão de ceticismo passando por seu rosto fria. “E como exatamente você propõe fazer isso? O caminho que usamos está enterrado.”

Noel sorriu de leve, embora seus olhos estivessem cansados. “Controlamos os autômatos agora, não controlamos? Talvez possamos… pedir direções a eles.”

Selene piscou, claramente surpresa. Seus lábios se abriram, mas por um instante nenhum som saiu.

Noel inclinou a cabeça, levantando uma sobrancelha. “O quê? Por que está me olhando assim?”

Seu semblante não suavizou. Pelo contrário, tornou-se mais sério, como se ela estivesse querendo garantir que ele não estivesse brincando. “Você realmente acha que isso daria certo?”

Noel deu de ombros, seu sorriso se alargando. “Não sei. Mas vale a tentativa, né?”

A incredulidade permaneceu no olhar dela, mas ela não discutiu. Em vez disso, balançou a cabeça levemente, quase imperceptível, como se tentasse esconder a mais tênue faísca de descrença—e de algo mais que ela não quis nomear.

Noel esticou os ombros, segurando a Lâmina do Espectral com uma mão frouxa enquanto se virava na direção do corredor onde os autômatos de joelhos esperavam, como sentinelas silenciosas. ‘Vamos torcer para que funcione.’

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