O Extra é um Gênio!?

Capítulo 347

O Extra é um Gênio!?

O grande salão estava carregado do aroma de incenso e madeira enlfumada, suas paredes de seda suavizadas pelo constante zumbido de drones de mana lá fora. As imagens tremulavam acima da mesa central, nítidas como o dia: Marcus, Clara e Elena de pé sobre os destroços carbonizados do Titan Duna.

Uma onda de murmúrios percorreu os nobres. As feições afiadas de Lorde Edric de Nivaria suavizaram-se quase como um orgulho. Sua voz quebrou o silêncio, calma porém firme.

"Marcus lutou bem. Assim como Clara. Nossa casa fica mais forte por seus esforços."

O pai de Marcus, sentado humildemente entre os acompanhantes, abaixou a cabeça em silêncio—sua família servira a linhagem Nivaria por gerações, e agora seu filho fazia essa dedicação brilhar diante de todas as grandes casas.

Thalanor von Lestaria deu uma risada baixa, recostando-se na cadeira. "E minha Elena—mais uma vez se provando. Parece que a geração mais jovem está determinada a nos fazer parecer velhos."

Alguns dos outros nobres riram politicamente, embora nem todos compartilhassem o mesmo calor. Lady Mirelle, da Casa Thorne, estreitou os olhos azuis para a projeção, com uma expressão fria. Sussurrou para Serina ao seu lado: "Parece que os filhos dos outros estão roubando a cena."

Serina respondeu de forma mais aguda, embora baixa: "Vamos ver se a sorte deles dura. Os Elites adeptos não são o fim desta prova."

Albrecht Thorne permaneceu em silêncio, com os braços cruzados, seu olhar como aço fixo na imagem dos aliados de Noel. Ele não elogiava nem zombava, apenas pensava: 'Então. Eles também já se provaram. Meus filhos e Sylvette não podem dar espaço à fraqueza desta vez.'

A voz de Edric ressoou novamente, rompendo o fluxo de sussurros: "Por hoje, a caça é deles. Que fique claro: o futuro do nosso continente está sendo escrito aqui."


- Ponto de Vista de Noel -

A escuridão engoliu tudo. Pedregulhos soltos e fragmentos de terra passaram voando em uma enxurrada ensurdecedora, o ar rasgando suas roupas enquanto caíam.

Os instintos de Noel dispararam instantaneamente. Sua mão apertou Revenant Fang, a lâmina amaldiçoada vibrando suavemente em seu aperto, mas aço não pararia a gravidade. Dos cantos de seus olhos, viu Selene cambaleando para pegar sua varinha, mana se enroscando suavemente ao redor de seus dedos.

"Eu posso—" ela começou, com a voz tensa.

Mas Noel já se mexia. As sombras lançadas pela rocha em colapso avanzaram ao seu comando. "Passo das Sombras".

O mundo se deformou num instante. Ele desapareceu de um ponto de queda e reapareceu mais abaixo, o ímpeto avançando como se tivesse surfado na própria colapsar. O peso de Selene encheu seus braços—ele a agarrara no meio da queda, puxando-a contra seu peito antes que as sombras os expulsassem ambos de volta ao vazio.

Ela congelou, olhos arregalados, percebendo a posição em que estava: embalada em seus braços como uma princesa delicada. Calor invadiu seu rosto, apesar do vento forte. Seu aperto na varinha vacilou por um segundo.

"Q-que você—" ela tentou, tentando se libertar, mas ele apenas apertou mais forte.

"Você quase foi esmagada," disse Noel, com tom plano, embora seus olhos permanecessem afiados, vasculhando na esperança do menor sinal do solo abaixo. Sua voz não tinha zombaria, apenas uma certeza factual.

A pulsação de Selene ecoava em suas orelhas, mais forte do que os destroços caindo. Murmurou, quase para si mesma: "Eu... podia ter resolvido isso."

Noel sorriu levemente. "Não parecia."

Noel levantou uma sobrancelha. "Você fala demais, não? Algo errado?"

Ela olhou para cima, olhos azuis brilhando. "...Nada."

Mas suas mãos apertaram sua camisa com mais força, traindo a nervosismo enquanto o abismo se abria ainda mais sob eles.

