O Extra é um Gênio!?

Capítulo 365

O Extra é um Gênio!?

O drone cortava os ventos da montanha, seu único olho vermelho pulsando com mana enquanto transmitia seu sinal. Bem lá embaixo, no acampamento amplo de bandeiras e tendas, um cristal embutido num mapa de mana acendeu-se de repente. Os patriarcas e matriarcas reunidos olharam para cima de uma só vez, enquanto as coordenadas queimavam na sua frente.

"Eles surgiram," murmurou um deles, voz aguda.

A atmosfera da tenda mudou imediatamente—comandantes inclinando-se sobre o mapa luminoso, servos correndo para preparar-se. Um jovem soldado, mal mais que um menino, saiu em disparada da tenda, com os passos cranchando contra a terra coberta de geada.

Ele não parou até alcançar a boca de uma caverna escavada nos penhascos. Lá dentro, tochas tremulavam contra as paredes de pedra, iluminando duas figuras sentadas separadas, mas igualmente imponentes.

"Senhor Thorne—Senhora Vaelora!" chamou o mensageiro, curvando-se profundamente, o peito arfando. "O drone os avistou. Seus filhos—pela crista ao norte, perto de uma saída escondida da montanha."

Albrecht Thorne levantou-se lentamente, sua estrutura robusta se desenrolando como aço tomado à vida. Sua expressão era controlada, mas seus olhos ardiam com concentração. Ao seu lado, Vaelora von Iskandar ficou com bem menos contensão, seu capa carmesim agitando-se como se fosse puxada por sua própria urgência.

Ela não se incomodou em fazer perguntas. "Mostre-nos o caminho."

O mensageiro recuou um passo sob a força do tom dela, mas assentiu rapidamente.

Albrecht ajustou as luvas, o olhar voltando para a montanha acima. "Não há tempo a perder."

Juntos, Thorne e Iskandar avançaram com propósito, sua presença suficiente para fazer os soldados ao redor baixarem a cabeça. Pais não apenas pelo nome, mas forças de linhagens que moldaram nações—rumo à crista onde seus filhos aguardavam.

O vento varria a crista, carregando o frio cortante. Noel sentou-se numa rocha irregular perto da saída oculta, com a Dente do Revenant repousando contra o ombro, enquanto Selene encostava-se silenciosamente na parede do penhasco. De lá, o mundo se estendia infinitamente—vales mergulhados na névoa, picos perfurando as nuvens.

Por um longo tempo, nenhum deles falou. O silêncio era pesado, não por perigo desta vez, mas pelo peso do que tinham visto abaixo.

Finalmente, Noel quebrou-o. "Quando eles chegarem… não diga nada sobre o que encontramos. Nenhuma palavra."

Selene virou a cabeça, olhos azul-ciano afiados. "Por quê? Aquilo foi história. Verdades esquecidas enterradas há séculos. Não deveria ser compartilhado?"

Noel cruzou o olhar com ela, a expressão firme. "Por favor. Só… confie em mim. Se espalhar rápido demais, causará mais prejuízo do que benefício."

Ela franziu os lábios numa linha fina. Ela odiava deixar perguntas sem resposta, odiava o silêncio no lugar do conhecimento. E, no entanto, ao olhar para ele, o peito dela apertou de um jeito que não conseguiu combater.

"…Tudo bem," ela finalmente disse, a voz firme, mas mais baixa do que o habitual. "Mas você me deve uma."

Noel exalou, aliviando a tensão nos ombros. "Combinado."

Por um momento, o vento encheu novamente o espaço entre eles. Selene inclinou um pouco a cabeça, olhando para as próprias mãos, como se pesasse o que iria dizer a seguir. A mais tênue vermelhidão tocou suas bochechas, quase se perdendo sob o frio do ar.

Ela não sabia por que sempre cediam a ele. Talvez fosse por ele ter estado ao lado dela quando ninguém mais estava. Talvez porque ela já soubesse que estava longe demais—culminada demais nele para recuar agora.

