O Extra é um Gênio!?

Capítulo 322

O Extra é um Gênio!?

A criada recuou um passo, segurando a porta do carruagem aberta, mas as três figuras que aguardavam na frente fizeram o momento parecer ainda mais alongado.

"Elena."

Veyron von Lestaria atravessou o curto espaço com passos rápidos, sorriso caloroso e firme. Não hesitou em puxar a irmã para um abraço apertado, levantando-a do chão por um instante. "Você esteve longe tempo demais. Me diga, quanto tempo mais até ter que aguentar o seu casamento, hein?"

As bochechas de Elena ficaram coradas. "|-Irmão!" Ela empurrou suavemente, envergonhada, mas não soltou.

Noel diminuiu a velocidade a alguns passos atrás, braços descansando relaxadamente. A visão tocou algo dentro dele. Lembrou-se bem de Veyron—daquele casamento anos atrás, da primeira vez que percebeu que o coração de Elena inclinava-se para ele. E agora, ao vê-la tão carinhosamente acolhida pelo irmão, era evidente o quanto ela tinha sentido falta disso.

"Você não mudou," disse Noel, por fim, com tom tranquilo.

Veyron acomodou a irmã no chão, ainda sorrindo. "E você—ainda parecendo carregar o mundo nos ombros. Cala a cara, Noel. É bom te ver de novo."

Antes que Noel pudesse responder, a última figura avançou. Livia.

Ela não era como se lembrava. Nenhum vestígio de compostura afiada ou cálculo frio permanecia. Em vez disso, seu cabelo castanho-avermelhado estava preso de forma elegante, seu vestido era sofisticado, porém discreto, e seu sorriso… suave.

"É maravilhoso vê-los ambos," ela disse, com voz calorosa, quase gentil. Seus olhos primeiro encontraram Elena. "Você cresceu lindamente."

Elena piscou, surpresa piscando antes de sorrir de volta. "Sobrinha…"

Então o olhar de Livia repousou sobre Noel. Não havia distância, nem julgamento velado. Apenas sinceridade. "E Noel. Nos encontramos novamente. Fico feliz."

Noel hesitou. A Livia que ele lembrava nunca teria falado assim. 'Ela mudou. Demais. O que aconteceu com ela?'

Veyron bateu levemente as mãos. "Vamos, não vamos fazer as horses esperarem. Temos uma longa estrada pela frente, e prefiro não chegar em Nivária após o anoitecer."

Os irmãos foram primeiros rumo à carruagem. Noel ficou por um segundo, observando a luz do sol refletir na madeira polida. Depois, com passos silenciosos, seguiu atrás.

A carruagem trepideou ao avançar, as rodas rangendo ao deixar para trás a agitação do porto. Dentro, o espaço tinha almofadas de veludo escuro, um leve cheiro de cedro impregnando a madeira polida.

Veyron recostou-se confortavelmente, um braço apoiado no assento enquanto observava a irmã. "Então, Elena. Você já saiu bastante pelo mundo. Me diga—que encrenca você causou?"

Elena inflou as bochechas suavemente. "Nenhuma."

Veyron riu. "Mentira. Consigo ver nos seus olhos."

Noel fez um sorriso de canto. Observando o rubor que se intensificava na face de Elena, falou: "Ele não está errado."

"Nem vem você também..." ela murmurou, cobrindo o rosto com a mão.

O sorriso suave de Livia preencheu o espaço, mais caloroso do que Noel esperava. "Não a provoque demais. Ela se saiu bem—posso ver. Agora ela está mais confiante." Seu olhar deslizou para Noel por um instante. "E imagino que tenha tido alguma influência nisso."

Noel manteve a expressão neutra, mas por dentro sentiu o peso das palavras dela. 'Ela mudou. É gentil, cuidadosa até. Se eu não a conhecesse de antes, quase poderia acreditar que essa é a pessoa que ela sempre foi.'

