
Capítulo 332
O Extra é um Gênio!?
O som constante das rodas da carruagem preenchia o silêncio, interrompido apenas pelo estalo ocasional da madeira ao passar por terrenos irregulares. Noel estava sentado com os braços relaxados, seu olhar fixo na indistinta mistura de árvores e colinas além da janela. Do lado oposto, Albrecht Thorne permanecia como sempre—erguido e imperturbável.
Minutos se passaram até que o patriarca finalmente falou. Sua voz era baixa, firme, carregando o peso da autoridade sem precisar elevar o tom.
"Você cresceu."
Noel virou o rosto de volta para ele, encarando aqueles olhos penetrantes.
Albrecht continuou, com expressão inexplicável. "Não apenas mais alto. Mais forte. Sua presença mudou. Isso será útil para a família."
Noel manteve o olhar fixo, sua voz calma. "Não cresci pela família. Fiz isso para sobreviver."
Pela primeira vez, algo passou pelo rosto de Albrecht—não diversão, mas um leve lampejo de aprovação, rapidamente escondido por sua máscara de ferro.
"Sobrevivência e força são a mesma coisa," disse Albrecht. "E força pertence à casa que te criou. Seja você consciente disso ou não, seu progresso reflete em todos nós."
Noel recostou-se um pouco, reprimindo o impulso de zombar. ‘É assim que ele vê as coisas. Não importa o que eu faça, é deles, não meu.'
Mesmo assim, manteve um tom neutro. "Se é assim que você quer enxergar."
O olhar de Albrecht se estreitou um pouco, mas ele não insistiu. Em vez disso, pousou a mão sobre a madeira polida de sua bengala, com o toque mais suave, um sinal de sua autoridade silenciosa.
"Este ano," ele finalmente falou, "espero que você mostre exatamente o quanto cresceu. O ano passado foi uma vergonha," disse com simplicidade. "O nome Thorne foi jogado na lama. Não apenas perdemos—terminamos na última colocação."
Os olhos de Noel se estreitaram, embora seu olhar continuasse na janela.
Os dedos de Albrecht apertaram sua bengala. "Damon e Kael acharam que eram espertos. Manipularam a prova, drogaram uma fera, e ao fazerem isso, trouxeram desgraça para todos nós. A arrogância deles custou caro para a família. Pela primeira vez em gerações, ficamos em último lugar."
O maxilar de Noel travou. Ele se lembrou de ter ouvido falar do incidente, dos rumores que se espalharam até mesmo pela academia.
Agora, Albrecht se inclinou para frente, com os olhos cinzentos ardendo de uma intensidade silenciosa. "Este ano não será igual. Este ano, a Caçada será diferente. E espero resultados diferentes. Não podemos permitir outro fracasso."
Finalmente, Noel virou a cabeça, encontrando o olhar do pai. Sua voz foi calma, controlada. "E você acha que eu serei quem vai mudar isso?"
"Não acho," respondeu Albrecht sem hesitar. "Sei. Você mostrou força que Damon não possui, e disciplina que Kael se recusa a aprender. Você sobreviveu onde outros teriam quebrado." Seu olhar era como um martelo batendo contra ferro. "Esta é sua chance de provar isso—de provar que é digno de carregar o nome Thorne."
Por um longo momento, Noel manteve o olhar fixo no dele. Então, lentamente, desviou o olhar novamente, sua reflexão tênue no vidro da janela. 'Digno, hein? É sempre sobre isso que tudo se resume.'
Mesmo assim, deu um breve aceno com a cabeça. "Entendo o que está em jogo."
Albrecht se recostou, satisfeito com a resposta, mas sem sorrir. "Bom. Porque este ano, fracassar não é uma opção. E, neste ano, não estarão Kael e Damon ao seu lado."
Noel virou a cabeça, com a testa franzida. "O quê?"
O olhar de Albrecht não vacilou. "Os participantes serão Damon, Sylvette… e você."
Por um momento, Noel simplesmente piscou. Depois, as palavras finalmente penetraram. "Sylvette?"
Um leve arco no sobrancelha de Albrecht. "Sim. Sua irmã."
Noel se inclinou levemente para frente, com a expressão de incredulidade marcando seu rosto. "Por que ela? Ela nunca—"
Albrecht o interrompeu, com tom firme e absoluto. "Kael não fará parte da Caçada deste ano. Sua imprudência quase nos destruiu. Ele não terá a chance de repetir isso."
Os pensamentos de Noel giraram. 'Então, Kael foi deixado de lado. E Sylvette… ela realmente vai entrar nisso?'
Albrecht prosseguiu, sua voz calma, porém dura como ferro. "Sylvette tem potencial. Talvez não seja tão impulsiva quanto seus irmãos, mas é perspicaz. Decidi que seu talento merece ser testado."
O queixo de Noel travou. "E Damon?"
Por um instante, a expressão de Albrecht escureceu. "Damon permanece porque seu fracasso no ano passado precisa ser corrigido. Ele precisa provar que consegue superar."
Noel respirou lentamente, recostando-se contra o assento. "Então são Damon, Sylvette e eu."
"Correto." Os olhos cinzentos de Albrecht o fixaram novamente, inflexíveis. "Os três carregarão o nome da família nesta Caçada. E, pelo que vejo, um deles carregará além."
O olhar de Noel caiu para as mãos repousando casualmente no colo. 'Sylvette na Caçada… Nunca imaginei isso. E Kael descartado. Surpreendente, para ser honesto.'
O carrinho tremeu ao deixar os paralelepípedos mais lisos da cidade e avançar pelo interior do campo. Por um tempo, só o som dos cascos e o ranger da madeira preenchiam o ar. Noel pensou que Albrecht tinha dito tudo o que pretendia—até que seu pai falou novamente, com tom mais silencioso, mas carregado de mais peso.
"Esta Caçada não será como as outras."
Os olhos de Noel se estreitaram. "Como assim?"
O olhar de Albrecht permaneceu firme, insuperável. "Para a maioria das famílias, a Caçada é sobre prestígio, sobre mostrar força para aliados e rivais. Para nós, neste ano, é mais do que isso. Será o cadinho que decidirá o futuro da Casa Thorne."
O peito de Noel apertou. "O futuro…?"
Albrecht se inclinou para frente, apoiando uma mão levemente na bengala. "Entre você, Damon e Sylvette, decidirei quem herda meu cargo. Um de vocês três será o sucessor desta casa."
As palavras caíram como um martelo.
Noel recostou-se lentamente, o maxilar apertado. 'Então é disso que realmente se trata. Não só a Caçada. Não só a sobrevivência. Ele quer usar isso como uma medida, para escolher quem carregará tudo depois dele. Será que é isso que a missão de salvar a Casa Thorne quer dizer?'
Frederick, até então silencioso, deu um leve aceno de cabeça de seu canto. Seus olhos envelhecidos piscaram para Noel, como se confirmando a gravidade das palavras.
Noel desviou o olhar, a névoa de árvores passando refletida na janela. Seus pensamentos queimavam. 'Ele quer que eu lute pelo título pelo qual nunca pedi. Para me provar para uma família à qual jurei não querer pertencer. Este sistema está me mantendo perto deles por uma razão…'