O Extra é um Gênio!?

Capítulo 346

O Extra é um Gênio!?

A terra se abriu sob o peso do Titã enquanto ele avançava lentamente, cada passo como um tambor contra o solo. Com oito metros de altura, seu corpo parecia esculpido diretamente do próprio deserto—placas rochosas sobrepostas sobre músculos que pulsavam com rachaduras de magma, emitindo um brilho tênue sob a pele. Seus olhos queimavam de um amarelo doentio, observando-os com intenção predatória.

A onda de choque de seu rugido espalhou-se pela clareira, sacudindo galhos e derrubando o que restava de seu acampamento improvisado. Marcus firmou os pés no chão e bateu a palma na terra, gritando: "Guarda de Pedra!" Uma parede de rocha emergiu para frente, formando uma barreira que interpretou o primeiro movimento sísmico, antes que pudesse aplanar tudo. Clara levantou ambos os braços, jatos de água se entrelaçando em um domo brilhante que estabilizou o chão ao redor deles.

"Maior coisa que vimos até agora," sussurrou Marcus, já com suor escorrendo pela testa.

Raízes de Elena balançaram sob a terra, ansiosas por seu comando. Ela estreitou os olhos dourados, recusando-se a recuar. "Não podemos enfrentá-lo de frente. Vá arruinando ele aos poucos—cansando-o."

Seu braço se esticou para frente. "Cabo de Vinha!" Uma lança de verde explodiu na Terra, atingindo o peito do Titã. Ela se quebrou contra a pele monstrenga, mas não penetrou profundamente.

Marcus imediatamente entrou na linha de fogo, cortando com uma lâmina envolta em fogo azul. "Golpe de Faísca Azul!" A trajetória de chamas atingiu o ombro da criatura, deixando uma cicatriz escura, mas pouco mais.

Clara cerrava os punhos, puxando um volume de água do ar e chicoteando-o para frente com força pressurizada. O gás atingiu o flanco do Titã, soltando vapor e sibilando enquanto subia.

A criatura mal reagiu. Sua garra desceu com força brutal, sacudindo a terra e achatando árvores num instante. Os três tiveram que recuar, percebendo de repente o que estavam enfrentando.

O Titã das Dunas movia-se mais rápido do que sugeririam seu tamanho. Com um brado gutural, enterrando as garras na terra, ele rasgou para cima, arremessando blocos de terra do tamanho de carretas no ar. Os destroços choviam como meteoros.

"Corra!" gritou Elena, jogando-se de lado enquanto raízes emergiam do solo formando uma barreira confusa acima dela. "Véu de Flores!" Folhas e cascas desviaram as pedras menores, mas as maiores ainda atravessaram, obrigando-a a rolar para escapar.

Marcus não se moveu—fixou sua postura. "Postura Enraizada!" Seu corpo ficou preso ao chão, como se estivesse fundido a ele, a espada brilhando com calor azul. Uma pedrada caiu na direção dele. Ele slashed para cima, liberando "Pilar Flamejante!" Um gêiser de fogo azul eclodiu, quebrando a rocha ao meio em pedaços derretidos no ar.

Clara girou com graça, suas mãos formando círculos. Água se acumulou aos seus pés e subiu ao céu formando uma coluna gigantesca. "Ascensão das Marés!" A onda levantou-a acima dos destroços caindo, permitindo que ela lançasse uma esfera de água comprimida contra o braço do Titã. A explosão criou uma cratera de vapor chiando, forçando a besta a recuar um passo.

O Titã rugiu, seu peito se expandindo de modo extraordinário. Areia saiu de fissuras em seu corpo, formando uma tempestade. A visibilidade caiu instantaneamente à medida que a poeira sufocava o ar, quase impossibilitando a visão.

"Elena!" a voz de Marcus mal passava pelo vendaval.

Ela apoiou a mão na terra, sentindo as vibrações. Raízes se espalhavam como veias sob a superfície, acompanhando os movimentos do Titã. "Ali—à frente, à direita!"

Marcus avançou na direção que ela apontou, pulando alto. Sua espada brilhou com energia derretida. "Lança de Magma!" Ele arremessou com as duas mãos, a lança de magma cortando a névoa.

Um grito de fúria foi ouvido em resposta. A arma tinha perfurado a perna do Titã, queimando sua carne semelhante a pedra.

Aproveitando a oportunidade, Elena atacou com seu "Bramar de Espinheiros!" Vines revestidos de espinhos se enrolaram na outra perna da criatura, puxando com força impossível. A besta cambaleou, deixando um joelho no chão com um estrondo retumbante.

Clara não perdeu tempo e puxou toda a umidade do ar ao redor. Um vórtice giratório se formou acima de sua cabeça, se transformando numa lança irregular de água congelada. "Marcus! Elena! Mantenham-na firme!"

Os olhos do Titã se inflamaram, a fúria fervendo dentro da tempestade.

O grito do Titã fez seus ossos tremerem, o som tão profundo que parecia que as próprias montanhas gemiam. Então, seu peito se abriu—não literalmente, mas as placas de sua pele se deslocaram—e uma torrente de areia quente saiu em cone, atingindo tudo ao redor como um furacão.