Veyron bateu na lateral do assento com um sorriso. "Provavelmente, ela teve que segurá-la de mais encrencas do que podemos imaginar. E isso me faz pensar..." Seus olhos passaram entre eles. "Quanto tempo até precisar passar um pano nos sapatos para outro casamento?"

Elena quase engasgou, as orelhas ficando rubras. "|—Irmão!"

Livia apenas sorriu, calma e composta. "Não precisa deixá-la tão envergonhada assim."

Porém, seu tom era suave, não repreensivo. Quase protetor.

Noel apoiou um cotovelo na moldura da janela, assistindo ao cenário passar—a estrada pelo bosque se estendendo em direção a Nivária, a luz dourada rompendo o dossel. Ele não respondeu às provocações de Veyron, mas seu pensamento voltou a Livia.

'O que aconteceu com a mulher de língua afiada que eu conhecia? Ela parece… totalmente diferente.'

A carruagem balançou suavemente, risadas e conversas preenchendo o ar. Por um momento, deu a impressão de um passeio familiar.

A carruagem balançou suavemente enquanto seguia pela estrada do bosque, o som das patas se misturando ao silêncio confortável. A luz do sol entrava pelas cortinas, criando listras quentes de luz nos bancos.

O olhar de Livia permaneceu sobre Noel por um instante, expressão pensativa. Finalmente, ela falou:

"Noel."

Ele virou levemente o rosto, levantando uma sobrancelha. "O que foi?"

Suas mãos descansavam tranquilamente no colo, dedos entrelaçados. "Queria dizer… acho que preciso pedir desculpas."

Elena piscou, surpresa. "|—Sobrinha?"

Os olhos de Livia suavizaram, sua voz quieta, porém firme. "Naquela época, fui injusta com você. Olhei por cima, te desprezei. Fiz parecer que você era inferior a nós. Carreguei orgulho demais, sim, muita… afiada inteligência." Ela fez uma pausa, uma leve suspiro escapando. "Vejo agora o quanto estive errada."

Noel a observou em silêncio. Lembrou-se vividamente das palavras frias, do tom desdenhoso, do distanciamento intencional que ela criara. Essa Livia diante dele, falando com sinceridade, parecia outra pessoa totalmente.

"Você mudou," disse Noel, por fim.

Livia sorriu de leve. "Casamento faz isso. Responsabilidade também. Ser parte desta família me ensinou que arrogância só envenena os laços que deveríamos valorizar. Não quero repetir esses erros."

Os olhos de Elena suavizaram, um pequeno sorriso de alívio formando-se nos lábios.

Noel recostou-se, braços cruzados descontraidamente. "Geralmente, as pessoas não admitem que estavam erradas."

"Então, serei a exceção," respondeu Livia com suavidade. "Se isso ajuda a aliviar o peso que deixei, não me importo de admitir. Você conquistou mais respeito do que eu jamais lhe dei."

"E os outros?" ele perguntou. "Como estão?"

Sorriso de Livia vacilou por um instante, as mãos se fechando cuidadosamente no colo. "Gostaria de poder te dizer. Mas… faz semanas que não vejo eles."

Elena inclinou a cabeça. "Semanas?"

"Sim." Livia assentiu suavemente. "Desde o casamento, estou morando em Elarith. Minha vida é lá agora, e apesar de receber cartas, elas não substituem estar presente. Então, não posso dizer ao certo como todos estão."

Seu tom não tinha defensiva—apenas sinceridade.

Noel recostou-se, pensativo. 'Então, até ela mesma está um pouco afastada do núcleo das coisas. É por isso.'

Veyron colocou uma mão no ombro da irmã, com um sorriso tranquilizador. "Você as verá em breve, Elena. E as coisas vão se encaixar de novo."

Elena assentiu levemente, embora seus olhos revelassem um desejo silencioso.

A carruagem continuou a rolar, o som dos cascos constante na estrada.

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