O Extra é um Gênio!?

Capítulo 344

O Extra é um Gênio!?

Até o quarto dia da Caçada, a rotina havia se assentado nos ossos de Noel. Acordar dentro de uma caverna, verificar se o fogo ainda não tinha se apagado e conferir a bolsa por restos de comida. Mesma rotina, mesma rotina dura. Pelo menos, assim, tudo permanecia simples.

Ele encostou as costas na parede de pedra áspera, mastigando pão seco enquanto fibrava a fumaça do fogo da noite anterior ainda pairava no ar. Do lado oposto, Selene despertou, afastando fios de cabelo azul curto do rosto. Ela piscou algumas vezes, respirando fundo ao captar o olhar dele voltado para ela.

Seus olhos cianos se estreitaram sutilmente. "O quê?"

Noel levantou a mão, fingindo inocência. "Nada. Você geralmente não fica… tão desprotegida de manhã."

Uma leve expressão de cansaço apareceu entre suas sobrancelhas, mas, ao invés de responder, ela ergueu os joelhos, ocupada com sua varinha. Os lábios de Noel torceram—fazê-la ficar irritada logo cedo não era uma má maneira de começar o dia.

Ele revistou a bolsa dimensional, espalhando tiras de carne seca e um punhado de biscoitos duros. "Coma. Não vá longe de estômago vazio."

Selene aceitou sua parte em silêncio. Por um instante, o único som era o crunch das rações secas e o leve assobio do vento lá fora, dentro da caverna.

Finalmente, Noel quebrou o silêncio. "Faltam três dias. Se queremos chegar ao topo, não podemos perder tempo com pouca vergonha."

O olhar de Selene se levantou, frio e firme. "Então, vamos de elite de novo."

Noel sorriu de canto, mordendo mais uma tira de carne. 'Exatamente. O sistema tem sido mão-de-vaca, mas cada Elite é um passo mais perto. Mais três dias… tempo suficiente para fazer esse esforço valer a pena.'

Ele sacudiu as mãos, levantando-se. "Vamos lá. Estamos queimando tempo."

Selene também se levantou, com gelo levemente se formando ao redor de suas botas, como se refletisse seu foco. Mais um dia, mais uma caçada.

A floresta fora da caverna inicialmente estava silenciosa, o tipo de silêncio que fazia a pele de Noel formigar. Mas não durou muito. Galhos estalaram à distância, passos pesados esmagando o mato ao avançar enquanto formas emergiam da linha das árvores.

Seis figuras imensas—quadrúpedes com escamas, chifres irregulares surgindo das sobrancelhas, peles reluzindo como pedra—se espalharam pela clareira. Magma saía de suas narinas enquanto rugiam.

A voz de Selene cortou no ar, fria e precisa. "Dragões de pele de pedra. Peritos—nível Elite."

Noel sacou a Dente do Ressurgente, fogo já se formando ao longo de sua lâmina. "Perfeito. Eu vou na frente."

O primeiro dragão avançou, garras cavando o solo. Noel desviou, sombras se enrolando em suas pernas enquanto sussurrava: "Passo Sombrio." Ele reapareceu ao lado da lateral do monstro, com a Dente do Ressurgente brilhando. "Empurrão de Ignição!"

A lâmina rasgou as escamas da criatura com um som de chiado derretido, dividindo sua lateral. A besta uivou, momento em que Selene atacou— sua varinha reluzindo enquanto conjurava uma rajada de estalactites afiadas. "Espeto de Gelo!" Os fragmentos explodiram do chão, prendendo seus membros antes que o próximo ataque de Noel o acabasse.

[Você matou Dragão de Pele de Pedra (Elite—Perito). Você recebeu 0,15%.]

A notificação piscou na visão de Noel, rapidamente ofuscada por outras enquanto eles avançavam pela horda. Ele atraía as cargas deles, com a Dente do Ressurgente brilhando a cada golpe, enquanto Selene congelava asas em pleno bater, amarrando membros com o Garras de Gelo antes que o fogo de Noel concluísse o serviço.

[Você matou Dragão de Pele de Pedra (Elite—Perito). Você recebeu 0,15%.]

[Você matou Dragão de Pele de Pedra (Elite—Perito). Você recebeu 0,15%.]

[Progresso Atual do Núcleo: 10,43% – Núcleo de Mana: Ascendente]

O último cadáver caiu ao chão com um barulho retumbante, suas escamas já esfriarem até um cinza opaco. Noel respirou fundo, segurando sua espada com leveza, suor escorrendo pela testa.

Selene se endireitou, abaixando a varinha. "Eficiente."

