O Extra é um Gênio!?

Capítulo 362

O Extra é um Gênio!?

A luz do peito quebrado do Juggernaut não se apagava. Ao contrário, pulsava mais intensamente, como um batimento de coração preso no aço. Noel se agachou cuidadosamente, ainda com a Presa Fantasma na mão, e recolheu o fragmento. Assim que seus dedos envolveram-no, uma sensação de peso frio pressionou sua palma, e uma interface familiar piscou diante de seus olhos.

[Item Identificado]

Nome: A Chave

Tipo: Artefato – Relíquia

Grau: Único

Descrição: Forjada nos santuários de Elarin, A Chave não foi um presente ou uma herança. Foi criada para comandar. Aqueles que a carregam são reconhecidos como os legítimos mestres dos guardiões do santuário.

Um calafrio percorreu seu corpo enquanto o fragmento vibrava com sua mana, conectando-se a ele.

Ao redor, o zumbido ambiente das máquinas mudou. O brilho discreto nos olhos dos autômatos quebrados diminuiu completamente, e aqueles que ainda estavam de joelhos nas sombras se desligaram, imóveis mais uma vez.

Selene ficou tensa, sua varinha ainda levantada. Seus olhos alternavam entre Noel e os constructos silenciosos. "O que foi isso? Você… fez isso?"

Noel virou o fragmento na mão, seu brilho refletido em seus olhos. Forçou sua voz a parecer calma, casual. "Parece uma chave. Seja lá o que for, ela manda eles não atacarem."

Abaixou os lábios em uma linha fina, frio, mas pensativo. "Uma relíquia para comandar um exército… Faz sentido. Ninguém poderia controlar um santuário dessa escala de outro modo."

Noel permaneceu em silêncio, embora seus pensamentos estivessem tumultuados. Uma chave, hein? Mais parecido com uma coleira. Quem criou isso queria obediência total.

O fragmento vibrou novamente, mais forte desta vez, e a visão de Noel piscou com outro aviso.

[Nova Missão: Investigar o Santuário de Elarin.]

[Limite de Tempo: — ]

[Recompensa: ???]

Na mandíbula de Noel, um leve tensionamento. Claro.

'Sim, sim… Eu sei. Tô cuidando disso,' pensou com amargura. 'Você acha que vim até aqui só por diversão? Maldito parasita, nunca me deixa respirar.'

Um som quase inaudível escapou de sua garganta, entre suspiro e risada.

Os olhos afiados de Selene perceberam instantaneamente. "O que foi?"

Ele sacudiu a cabeça rapidamente, guardando o fragmento brilhante na mochila do cinto. "Nada. Só… percebendo que este lugar não vai nos deixar sair de mãos vazias."

O olhar dela permaneceu, desconfiada, porém sem insistir. Após um momento, ela assentiu. "Você tem razão. A escala, as defesas, as relíquias… É estranho, realmente estranho…"

Noel concordou em silêncio, embora seus pensamentos estivessem mais aguçados. 'Usado… ou protegido. Seja lá o que eles não queriam que o mundo descobrisse, está aqui embaixo. E agora sou eu quem vai desenterrá-lo.'

Selene ajustou a pegada na varinha, com voz fria. "Então vamos seguir em frente. Se os guardiões estão desativados, aproveitamos essa chance para procurar bem antes que algo se reinicie."

Noel lançou um último olhar aos constructos silenciosos ao redor, seus corpos congelados em eterna postura de joelhos. Um cemitério de aço, esperando alguém comandá-los novamente.

"É, —" murmurou, forçando um sorriso de satisfação. "Vamos tirar o máximo proveito."

Com o fragmento seguro, a tensão no ar mudou. O que antes parecia uma série de armadilhas mortais agora parecia… silêncio. Vazio. Enquanto Noel e Selene avançavam, os constructs alinhados pelos corredores permaneciam imóveis, cabeças inclinadas como se estivessem em oração eterna. Nenhum deles mexeu um músculo.

Os passos de Selene ecoaram suavemente enquanto seus olhos percorriam as paredes da câmara. "Eles não estão atacando. A relíquia realmente manda neles."

Noel passou os dedos na empunhadura da Presa Fantasma, cauteloso, apesar da aparente calma. "Por enquanto. Mas isso não significa que devamos relaxar. Alguém os construiu assim, e essa pessoa não era idiota."

Os corredores se estendiam infinitamente, revelando cada vez mais da vastidão do santuário. Elas passaram por bibliotecas com prateleiras desmoronadas, repletas de tomos frágeis, a tinta quase sumida. Em outro salão, longas fileiras de estátuas mostravam figuras ajoelhadas diante de um trono central, com uma arte impecável, mesmo após séculos de poeira.

Selene permaneceu observando as esculturas, com tom neutro, porém carregado de reflexão. "Não era apenas um templo. Era uma cidade subterrânea… ou algo próximo disso."

Os olhos de Noel se estreitaram. 'Uma cidade de culto, governada por um homem e sua chave. Elarin não só inventou a mana, ele era um gênio? Acho que sim…'

Mais adiante, atravessaram uma câmara que parecia um local de culto: um altar de obsidiana partida ao meio, oferendas espalhadas pelo chão. O silêncio era esmagador, como se até o som temesse perturbar o que restava aqui.

Selene finalmente quebrou o silêncio. "Este lugar não está abandonado. Foi abandona—-uma diferença."

Noel também sentiu o efeito — um leve zumbido nas paredes, a sensação de algo adormecido, esperando. "Então, vamos descobrir o que eles não queriam que víssemos."

Os corredores se aprofundaram ainda mais, o ar ficando mais pesado a cada passo. Então, sem aviso, a pedra deu lugar a algo diferente. A câmara que entraram não era como as outras.

Noel parou primeiro, seus olhos se estreitaram.

Ao contrário dos corredores limpos e das estátuas ordenadas, esta sala era uma confusão revestida de luxo. Tapetes ricos estavam rasgados no chão, com bordados empoeirados. Castiçais dourados tombados, cera endurecida formando trilhas rachadas. Uma cama enorme, com lençóis de seda, dominava um canto—com uma estrutura entalhada com runas intricadas—mas o colchão estava rasgado, o enchimento derramando como tripas.

Prateleiras cobrindo as paredes continham não livros antigos ou relíquias, mas objetos pessoais: joias espalhadas, frascos de vidro esmagados, roupas deixadas meio dobradas, como se alguém tivesse fugido às pressas.

Selene entrou cuidadosamente, observando cada detalhe. "Isso aqui não foi decadência. Alguém morou aqui. Alguém importante. E saiu às pressas."

Noel avançou mais, afastando poeira de uma mesa rachada. A madeira, uma vez bem polida, tinha profundas marcas de arranhões—deliberadas, quase violentas. Ele seguiu um sulco com o dedo, enquanto o leve zumbido de mana residual cutucava seus sentidos.

'Tem algo aqui. Não é só mobília quebrada. Não é só uma sala abandonada. Tem algo escondido.'

Ele expirou lentamente, o sorriso nos lábios ficando tênue e sombrio. "Um santuário cheio de soldados, relíquias e proteções… e depois isso."

Os olhos de Selene ficaram por mais tempo sobre a cama destruída, depois sobre as joias espalhadas. Seu tom era frio, mas carregado de reflexão. "Se isso pertence a Elarin mesmo… então as respostas que procuramos podem estar enterradas aqui."

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