
Capítulo 311
O Extra é um Gênio!?
Elena acordou com a cabeça latejando, a dor surda de tanto vinho pressionando atrás dos olhos. Ela mugiu baixinho, virando o rosto na direção do fraco brilho da lâmpada de mana na parede.
'A festa… a bebida… Elyra foi colocando mais…'
Ela se mexeu sob a coberta, só para perceber que a cama estava mais quente do que deveria. Piscando através da névoa, virou a cabeça — e seu coração quase parou.
Noel estava bem ao seu lado.
Ele respirava calmamente, com ritmo firme, o peito subindo e descendo numa cadência tranquila. A coberta cobria apenas parte dele, deixando a parte superior nua. A luz suave delineava os contornos dos ombros, do peito, e as cicatrizes tênue marcadas na pele dele.
O rosto de Elena ficou vermelho de repente. Ela agarrou os lençóis até o queixo, olhos arregalados. 'E-espere… não… não me diga… nós…?!'
Sua memória era uma confusão — Charlotte desmaiando na mesa, Elyra rindo com o copo levantado, ela mesma apoiando-se demais perto de Noel… e depois nada. Nenhum momento claro depois disso.
'Não me lembro… não lembro de nada! Será que aconteceu alguma coisa? Ele está bem aqui, sem camisa, e—oh não, oh não, oh não…'
Ela enterrou o rosto nas mãos, o calor queimando até as orelhas. 'Calma, Elena! Talvez… talvez não seja como parece. Mas então… por que ele está aqui? Por que ele… assim?'
Perto dela, Noel se mexeu levemente, soltando um gemido baixo. O braço dele se moveu contra as mantas enquanto ele se virou de costas, ainda meio adormecido, sem perceber a crise de pânico dela.
O ar de Elena quase caiu na garganta. Ela o encarou, congelada, o coração batendo forte no peito.
'Por favor… que não seja o que eu acho… Eu nem lembro direito…!’
Os olhos de Noel se abriram lentamente, pesados de sono. Ele virou um pouco a cabeça e viu Elena encarando, travada como uma veia apanhada na luz da tocha.
“…O que foi?” perguntou, a voz rouca do sono recente.
O rosto de Elena ficou carmesim. “Co-coisa errada?! Você—” ela apontou para o peito nu dele, depois puxou a coberta até o queixo de novo. “Por que você está assim do meu lado?!”
Noel sentou um pouco, passando a mão na testa. “Relaxa. Não aconteceu nada."
Elena piscou, ainda nervosa. “…N-nada?”
Ele suspirou. “Você desmaiou de tanto vinho. Eu te trouxe pra cá. Minha camisa manchou, então eu tirei. Só isso.”
Ela abriu os lábios, o pânico lentamente esvaziando. Soltou uma respiração longa, os ombros caindo. “Ah… que alívio…”
Noel fez careta para a reação dela. “Alívio?”
Os olhos de Elena se arregalaram ao perceber o que tinha dito em voz alta. As mãos voaram até cobrir a boca, mas a voz escapou entre os dedos mesmo assim. “Eu-só… quero lembrar da minha primeira vez…! Não acordar sem memória dela!”
Noel quase engasgou com o ar. “Elena!”
Ela enterrou o rosto na coberta, mugindo. “Por que eu disse isso?!” A voz abafada tremia de vergonha e sinceridade.
Noel passou a mão pelo rosto, tentando não deixar as próprias orelhas queimar. ‘Isso é insano… ela ainda não está totalmente sob controle…’
Após um longo momento, Elena olhou por trás da coberta, com as bochechas ainda vermelhas, mas com os olhos suaves. “…Então… realmente nada aconteceu?”
"Não," disse Noel firmemente. "De verdade, nada."
Por um instante, silêncio pesado pairou entre eles. Então Elena sussurrou, "Bom… então ainda posso fazer algo especial."
Noel ficou rígido, completamente sem palavras.
