O Extra é um Gênio!?

Capítulo 318

O Extra é um Gênio!?

Já faz vários dias desde que a embarcação entrou no túnel sem fim, e a monotonia começava a desgastar Noel. A paisagem nunca mudava — paredes de pedra se erguiam altas dos dois lados, a água se estendia à frente em um percurso reto que parecia não ter fim.

Ele encostou-se na grade da proa, com a Mandíbula do Resquício repousando ao seu lado, observando o brilho tênue dos cristais de mana encaixados nas paredes. Pela primeira vez, tudo parecia silencioso.

Então, o ar mudou.

Um baixo zumbido vibrava pelo casco, sutil no começo, depois forte o suficiente para fazer a grade tremer sob suas mãos. Noel franziu o rosto, endireitando-se. A água sob o navio cintilava de forma artificial, como se faíscas minúsculas dançassem na sua superfície.

Ele estreitou os olhos. O brilho se espalhou rapidamente, riscas de azul e violeta cruzando como relâmpagos líquidos pelas paredes do túnel.

'Que diabos...?'

O zumbido virou um estrondo baixo, e os pelos do seu corpo ficaram eriçados com a mana que se intensificava no ar. Ela pressionava contra sua pele como estática, como calor, embora a temperatura não tivesse mudado.

De cima do convés, um grito soou. "Tempestade a caminho! Fechem o convés!"

Os membros da tripulação correram em ação, trancando persianas sobre as escotilhas e gritando ordens para que os estudantes entrassem. Os rostos dos marinheiros eram sérios, experientes — isso não era novidade para eles.

A pegada de Noel apertou na Mandíbula do Resquício. "Uma tempestade? Aqui dentro?" Ele olhou ao redor do túnel fechado, sua voz presa entre descrença e confusão. 'Não há céu. Nenhum nublado. Como pode haver tempestade no subsolo?'

As vibrações se espalharam pelo piso, agora mais fortes, até mesmo as paredes pareciam pulsar com luz. O navio rangeu, não como se estivesse se partindo, mas como se estivesse gemendo sob uma pressão que não deveria suportar.

O coração de Noel acelerou ao olhar para a extensão infinita do túnel, a água brilhando com arcos de roxo e azul. Pela primeira vez, ele não tinha um ponto de referência, nenhuma explicação — e isso o deixava mais inquieto do que qualquer coisa.

O convés voltou a tremer, enviando uma leve tremedeira nas pernas de Noel. Ele olhou por cima do ombro, enquanto passos apressados ecoavam atrás dele. Elena e Elyra emergiram de dentro, suas expressões eram um contraste agudo — Elena com as sobrancelhas franzidas em preocupação, Elyra com o rosto calmo, quase expectante.

"Noel!" chamou Elena, sua voz se elevando acima do zumbido da embarcação. "Precisamos entrar —"

Mas Elyra já olhava além dele, em direção às paredes do túnel que piscavam. Seus olhos cinzentos se estreitaram enquanto outra ondulação de mana se espalhava pela água.

"É uma tempestade de mana," ela disse com frieza.

Noel se virou para ela, incrédulo. "O que é isso?"

O olhar dela voltou a si, firme, como se estivesse explicando algo óbvio. "O túnel atravessa veias de mana bruta. Às vezes, as correntes entram em colapso. Quando isso acontece, a energia se rebela assim."

Noel piscou, esforçando-se para entender. "Tempestades acontecem no céu, Elyra. Vento, chuva, trovão. Não existem tempestades em rocha sólida."

Os lábios de Elyra se curvaram levemente — não num sorriso, mas algo próximo à exasperação. "Você não precisa acreditar. Só entenda uma coisa: se ficar fora, pode ser dilacerado. Mana não liga para lógica, Noel."

Elena abraçou os braços, sua voz suave, mas urgente. "Ela está certa. Já morreram pessoas nessas tempestades antes. Por isso estão selando tudo."

O navio voltou a ranger, mais forte agora, enquanto uma nova onda de luz se propagava pela água. Faíscas surgiam perto do casco, desaparecendo quase na hora de atingir. Noel estreitou os olhos.

'Uma tempestade de mana... correntes em colapso. Dizem como se fosse algo normal.' Ele cerrara a mandíbula. 'Este mundo nunca para de me lembrar que não pertenço aqui.'

