O Extra é um Gênio!?

Capítulo 366

O Extra é um Gênio!?

O vento na encosta mudou de direção enquanto duas figuras surgiam da neblina.

Vaelora von Iskandar caminhava à frente, com seus cabelos prateados pontuados por fios mais escuros, os olhos de um azul gelo penetrantes cortando a névoa. Mesmo aqui, no alto das montanhas, ela se comportava como uma comandante atravessando um campo de batalha—cada passo medido, sua presença suficiente para silenciar o ar ao seu redor. Sua reputação não tinha sido construída com calor. Fora forjada com respeito, frio e inflexível.

Logo atrás, surgia Albrecht Thorne, implacável, imponente, em silêncio. Sua figura exalava autoridade, aquele tipo que domina com um simples olhar sem necessidade de palavras. Ele não era o tipo de homem que se curva, nem que amansa.

Selene se endireitou ao perceber a aproximação da mãe, postura disciplinada, mas o olhar vazio, tingido de nojo, que ela não se incomodou em esconder. Os olhos de Vaelora refletiram brevemente sobre a filha, permanecendo por um instante com um quê de suavidade antes de sua voz se impor com um controle meticuloso.

"Você sobreviveu," ela disse simplesmente, as palavras sem surpresa ou calor—apenas uma observação.

Selene cerraram os lábios. "Claramente."

Noel se moveu levemente ao seu lado, com sua Faca Revenant apoiada no ombro, observando a troca com tensão silenciosa.

Os olhos de Albrecht encontraram imediatamente o filho. Ele não o cumprimentou. Não perguntou se ele estava ferido. Sua voz saiu baixa, firme, afiada como uma lâmina tirada da bainha.

"Como você sobreviveu?"

Noel encarou sem desviar o olhar, fazendo a mandíbula se tensionar. Não havia preocupação por trás da pergunta—era suspeita.

Os dedos de Selene se fecharam ao redor da varinha, a expressão fria como sempre. Vaelora deu um passo lento para frente, os olhos estreitando, a presença pesada como geada na encosta.

A interrogatória tinha começado.

O olhar de Vaelora permaneceu sobre Selene, afiado como uma lâmina. "O colapso deveria ter te enterrado viva. E, no entanto, aqui está você. Explique."

Selene manteve a postura firme, a voz seca. "Conseguimos. Não passamos fome."

Os olhos de Vaelora se estreitaram, uma leve ruga surgindo na sobrancelha. Ela esperava resistência—sempre esperava—mas a indiferença fria no tom da filha foi mais impactante do que qualquer rebelião gritada.

Enquanto isso, Albrecht deu um passo à frente, a presença dele mudando o ar ao redor. A sombra dele parecia se estender pelo chão até pressionar diretamente contra Noel.

"E você," ele exigiu, a voz cortando o vento como ferro em uma forja. "Como?"

Noel manteve a voz neutra, firme. "Tive suprimentos. Minha Bolsa Dimensional carregava comida e água suficientes para durar."

Os olhos de Albrecht se estreitaram. "Conveniente." Sua voz transparecia ceticismo. "Muito conveniente."

Jamais. Noel cerrava a mandíbula, mas não rompeu o olhar. "Acredite no que quiser. Sobrevivemos. Isso é a verdade."

Por um longo momento, o silêncio se alongou na encosta. Somente o grito distante de uma ave de rapina cortou a tensão.

O olhar de Vaelora amainou por um fio, a voz mais baixa, mas ainda afiada. "E quanto aos dias abaixo? O que vocês viram?"

Selene olhou além da mãe, recusando-se a encará-la. "Trevas. Túneis. O suficiente para manter a gente em movimento."

O olhar de Albrecht não se desviou de Noel, como se tentasse desmanchar qualquer escudo que seu filho tivesse criado. "Você está escondendo algo."

Noel expirou pelo nariz, um sorriso irônico tocando seus lábios. "Talvez. Ou talvez você só não goste de que eu tenha voltado vivo."

