
Capítulo 345
O Extra é um Gênio!?
- Ponto de vista de Elena -
Elena se moveu rapidamente pelo mato, seus cabelos loiros platinados refletindo os raios de sol que penetravam entre os galhos. Cada passo parecia parte da floresta em si—fluido, controlado, deliberado. Ela passou anos aprimorando essa conexão com a natureza, e aqui, na Caçada, isso deu frutos.
O chão tremeu quando uma fera escamada saiu de dentro do mato, suas garras deixando cicatrizes profundas na terra. Sua respiração incandescente assobiou ao bater contra a casca das árvores próximas, tentando cercá-la.
Elena não vacilou. Sua mão varreu o chão, convocando raízes que se enroscavam sob os pés da criatura. "Floração da Armadilha!"
A besta rugiu enquanto trepadeiras espinhosas surgiam ao seu redor, envolvendo suas pernas numa armadilha viva. Elena avançou, seu corpo girando enquanto folhas se espalhavam ao seu redor. "Dançarina das Folhas!"
Ela virou um traço de verde e prata, riscando seu peito com um golpe único de energia natural. A fera cambaleou para trás, saliva incandescente espirrando inutilmente no chão da floresta.
Sem dar tempo para ela se recuperar, Elena pressionou a palma da mão contra a terra, invocando as raízes abaixo. "Estalo das Raízes!"
O chão explodiu sob a criatura, lançando-a ao ar. Seu grito foi interrompido quando ela se aproximou, braço estendido. Uma trepadeira pontiaguda surgiu do solo como uma lança. "Dente de Videira!"
O golpe atravessou seu pescoço limpo. O peso da criatura caiu ruidosamente no chão, sem vida.
Elena exalou, controlando a respiração enquanto as trepadeiras se retraíam. Ao redor dela, a floresta voltou ao silêncio—exceto pelo zumbido suave de drones acima, gravando cada um de seus movimentos.
'Isso deve ganhar alguns pontos,' ela pensou, afastando um fio de cabelo da testa. Mas sua expressão suavizou quase imediatamente. 'Noel… estou curiosa para saber como você está lá fora…'
Antes que o pensamento pudesse persistir, um splash de água ecoou mais adiante na mata, seguido por uma chama azul familiar.
Os olhos âmbar de Elena se arregalaram. Ela sorriu levemente. "Encontrei você."
Ela seguiu o som entre as árvores, seus passos rápidos e silenciosos. A floresta se abriu em uma clareira rochosa, onde o caos se desdobrava.
Marcelo estava no centro, com a postura firme enquanto seu voz ecoava: "Explosão de Pedra!"
O chão sob três bestas que saltaram explodiu em fragmentos pontiagudos, fazendo-as tropeçar. Antes que pudessem se recuperar, Clara levantou as mãos, a água girando em um jato focado. "Perfurar Maré!" O feixe avançou, perfurando o torso de uma das criaturas e derrubando-a no chão.
Outra lançou-se em direção a Marcus. Ele não hesitou—sua mão incendiou com fogo azul. "Ataque de Fulgor Azul!" A chamas atravessaram o peito da criatura, explodindo em faíscas de calor azul.
Clara se aproximou com agilidade, uma onda de água formando-se ao redor dos braços enquanto murmurava outra conjuração. Um escudo reluzente de líquido interceptou garras que poderiam rasgar as costas de Marcus. Seus movimentos eram perfeitamente sincronizados, duas metades do mesmo fluxo.
Elena não perdeu tempo. Com um movimento de pulso, raízes espessas emergiram do solo. "Floração da Armadilha!" Elas se enroscavam nas pernas da última besta, arrastando-a com um rugido sufocado.
Marcus piscou surpreendido com a ajuda inesperada, mas sorriu ao vê-la. "Finalmente você apareceu!"
"Não queria tirar seu brilho," retrucou Elena, entrando na clareira.
Enquanto isso, Clara sorriu de orelha a orelha, mesmo enquanto lançava outro fluxo de água para esmagar a criatura presa. "Elena!"
As trepadeiras se tensionaram, segurando o monstro tempo suficiente para Marcus finalizá-lo com uma lança de fogo e terra incandescentes. A criatura caiu, fumaça subindo de seu cadáver.
