O Extra é um Gênio!?

Capítulo 333

O Extra é um Gênio!?

As carruagens pararam num terreno irregular. Além da clareira, um acampamento enorme tinha sido montado — pavilhões alinhados em fileiras ordenadas, bandeiras costuradas com as cores da família tremulando ao vento matinal. No centro, uma grande tenda dominava o espaço. Era ali que os senhores e damas assistiriam, os drones de mana já pairando acima como olhos silenciosos.

A porta se abriu, e Noel desceu, a Presa Fantasma presa ao quadril. Marcus e Clara saíram de outra carruagem, Marcus se alongando como se tivesse acabado de tirar uma soneca, enquanto Clara ajustava seu colar com um movimento rápido de mão. Elena veio logo atrás, seus olhos dourados vasculhando o acampamento com curiosidade silenciosa.

Noel observou o acampamento de relance, sem impressionar-se. "Então é isso. Não acho nada de extraordinário, na verdade, a área é bem parecida com a última vez."

Ao redor deles, outros herdeiros já estavam reunidos. Alguns cochichavam, outros olhavam diretamente ao notarem Noel. O peso do fracasso do ano passado ainda era sentido; todos se lembravam de como o nome Thorne tinha afundado após a brincadeira de Damon e Kael.

Noel percebeu os olhares e sorriu de leve. "Pois é, continuem olhando. Sei que estão loucos para ver eu tropeçar na largada. Não vai acontecer."

Elena se aproximou dele, seu braço roçando o dele enquanto sussurrava: "Não ligue para eles."

"Não pretendo," murmurou Noel, os olhos passando rapidamente pelo grande farol no centro. "Só estou me perguntando quantos já apostaram contra mim."

Marcus se aproximou com Clara ao lado, sorrindo com uma casualidade irritante. "Provavelmente todos."

"Tá tranquilo, como sempre," retrucou Noel.

Marcus deu de ombros. "Ei, histórias de azarão são divertidas de assistir."

Clara revirou os olhos e deu um tapas no braço dele, enquanto Elena escondia um sorriso discreto. Por um momento, parecia que estavam de volta à academia, não na beira de uma caçada que poderia moldar seus futuros.

A ilusão durou pouco. O zumbido suave dos drones de mana acima lembrava Noel exatamente do que tudo aquilo se tratava: um palco, e cada movimento deles seria julgado como da última vez.

Os herdeiros se aproximaram do centro do acampamento, onde uma área grande tinha sido desobstruída. No alto, drones de mana pairavam em formação constante, seus zumbidos suaves preenchendo o silêncio. Uma longa mesa foi colocada sob a grande tenda para os senhores e damas, cada assento já ocupado.

De lá de dentro, surgia Lorde Edric de Nivaria. Sua voz se propagava facilmente, afiada como o ar das montanhas.

"A Caçada começa amanhã ao amanhecer. Seu percurso, como manda a tradição, será de sete dias. Cada família enviou três participantes, e cada passo será observado. Os drones de mana permanecerão acima de vocês o tempo todo — sem manipulação, sem interferências." Seu olhar percorreu os herdeiros antes de pausá-lo, deliberadamente, nos Thornes. "Confio que este ano não veremos… atalhos criativos."

O murmúrio que se seguiu foi baixo, mas o significado ficou claro. Damon cerraram a mandíbula. Sylvette apenas sorriu de leve, como quem gosta da atenção.

Os lábios de Noel se curvaram numa expressão seca. "Sutil como um martelo. O desastre do ano passado ainda é assunto no continente. Acho que vamos pagar pela genialidade do Damon e do Kael."

Edric não demorou mais. "As bestas foram escolhidas adequadamente. Rank de Adepto. Elas testarão seu crescimento, e não perdoarão arrogância. Sobreviva, caçe e volte vivo — esses são os únicos critérios que importam."

As palavras pesaram como um ônus sobre os herdeiros. Clara trocou olhares com Marcus; a expressão de Elena permaneceu calma, embora Noel percebesse como seus dedos acariciavam o pingente, um antigo hábito nervoso.

Para Noel, a tensão soava familiar. "Sete dias numa montanha cheia de monstros, enquanto os nobres fazem apostas para ver quem morre primeiro. Faz sentido."

As últimas palavras de Edric foram simples, frias. "Isto não é uma festa. É um julgamento. Não se esqueçam disso."

A multidão dispersou em ondas após as palavras de Edric, seus vozes abaixando para sussurros enquanto voltavam às tendas familiares. Noel permaneceu, com os olhos fixos nas montanhas que se erguiam ao longe. Os picos estavam parcialmente encobertos por névoa.

Ele respirou lentamente e finalmente se virou, seguindo o fluxo de pessoas de volta ao acampamento. No alto, o zumbido suave dos drones de mana nunca parava — como abutres circulando, esperando o primeiro erro.

Dentro da maior tenda, o clima era bem diferente. Cortinas pesadas abafavam os sons do lado de fora, e cristais de mana brilhavam continuamente nas paredes, iluminando a longa mesa ao centro. Ao redor dela, estavam patriarcas e matriarcas das famílias presentes, seus olhares fixos nas projeções cintilantes acima. Cada tela exibia uma parte diferente da mata de caça, os drones já mapeando cada árvore, cada sombra.

De um lado, os Thornes estavam em formação rígida: Albrecht, com postura de ferro; Mirelle, fria e rígida; Serina, silenciosamente venenosa com suas palavras quando escolhia falar. Mal precisavam dizer algo — o silêncio deles cortava como uma lâmina.

Do outro lado, os Lestaria apresentavam-se de forma totalmente oposta. Thalanor relaxado na cadeira, de sorriso no rosto, enquanto suas esposas radiavam calma e elegância.

A voz de Thalanor rompeu a tensão primeiro. "Edric armou um espetáculo e tanto. Talvez, quando isso acabar, precisaremos preparar mais um casamento."

Os Thornes se endireitaram. Albrecht virou lentamente a cabeça, os olhos estreitando. "Outro casamento? Explica."

Thalanor deu uma risada, o sorriso se ampliando. "Meu filho Veyron já está comprometido com sua filha. Agora, parece que Noel e Elena estão… próximos. Talvez um casamento só não seja suficiente para unir nossas casas."

Mirelle olhou fixamente para a projeção que mostrava Elena ao lado de Noel. Sua voz congelou. "Elena? Não Damon? Não Kael?"

Thalanor recostou-se, claramente se divertindo com a reação dela. "Parece que ela tinha outras preferências."

O sorriso de Mirelle se tornou uma expressão soturna e afiada. "Sua filha pode ainda abrir os olhos. Ela ainda pode escolher alguém… mais adequado do que Noel."

Os olhos de Thalanor brilharam, o sorriso permanecendo. "Ou talvez ela já tenha escolhido."

A tensão aumentou, enquanto a diversão silenciosa dos demais nobres se espalhava como fumaça pelo interior da tenda.

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