
Capítulo 342
O Extra é um Gênio!?
A gruta estava quieta, exceto pelo tenue crepitar das brasas moribundas. Um fio de luz do sol penetrava pela estreita entrada, alongando-se pelo chão rochoso até alcançar Noel.
Ele já estava acordado, sentado de cross-legged, com a Presa do Espírito ao colo, passando um pano na lâmina como quem a polia. O leve brilho do mana trincava contra seus olhos verdes, firme e alerta mesmo tão cedo.
Logo atrás dele, Selene mexeu-se. Seus curtos cabelos azuis estavam despenteados após o sono, os fios desalinhados. Ela piscou contra a claridade, ajustando devagar seus olhos ciano enquanto se endireitava. Seu bastão descansava perto da mão, mas, pela primeira vez, ela não o segurava durante a noite toda.
Noel olhou por cima do ombro para ela, com expressão calma, mas com um leve sorriso de amusement. "Bom dia."
Selene ficou imóvel por meia piscada sob seu olhar, percebendo o quanto devia estar desarrumada—cabelos sem pentear, uniforme amarrotado por dormir encostada na pedra. Uma sensação de calor subiu até suas orelhas, espalhando-se pelas bochechas. Rapidamente, virou o rosto para o lado, murmurando de forma curta, "Bom dia."
'Por que estou assim?' pensou com agonia, cerrando os lábios. 'Ele já me viu quase morrendo, suja de terra. Já me viu acordar pior. Por que isso agora me incomoda?'
Noel voltou a verificar sua espada.
Selene levantou-se, limpando as roupas o mais rápido possível, como se a ação pudesse apagar a vermelhidão que ainda insistia na pele. Ela passou por ele em direção à fogueira, ajoelhando-se para aquecer as mãos nas últimas brasas.
Noel voltou a encaixar a lâmina na bainha com um som suave. "Você parece sóbria o bastante. Preparada para o café da manhã?"
A resposta de Selene foi suave, quase rápida demais. "…Sim."
Noel cortou tiras de carne dos restos da caçada de ontem e as colocou sobre a fogueira. O aroma se espalhou rapidamente, intenso e defumado, enchendo a caverna em poucos minutos. Ele virou as fatias, então colocou uma sobre uma pedra plana e passou para ela.
Selene aceitou sem hesitar dessa vez, mordendo a comida com velocidade surpreendente. Seus olhos suavizaram por um instante enquanto o sabor se espalhava, e ela não tentou esconder o som de sua mastigação.
"Você é rápido," comentou Noel, pegando uma porção para si.
Selene não olhou para cima. "Eficiente."
Ele deu uma risadinha. "Eficiente? É um jeito de falar. Assim, até o meio-dia, vamos precisar sair caçando de novo."
As orelhas de Selene ficaram levemente coradas. Ela manteve o olhar fixo na comida, mas sua resposta veio rápida, curta. "… Então, caçaremos mais."
Noel riu, balançando a cabeça. Deixou o silêncio dançar por um tempo, o fogo crepitando entre eles, antes de mudar de assunto. "Acha que está pronta para enfrentar bestas mais difíceis hoje?"
Selene engoliu e levantou os olhos apenas o suficiente para encontrá-lo. "Sempre."
O jeito que ela disse—calma, segura, sem hesitar—lembrava Noel por que ela era perigosa mesmo sem palavras. Ele se recostou contra a parede da caverna, um sorriso no rosto. "Claro. Você provavelmente sonha com estratégias de batalha, em vez de dormir."
Selene não respondeu, mas sua mastigação diminuiu, como se ela tivesse percebido a provocação e se recusasse a dar a satisfação de reagir.
Noel terminou sua parte com mais calma, saboreando cada mordida. Quando olhou de lado, ela já tinha terminado o prato. Sentada de maneira perfeita, com as mãos cruzadas no colo, como se não tivesse devorado a comida mais rápido que ele.
"Eficiente, hein?" murmurou Noel, com diversão evidente na voz.
"Então," começou Noel, quebrando o silêncio, "os únicos monstros aqui são do nível Adept. Você sabe disso, né?"
