
Capítulo 359
O Extra é um Gênio!?
A passagem se estendeu por mais tempo do que ambos esperavam, o ar ficando mais frio a cada passo. Noel manteve firme a sua pegada na Presa do Entidade, mas até ele desacelerou quando o corredor finalmente se alargou e se abriu em algo imenso.
Ambos pararam na soleira.
Um santuário subterrâneo se estendia diante deles—tectos arqueados entalhados com runas, fileiras infinitas de pilares desaparecendo na sombra, e passagens que se ramificavam em todas as direções como veias. A dimensão do local ofuscava tudo que tinham visto até ali.
A voz de Selene quebrou o silêncio, baixa e firme, embora uma ponta de reverência escapasse. "Não é só mais uma ruína… esse lugar é grande demais. Pode ser um dos santuários principais de Elarin."
Noel respirou calmamente, escaneando os caminhos sem fim. 'Isso é enorme. Muito grande para uma câmara secreta. Quanto da história estamos pisando agora?'
Ele sorriu de leve, embora o peito dele se apertasse com uma sensação de desconforto. "Charlotte piraria se visse isso. Ela sempre tinha aquela faísca estranha nos olhos toda vez que falava de Elarin." Seus pensamentos vagaram, sem querer. 'Ainda lembro da voz dela naquele dia… na data, quando ela tagarelava sobre cada detalhe que sabia. Se estivesse aqui, provavelmente tentaria catalogar cada pedra na parede.'
Selene lançou um olhar de lado para ele, expressão calma mas tom frio. "Então agradeça por ela não estar aqui. Você nunca a tiraria daqui."
Noel relevou com um risinho contido. "Ponto válido."
No entanto, ambos permaneciam na entrada. O labirinto se revelava imenso, infinito e inexplorado. Cada corredor prometia perigo, mas também segredos enterrados desde a era das lendas.
Selene ajustou a pegada na varinha, os olhos estreitos. "Fiquem próximos. Não se afastem. Se não tomarmos cuidado, esse lugar vai nos engolir."
Noel assentiu, avançando. O santuário os aguardava.
Seus passos ecoaram suavemente enquanto avançavam por uma das passagens ramificadas. O ar ficou mais denso, sombras se apegando de forma anormal às pedras. Noel desacelerou, seus instintos gritavam.
Selene percebeu também. Sua varinha se levantou ligeiramente, uma leve geada começando a se formar na ponta. "Tem algo aqui."
A escuridão à frente se moveu. De dentro dela surgiu uma figura alta, revestida de armadura enferrujada de prata. Seu capacete estava vazio, mas uma fumaça negra escorria de dentro, passando pelas frestas das juntas. A cada passo, o ar ficava mais frio, mais pesado, como o peso de uma tumba pressionando o peito deles.
O queixo de Noel se apertou. ‘Claro que tinha que ser um cavaleiro.’
A criatura levantou sua espada enferrujada com um movimento lento e deliberado. Então, sem aviso, ela investiu—mais rápido do que sua armadura pesada deveria permitir.
Ele pulou na frente, a Presa do Entidade estourando em fagulhas contra a lâmina sombria. O impacto fez seus braços tremerem. 'Forte… forte demais para algo tão antigo.'
Selene não hesitou. "Lança Congelante!"
Uma lança condensada de gelo disparou passando pelo ombro de Noel, atingindo o torso do cavaleiro. A armadura amassou, mas sombras se aproveitaram para preencher a ferida, selando-a pela metade.
A lâmina do cavaleiro avançou novamente, desta vez atingindo o lado de Noel. A aresta amaldiçoada não cortou profundo, mas o toque fez sua mana tremelicar, instável.
'Distorção de mana… ótimo. Justo o que eu precisava.'
Rangeu os dentes, empurrando para frente, as chamas envolvendo a Presa do Entidade. "Explosão de Ignição!"
Fogo rugiu, revestindo o aço amaldiçoado enquanto ele balançava para cima, cortando o capacete do cavaleiro. Fumaça negra escapou em uma explosão quando o corpo caiu com um forte clangue.
A voz do sistema ressoou em sua cabeça:
[Você derrotou Cavaleiro Preso ao Espectro (Raro — Ascendente). Você recebeu 0,50%.]
[Progresso Atual do Núcleo: 16,93% – Núcleo de Mana: Ascendente]
Noel exalou com força. "Isso foi… desagradável."
O olhar de Selene permaneceu na fumaça que se dissipava, sua voz fria mas firme. "E provavelmente não vai ser o último."
O próximo corredor se alargava mais que os demais, suas paredes veias de linhas estranhas e pulsantes que brilhavam suavemente em vermelho. Noel apertou ainda mais a pegada na Presa do Entidade. 'Isso… está vivo.'
Um arrepio percorreu sua espinha quando o centro do piso se elevou. Com um estalo nauseante, carne e pedra se rasgaram, e algo saiu de lá.
