
Capítulo 340
O Extra é um Gênio!?
Noel abaixou a Revenant Fang o suficiente para olhar para ela, seus olhos verdes captando o brilho fraco dos fragmentos de gelo espalhados ao redor. Seu cabelo loiro estava levemente molhado de suor, grudando um pouco na testa, mas sua expressão permanecia firme.
"Estava tudo sob controle," disse ele, com a voz calma, mais paciente do que defensiva.
Selene não se mexeu, seus olhos ciano fixos na mata. Seu cabelo curto azul se moveu levemente com o vento, o brilho sutil de sua magia ainda pairando no ar.
"Não," ela respondeu secamente. "Não parecia."
Noel sorriu de leve. "Você está falando muito mais do que o normal. Algo errado?"
Ela piscou uma vez, seu rosto impenetrável. "Nada."
Por um momento, ele apenas a estudou — a postura rígida ao segurar sua varinha, o tremor sutil nos ombros que ninguém mais perceberia. Para os drones zumbindo acima, registrando cada movimento, ela parecia completamente composta. Mas Noel tinha aprendido a perceber os detalhes que os outros ignoravam.
Mesmo assim, deixou pra lá. "Se você diz."
Selene não respondeu. Continuou a olhar para frente, a geada aos seus pés lentamente derretendo na terra.
O silêncio não durou muito. Uma rajada de vermelho cortou as sombras, queimando o ar onde Selene tinha estado. Ela se mexeu ligeiramente, sua varinha já brilhando com uma borda fina de gelo.
A lâmina de Noel cobriu-se de chamas em resposta, Revenant Fang envolta em fogo enquanto ele sussurrava: "Surto de Ignição". Ele correu para frente, a lâmina amaldiçoada rasgando a explosão e espalhando fagulhas antes que pudessem alcançá-la.
Outro feitiço iluminou a linha das árvores, desta vez um raio de magia de vento comprimido. Noel ficou tenso para desviar, mas Selene levantou sua varinha, sua voz firme. "Halo de Permafrost." Um anel de frio explodiu para fora, desacelerando o feitiço no meio do caminho até se quebrar como vidro contra pedra.
Duas figuras saíram do mato, com armaduras tilintando, armas em punho. Noel entrou no caminho delas sem hesitar. Sua mão livre acendia com mana. "Agulha de Tensão." Um relâmpago disparou, perfurando o primeiro homem completamente e se conectando ao segundo. Ambos se contorceram, corpos convulsionando antes de desabarem na terra.
Selene não parou de se mover. A geada ainda girava aos seus pés enquanto ela estendia o braço. "Lança de Gelo." A lança de cristal cortou o campo e empalou um terceiro alvo, que tentava cercá-los, prensando-o contra uma árvore.
Os drones acima registraram cada fio da cooperação deles — cada golpe, cada contra-ataque, cada olhar silencioso trocado.
Noel sorriu de leve. "Você esteve ocupada."
Selene manteve a expressão inalterada. "Você estava abrindo brechas."
"Tch." Ele recolocou Revenant Fang na posição de guarda, os olhos verdes estreitando. "Aposto que vou ter que ser mais rápido."
Outra presença moveu-se nas sombras. O chão sob eles tremeu de repente — magia gravitacional. Noel cambaleou enquanto o peso o pressionava para baixo. Seus botas afundaram um polegada na terra.
Selene reagiu instantaneamente. "Perduração de Gravidade," ela afirmou, redirecionando a força para fora. O agressor escondido no mato gritou enquanto sua própria magia voltava contra ele, atingindo-o com força de quebrar ossos na terra.
Noel se endireitou, respirando fundo com dificuldade. "Eu tinha isso."
"Não, você não." A resposta dela foi direta e fria, mas seu aperto na varinha era forte o suficiente para deixar os nós das mãos pálidos.
O campo de batalha voltou ao silêncio, rompido apenas pela respiração ofegante dos derrotados e pelo zumbido constante dos drones acima.
Noel mexeu os ombros, as chamas ainda lambendo sua lâmina. "Três para cada um?"
Os olhos cianos de Selene fizeram um movimento na direção dele. "Quatro."
