
Capítulo 313
O Extra é um Gênio!?
A câmara de treinamento ficou sombria à medida que runas nas paredes se acenderam, selando o espaço com um brilho pálido. Noel permanecia no centro, com a Lâmina do Fantasma baixa na sua mão, a mana de sombra pulsando levemente aos seus pés. Em frente a ele, Selene levantou a varinha, sua postura calma e composta, uma névoa gelada envolvendo-a.
Não trocavam palavras.
Selene foi a primeira a atacar. "Investida Glacial!"
Uma lança afiada de gelo cortou o ar em direção a ele.
Noel desapareceu instantaneamente. "Passo das Sombras!" O projétil de gelo se quebrou contra a pedra quando ele reapareceu ao seu lado, a Lâmina do Fantasma rasgando com uma lâmina revestida de fogo. "Rajada de Ignição!"
Selene girou, sua varinha interceptando o golpe enquanto o gelo explodia para fora, repelindo as chamas. Estilhaços de gelo se quebraram no chão. Seus olhos se voltaram para ele—calmos, controlados—mas uma sutil ruga no canto da sobrancelha revelou surpresa.
'Ele está mais rápido. Mais forte. Mais preciso do que antes…'
Nosso não permitiu que ela se recuperasse. Ele avançou com a mão livre. "Aguja de Tensão!"
Um raio de relâmpago com formato irregular disparou em direção a ela com precisão letal.
Selene varreu sua varinha num arco fluido. " Véu de Geada!"
Um cortina de partículas de gelo surgiu instantaneamente, espalhando o relâmpago num borrão de faíscas. A névoa persistiu enquanto ela passava, apontando a varinha novamente em sua direção.
Porém, seu pulso estava irregular. Ela se lembrou da final—do momento em que perdeu pela primeira vez na vida. Para ele.
A postura de Noel permaneceu firme, sua aura mais pesada do que nunca. Ele não estava mais apenas alcançando seu nível. Ele a tinha ultrapassado.
O rosto de Selene se escancarou levemente, uma pequena distração surgindo. Os olhos de Noel se estreitaram.
"Você está distraída," disse ele com calma. "Já está deixando a peteca cair?"
Selene apertou firmemente a sua varinha. "Concentre-se na luta."
Mas sua voz não tinha a habitual firmeza.
Desta vez, foi ela a quem deu o primeiro passo, a varinha brilhando com luz gelada. "Garras de Criogenia!"
Mãos de gelo irregular emergiram do chão, avançando em direção às pernas dele.
Ele respondeu sem hesitar. "Passo das Sombras!" Seu corpo turbuilhou-se na direção da escuridão mais próxima, desaparecendo antes que as garras congeladas pudesse prendê-lo. Ele reapareceu ao lado dela, a lâmina do Fantasma cortando em um arco afiado.
Selene se virou, a varinha varrendo para baixo. "Lança Congelada!" Uma lança de gelo se formou instantaneamente em sua mão, encontrando sua lâmina com um choque de gelo contra o aço amaldiçoado. A força da colisão lançou faíscas de fogo e estilhaços de gelo que se espalharam pelo chão.
Noel não recuou. Ele se inclinou em sua guarda, pressionando seu peso com a Lâmina do Fantasma ardendo. "Rajada de Ignição!" A espada inflamou, o calor se propagando enquanto ele a forçava a recuar.
As botas de Selene arranharam contra a pedra. Ela respirou fundo, puxando a varinha na frente. "Prisão de Gravidade!"
O ar ao redor de Noel se distorceu, a pressão dobrando numa onda esmagadora. Seus movimentos ficaram mais lentos por um suspiro, seu corpo se esforçando. Selene aproveitou a chance, lançando outro ataque. "Investida Glacial!"
Mas os olhos de Noel se aguçaram. "Derrubador de Tempestades!"
Seu corpo expludiu em arcos de relâmpagos, a câmara se encheu com um estalo cegante enquanto avançava. A lança de gelo se quebrou ao passar por ele, a descarga de eletricidade o impulsionando por trás em um instante.
Selene girou surpresa com a velocidade absurda. 'Eu nem consegui rastreá-lo… ele—ele é muito mais rápido do que eu.'
Ela apertou sua varinha, mas seus pensamentos vacilaram. A lembrança da final veio à mente: Noel de pé sobre ela, vitorioso pela primeira vez, e o olhar dele—calmo, respeitoso, sem zombar da sua derrota como outros fariam.
Esse respeito doeu mais do que a própria derrota.
Agora, ao enfrentá-lo novamente, ela sentia a mesma pressão… só que mais pesada. Seu coração pulsava contra as costelas, irregular, não por esforço, mas por algo que ela não queria nomear.
Noel baixou sua postura, estudando-a cuidadosamente. "Você está distraída de novo."
Selene voltou seu olhar para ele, frio como gelo, mas os lábios tremiam antes de se firmarem. "Não… me leia assim."
