
Capítulo 312
O Extra é um Gênio!?
Noel acordou antes dos outros, com o brilho tênue das lâmpadas de mana ainda suave contra as paredes da cabine. O ar estava fresco e silencioso, preenchido apenas pelo leve zumbido dos motores da nave percorrendo o túnel infinito.
Ele estendeu a mão ao lado, por hábito. Estava vazia.
Não havia Noir.
A mensagem do sistema daquela noite ecoava na sua cabeça: [Noir está evoluindo…]
Ele lentamente se sentou, esfregando o sono dos olhos. "Ela sempre me puxava nos treinos. Sem ela, parece… vazio."
Noel se levantou, esticando-se, e começou a se vestir: uma camisa preta, encaixada em calças ajustadas, botas leves e sua jaqueta curta. Seu olhar caiu sobre Revenant Fang, descansando contra a parede. A lâmina amaldiçoada parecia mais pesada do que o normal ao ser pendurada na cintura, seu brilho preto opaco sob a luz de mana.
"Acho que hoje só somos eu e você," murmurou.
Ele jogou água no rosto do pequeno lavabo, passou a mão pelos cabelos e apertou o cinto. Depois saiu para o corredor.
A maioria dos estudantes ainda dormia, risos da noite anterior substituídos pelo silêncio. O caminho até as salas de treino reforçadas era longo, ecoando com seus passos.
Noel abriu uma das portas e entrou discretamente. A câmara era vasta, com paredes de pedra gravadas com runas que pulsavam fracas, prontas para absorver magia desgovernada. O silêncio pressionava seus ouvidos, mas o que pesava mais era a ausência de patas ao seu lado.
'Noir… não me faça esperar tanto.'
Ele sacou Revenant Fang, sua lâmina escura refletindo a luz, e direcionou-se ao piso de treinamento.
Noel apoiou Revenant Fang contra a parede e mergulhou a mão na bolsa. Tirou cuidadosamente a capa, marcada por sigilos suaves que ainda pulsavam de forma fraca, como se estivesse vivo.
Sente-se de pernas cruzadas no chão, abrindo uma página repleta de glifos escritos com tinta antiga. Seus olhos estreitaram. Mesmo após semanas estudando esse livro, a escrita arcaica resistia. Alguns runas se enrolavam em padrões que se curvavam de volta sobre si mesmas, outros se torciam como nós que ele não conseguia desatar completamente.
"Passo Sombrio…" murmurou, traçando o glifo com o dedo. Aquele ele entendia. Tinha se forçado a compreendê-lo várias vezes, o raciocínio havia grudado. Mas as páginas seguintes—
Agarramento Etéreo. O diagrama mostrava uma sombra se estendendo como uma garra do chão, alcançando as pernas do inimigo. As notas ao redor eram densas, cheias de metáforas quebradas e fragmentos. Ele franziu a testa. "Alcançar com intenção… ancorar através da escuridão… mas o que isso quer dizer na prática?"
Ele virou a página novamente. Manto de Sombra. Linhas de glifos entrelaçados com símbolos de silêncio e dissimulação, mas metade do texto parecia contraditório. Uma frase até dizia: "Desaparecer não é não ser visto, mas não ser notado."
Noel esfregou a ponte do nariz. 'Essas não são instruções… são charadas.'
Mesmo assim, continuou. Copiou os glifos no ar com o dedo, repeti-os baixinho, forçando os padrões na memória. A mana puxava suavemente sua pele, reagindo—mas de forma imperfeita, instável.
O livro se fechou com um estalo enquanto ele se levantava, recolhendo-o na bolsa. "Certo. Se não consigo entender na teoria, vou fazer na prática."
Sombra se acumulou suavemente aos seus pés enquanto ele puxava Revenant Fang mais uma vez.
Noel apertou Revenant Fang e entrou no centro da câmara de treino. As paredes encantadas pulsavam levemente, prontas para absorver magia desgovernada. Ele respirou fundo, estabilizou-se, e então avançou.
"Passo Sombrio."
Seu corpo se embaralhou em uma mancha de escuridão e reapareceu limpo, a alguns metros de distância. Suave. Preciso. Sem tropeços desta vez—ele já dominava o básico desse feitiço.
Mas os demais eram diferentes.
Ele ergueu a espada, concentrando mana no chão. A sombra do boneco se alongou, oscilou, e—quase—entalou ao redor da perna dele. Por meio segundo, a figura tremeu como se estivesse amarrada. Depois, a pegada desapareceu, a escuridão se dispersou como poeira.
"Tsc." Noel exalou abruptamente. Demasiada mana desperdiçada por quase nada.
Ele tentou de novo, forçando as sombras a se expandirem. O mesmo resultado: uma suspensão momentânea, depois o colapso. Suava na testa. A respiração ficou mais pesada.
Mudando de feitiço, sussurrou: "Capa de Sombra." A escuridão se espalhou pelos ombros dele, as pontas do corpo se desfocaram. Mas ao invés de escondê-lo completamente, as sombras tremeluziram como fumaça instável. A ilusão se quebrou com um estalo rude, deixando-o visível e exausto.
Ele caiu de joelhos, recuperando o fôlego. Seu núcleo doía com o esgotamento de mana.
'Se Noir estivesse aqui… ela rosnaria até eu acertar. Ela saberia quando minha postura estivesse errada.' Seu olhar fugiu para o lado, vazio como sempre desde a noite anterior. A ausência o incomodava mais do que os fracassos.
Mesmo assim, se levantou novamente. Revenant Fang pesava em sua mão, a ponta absorvendo a luz. "De novo."
Sombra ao seu redor se agitou suavemente, quase zombando dele.
O estrondo de uma porta ecoou pelo recinto de treino. Noel endireitou-se, limpando o suor da testa com o braço.
Selene entrou, seu cabelo azul curto refletindo o brilho das runas, seus olhos cibmenos frios como sempre. Ela carregava a varinha solta ao lado.
Seu olhar percorreu a sala uma vez, parando nos bonecos caídos e nos rastros de sombra ainda se enrolando aos pés de Noel. Uma leve mudança passou por seu rosto—não exatamente um sorriso, mas um amaciamento que Noel percebeu.
"Você ficou um bom tempo nisso," disse ela, com tom calmo. "Seu controle está melhor do que eu esperava."
Noel levantou uma sobrancelha, deslocando o ombro. "Quase que um elogio assim."
O lábio de Selene surgiu numa leve torcida, a coisa mais próxima de diversão que ela se permitia. "Não se acostume."
Ela avançou um pouco mais, batendo a vara na palma da mão. "Vim treinar sozinha. Mas, já que você está aqui…"
Parou alguns passos à frente, olhando nos olhos dele. "Quer praticar comigo?"
Noel ajustou a empunhadura de Revenant Fang, observando a expressão dela. Fria como sempre, sim—mas havia algo mais. Uma fagulha de curiosidade. Uma abertura que raramente via em alguém assim.
'Mesmo quando tenta esconder, o rosto dela entrega,' pensou Noel. '
"…Tudo bem," disse finalmente, abaixando a postura, pronto para o combate. "Mas não segure nada."
Selene levantou a varinha, o ar ao redor imediatamente congelando enquanto geada tomava conta do chão sob os pés dela. "Nunca faço."
Sombra se enrolou aos calcanhares de Noel, formando gelo na de Selene. A câmara de treino escureceu quando o confronto começou a explodir em faíscas entre elas.