Selene assentiu uma vez. "Dizem que sim."
"A maioria das pessoas vai perder tempo caçando monstros comuns e raros," continuou Noel, removendo o pó de sua capa. "Matando de forma mais segura e fácil. Mas não vão tirar muito disso."
Seus olhos cianos se voltaram para ele, calmos, mas afiados. "E o que você sugere?"
Os lábios de Noel se curvaram ligeiramente. "Vamos atrás dos mais difíceis. Os Elite de nível Adept. Será mais complicado, mas compensará mais."
Selene inclinou levemente a cabeça, mostrando a menor sinal de interesse. "Prático."
'Prático pra você,' pensou Noel, ajustando a cinta no ombro. 'Pra mim, não é só pontos. Cada Elite representa mais progresso. Mais % na minha essência. Se eu conseguir continuar forçando, talvez consiga sair dessa caçada mais forte do que ninguém espera.'
Claro que ele não disse isso em voz alta.
O olhar de Selene permaneceu nele por mais um instante, procurando, até que ela assentiu brevemente. "Certo. Vamos caçar os Elite."
Noel sorriu satisfeito. "Ótimo. Então estamos alinhados."
O clima entre eles mudou. Não era quente, nem hostil—apenas cortante, eficiente, como duas lâminas se cruzando em um acordo silencioso.
Ele indicou a direção da entrada da caverna, com a luz do sol esparramando-se suavemente pela boca irregular. "Vamos lá. Quanto mais demorarmos, mais pedaços de caça vamos sobrar."
Selene passou na frente, com o bastão reluzindo fracamente enquanto adentrava na luz.
O ar matinal lá fora tinha um sabor agudo, com cheiro de musgo e pedra molhada. Noel e Selene avançaram rapidamente pela encosta, enquanto a floresta se afinava e rochas pontiagudas surgiam ao redor deles. O zumbido dos drones era uma lembrança distante de cima, mas ambos ignoraram, olhos fixos na geografia à frente.
Não demorou muito até que o perigo os encontrasse.
Noel agachou-se na beira de uma clareira, estreitando os olhos diante do movimento à frente. Formas maciças se moverem entre as sombras, seus passos pesados sacudindo a terra. "Não é só um," murmurou.
Selene parou ao lado dele, com o bastão firme. Seus olhos cianos rastrearam o maior do grupo: criaturas do tamanho do dobro de um cavalo, corpos reptílios cobertos de escamas que pareciam de rocha rachada. Mandíbulas alongadas brilhavam levemente com magma, fumaça saindo entre dentes irregulares.
"Derrubadores vulcânicos," ela disse em voz baixa.
Noel olhou para ela, com as sobrancelhas levantadas. "Sabe o que são?"
"Fizemos eles estudarem na academia," respondeu Selene, com voz seca. "Caçam em grupos. Quanto mais lutam juntos, mais quente fica. Sozinhos, são perigosos. Juntos, pior ainda."
Noel respirou fundo, balançando a cabeça com um sorriso de aprovação. "Entendi. Acho que nem na teoria fui a melhor da turma."
Selene não respondeu, mas um pequeno lampejo de algo tormentou seu rosto—indignação, talvez, ou o mais tênue sorriso de diversão—antes de desaparecer.
O maior Derrubador inclinou a cabeça para trás e soltou um rugido gutural. Chamas saíram de sua boca numa grande arco, queimando as árvores até ficarem negras. Outras formas se moveram lentamente na clareira, caudas chicoteando, garras rasgando sulcos na terra.
Aperto mais forte seu bastão. "Oito."
Para provar, duas mais saíram do bosque, com baba derretida sibilando ao contato com a terra. A tropa se espalhou, formando um círculo frouxo ao redor da clareira.
Noel puxou a Presa do Espírito em um movimento suave. A lâmina amaldiçoada brilhou com calor enquanto sussurrava, "Rajada de Ignição." Faíscas saltaram da steel, chiando no ar matinal.
Ao lado dele, Selene levantou seu bastão, com cristais de gelo se formando sob seus pés.
O rugido dos Derrubadores ecoou pela clareira, reverberando pelas montanhas.