A sala de jantar vibrava suavemente com o barulho de pratos e o murmúrio baixo de estudantes cansados — ou com ressaca demais para falar alto.
Charlotte entrou tropeçando primeiro, o cabelo mal arrumado, o rosto pálido como giz. Ela caiu na cadeira mais próxima, segurando o estômago. “Por quê… por que o mundo também gira lá embaixo…?”
Garron e Laziel trocaram olhares antes de explodir em risadas. Marcus empurrou um prato de pão na direção dela, sério. “Coma isso. Ajuda."
Charlotte mugiu, cutucando o pão como se fosse seu inimigo mortal.
Depois, Elyra apareceu, elegante como sempre, com passos firmes, expressão irritantemente convencida. Olhou para Charlotte e sorriu de lado. “Patética."
Charlotte gemeu, escondendo o rosto na mesa. “Você não precisava falar alto…"
Noel chegou um instante depois, com Elena logo atrás. O cabelo dela ainda bagunçado de dormir, as bochechas coradas por motivos que ninguém precisava saber. Ela se sentou rapidamente, olhando fixamente para o prato.
Claro, Elyra percebeu na hora. Ela se inclinou, apoiando o queixo na mão, a voz cheia de provocação. “Então… dormiu bem?”
Elena quase engasgou com a água, tossindo violentamente enquanto o rosto ficava vermelho.
Antes que Noel pudesse intervir, Roberto entrou ostentando toda a confiança de quem claramente tinha esquecido a bofetada da noite anterior. Os olhos dele vagavam entre o rosto vermelho de Elena e Noel sentado serenamente ao lado dela. Lentamente, um sorriso se abriu nos lábios dele.
"EU SABIA!" ele gritou, apontando dramaticamente. "Noel, você é um patife!"
Elena cobriu o rosto com as mãos, quase escorregando debaixo da mesa. Noel pinçou a ponte do nariz, murmurando: “Mais uma dessa…"
A mesa se encheu de risadas, exceto Charlotte, que estava ocupada cuidando da ressaca e nem ligava.
A tensão de instantes antes dissolveu-se rapidamente em conversas leves. Elyra recostou-se na cadeira, girando o suco na taça enquanto os olhos passeavam pela mesa. Uma expressão marota iluminou seu rosto ao avistar seu próximo alvo.
"Então, Clara," ela começou com charme, a voz tão sussurrante que todos ouviram, "até onde vocês e Marcus avançaram na relação?"
Marcus, mordendo um pedaço de pão, quase engasgou. A colher de Clara bateu no cocho, as bochechas ficando vermelhas. "N-nós não—! Quer dizer—a gente não—!"
Marcus tossiu, tentando esconder o pânico por trás da xícara. "Elyra, isso—não precisa falar disso agora."
"Ah, vamos lá," Elyra provocou, apoiando o queixo na palma da mão. "Vocês dois são péssimos mentirosos. Olhem só, nem conseguem manter contato visual."
A mesa deu risadinhas. Elena espiou de trás da xícara, esquecendo por um momento a própria vergonha, enquanto Charlotte conseguiu uma risadinha fraca, apesar da ressaca.
Marcus e Clara sentaram-se tensos, trocando olhares desesperados, sem coragem de responder de verdade.
Roberto gemeu alto, inclinando-se na cadeira. “Não dá pra disfarçar quando estou aqui? Por favorzinho?”
Isso só fez Elyra rir mais ainda, com um sorriso maroto. “Disfarçar? Ainda nem comecei."
"Não a incentive," murmurou Noel, já se preparando para o que Elyra pudesse fazer em seguida.
Marcus enterrou o rosto na mão, enquanto Clara remexia a colher, a vergonha teimando em não desaparecer. Mas o resto da mesa encontrava diversão infinita na confusão deles.
A longa jornada de túnel ainda se estendia na frente, mas, por ora, risadas ecoavam pelo salão, suavemente reverberando contra as paredes de pedra.