Elyra deu um passo mais perto, com uma expressão mais resoluta. "Movam-se. Podemos discutir depois. Agora, mantenham-se vivos entrando lá."

Os marinheiros se moveram rapidamente, gritos rasgando o barulho do mana lá fora. Persianas pesadas foram fechadas sobre as escotilhas, selando as extremidades abertas do navio. Lanternas tremeluziam enquanto o casco vibrava novamente, luz piscando em ritmo com a tempestade do lado de fora.

"Estudantes lá embaixo! Todo mundo no convés inferior!" gritou um dos tripulantes, gesticulando em direção às escadas.

Noel hesitou, com os olhos ainda fixos na água brilhante. 'Na história... nunca falaram de tempestades de mana. Por isso estou tão surpreso, mas seu visual parece perigoso, pela reação das pessoas.'

O pensamento ficou pesado como uma pedra no peito, mas não havia tempo para pensar nele.

À sua volta, os estudantes reagiam de várias maneiras. Clara guiou dois mais jovens até as escadas, falando rapidamente e com gentileza para acalmá-los. Selene os seguia na sua própria cadência, com expressão indecifrável, embora a varinha estivesse já na mão, como se esperasse que algo avançasse pelo casco a qualquer momento.

Roberto saiu cambaleando de uma cabine, esfregando os olhos, parecendo meio sonolento. "Se isso nos matar," murmurou, arrastando os pés na direção de Noel, "pelo menos quero morrer deitado. Parece mais digno."

"Ande mais rápido," disparou Noel, embora a irritação na voz fosse mais com a tempestade do que com o amigo.

Elena, ao lado de Elyra, mantinha os lábios fechados, tensa. Elyra segurava com firmeza o ombro da garota, guiando-a com calmaria experiente. "Fique com a cabeça baixa," instruiu ao grupo, "e não use mana. A tempestade se alimenta dela."

Isso fez com que várias pessoas o olhassem com olhos arregalados, mas os estudantes obedeceram.

Outro arco de luz violeta golpeou a parede do túnel, dividindo-se em faíscas que rangiam pela estrutura externa do navio. A vibração penetrou fundo nos tablados do piso, quase derrubando Noel. Ele cerrava os dentes, seguindo os outros em direção ao convés inferior. 'Este mundo é realmente estranho, cara, muito estranho…'

O convés inferior estava lotado de barulho, enquanto os estudantes se moviam para os seus cabines, com a tripulação gritando instruções para manter as portas fechadas. O ar aqui tinha uma sensação diferente—mais espesso, vibrando com a mesma energia que fazia o casco tremer. Mesmo longe do convés, a presença da tempestade se fazia sentir.

Noel andava junto com Elyra e Elena pelo corredor. Elena segurava as mãos juntas na frente, com os olhos atentos a cada piscar de luz vindo dos cristais nas paredes.

"Fica tranquila," disse Elyra suavemente, com voz calma, mas firme. "Vai passar." Ela parou na porta do quarto de Elena, colocando a mão firme no ombro dela. "Fique dentro e não abra por ninguém, até o pessoal dizer."

Elena assentiu, embora seu olhar nervoso em Noel entregasse seu desconforto. "Você também… tome cuidado," ela sussurrou antes de entrar. A porta se fechou com um clique, silenciando sua presença.

Noel ficou um instante observando Elyra. A luz dos corredores iluminava seu rosto pálido, enquanto ela ajustava a postura com a trança balançando. Ela não parecia abalada, nem um pouco — na verdade, parecia alguém que já tinha visto aquilo antes.

"Você não parece incomodada," comentou Noel.

Elyra virou seus olhos cinzentos para ele, sempre indecifrável. "Te disse. Tempestades de mana não são incomuns. Perigosas, sim, mas passageiras. Temor não ajuda." Ela fez uma pausa, abaixando um pouco a voz. "Verifique sua porta duas vezes. A pressão pode escapar por brechas."

Noel levantou uma sobrancelha, assentindo rapidamente. "Vou lembrar disso."

Pararam na porta do seu próprio quarto. Elyra deu um olhar direto para ele antes de entrar sem dizer mais nada.

Sozinho no corredor, Noel soltou um pouco de ar pelo nariz, exausto. As paredes tremeram suavemente enquanto outra onda de luz violeta passava lá fora, fazendo o som vibrar pela estrutura do navio.

Finalmente, chegou à sua cabine, empurrando a porta com força para fechá-la atrás de si.

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