O Extra é um Gênio!?

Capítulo 348

O Extra é um Gênio!?

A pergunta de Selene ainda pairava entre eles, reverberando sutilmente no espaço cavernoso. As ruínas se estendiam em todas as direções— pilares quebrados semi-enterrados na poeira, paredes cobertas de glifos desbotados e um teto tão alto que desaparecia na sombra. Um brilho tênue e artificial escorria das frestas na pedra, como veias de luz correndo por um gigante morto.

A resposta de Noel fora seca, mas ele sabia que não era suficiente. Ele olhou ao redor novamente, cada instinto gritando que aquilo não era apenas uma ruína subterrânea qualquer. "Fique perto," disse finalmente, abaixando a voz. "Se não tomarmos cuidado, esse lugar vai nos engolir vivo."

Selene ficou rígida diante das palavras. Ela não se afastou, porém. Na verdade, ela ficou mais perto, a lembrança de ter sido carregada em seus braços segundos antes ainda a incomodando. O calor subiu às suas bochechas, e ela se odiou por isso. 'Por quê?'

Seu silêncio se alongou. Noel percebeu imediatamente. "Você tá bem?" perguntou, com os olhos se estreitando enquanto a estudava.

"Tô bem," respondeu rapidamente, com uma voz mais aguda do que pretendia. Fixou o olhar nas ruínas do drone de mana, que jazia torcido no chão. A queda o tinha esmagado, sua essência cristalina piscando uma última vez antes de se apagar. "Parece que estamos… por nossa conta."

Noel seguiu o olhar dela e expirou lentamente. "É. Acho que o público acabou perdendo a transmissão." Uma esperança sombria cruzou sua voz—finalmente, sem olhos observando, sem expectativas pressionando suas costas.

No entanto, o silêncio do santuário se apertou como um peso. Ele colocou uma mão na empunhadura de Vingança Abissal. "Vamos nos mover juntos."

Selene apenas acenou com a cabeça desta vez.

Ambos se moveram cuidadosamente ao longo da borda da enorme câmara, seus passos abafados contra a pedra antiga. As paredes exibiam carvões tão erosionados que pareciam mais cicatrizes do que inscrições, linhas quebradas que sugeriam orações há muito esquecidas. Detritos caídos espalhavam-se pelo chão, blocos pontiagudos e vigas espatifadas, tornando cada passo uma prova de equilíbrio.

Os olhos de Noel permaneciam atentos, rápidos e inquietos. Sua mão pairava próxima à empunhadura de Vingança Abissal, o polegar roçando a empunhadura áspera como se estivesse pronto para sacar ao menor ruído. "Precisamos de um lugar seguro," murmurou. "Um ponto onde possamos montar uma defesa, ficar de olho, e não ser esmagados se mais pedra decidir cair em nossas cabeças."

Selene seguiu em silêncio, com uma varinha na mão, já sussurrando geada em suas pontas. Seus olhos percorreram cada sombra, cada piscar de movimento. Ainda assim, não conseguia afastar o calor suave no peito causado pelas palavras dele — fique perto. Ela odiava o quanto notava essas coisas.

Eles passaram pelo resto do drone destruído, sua carcaça de metal rachada, engrenagens torcidas como costelas quebradas. Noel se agachou por um momento, empurrando com a ponta do pé. "Completamente queimado. Nenhum sinal tá saindo daqui."

Selene parou de repente ao ouvir o tom casual dele. "Você não parece incomodado."

Ele sorriu de leve, embora os olhos continuassem afiados. "Por que estaria? Privacidade é uma raridade."

As palavras permaneciam no ar por um segundo além do natural, fazendo-lhe uma leve vermelhidão subir às bochechas. Ela rapidamente se virou, os olhos vasculhando as ruínas à frente.

Uma passagem estreita se abriu na extremidade oposta da câmara, parcialmente desmoronada, mas ainda larga o suficiente para duas pessoas passarem. Noel apontou para ela. "Ali serve. Uma cobertura, uma entrada, uma saída."

Selene acenou com a cabeça, a voz firme desta vez. "Concordo."

Juntos, escorregaram para dentro, as sombras os engolindo completamente.

