O Extra é um Gênio!?

Capítulo 350

O Extra é um Gênio!?

Por um momento, Noel apenas a encarou. O brilho tênue do santuário destruído lançava uma luz pálida sobre o rosto corado de Selene, cujos olhos cianos se recusavam a desviar, mesmo com sua mão tremendo ao segurar a manga dele.

Ele expirou lentamente, se acalmando, e então se inclinou o suficiente para que sua voz pudesse alcançá-la claramente.

"Desde quando?"

Selene piscou, surpresa. "O que?"

"Esse sentimento." Sua entonação não foi dura, mas firme, buscando. "Há quanto tempo você o carrega?"

Ela abriu os lábios, depois os fechou novamente, a geada aos seus pés derretendo-se no solo úmido. Ela baixou o olhar, fios de cabelo azul caindo sobre os olhos.

"…Não sei," ela admitiu suavemente. "Talvez tenha começado quando você—" Ela hesitou, então forçou a falar. "Quando você me tirou das Montanhas de Iskandar. Naquela época… tudo mudou. A maneira como te via. Como via a mim mesma."

As sobrancelhas de Noel se franziram, lembranças daquela noite passando brevemente — lágrimas dela, sua raiva, o fogo nos olhos quando ele a tirou da jaula em que estava presa. Ele nunca tinha imaginado que aquele momento pudesse enraizar-se tão profundamente nela.

"Isso… é tempo pra caramba," ele murmurou, quase para si mesmo.

Selene deu um leve aceno de cabeça, o maxilar se fechando como se se preparasse para a rejeição. "Foi confuso. Eu era fraca naquela época e nem entendia bem o que sentia. Mas agora… agora eu sei que não era nada insignificante."

O silêncio se estendeu entre eles, pesado, mas não sufocante. Noel a observou novamente — aquela garota que sempre se escondia atrás do gelo, agora exposta na luz tênue, esperando sua resposta.

Ele soltou uma risada baixa, sacudindo a cabeça. "Você realmente não faz as coisas pela metade, hein?"

Selene inclinar a cabeça, confusão aparecendo por um instante em seu rosto. "Não entendo. O que você quer dizer com 'pela metade'?"

A expressão de Noel suavizou, ficando quase cansada. "Deixa pra lá. Só… você tava guardando isso há um tempão e, de repente, apareceu com um beijo. Não foi nem sutil."

"Eu não faço sutilezas," ela respondeu simplesmente. Seus olhos não vacilaram, como se desafiando-o a negar suas palavras.

Noel passou a mão pelo rosto, exalando. Pela primeira vez, desejou que ela tivesse rido, desviado o assunto, qualquer coisa que lhe desse um pouco de tempo. Mas Selene não era desse tipo. Ela permanecia ali, imóvel como gelo, esperando sua resposta.

"Selene…" Sua voz ficou mais baixa, praticamente um aviso. "Isso não é algo simples. Você sabe que eu—" Ele se interrompeu, depois forçou a continuar. "Já estou com a Elena. Com a Elyra. Com a Charlotte. Se eu deixar isso avançar, não afetará só a mim. A afetará elas."

Ela apertou o maxilar, mas seu olhar permaneceu firme. "Eu sei."

"Sério?" Noel pressionou, seus olhos verdes estreitando-se. "Porque o que você acabou de fazer—beijar assim—não foi só imprudente. Pode mudar tudo."

As mãos de Selene se fecharam ao lado do corpo. "Tanto faz se foi imprudente. Eu vinha… segurando isso há tempo demais. E não quero mais fingir que isso não existe." Sua voz tremeu, mas só uma vez. "Sei que é egoísta. Mas quero ser egoísta. Só dessa vez."

O peito de Noel ficou apertado com a sinceridade dela. Ela não era manipuladora, não tentava barganhar. Ela era, simplesmente… vulnerável. Frágil. Isso tornava tudo mais difícil, não mais fácil, na hora de responder.

