
Capítulo 369
O Extra é um Gênio!?
A tenda estava silenciosa, exceto pelo zumbido da tela de mana. Números mudavam em sua superfície enquanto as últimas contagens da Caçada eram atualizadas em tempo real.
O nome no topo brilhava mais intensamente do que os demais:
1º – Noel Thorne.
2º – Selene von Iskandar.
3º – Marcus (linha Nivária).
De repente, o silêncio foi quebrado.
"Isto é um absurdo!" A voz de Mirelle cortou como uma lâmina, seus dedos enfeitados de jóias batendo com força na mesa. "Aquele menino nunca poderia superar Sylvette—vinte e quatro horas sem parar? Impossível!"
Serina se inclinou para frente, com os olhos flamejantes. "Você acha que podemos acreditar que ele também passou do Marcus? Ele nem mesmo—"
"Chega."
A voz de Albrecht Thorne reverberou na tenda como um sino de ferro. As duas mulheres ficaram paralisadas, suas protestas sufocadas na garganta. Ele não elevou o tom, mas o peso de sua voz silenciou toda a tenda.
O olhar de Albrecht percorreu os patriarchas e matriarcas presentes, firme. "Todos vocês viram. Cada um."
Um murmurou percorreu a sala, confirmando relutantemente. Os drones haviam transmitido cada momento—a caça implacável, o sangue, o ritmo constante. Por vinte e quatro horas, Noel Thorne não vacilou.
"Ele nunca parou," admitiu um dos anciãos. "Nem uma única vez."
Vaelora von Iskandar cruzou os braços, com os olhos frios fixos na tela brilhante. Ela não falou, mas a tênue tensão no canto de sua boca revelava seus pensamentos.
Mirelle tentou novamente, mais suave desta vez, mas ainda impregnada de raiva. "É algo antinatural—"
Albrecht a interrompeu apenas com um olhar. "Antinatural ou não, aconteceu. Negar isso não muda nada."
A tenda voltou a ficar silenciosa, o único som sendo o zumbido constante dos drones sobre as montanhas. A caça havia terminado, e o impossível agora estava claro para todos verem.
As telas de mana piscavam novamente, e desta vez a voz dos drones ecoou por toda a cadeia de montanhas.
"Caçadores, juntem-se. A Caçada da Herança foi encerrada. Reúnam-se na tenda principal."
As palavras soaram como trovão. Cada sobrevivente, cada concorrente, ouviu-as. Um a um, figuras surgiram das encostas, machucadas mas vivas, convergindo para o coração do acampamento.
Noel caminhava entre eles. Seus passos eram firmes, apesar da dor que arrastava em cada músculo. Revenant Fang pendia ao seu lado, ainda manchado pelos restos da caça. Ele mantinha a expressão calma, como se o cansaço que devorava seus ossos não existisse.
Um movimento rápido chamou sua atenção.
"Noel!"
Elena von Lestaria saiu da multidão, com seus longos cabelos esvoaçando atrás dela enquanto corria direto até ele. Ela jogou os braços ao redor de seus ombros, segurando-se firmemente. "Não te vi uma única vez durante toda a Caçada. Onde você estava?"
Pela primeira vez em horas, Noel deixou escapar uma respiração suave, quase parecendo uma risada. "Foi longo," ele disse calmamente, apoiando uma mão nas costas dela. "Eu te conto depois."
Ela apertou os lábios, mas assentiu, relutante em soltá-lo ainda.
Uma sombra caiu sobre eles. Sylvette, com expressão afiada, observou seu irmão de cima a baixo. Seus olhos se estreitaram, um indício de descrença refletido ali. "Então você ainda está de pé." Ela se inclinou um pouco, com a voz baixa, mas carregada de intensidade. "Vamos ver quem realmente merece ser chefe da casa, irmão."
Noel a encarou, sem recuar. Não respondeu. O título pouco lhe importava.
O acampamento fervilhava de murmúrios à medida que mais estudantes retornavam, mas Noel permaneceu em silêncio, Elena ainda agarrada a ele, as palavras de Sylvette pairando como uma lâmina não retirada.
O fluxo de caçadores retornando se intensificava ao redor da tenda principal. Vozes se misturavam—risos exaustos, resmungos de dor, o silêncio oco daqueles que haviam perdido muito.