Elena estendeu ambos os braços, raízes explodindo do chão. "Abraço do Guardião!" Casca de árvore se formou como um meio-cúmulo diante dela, rangendo sob a força do jato de areia. Fibras partiram ao meio enquanto rachaduras se abriam na barreira. ElaRangeou os dentes. "Não vai aguentar—!"

Marcus pulou na frente, batendo a palma na terra. "Casulo Terrestre!" Uma cúpula de pedra se expandiu, reforçando a proteção justo na hora em que a tempestade do Titã os atingiu. A areia chiou e lavou a rocha como mil lâminas. Por vários segundos, tudo era ruído de atrito e calor sufocante.

Clara não tinha parede para se esconder. Em vez disso, girou as mãos rapidamente, tecendo uma esfera de água girando ao seu redor. "Esfera de Água!" A areia a atingiu, dissolvendo-se em lama que escorregou sem causar dano, desviando-se da proteção dela. Um sorriso estreito brincou em seus lábios. "Boa tentativa, grandão."

A tempestade finalmente diminuiu, deixando a clareira marcada e parcialmente soterrada. O Titã pairava acima, uma perna ainda presa pelas raízes de Elena, magma escorrendo de sua perna ferida. Apesar dos ferimentos, seus olhos brilhantes estreitaram, com foco aterrorizante.

Marcus surgiu atrás da cúpula de terra, seu corpo levemente avermelhado. "Pele de Magma!" O calor ondulava ao seu redor enquanto ele avançava com a espada erguida. Ele a balançou num arco brutal na direção do joelho da criatura. Faíscas gritaram ao aço encontrar pedra, abrindo uma linha de magma derretido.

O Titã recuou, mas respondeu imediatamente, balançando um braço colossal, suas garras cortando o ar. Marcus teve pouco tempo para se preparar, sendo lançado para trás através de uma linha de árvores.

"Marcus!" a voz de Clara cortou o silêncio. Ela soltou sua proteção e lançou um chicote de água contra o braço do Titã, desviando-o antes que pudesse continuar.

Elena não hesitou. Correu para frente, raízes explodindo do solo. " Corte Vigoroso!" Seus braços brilhavam de verde, e ela cortou o outro tornozelo do Titã, arrancando pedaços de sua pele endurecida.

A besta rugiu, lutando para manter-se de pé sobre as pernas machucadas.

Ela estava ferida. Enfurecida. Ainda longe de acabar.

O Titã cambaleou, com as duas pernas enlaçadas por vinhas e sangue de magma escorrendo onde Elena acertara. A esfera de água de Clara bateu em seu peito, soltando vapor e formando uma cortina de névoa. Os olhos da criatura brilharam como sóis gêmeos.

Marcus levantou-se do crateras onde tinha caído, sangue escorrendo de sua boca. A mão firmou ainda mais ao redor do cabo da espada. As chamas azuis ao longo da lâmina pulsavam mais intensamente—mais quentes—como se respondessem à fúria em seu peito.

"Dessa vez, não vou segurar nada," murmurou, arrastando a lâmina pelo chão. Faíscas surgiam atrás dele, deixando um rastro de brasas acesas. Sua mana se intensificou violentamente, inundando a clareira com calor tão intenso que até o Titã pareceu vacilar.

Elena sentiu logo: suas vinhas tremeram, secando na chama repentina, e seu coração pulou uma batida. "Marcus—"

Mas ele já se movia.

Ele pulou alto, mais alto do que parecia possível, sua silhueta delineada por uma aura de ciano brilhante. As chamas envolveram não só sua espada, mas todo corpo, uma pele dupla de fogo tão brilhante que transformou a noite em dia.

"Ascensão Azul!"

O nome saiu de sua garganta como um voto. Sua espada se expandiu, as chamas se alongaram formando a figura de um dragão colossal de fogo ciano puro. Sua boca se abriu, refletindo o movimento de Marcus.

O Titã levantou ambos os braços para bloquear, rugindo em desafio. Mas a boca do dragão fechou ao redor dele, triturando pedra e carne. O fogo não só queima—ele consome, alimentando-se do próprio mana do Titã.

A gigante gritou, um som que partiu o céu. Seu corpo se convulsionou, fissuras se espalharam como veias brilhantes pelo tronco antes de ela tombar para trás. Quando tocou o chão, o fogo ciano aderiu a ela, incansável, destruindo até restar apenas pedra e cinzas fumegantes.

Marcus aterrissou com força, os joelhos cedendo, vapor subindo de sua pele. Enfiou a espada no chão para se equilibrar, o peito arfando.

Clara correu até ele, os olhos arregalados. "Marcus—!"

Ele virou um sorriso cansado, suor escorrendo. "Disse que ia..."

Elena ficou em silêncio por um momento, observando as últimas brasas desaparecendo no céu noturno. Então, permitiu-se um sorriso pequeno.

Eles tinham vencido.

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