Noel limpou a boca com as costas da mão, sorrindo de leve. "Nada mal para um aquecimento matinal."

O dia se alongou em uma confusão de rugidos, aço e gelo. A cada poucas horas, um novo grupo de bestas se deparava com eles—às vezes rondando os cimos, outras vezes atravessando as árvores como se fossem atraídas pelo cheiro de batalha.

Até o meio-dia, Noel já tinha deixado de contar as mortes. Seu foco permanecia firme, com a Dente do Ressurgente cortando arcos de fogo por baixo das escamas enquanto Selene eliminava os retardatários com gravidade e gelo. Os feitiços dela diminuíam o número deles; os golpes de Noel os liquidavam.

[Você matou Osso de Ferro (Elite—Perito). Você recebeu 0,15%.]

[Você matou Serpente de Frestas (Elite—Perito). Você recebeu 0,15%.]

[Você matou Basilisco de Garra de Cinza (Elite—Perito). Você recebeu 0,15%.]

[Progresso Atual do Núcleo: 13,43% – Núcleo de Mana: Ascendente]

As notificações constantes quase pareceram um sonho, quase surreal. Noel ficara semanas com o progresso na casa dos dígitos menores, mas agora—graças à Caçada—os números subiam mais rápido do que conseguia acompanhar. 'O sistema realmente está sendo generoso. Não vou reclamar. No final, ficarei mais forte do que nunca.'

O último serpente se debatia violentamente antes de a Raiva Glacial de Selene perfurar seu crânio. Noel concluiu com um golpe para baixo, a Gente do Ressurgente sibilando enquanto cortava até o osso. Um silêncio pesado seguiu, a clareira cheia de cadáveres fumegantes e terra queimada.

Selene abaixou a varinha, o gelo derretendo aos seus pés. Ela não falou nada, mas os ombros se levantavam e desciam com cada respiração, revelando o peso do dia.

Os drones acima chiaram suavemente, captando cada movimento, cada golpe. Noel os ignorou. A única coisa que importava era o número na sua visão—e o fato de Selene ainda estar ao seu lado, firme como sempre.

Quando o sol desapareceu atrás das montanhas, pintando o céu com roxos e vermelhos intensos, eles já estavam voltando para a caverna. Noel liderava, a Gente do Ressurgente presa às costas, enquanto os passos silenciosos de Selene seguiam atrás.

A caçada tinha terminado por hoje. Amanhã, começaria novamente.

De volta à caverna, a rotina se repetia quase como nas noites anteriores. Noel acendeu uma pequena fogueira perto da parede, as chamas lambendo suavemente enquanto tiras de carne seca sovavam sobre uma pedra lisa. O cheiro enchia o espaço apertado, disfarçando o odor de sangue de monstro ainda levemente presente nas roupas.

Selene sentou-se de pernas cruzadas, com a varinha repousando ao lado, seus olhos azuis refletindo a luz do fogo. Ela aceitou sua parte de comida sem palavras, comendo em silêncio, como de costume. Só depois de alguns minutos, Noel quebrou o silêncio.

"Sentiu aquilo?" ele perguntou, franzindo as sobrancelhas.

Selene parou com a mordida, depois assentiu com um gesto rápido. "Sim. Sutil, mas… algo mudou."

"Achei que tinha sido impressão minha," murmurou Noel, recostando-se na pedra. Seu olhar se voltou para a entrada da caverna, onde a escuridão lá fora era quase total. Só o zumbido distante de um drone traía o fato de que eles não estavam completamente sozinhos.

Selene seguiu seu olhar. "À noite, a maioria fica inativa. No quarto dia, os patriarcas e matriarcas focam nos resultados durante o dia. Só um observador permanece."

"Então, eles estão dormindo," disse Noel de forma direta. "Significa que temos privacidade."

Selene deu um leve humm e terminou sua comida com precisão. "Melhor do que olhos permanentemente acima."

Noel sorriu de leve, jogando mais um graveto na fogueira. "Aposto que essa é uma das vantagens dessa caverna."

O silêncio perdurou, preenchido apenas pelo estalar das chamas e o sussurro distante do vento lá fora. Por um breve momento, quase parecia seguro.

Então, o chão tremeu.

Começou como um som baixo, quase um trovão, tão suave que Noel pensou que fosse apenas uma tempestade. Mas as vibrações aumentaram, o chão tremendo violentamente. Fendas se abriram no piso, a luz espalhando-se a partir do fogo enquanto a terra cediam.

"Noel—!" a voz de Selene rasgou o ar, mas a caverna desabou sob eles.

O fogo se apagou num instante, e, juntos, mergulharam na escuridão.

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