O Extra é um Gênio!?

Capítulo 334

O Extra é um Gênio!?

Os herdeiros se reuniram na borda do bosque, onde o chão passava de terra compactada para uma vegetação selvagem. Acima, drones de mana flutuavam em formação constante, emitindo um brilho pálido que captava cada movimento, cada palavra. Ninguém podia fingir que aquilo era privado — não quando metade das famílias mais poderosas do continente assistia.

Um homem com cabelo castanho e postura rígida avançou, vestido com o manto azul-marinho dos funcionários de Nivaria. Sua voz cortou o murmúrio ao redor.

"Começa agora a Caçada à Herança. Nos próximos sete dias, sua força e julgamento determinarão seu valor. Sobreviva, caçe e resista. Vá."

O efeito foi imediato. Grupos se dispersaram de uma só vez — alguns herdeiros correndo em grupos, outros fugindo em direção às sombras para reivindicar território antes que os rivais pudessem chegar. A floresta pareceu engoli-los por completo, os galhos rangendo, as folhas tremendo sob seu avanço.

Noel permaneceu onde estava, com os braços cruzados de leve, observando o caos se desenrolar. 'Como uma corrida para ver quem morre primeiro. Estratégia brilhante.'

Perto dele, Elena ficou por mais algum tempo, seus olhos dourados fixos nele ao invés de projetarem para a floresta. Ao redor deles, Marcus e Clara já estavam em movimento, com passos firmes porém rápidos, Clara murmurando algo sobre encontrar fontes de água antes que escurecesse. Damon e Sylvette também se afastaram, seguindo em direção às profundidades com confiança treinada.

O ar ficou mais pesado, carregado com a promessa do que os aguardava além da borda do bosque. Em algum lugar ali fora, monstros despertavam, seus rosnados baixos ecoando como avisos silenciosos.

Noel respirou fundo lentamente, passando a mão pelo cabo da Lâmina do Além. 'Vamos acabar logo com isso.'

Ela hesitou na beira do bosque, seus passos lentos enquanto os outros desapareciam nas sombras. O brilho dos drones de mana acima dela seguia cada movimento, fazendo seus ouvidos arderem ainda mais vermelhos.

Ela se virou para Noel, sua voz suave, porém firme. "Vamos juntos?"

Noel a estudou por um momento e, então, balançou levemente a cabeça. "Não desta vez. Quero ganhar." Seu tom não era agressivo, mas sim decidido. Ele estendeu a mão, afastando um fio de cabelo platinado que caía sobre o rosto dela. "Vejo você depois."

Antes que Elena pudesse responder, ele se inclinou e a beijou.

Ela ficou sem fôlego de surpresa, mas logo seus braços envolveram-no, retribuindo o gesto com uma urgência silenciosa. Por um momento, toda a floresta, os drones, os olhos de metade da nobreza — tudo desapareceu. Restaram apenas os dois.

Então, o zumbido dos drones voltou ao primeiro plano, mais alto agora, lembrando-os de que não estavam sozinhos. Elena se afastou, com as bochechas ardendo. "Você é impossível," ela sussurrou.

Noel sorriu de leve. "Bem, você não puxou minha mão, acho que gosta mesmo."

Acima deles, os drones capturaram cada detalhe, suas projeções alimentando diretamente a grande tenda. Nobres balbuciavam entre si. Alguns zombaram, outros sorriram de canto.

Thalanor, descansando confortavelmente, deu uma risada alta. "Bem, parece que minha filha já decidiu. Respeito isso."

Mirielle, com sua expressão fria, scruzou os braços, seus olhos azuis se estreitando. "Menina ingênua. Ainda pode escolher melhor."

Mas as imagens continuavam a se repetir, prova suficiente de que a escolha de Elena já havia sido feita.

De volta à borda do bosque, Noel apertou a mão dela uma última vez antes de recuar. "Fique segura."