A passagem se alargou até uma câmara menor, com o teto intacto e o ar menos carregado de poeira. Uma laje de pedra plana saía da parede—suficiente para servir de assento—e o chão era quase limpo. Noel deu uma rápida olhada antes de assentar a cabeça. "Não é perfeito, mas funciona. Vamos ficar aqui por enquanto."

Selene deitou-se na laje, a varinha ainda em seu colo. Ela permanecia tensa, com os olhos atentos às sombras. "Por quanto tempo?"

"Até onde der." Noel abriu o bolso ao lado, puxou um pacote embrulhado, o cheirinho de carne seca e pão enchendo a câmara. "Temos comida e água para alguns dias. Mais se dividirmos direitinho."

O olhar de Selene percorreu os alimentos, mas sua expressão não mudou. Noel percebeu e sorriu levemente. "Não se preocupe. Ainda tem bastante… a menos que tenha a intenção de comer tudo de uma vez."

Ela virou a cabeça rapidamente em direção a ele, com os olhos se estreitando um pouco. "Não faria isso."

Ele deu de ombros, de modo deliberadamente casual. "Só tô tentando animar o ambiente."

As sobrancelhas dela se franziram. "Considerando quão profundo estamos, a primeira hipótese parece mais realista."

"Talvez." Ele mastigou um pouco, depois falou de repente: "Mas confiar nos outros nunca foi minha praia."

Selene olhou para ele de canto, mastigando lentamente.

A refeição não durou muito, mas o silêncio que se seguiu permaneceu. Poeira ainda flutuava preguiçosamente pela câmara, refletindo tênfeis clarões de luz vindo das fissuras acima. Selene estava sentada com a varinha relaxada em seu colo, os ombros já não tão tensos, mas com os olhos fixos na drone quebrado no canto. Sua lente estava estilhaçada, fios pontilhando como veias rasgadas.

"Se ao menos um daqueles tivesse sobrevivido..." ela murmurou.

"Eles saberiam onde estamos," completou Noel, seguindo o olhar dela. Ele jogou uma migalha na carcaça, assistindo-a ricochetear na carcaça amassada. "Mas não sabem. O que quer dizer que ninguém tem pista."

Selene se moveu, franzindo ligeiramente a testa. "Então nossas opções são piores do que você disse antes."

"Talvez não pior," respondeu Noel, puxando os joelhos ao peito e apoiando um braço sobre eles. "Apenas mais devagar. A gente espera. Talvez alguém lá em cima perceba que dois dos seus herdeiros sumiram. Vai procurar. No fim."

"E se não fizerem?"

Ele expirou pelo nariz, os olhos se estreitando na escuridão da passagem destruída atrás deles. "Então, encontramos outro caminho. Este lugar não é natural, então ele tem que ter uma saída."

Selene permaneceu em silêncio, mas uma pequena ruga se formou entre as sobrancelhas. Estar tão perto dele, ouvir ele falar 'nós' em vez de 'eu', puxava algo que ela não conseguia nomear. Finalmente, murmurou: "Você parece certo."

"Não estou," admitiu Noel, com a voz neutra, mas com aquela teimosia que ela já reconhecia. "Mas que vantagem teria se eu falasse que estou em dúvida?"

A presença das palavras dele pesou na câmara. Pela primeira vez, Selene não contestou. Deixou a cabeça recostar-se na parede de pedra, os olhos se fechando lentamente.

Noel olhou para ela, depois de olhar para o corredor escuro que se estendia mais fundo no santuário. Os drones do teto talvez não estivessem mais assistindo, mas não conseguia aliviar a sensação: 'Este lugar está errado. E o sistema mandar uma missão aqui? Não é por acaso.'

Seu maxilar se apertou. "Parece que ficaremos presos juntos por um tempo," murmurou baixinho.

Selene manteve os olhos fechados, mas sua mente não queria descansar. 'Como é que eu até digo isso?' As palavras pareciam impossíveis, mais pesadas que qualquer feitiço que pudesse lançar. 'Nunca me importei com alguém assim. Nunca quis. E mesmo assim… toda vez que ele olha pra mim, fica mais difícil respirar. Toda vez que ele luta, não consigo desviar o olhar.' Os dedos se cerraram contra a varinha, as unhas escavando a madeira. 'Mas ele já tem outras. Elyra, Elena, Charlotte… onde eu me encaixaria? Se falar, corro risco de tudo. Se ficar calada, vou perdê-lo de qualquer jeito.'

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