A queda se prolongou bem mais do que deveria. O túnel por onde tinham colidido parecia infinito, paredes passando numa nuvem de pedras irregulares e piscando com luz fraca.

Selene segurou com força sua varinha, o frio da mana dela se infiltrando no ar. "Isso não é normal. Caverna não desaba assim," ela disse, com voz firme, embora baixa.

Noel olhou de relance, seu aperto ao redor dela firme. "Pois é. Notei isso também." Um fragmento de detrito passou martelando ao lado deles, girando descontroladamente. Por um momento, Noel achou ver algo mais—um brilho metálico tênue, seguido pelos restos quebrados de um drone de mana caindo junto com o entulho.

Ele fez uma careta. "Até os drones foram arrastados pra cá. Acho que isso quer dizer que ninguém está observando agora."

O olhar de Selene se dirigiu às peças quebradas antes de desaparecerem no abismo abaixo. Seus lábios pressionaram-se numa linha fina. "... Então, estamos sozinhos."

Noel soltou uma risada sem humor. "Quando é que não estamos?"

A terra começou a se aproximar, uma extensão irregular correndo na direção deles. Selene finalmente apontou sua varinha com força, a voz aguda: "Garrinha de Gravidade."

O mundo cambaleou. A velocidade esmagadora da queda desacelerou, ambos suspensos como se a própria gravidade tivesse afrouxado seu aperto. Poeira e pedra ainda caíam ao redor, mas Noel e Selene quase flutuavam para baixo, leves como se o peso tivesse sumido.

Quando finalmente seus pés tocaram o chão sólido, a força voltou com tudo. Noel exalou, ajudando-a a ficar cuidadosamente na pedra.

Ambos levantaram o olhar—e pararam de imediato.

À sua frente estendia-se uma vasta ruína, antiga e imensa, com paredes esculpidas em símbolos que nenhum deles reconhecia. Colunas tão altas quanto torres emergiam do solo, rachadas mas still orgulhosas, e uma luz enigmática vazava de veias de cristal enterradas na rocha.

A voz de Selene quebrou o silêncio, baixa mas carregada de intensidade: "…O que é este lugar?"

Noel apertou a mandíbula. "Problemas. Tenho certeza disso."

O silêncio se fechou ao redor, quebrado apenas pelo suave zumbido dos cristais embutidos nas paredes em ruínas. Noel deu um passo adiante, Revenant Fang na mão.

As gravuras ao redor deles pareciam pulsar suavemente, marcadas com glifos que pareciam mais antigos que a própria linguagem. Algumas das colunas inclinavam-se como se prestes a desmoronar, outras permaneciam intocadas pelo tempo, mas todas transmitiam uma pressão que tornava o ar mais pesado.

Selene aproximou-se dele, os olhos vigiando as extensas galerias acabadas de descobrir. "Essas marcas... Nunca vi nada igual. Nem mesmo em aula de teoria na academia."

Noel forçou um sorriso seco. "Isso é coisa vindo de você."

Porém, seu peito apertou enquanto seu olhar fixava-se nos símbolos. Ele os tinha visto antes—ou melhor, lera sobre eles. Em outra vida. Nas páginas do romance que condenara aquele lugar ao mito.

Um som agudo soou em sua mente.

[Nova Missão: Investigar o Santuário de Elarin.]

[Prazo: — ]

[Recompensa: ???]

Noel parou. Seu pulso disparou, mas seu rosto não demonstrou nada.

'Elarin...?! Deve estar brincando. De todos os lugares…'

Seus olhos levantaram-se às péssimas colunas, uma sensação de desconforto crescendo no estômago. Elarin não era só um nome histórico—era o nome do primeiro humano a formar um núcleo de mana, o fundador de tudo em torno do qual seu mundo girava. Uma lenda. Um santo nos registros.

Mas Noel sabia a verdade. No romance, Elarin tinha sido revelado pelo que realmente era. Não um herói. Um monstro. O começo de tudo distorcido.

Selene virou-se para ele, expressão indecifrável. "Noel. O que é este lugar?"

Ele engoliu a resposta, forçando o tom a se manter neutro. "…Um problema. Um problema muito sério."

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