"Você também," ela respondeu suavemente, seus olhos permanecendo nele enquanto ele se virava em direção à floresta.

A borda do bosque deu lugar ao terreno irregular quase imediatamente. Raízes salientes como lanças rasgavam o solo, pedras pontiagudas emergiam do musgo, tornando cada passo uma tomada de decisão. O que se via além era uma floresta que se fechava novamente, agora subindo por encostas íngremes. O ar cheirava a pedra molhada e pinho antigo, pesado com o peso das montanhas.

Noel avançou com cuidado, seus olhos varrendo a encosta. Sombras densas se agarravam onde o dossel bloqueava a luz, e o brilho dos drones mal alcançava as primeiras folhas. O silêncio não era reconfortante — era um silêncio de caça.

Sua mão passou pelo cabo de Revenant Fang. Normalmente, Noir estaria ao seu lado, farejando na frente com o focinho baixo, detectando odores bem antes de Noel perceber. Mas agora…

Ele exalou pelo nariz, um sorriso sutil surgindo nos lábios. 'Espero que volte logo, pequena. Subir montanhas às cegas sem você não é tão divertido.'

Os drones flutuavam acima dele como vagalumes preguiçosos, registrando cada passo. Noel olhou para cima, um sorriso brincando na boca. 'Aposto que estão esperando eu escorregar. Não vou dar esse show para eles.'

O rastro de Damon tinha descido a encosta, Sylvette seguia para as ridges. Tudo bem. Cuidar dos outros não estava na sua lista de prioridades.

Em vez disso, Noel se agachou, passando os dedos na terra úmida. A inclinação ali indicava que a água estava perto, talvez correndo por um riacho na base das falésias. Seus instintos se aguçaram: se quisesse aguentar a semana, precisaria de um ponto elevado, com paredes de pedra para se proteger pelas costas.

Um rosnado distante ecoou, pulsando entre as encostas, baixo e gutural. Noel endireitou-se, o olhar se estreitando em direção ao som.

'Primeiro passo: não ser devorado. Segundo passo: encontrar um abrigo. Os demais podem esperar.'

A escalada mal foi notada. As mãos de Noel encontraram apoios na rocha sem esforço, e seu corpo se movimentou com uma facilidade que o surpreenderia meses antes. A crista deveria tê-lo feito ficar ofegante, com os braços Doloridos, mas ao chegar ao platô, sua respiração estava firme, os músculos sem fadiga.

'Pois é… Ascendente tem suas vantagens.'

Da vantage point mais alta, a vista se abriu ampla. Floresta e montanhas se estendiam em todas as direções, vales profundos entre picos irregulares. Um brilho de água chamou sua atenção — um riacho serpenteando até as árvores. Mais importante, uma entrada rasa de caverna despontava na face do penhasco ali na frente.

Ele se aproximou com cuidado, uma mão tocando a pedra. Seco, estável. Uma descoberta promissora.

"Glacialis," murmurou Noel, enviando um fragmento de gelo estalando contra a parede. A rocha nem evenceu. Sólida. Boa. Com um movimento de dedos, marcou uma "Armadilha de Fagulha" perto da entrada, observando o símbolo arder lentamente antes de desaparecer na pedra. Bastante para alertar se algo curioso se aproximasse demais.

Por dentro, a caverna era estreita, mas funcional. Sem marcas recentes de garras, sem cheiro de ninho recente. Apenas poeira, riscos antigos e silêncio.

Encostando-se na parede fria, Noel soltou uma respiração devagar. 'Uma semana nesta montanha. Se não montar um abrigo, acabo virando comida de alguém. Simples assim.'

Seus olhos se dirigiram novamente à borda do bosque. O zumbido dos drones ainda vinha até ali, fraco, mas constante. 'Vamos torcer para que ninguém tenha a criatividade de drogar uma fera desta vez. Aquilo já foi demais uma vez.'

Um sorriso seco surgiu em seus lábios. "Pronto. Caverna é minha."

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