O Extra é um Gênio!?

Capítulo 370

O Extra é um Gênio!?

A tenda não esvaziou imediatamente após o anúncio de Lorde Edric. Em vez disso, sussurros preencheram o ar, espalhando-se como fogo por um campo seco.

"Noel Thorne... primeira colocada?" uma matriarca murmurou, fechando com estalo seu leque adornado com joias. "Impossível. Ele foi desqualificado na última Caçada. Ficou na última posição."

Outro lorde se inclinou para frente, sobrancelhas franzidas. "Não foi só desqualificado. Ele mal conseguiu acompanhar na última. Para subir de lá para cá—alguma coisa não faz sentido."

Na borda da reunião, a voz de Mirelle cortou dura. "Já disse antes, e vou repetir—isso não pode ser natural. Vinte e quatro horas sem descanso? Nenhum garoto na idade dele tem tanta resistência."

Serina concordou, braços cruzados com força. "É uma farsa. Um espetáculo encenado."

Porém, suas palavras pareceram cair no silêncio dos demais. Todos na tenda haviam visto a mesma coisa—as correntes intermináveis dos drones circulando acima das montanhas. Noel lutando através de onda após onda, sem nunca ceder, sem parar.

Um patriarca da Casa Nivaria balançou a cabeça. "Você acha isso sobrenatural? Eu acho assustador. Ele conquistou o topo em um único dia."

Outro da Casa Lestaria Murmurou, baixo: "Se ele consegue subir tão rápido, o que será dele daqui a um ano?"

Os murmúrios ficaram mais densos, mais afiados, até que finalmente Albrecht Thorne se mexeu. Ele não elevou a voz; não precisava.

"Basta."

As palavras de Albrecht Thorne soaram como um martelo, silenciando toda a tenda. Seu olhar percorreu os nobres reunidos, frio e inflexível. "Todos vocês viram. Cada golpe. Cada morte. Ele foi observado o tempo todo."

Lorde Edric de Nivaria avançou ao seu lado, sua presença igualmente inabalável. "De fato. Um drone de maná o acompanhou por vinte e quatro horas. Se houve truque, todos nós teríamos visto. Vocês ousam chamar as casas de cegas?"

As protestas silenciaram. Ninguém respondeu. As imagens dos drones ainda queimavam na memória de todos—Noel rasgando besta após besta, ensanguentado, mas nunca parando.

O tom de Albrecht se intensificou. "Isto não é uma discussão. Isto é um fato."

Mirelle e Serina baixaram os olhos, envergonhadas, mas sem convencimento. Ainda assim, ninguém ousou falar mais.

A tenda entrou em um silêncio desconfortável. Noel Thorne tinha quebrado toda expectativa, e nenhuma negação poderia apagá-la.

O ar noturno do lado de fora da tenda estava mais fresco, mais silencioso, embora o peso dos sussurros ainda pairasse sobre o acampamento. Noel saiu, com a Presa do Fantasma pendurada solta ao seu lado, os ombros doloridos após horas de batalha.

"Elena."

Ela já estava lá, esperando por ele. Sem hesitar, ela foi até ele, abraçando-o com os braços, a expressão de alívio suavizando seu porte habitual. Quando se afastaram, seus olhos azul-céu buscaram o rosto de Noel com atenção.

"Você conseguiu," ela disse, com voz quente, mas marcada por incredulidade. "Primeiro lugar. Da última vez, você me levou ao primeiro... mas desta vez, você foi quem ficou no topo."

Os lábios de Noel se contornaram de leve, embora o cansaço escurecesse o sorriso. "Você não está no pódio desta vez."

Elena balançou a cabeça, seu sorriso calmo, quase brincalhão. "Já te falei. Desde que meu pai virou patriarca, a pressão mudou. Não preciso mais correr atrás de posições." Ela se inclinou mais perto, baixando a voz. "Além disso... você é o homem nesta relação, não é? É seu trabalho me proteger."

Noel piscou, surpreendido pela franqueza. Então, inesperadamente, uma risada silenciosa escapou dele. "Que conveniente."

Suas bochechas ficaram vermelhas, mas ela não desviou o olhar. "Conveniente ou não, eu quero dizer isso de verdade."

Noel a observou por um momento, seu olhar mais suave do que pretendia. Elena nunca foi do tipo que pede ajuda—mas aqui estava ela, dando a ele uma razão para carregar seu fardo sem vergonha.

'Protetor dela, hein? Com tudo mais pendurado sobre mim... isso ao menos, posso fazer.'

Ele levantou a mão, afastando um fio de cabelo solto do rosto dela. "Então, vou te proteger. Isso é uma promessa."

O sorriso de Elena se abriu mais, tingido de orgulho e de algo mais suave. Ela apertou a mão dele uma vez, antes de recuar, os olhos brilhando com uma confiança silenciosa.

Mal havia deixado a mão de Elena escapar quando outra presença se aproximou. Passos deliberados, postura ereta, olhar firme—Selene.

Ela parou alguns passos adiante, ainda com sua varinha presa ao lado, o cabelo refletindo a luz tênue da fogueira. Pela primeira vez, ela não se preocupou em ser cordial.

"Precisamos conversar," ela disse, com tom frio como sempre, mas o leve tremor que a acompanhava denunciava urgência. Seu olhar breve se voltou para Elena, depois para Noel. "Os três."

Elena piscou, as sobrancelhas levantando. "...Conversar?"

Selene confirmou com um único gesto de cabeça. "Vocês sabem do que se trata."

A silence se alongou por um instante, pesada e cortante. A expressão de Elena suavizou com uma clareza súbita. Ela se virou para Noel, os olhos se estreitando, não com raiva, mas carregando o peso de uma compreensão não dita.

"Noel," ela sussurrou, com voz calma, mas incisiva, "você sabe do que se trata, não é?"

Um calafrio percorreu sua espinha. Ele manteve a expressão calma, mas o peso do olhar dela parecia maior do que as feridas em seu corpo.

Elena manteve seu olhar fixo nele, paciente, esperando—não por palavras, mas por reconhecimento. Atrás dela, a presença firme de Selene permanecia como uma sombra que se aproximava mais e mais.

Pela primeira vez desde que a Caçada terminou, Noel sentiu uma tensão que não podia cortar com uma espada.

Pegou uma respiração lenta, tentando se acalmar. "...Sim," admitiu baixinho.

Os lábios de Elena se pressionaram juntos, a mão fazendo um movimento relaxado ao lado do corpo.

Os olhos de Selene piscaram, indecifráveis na luz da fogueira, mas seu silêncio carregava mais peso do que qualquer exigência.

O barulho do acampamento desapareceu atrás deles enquanto os três se afastavam, encontrando um lugar silencioso perto da borda das árvores, onde as tochas não alcançavam. O ar aqui estava mais frio, mais calmo—mas muito mais pesado.

Elena cruzou os braços levemente, inclinando a cabeça enquanto olhava para Selene. "Então... sobre o que você queria falar?"

Seu tom era cortês, mas por dentro, seus pensamentos giravam. 'Estranho. Selene nunca procurou outros. Ela sempre foi distante. Para ela pedir uma conversa… deve ser sério.'

Noel ficou um passo atrás, os dedos apertando levemente a empunhadura da Presa do Fantasma. Ele não precisou perguntar. Já sabia. 'Então, é isso que está acontecendo.'

Os olhos de safira de Selene se moveram de Elena para Noel, firmes, inabaláveis. Sua expressão era calma, mas a espera antes de falar parecia interminável.

Finalmente, ela quebrou o silêncio, sua voz cortando a noite como geada.

"Eu gosto do Noel."

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