O ar ficou mais pesado com isso. Os olhos de Vaelora se endureceram novamente, e o silêncio de Albrecht se aprofundou em algo mais perigoso.

Finalmente, o silêncio de Albrecht foi quebrado, sua voz cortando o ar como uma lâmina. "Não. Não acredito nisso. Mostre como você sobreviveu à queda."

O sorriso de Noel torcida, mais amargo do que divertido. "Tudo bem." Ele se virou para Selene, tom calmo. "Pronta?"

Ela assentiu com a cabeça pequena, já prevendo o que ele queria dizer.

Sem hesitar, Noel deu um passo à frente e levantou Selene nos braços, segurando-a em um firme abraço princesa. Seus olhos se arregalaram por um instante, mas ela não resistiu enquanto sombras se enrolavam sob os pés deles.

"Passo das Sombras."

Os dois sumiram na escuridão, reaparecendo instantes depois nos galhos de uma árvore que se projetava na encosta. Por um breve momento, a gravidade os puxou, levando-os para baixo.

Selene levantou sua varinha, sua voz calma apesar do vento forte ao redor. "Prisão Gravitacional."

O peso da queda mudou de repente. Sua descida desacelerou, como se mãos invisíveis os tivessem agarrado no ar. Juntos, flutuaram para baixo, Noel ainda carregando-a sem esforço, até pousar suavemente na encosta rochosa.

Noel colocou ela cuidadosamente no chão, ajustando a Faca Revenant no ombro, como se nada tivesse acontecido. "Foi assim."

Pela primeira vez, a expressão de Vaelora se suavizou. Seus olhos azul gelo ficaram mais suaves, a atitude dura cedendo lugar a algo mais raro. Ela inclinou um pouco a cabeça em direção a Noel. "Você a salvou."

Noel piscou, surpreso com a sinceridade na voz dela. Antes que pudesse responder, Vaelora acrescentou firmemente: "Então, agradeço."

Os lábios de Selene se apertaram, virando a cabeça para longe. Gratidão ou não, isso não apagava o que tinha sido.

Enquanto isso, Albrecht permaneceu imóvel—seus olhos fixos em Noel, avaliando, pesando, não como pai, mas como arma.

A tensão permaneceu após a demonstração, o vento da montanha carregando o silêncio como uma lâmina colada demais ao corpo.

Foi Vaelora quem quebrou o silêncio. Seus olhos azul gelo suavizaram um pouco ao olhar para Selene e depois para Noel. "Já chega. Acabou. Vocês estão seguros agora." Ela virou-se para Albrecht, numa voz firme, mas calma. "Relaxe. Eles sobreviveram. Isso basta."

Albrecht não respondeu, apenas o leve gemido de um homem que permanecia desconvinçado.

Vaelora deu um passo à frente, cruzando os braços atrás das costas. "Ainda lhes resta um dia neste caçada. Se quiserem continuar, a decisão é sua." Seu olhar subiu até o zumbido suave acima deles.

O drone de mana pairava nas nuvens, silencioso, seu olho carmesim brilhando. A voz de Vaelora se tornou mais dura. "Mas entendam isto—todo patriarca, toda matriarca tem os olhos em vocês agora. Whatever vocês fizerem daqui em diante será avaliado."

Finalmente, Albrecht falou, sua voz carregada de peso como uma pedra batendo em ferro. "Marcus ainda lidera. Sylvette…" Seus olhos ficararam por um instante em Noel, agudos, avaliadores. "…sua irmã é a segunda."

As palavras cortaram mais profundamente do que qualquer lâmina. Noel sentiu o peito apertar, embora seu rosto não traísse nada. Os olhos de Selene se voltaram para ele, percebendo a tensão, mas ele apenas ajustou a Faca Revenant nos ombros.

Vaelora inclinou um pouco a cabeça. "Então, pensem bem. Continuam ou descansam?"

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