O campo de batalha ficou quieto. Os olhos âmbar de Elena suavizaram enquanto ela observava os dois juntos—movendo-se com tanta naturalidade, tão sincronizados. Ela não pôde deixar de sentir um brilho de orgulho.
Os três se afastaram dos corpos, encontrando uma pedra plana na borda da clareira para sentar e recuperar o fôlego. Clara usou um fio de água para lavar o sangue de seus braços, enquanto Marcus incandescia uma pequena chama, o brilho tremulando calorosamente contra seus rostos cansados.
Marcus se recostou nas mãos, exalando alto. "Então, Elena. Como está indo a Caçada este ano? Você ganhou na última, né?"
Clara inclinou a cabeça na direção da amiga, os olhos carregados de curiosidade. "Exatamente. Você terminou no topo. Como estão as coisas agora?"
Elena hesitou, soltando a poeira das luvas antes de responder. "No ano passado… foi diferente."
Seus olhos âmbar suavizaram por um momento enquanto uma lembrança relampejava—a voz calma e firme de Noel ao seu lado, a forma como ele tinha enfrentado um monstro muito maior do que qualquer um deles deveria. Ela se lembrou de como ele deu o golpe decisivo, apenas para recuar e deixar o crédito para ela. Sem ele, sua vitória no ano passado não teria sido possível. Esse segredo ficou entre eles, não dito, mas nunca esquecido.
Ao falar em voz alta, disse apenas: "Apupei mais do que devia. Este ano, vou levar mais na esportiva."
Marcus ergue uma sobrancelha. "Na esportiva? Isso não é parecer você."
Elena sorriu de leve, com um ar de conhecimento. "Não se acomode. Ainda vou dar o meu melhor. Acredito que posso ficar bem colocada de novo. Mas… não sinto mais a necessidade de provar alguma coisa agora. Não do jeito que fazia antes."
Clara apoiou o queixo na mão, estudando-a. "Você parece mais confiante. Se é isso que você quer, parece estar mais feliz assim."
"Sim… a mudança para o patriarca foi uma grande mudança na minha família," Elena admitiu, com a voz baixa, porém firme.
A clareira ficou silenciosa, com o fogo crepitando baixinho entre elas. Marcus se recostou contra uma pedra, Clara apoiou o queixo nos joelhos e Elena respirou fundo na quietude. Quase parecia algo normal—como tempos antigos na academia.
Então, o chão tremeu.
No começo, foi sutil, uma vibração leve sob suas botas. Mas ela cresceu, as pedras vibrando ao redor do fogo, raízes estremecendo como se a própria terra recuasse.
Clara se levantou de repente. "O que foi isso?"
Elena varreu com atenção os galhos, estreitando os olhos. "Não sei, mas está vindo na direção deles."
As árvores gemeram ao ser conquistadas por algo gigantesco. Galhos se quebraram como gravetos, a terra espirrou poeira no ar—e então apareceu à vista.
A criatura os sobrepunha, pelo menos oito metros de altura. Seu corpo era uma fusão retorcida de carapaça endurecida e tendões, cada passo deixando marcas profundas no solo. Dois dentes de marfim se projetavam de sua mandíbula, escorrendo veneno que chiar contra o chão. Sua traseira tinha espigões irregulares, brilhando fracamente com rachaduras incandescentes que pulsavam como veias de fogo.
Marcus murmurou, olhos arregalados, mas firmes. "Isso… é maior do que qualquer coisa que já vimos."
"Titã das Dunas," sussurrou Clara, a voz tensa. "Adepto de elite."
A besta ergueu a cabeça e soltou um rugido grosso que balançou o dossel. Os pássaros fugiram em massa, os ecos ressoando pelas montanhas como trovão.
Os dedos de Elena tremeram, raízes já mexendo sob a terra. "Fiquem focados. Isso não é como os outros."
Marcus puxou a espada, o fogo azul enrolando-se na lâmina. Clara levantou as mãos, a água se acumulando em uma esfera reluzente ao seu lado.
A enorme garra do Titã caiu no chão com força, enviando uma onda de choque pelo claro. O fogo que eles tinham acendido há instantes se apagou num piscar de olhos.
Os três ficaram lado a lado, com os olhos fixos na fera.