Entre eles, Clara se aproximou com Marcus ao lado. Sua mão entrelaçada ao braço dele, seu brilho habitual ofuscado, mas ainda presente. Marcus, apesar de machucado, mantinha-se com uma calma orgulhosa.
Ele percebeu Noel instantaneamente. "Lá está você," chamou Marcus, com um tom leve, apesar do hematoma na mandíbula. "Como foi?"
Noel fez um leve aceno de cabeça, com a expressão indecifrável. "Bom," disse simplesmente. "Foi… bom."
Clara inclinou a cabeça, percebendo o peso por trás da moderação, mas não insistiu. Em vez disso, sorriu suavemente, como se estivesse aliviada só por vê-lo seguro.
Marcus sorriu de canto, balançando a cabeça. "Você faz parecer que foi uma caminhada, não uma Caçada."
Noel não respondeu. A verdade do que passou era algo que só ele poderia carregar, bem como Selene.
De um lado da multidão, uma presença diferente permanecia—silenciosa, distante. Selene. Ela não avançou pelo mar de herdeiros até alcançá-lo. Em vez disso, ficou um pouco à parte, sua varinha pálida ainda presa à cintura, sua figura firme contra a luz que desaparecia.
Por um instante, ela apenas o observou. Sua expressão era fria, composta, como sempre. Mas quando os olhos de Noel finalmente a encontraram, algo quebrou aquele máscara.
Ela sorriu.
Não a discreta curva que ela fazia em momentos raros, mas um sorriso verdadeiro—suave, frágil, passageiro.
Noel piscou, surpreso com o calor repentino no rosto dela. Aquele instante passou rápido, seu semblante se fechou novamente, mas a marca ficou.
Ele expirou, ajustando Revenant Fang ao lado. "Selene…"
O acampamento seguia agitado, mas entre eles, o silêncio tinha um peso muito maior do que as palavras poderiam carregar.
A multidão se espessou até a tenda principal parecer o centro do mundo. Estudantes, herdeiros de clãs, instrutores—todos reunidos sob as bandeiras enquanto o zumbido dos drones finalmente diminuiu. A caça havia acabado.
Lord Edric de Nivária avançou, sua figura imponente lançando uma longa sombra sobre a assembleia. Sua voz era clara, uma mistura de autoridade e calor. "Primeiro, quero parabenizá-los. Esta Caçada da Herança testou mais do que força—testou determinação. E vocês resistiram."
Seus olhos se dirigiram a Marcus, próximo ao front. Um sorriso raro apareceu em seus lábios. "Terceiro lugar. Muito bem. Vocês mereceram." Então, com um sorriso malicioso, acrescentou: "Talvez o suficiente para finalmente conquistar a mão da minha filha."
O rosto de Clara ficou vermelho de imediato. "F-Filho!" ela exclamou, cobrindo as bochechas com as mãos. Marcus apenas riu suavemente, colocando uma mão firme no ombro dela, sua calma deixando-a vermelha ainda mais.
Risadas suaves se espalharam pela multidão, aliviando um pouco a tensão. Então, Edric levantou a mão, e o silêncio retornou.
"Segundo lugar," anunciou, seu olhar se dirigindo ao linhagem Iskandar. "Selene von Iskandar."
Um murmúrio discreto percorreu a tenda. Selene inclinou a cabeça, com sua postura habitual, embora seus olhos cian emitiam um brilho breve na direção de Noel.
"E por fim," disse Edric, sua voz carregada de peso que se estabeleceu no ar, "Primeiro lugar. Noel Thorne."
O nome soou como uma martelada no ar. Alguns suspiraram, outros fizeram careta, mas ninguém pôde negar o que testemunharam. Vinte e quatro horas de massacre incessante, registrado pelos drones para que todos assistissem.
Noel permaneceu imóvel sob o peso de inúmeros olhares. A mão de Elena apertou a dele; Marcus acenou com a cabeça; a sutil smile de Selene que ficou na lembrança dele pouco antes ainda pairava na mente.
As últimas palavras de Edric selaram a noite. "Estes são os herdeiros do amanhã. Guardem seus nomes."
O tenda voltou a vibrar com murmúrios, mas a expressão de Noel nunca mudou. Para ele, o título não significava nada. A caçada nunca foi sobre glória.
Era sobre subir cada vez mais alto. Sempre mais alto.