Noel encostou as costas na pedra, fechando brevemente os olhos. 'Pelo menos, uma preocupação adiada. Por enquanto.'

Noel abriu um olho, a curiosidade surgindo apesar de si mesmo. "Certo… que tipo de favor?"

Selene não hesitou. Seus olhos azul-ciano travaram no dele, frios mas firmes. "Quero conhecer a Elena. Pra falar com ela diretamente sobre isso."

Ele piscou, surpreso. "…A questão?"

Selene inclinou o queixo, o tom tão direto quanto sempre. "Sim. Você sabe exatamente do que estou falando."

Por um momento, Noel não respondeu. Sua mente voltou às sorrisos silenciosos de Elena, às provocações ardentes de Elyra, ao calor imprevisível de Charlotte. E agora Selene—de pé ali depois de tudo o que enfrentaram juntos, suas palavras tão afiadas quanto sempre, mas com intenções claras.

Ele suspirou, passando uma mão pelos cabelos. "Você realmente quer isso, né."

"Sim." Ela cruzou os braços, o olhar firme. "Elyra e Charlotte não estão aqui. Quando voltarmos pra academia, conversarei com elas também. Mas, por ora… primeiro a Elena, já que ela já está aqui."

O tom dela suavizou um pouco, embora de modo sutil. "É melhor assim. Sem fingimentos, sem esperar que alguém mais traga o assunto à tona. Vou encarar de frente."

Ele a olhou por um longo momento. A menina que uma vez parecia intocável, presa dentro de suas próprias muralhas, agora falava com uma convicção que parecia mais pesada do que qualquer magia.

"…Tudo bem," disse Noel por fim. "Quando a encontrarmos, farei acontecer."

Selene assentiu brevemente, uma leve expressão de alívio passando por seus olhos antes de ela virar o olhar para o horizonte.

Noel exalou lentamente, murmurando baixinho. "Uma tempestade de cada vez, né?"

Ela não respondeu, mas a maneira como relaxaram os ombros mostrou que ele tinha ouvido.

O vento uivava pela crista, carregando partículas de neve que se grudavam por um instante antes de derreter contra as pedras. Noel ficou em silêncio, os olhos rastreando os picos distantes. Selene permanecia próxima, de braços cruzados, com a compostura habitual restaurada—mas ele ainda sentia o peso do que ela acabara de confessar.

Ela queria fazer parte da vida dele. Não das sombras, não escondida atrás de frieza, mas aberta. Uma quarta peça num quebra-cabeça já complicado demais.

O peito de Noel apertou. 'Elena. Elyra. Charlotte. Agora Selene. Elas são reais, estão aqui, e cada uma se importa comigo. Honestamente, nunca esperei sentir tudo isso. Deveria ser mais grato. Quando o sistema permitir, vou contar tudo. O que acontecer depois será o que tiver que ser. Se elas me abandonarem ou ficarem irritadas, veremos.'

Sua mandíbula se fechou, a ideia cortando fundo. 'Salvar o mundo. Evitar o colapso. Carregar o peso. É isso que sou para elas—um salvador que nem elas podem imaginar que existe. E por causa disso, continuo me esquecendo de que ainda sou humano.'

Ele olhou de lado. O cabelo de Selene voava com o vento, seus olhos perdidos no horizonte, frio e firme como sempre. Mas ele tinha visto agora—risos, sorrisos, calor enterrados sob geada. Coisas que ela só deixava que vissem por ele.

Um suspiro escapou de seus lábios. "O quarto…"

Ela não se virou, mas um leve sorriso traçou seus lábios. "Sim, estou bem com isso."

Aquietou-se um silêncio denso, mas não desconfortável.

Então, o som de passos sobre as pedras ecoou pela crista. Duas silhuetas surgiram pela névoa—a capa carmesim de Vaelora ondulando ao vento, a postura firme de Albrecht contra a tempestade.

Selene se endireitou instantaneamente, enquanto Noel levantava-se, com a Dente do Revenant apoiada no ombro.

Seus pais os tinham encontrado.

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