Ele se recostou na parede de pedra fria, fechando os olhos por um instante. "…Você escolheu a pior hora possível pra me contar isso, sabia?"

Selene não piscou. "Nunca há um momento perfeito."

O silêncio entre eles se estendeu, pesado e sem interrupções. Noel esfregou a nuca, claramente lutando com o que dizer. Selene, por sua vez, não insistiu. Ela apenas se virou, a varinha frouxamente segurada ao lado, olhos fixos nos arcos destruídos do santuário.

'Amor?' A palavra ecoou em sua mente, cortante e estranha. Ela tinha lido sobre isso em livros, visto em rostos de outros—Clara olhando para Marcus, Elena lançando olhares quase que disfarçados para Noel—mas nunca achou que aquilo fosse algo dela. Não para alguém como ela.

A mãe dela lhe tinha tirado o calor quando era criança. Disciplina. Dever. Silêncio. Essas eram as coisas que lhe tinham ensinado a carregar. Nada de afeição. Nada de saudade. Muito menos amor.

Então, por quê agora? Por que ele?

Selene sentiu o peito apertar. Ela se lembrou das manhãs na academia, quando Noel treinava sozinho antes do amanhecer. Naquela época, ele era fraco, desajeitado. E mesmo assim, nunca parou. Ela tinha convencido a si mesma de que ele era tolo. Mas assistia. Sempre.

Depois veio a noite do seu seqüestro, quando ele a arrastou para longe das alturas de Iskandar. Ela o odiava por isso. Temia-o. Mas, sob aquilo, havia algo mais—uma mudança. Uma coisa que ela não conseguia nomear.

Noel permaneceu em silêncio mais tempo do que pretendia. Os escombros ao redor pareciam vibrar, o som tênue de água escorrendo ecoando nas pedras quebradas. A confissão de Selene ainda pairava no ar, crua e inquestionável.

Ela não recuou. Seus olhos cianos, afiados como sempre, o encararam com uma firmeza que não condizia com o leve tremor nas mãos.

Noel finalmente expirou. "Selene… Eu não rejeito o que você sente. Não pense isso." Sua voz ficou mais suave que o normal, firme, mas cuidadosa, como se estivesse andando numa camada fina de gelo. "Mas isso não é algo que posso responder num só suspiro."

Pela primeira vez, um pequeno lampejo de alívio cruzou seu rosto. Não alegria, não tranquilidade—mas o reconhecimento silencioso de que ele não a tinha rejeitado.

"Sei," ela disse. Sua voz estava calma, despojada das arestas frias de sempre.

Ele esfregou a testa, o peso de tudo aquilo pesando sobre ele. Batalhas, monstros, até as missões cruéis do sistema—coisas com as quais podia lidar, cortar, vencer. Mas isso? Sentimentos. Corações. Laços. Essas coisas não são números. Não são porcentagens que sobem.

'Isso é mais complicado que qualquer monstro ou missão. Corações não entram na conta do sistema. E talvez eu também não consiga.'

Selene permaneceu ali, imóvel como pedra, esperando seu julgamento como se fosse outra batalha. Ele balançou a cabeça levemente, um sorriso irônico surgindo nos lábios. "Vamos descobrir isso. Mas não aqui."

Seu aperto na varinha relaxou um pouco, os ombros se baixando. Não era uma vitória, nem uma rejeição.

O ar entre eles ficou em uma calma frágil. O santuário ao redor deles, vasto e antigo, sussurrava sobre perigos ainda não vistos. Mas, pela primeira vez, a batalha não era contra mana ou aço.

Selene baixou o olhar, os lábios se abrindo como se fosse falar novamente, mas nenhuma palavra saiu. Em vez disso, ela apenas assentiu uma vez.

Noel a encarou por um instante, depois voltou a olhar para a escuridão que se aprofundava nos escombros. Ele não disse em voz alta, mas o pensamento o acompanhava como uma sombra: "Será que eu consigo realmente equilibrar tudo isso… sem destruir tudo em volta?"

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