A floresta voltou a ficar silenciosa, exceto pelo crepitar tênue das chamas morrendo e pelo gotejar distante do gelo derretendo. Noel encostou-se em uma árvore, recuperando o fôlego, embora sua postura fosse mais relaxada do que cansada. A lâmina de Revenant Fang ainda reluzia com um brilho avermelhado, enquanto o vapor fazia um chiar onde sangue e fogo se encontravam.
Selene dispensou as últimas traças de sua magia, a geada tomando forma de névoa ao redor de suas botas, até desaparecer completamente. Ela abaixou a varinha, mas não a guardou. Seus olhos ciano permaneciam atentos, como se outro ataque pudesse acontecer a qualquer momento.
Noel observou-a por um instante, depois perguntou, quase casualmente: "Quer comer?"
Ela virou a cabeça levemente, com uma expressão de desdém passando pelo rosto. "Não."
Bem na hora, o estômago dela mostrou que não estava de brincadeira, roncando baixinho.
Noel levantou uma sobrancelha, os lábios se contorcendo. "Não parecia que era não."
Acoloração em seus ouvidos. Embora o rosto não mudasse, ela virou o rosto, ajustando a pegada na varinha. "Não importa. Eu acho que consigo lidar."
"Consegue, sim," disse Noel, se afastando da árvore e balançando Revenant Fang sobre o ombro. "Mas passar fome não é exatamente uma estratégia."
"Não estou passando fome." A negação veio rápida, dura, como se ela quisesse encerrar o assunto ali.
Noel sorriu de leve, chegando mais perto, abaixando a voz só um pouco para que somente ela ouvisse, apesar do zumbido constante dos drones acima. "Você está mais falante do que o normal, sabia? Até o estômago está participando."
Seus olhos cianos piscaram para ele, estreitando um pouco, mas sem calor — só uma pontinha de dúvida. "Por que você se importa?"
"Porque estamos juntos agora," respondeu simplesmente. "E eu não quero ter que arrastar seu corpo inconsciente até o acampamento se você desmaiar na luta."
Selene o encarou por mais tempo do que o habitual, então finalmente soltou o ar pelo nariz. "...Você é insuportável."
"Talvez," disse Noel, voltando na direção das árvores. "Mas também estou certo."
O silêncio se estendeu entre eles enquanto se aprofundavam na mata, as luzes dos feitiços desaparecidos ainda pairando como fantasmas no ar. Noel caminhava um passo à frente, vasculhando as sombras com Revenant Fang solto na mão. Selene seguia logo atrás, sua varinha nunca baixada, expressão dura como gelo.
Depois de um tempo, Noel olhou por cima do ombro. "Você devia comer. Lembra do que me disse uma vez? Que você comia tudo que podia, porque quando era criança não podia."
Selene ficou tensa, surpresa por ele ter lembrado. Por um instante, sua postura usual quebrou — o menor hesitar em seu passo. "...Você tem razão."
Noel sorriu suavemente, voltando para o caminho da floresta. "Viu? Não é tão difícil admitir."
Ela apertou os lábios numa linha fina, mas não reprimiu. Os drones acima zumbiam silenciosamente, registrando cada passo, embora nenhum pudesse captar o brilho de algo mais quente que passou por seu rosto.
Eles seguiram em silêncio até Noel finalmente perguntar: "Tem algum lugar para dormir hoje à noite?"
Selene não respondeu de imediato. Quando o fez, sua voz foi plana, mais baixa do que o normal. "Não."
Noel assentiu, como se tivesse esperado isso. "Achei que sim. Tenho uma caverna perto daqui. Não é luxuosa, mas é seca e fica escondida da maioria dos drones na maior parte do tempo." Ele inclinou a cabeça, os olhos verdes brilhando com aquele meio sorriso dele. "Se quiser, pode ficar lá."
O olhar de Selene fixou-se nele, invisível. Sua varinha diminuiu um pouco, mas não completamente. "Por quê?"
"Porque você salvou minha pele lá atrás," disse Noel de forma simples, encolhendo os ombros. "E porque prefiro não te encontrar exausta e quase morrendo amanhã."
Ela relaxou a pegada na varinha. Após uma longa pausa, deu o menor dos acenos. "...Tudo bem."
Noel deu uma risada baixinha, ajustando Revenant Fang nos ombros. "Ótimo. Então, definido."