Selene respirou fundo, levantando novamente a varinha. Geada se espalhou pelo ar ao seu redor, sua voz cortando a câmara. "Hálito de Permafrost!"
Um anel de gelo se expandiu, estilhaços formando um círculo cintilante que desacelerava o próprio ar. Noel sentiu o efeito imediatamente, seus passos mais pesados, suas reações mais lentas.
Mas seus olhos permaneciam firmes. Ele canalizou mana na lâmina. "Arco de Fogo!"
A Lâmina do Fantasma cortou o gelo, liberando uma onda curva de fogo que rasgou o halo de gelo. O gelo se quebrou com uma rajada de calor, faíscas caindo por toda parte.
Selene recuou, o peito subindo mais rápido. Seus feitiços estavam bem encaixados—mas Noel não vacilava. Ele tinha fechado a distância novamente, sombras se acumulando ao seu redor.
Ela avançou com a varinha. "Floração Gélida!"
O chão explodiu em pétalas de gelo, afiadas como lâminas, que se espalharam ao redor de seus pés em direção a ele.
Noel encarou de frente. "Lança de Chamas!"
As chamas rugiram de sua palma, envolvendo as pétalas numa torrente de calor. Vapo risseu enquanto o gelo encontrava fogo, a pedra soltando gotas de vapor.
Por entre a névoa, Noel se moveu novamente. "Passo das Sombras!" Sua figura turbilhonou—depois reapareceu na sua frente, a lâmina do Fantasma já erguida.
Selene gritou, tentando levantar a varinha tarde demais. A lâmina amaldiçoada parou a centímetros do seu pescoço, o ar vibrando com fogo e sombra entre eles.
Seu coração pulou uma batida.
Os olhos de Noel encontraram os dela, firmes, afiados—mas não cruéis. "Você está distraída de novo," disse ele calmamente, abaixando a lâmina na altura exata. "O que há com você hoje?"
Selene ficou congelada, a varinha tremendo em sua mão. Ela deveria estar furiosa. Devia estar concentrada. Mas tudo o que conseguia pensar eram as finais—como ele a tinha derrotado, e, mesmo assim, olhava para ela sem arrogância. Como tinha respeito por ela.
Esse respeito doeu mais do que a derrota em si.
Agora, de frente com ele novamente, ela sentia a mesma pressão… só que mais pesada. Seu coração batia descompassado contra as costelas, irregular, não por esforço, mas por algo que ela não queria nomear.
Noel abaixou sua postura, estudando-a cuidadosamente. "Você está distraída de novo."
Selene fechou a boca, a varinha trêmula, a cabeça pesada. Ela deveria estar furiosa, focada, mas só conseguia pensar na final—como ele a tinha vencido, e mesmo assim olhava para ela sem arrogância. Como tinha respeito por ela.
'Ele está mais forte agora. Ele me superou. Mas… por que meu peito fica assim toda vez que ele olha para mim?'
Selene apertou a mandíbula, tentando fazer as palavras saírem. "Não… tenha pena de mim."
Noel inclinou a cabeça, com expressão indecifrável. "Não é pena."
Ela ganhou fôlego, o gelo ao redor de sua varinha piscando. Pela primeira vez em anos, sua compostura estava se desfazendo—não por derrota, mas por causa dele.
Ambos permaneciam imóveis, o eco de sua última troca se dissipando na câmara de pedra. A lâmina de Noel baixou ao seu lado, com o fogo ainda queimando suavemente na ponta. A varinha de Selene pairava na frente do peito, mas seu braço tremia—não por cansaço, e sim por algo que ela não reconhecia.
A respiração dela saiu assimetricamente agitada. Ela odiava isso. Sempre fora composta, precisa, intocável. Era o que seu treinamento lhe tinha ensinado desde criança: ser mais forte, mais fria, mais afiada que todo mundo. Nunca havia espaço para hesitação.
Mas, ali, com Noel olhando para ela—calmo, firme, inflexível—ela sentiu algo escorregar.
'Por que… perco o foco toda vez que ele me encara?'
Selene apertou a mandíbula, endurecendo seu aperto na varinha. O olhar dela se tornou mais duro, mas a pequena centelha nos olhos revelava seus pensamentos.
Noel respirou fundo, observando-a atentamente. "Você está distraída. De novo."
As palavras atingiram mais forte do que ela esperava. Ela abriu a boca, mas nada saiu inicialmente. Finalmente, forçou-se a responder, com uma voz mais fria do que se sentia. "Na próxima vez… eu não vou perder."
Noel a estudou por um momento, assentindo uma vez. Ele não insistiu mais. Nunca insistia, porque conhecia seu passado.
E talvez fosse isso que a deixava mais inquieta. Outros pressionavam, zombavam, cobravam. Noel não. Ele apenas a via—com defeitos e tudo—e deixava assim.
Selene abaixou lentamente a varinha, virando-se para que ele não visse o conflito se formando dentro dela. 'O que é isso? Respeito? Não… algo mais. Mas… eu não entendo.'