
Capítulo 355
O Extra é um Gênio!?
O ambiente dentro do grande pavilhão estava tenso, o ar pesado com incenso e cristais de mana que brilhavam suavemente acima. Patriarcas e matriarcas de todas as casas haviam sido chamados, seus olhos fixos na supervisora que tremia no centro.
O homem engoliu em seco antes de falar. "Um incidente ocorreu ontem à noite. Enquanto Selene von Iskandar e Noel Thorne estavam descansando em uma das cavernas designadas, o drone enviado para rastreá-los foi destruído. A última imagem capturada mostrou um desabamento. Desde então, não tivemos mais contato visual ou mágico."
Um silêncio pesado caiu na câmara. Então, Albrecht levantou-se, sua presença suficiente para gelar o ar. Sua voz atravessou o toldo como uma lâmina.
"Vocês esperaram até de manhã para relatar isso?" Seus olhos verdes ardiam de fúria. "Poderiam ter nos acordado assim que o sinal falhou. Vocês entendem o que poderia ter acontecido naquele período? E se eles já estiverem mortos?"
A supervisora gaguejou, fazendo uma reverência profunda, com as mãos no chão. "Meu senhor, perdoe-me! Eu— Eu achava que ia se estabilizar. Já vimos drones perderem sinal antes, só para se recuperar—"
"Se recuperarem?" O tom de Albrecht transbordava veneno. "Se eles sumiram, se o sangue deles mancha essas ruínas por sua hesitação, eu juro que vocês pagarão por isso. Com a própria vida."
A ameaça pairou no ar, cortante e definitiva. Ninguém no pavilhão duvidou que ele queria dizer cada palavra.
Do outro lado da mesa, a compostura de Vaelora se quebrou pela primeira vez. Seus olhos vermelhos se estreitaram, a voz tremendo levemente. "Exatamente onde ocorreu o desabamento?"
A supervisora engoliu novamente, suor escorrendo pela têmpora. "Na caverna. Uma descida profunda. Parecia sem fundo."
O ambiente virou um caos—sussurros, punhos cerrados, olhares severos. A Caçada tinha tomado um rumo mais sombrio.
A voz de Mirelle cortou primeiro, fria e afiada. "Então é Noel que desapareceu? Como esperado. Sempre o problemático, sempre manchando o nome Thorne." Ela nem se preocupou em baixar o tom. "Talvez seja o preço por ter permitido que ele voltasse ao grupo."
Serina deu uma risada sem humor, recostando-se na cadeira. "Concordo. Damon e Kael podem não ser perfeitos, mas pelo menos não desapareceram como algum louco irresponsável. Por que deveríamos arriscar recursos ou nossa reputação por um filho que nunca foi adequado para essa família?"
O olhar de Albrecht escureceu, as mãos apertando o descanso, mas antes que pudesse responder, a voz de Vaelora cortou o silêncio como uma lâmina de gelo.
"Chega." Seus olhos varreram as esposas, ardendo com uma fúria contida. "Vocês falam como se fosse só sobre Noel, mas minha filha está com ele. Selene. Ela não é uma peça descartável para ser resolvida com palavras amargas." Seu tom ficou mais incisivo, desafiante. "Se ela for ferida, vocês não estão apenas arriscando o orgulho da família—estão convidando a ira de Iskandar em pessoa."
O pavilhão ficou em silêncio. Ninguém deixou passar o peso de sua ameaça.
Albrecht falou baixo, frio e definitivo. "Restrinjam o acesso à caverna. Selando-a dos demais, mantenham isso em segredo. Os herdeiros ainda dentro não devem saber disso. Se espalhar o pânico, a Caçada desmorona."
Ninguém contestou. Nem Mirelle, nem Serina.
Albrecht levantou-se, o movimento suficiente para fazer todos voltarem o olhar para ele novamente. Sua expressão era de pedra, a voz de ferro. "Palavras vazias não levam a nada. Se Noel e Selene caíram, então precisamos descobrir onde. Eu mesmo irei ver a caverna."