Dezena de membros brotaram de um torso grotesco, metade ossos, metade músculo, com garras irregulares arrastando-se pelo chão com um arrasto que reluziu de som. Seu rosto era só uma boca oca, escancarada, enquanto soltava um grito distorcido que fez as paredes tremerem.
Ao mesmo tempo, formas menores saíram das paredes—constructos deformados, meio formados de osso e aço. Autômatos, mas instáveis, com corpos tortos e quebrados.
Os olhos de Selene ficaram duros. "Não é só um."
Noel amaldiçoou baixinho. "Perfeito."
A primeira onda de autômatos comuns ascendentes veio em direção a eles. Noel avançou, a Presa do Entidade brilhando intensamente. "Arco de Fogo!"
Uma linha curva de fogo separou três deles, seus corpos derretendo-se em fragmentos fumegantes. O sistema apareceu em sua cabeça:
[Você derrotou Autômato Ascendente (Comum — Ascendente). Você recebeu 0,30%.]
[Progresso Atual do Núcleo: 17,23% – Núcleo de Mana: Ascendente]
Mas antes que pudesse recuperar o fôlego, a Horror de Carne se lançou para frente. Seus inúmeros braços desceram com peso, sacudindo todo o chão. Noel mal conseguiu bloquear um golpe, o impacto quase arrancando a espada de suas mãos.
'Essa coisa é mais forte que o cavaleiro.'
Selene levantou a varinha, sua voz cortando o caos com frieza. "Halo de Permafrost!"
Um anel de geada explodiu, desacelerando as construções menores e reduzindo a velocidade da Horror. Ainda assim, suas garras se libertaram, regenerando onde o gelo se quebrou.
Os pensamentos de Noel se intensificaram. 'Se ficarmos cercados, acabamos.'
Ele pulou para dentro, a Presa do Entidade explodindo em raios. "Raio em Cadeia!"
Trovões atravessaram múltiplos membros, cortando-os por um instante breve antes que a carne negra se contorcesse e reconstituísse.
A voz de Selene cortou, tensa mas firme. "Ela se regenera. Precisamos queimar ou congelar cada ferida."
Noel fez uma careta, calor e gelo queimando seus vasos sanguíneos. "Então não paramos até ela ficar caída."
A Horror gritou novamente, abalando as próprias paredes.
A Horror de Carne rugiu, seus membros se debatendo loucamente enquanto o chão rachava sob seu peso. Cada golpe o empurrava para trás, seus braços protestando com dor. Não posso ficar fazendo isso para sempre…
Os olhos de Selene se estreitaram, o ar ao seu redor arrefecendo até ficar mortalmente frio. Geada se condensou ao redor de sua varinha até que a ponta de cristal brilhasse como uma estrela congelada.
Sua voz soou fina e decisiva: "Requiem de Geada."
Um pulso de frio absoluto explodiu para fora, engolindo o corredor numa tempestade de neve cortante e vento uivante. A Horror parou no meio do movimento, seus membros ficando rígidos enquanto milhares de agulhas microscópicas perfuravam sua carne. Seu grito distorcido foi silenciado ao seu corpo se transformar em uma massa de gelo sólido.
Noel não hesitou. A Presa do Entidade queimou com fogo e relâmpagos, e ele cortou através do núcleo congelado com um golpe brutal. O monstro se quebrou em fragmentos, dissolvendo-se em cinzas negras.
A voz do sistema veio imediatamente:
[Você derrotou Horror de Carne (Ascendente Raro). Você recebeu 0,50%.]
[Progresso Atual do Núcleo: 17,73% – Núcleo de Mana: Ascendente]
Noel cambaleou, respirando com dificuldade. "Finalmente… essa coisa não queria ficar quieta."
Selene abaixou a varinha, sua respiração visível no ar gelado. Parecia pálida, exausta, mas o tom de sua voz permaneceu firme. "Apenas um guardião. Vai ter mais."
Noel sorriu cansado. "Pois é. Mas nada sai vivo daquela tempestade."
Mal terminou de falar quando o teto acima deles tremeu.
Das sombras do corredor mais distante, passos pesados ecoaram—lentos, deliberados, muito mais pesados que as ações frenéticas da Horror. O ar ficou opressor, mais escuro, até que uma figura emergiu.
Uma besta imensa, revestida de armadura de obsidiana afiada, seu corpo irradiava uma aura violenta que pressionava como uma montanha. Seus olhos brilhavam em vermelho, fixando-os com fome primal.
Um Ascendente de Elite.
As mãos de Noel se apertaram na Presa do Entidade, o suor frio escorrendo pelas costas. 'A gente não está preparado para isso…'
Selene levantou sua varinha novamente, a boca fina de determinação.
O ambiente escureceu, e o rugido da criatura sacudiu o santuário.