Suspiros rodaram pelo pavilhão. Um patriarca se mexeu de forma desconfortável, depois outro. Poucos ousaram questionar Albrecht diretamente, mas o pensamento permanecia pesado—se o chefe da Casa Thorne saísse, que caos poderia seguir em sua ausência?
Vaelora permaneceu um instante mais, calma mas resoluta. "Então, eu irei com você. A vida da minha filha não é coisa que eu confie a guardas ou serviçais." Seus olhos se estreitaram, desafiando quem quer que tentasse ameaça-la. "Se a queda foi tão profunda quanto relataram, precisaremos de mais do que homens com cordas. Precisamos entender o que há lá embaixo."
Albrecht confirmou com um breve aceno. "Então, está decidido. Descemos juntos."
Um dos outros senhores finalmente falou, cauteloso, mas firme. "E se vocês não retornarem?"
O olhar de Albrecht silenciou-o. "Então, fiquem calados e mantenham os herdeiros focados na Caçada. É tudo que importa agora."
Mirelle resmungou baixinho, embora não tivesse coragem de falar mais alto. Serina cruzou os braços, visibly descontente, mas nenhuma das duas questionou a ordem.
As duas casas—Thorne e Iskandar—mantinham-se alinhadas, ainda que desconfortavelmente, unidas pelo sangue e pelas circunstâncias.
Do lado de fora, os ventos das montanhas uivavam contra as paredes do pavilhão, como se zombassem da determinação que lá dentro permanecia. As preparações começaram imediatamente: selar a caverna, desenhar mapas e reunir homens que seguiriam Albrecht e Vaelora na escuridão.
E embora ninguém dissesse em voz alta, o pensamento permanecia como fumaça—e se os herdeiros já tivessem desaparecido?
O ar dentro da caverna era úmido, carregado com o cheiro de terra e pedra. tochas crepitavam nas paredes, sua luz mal alcançando o vazio negro à frente. Albrecht e Vaelora estavam à beira do enorme abismo, suas capas tocando o chão coberto de poeira.
"É aqui que eles caíram", murmurou um dos exploradores, mantendo distância.
Albrecht agachou-se, seus olhos se estreitaram enquanto examinava a borda esburacada do colapso. Fissuras frescas se espalhavam como veias, provas de como a terra cedeu violentamente. Ele pegou uma pedra solta e, sem dizer uma palavra, jogou-a na abertura.
A rocha sumiu na escuridão. Passaram segundos. Depois mais. O interior da caverna manteve-se silencioso.
"Sem impacto", disse Vaelora suavemente, com o olhar fixo para baixo. A luz tênue da tocha delineou seu rosto, revelando a tensão escondida por trás de sua expressão tranquila. "É mais profundo do que imaginávamos. Muito mais profundo."
Albrecht se endireitou lentamente, expressão grave. "Uma queda dessas deveria ter matado eles." Seus olhos se voltaram novamente para o abismo, como se a força de vontade pudesse perfurar a escuridão. "Mas se eles estiverem vivos…" Deixou a frase no ar, incompleta, carregada de peso.
"Não podemos confiar na sorte", respondeu Vaelora. "Precisamos de cordas, âncoras, talvez até de uma magia forte suficiente para diminuir a velocidade da descida. Aqui não é uma caverna comum. O que estiver lá embaixo…" Ela hesitou, o peso de sua suspeita não dita mais frio que o ar da caverna.
As tochas tremularam como se a própria escuridão respirasse. Albrecht apertou o maxilar. "Então, nos prepararemos. Sem erros. Se sobreviverem, traremos de volta. Se não—" Sua voz hesitou por um instante, mas voltou a ficar firme. "—vamos descobrir o porquê."
Por trás deles, os homens se mexeram inquietos. Ninguém se atrevia a se aproximar demais da borda.