O Extra é um Gênio!?

Capítulo 310

O Extra é um Gênio!?

Já era tarde. A música havia desacelerado até um ruído preguiçoso, e a maior parte das mesas estavam vazias agora, cadeiras abandonadas em aglomerados desorganizados. Apenas alguns poucos estudantes permaneciam, meio cochilando ou rindo alto demais de coisa alguma.

Porém, a mesa de Noel ainda tinha vida—embora quase imperceptível. Charlotte estava deitada para frente, bochechas coradas de vermelho vibrante, a cabeça bambaleando enquanto tentava se manter ereta. Ela piscou para o copo, depois para a própria mão, e voltou a olhar para o copo novamente.

"Ainda consigo curar, olha só—hic—" ela murmurou, erguendo um dedo. Uma fagulha tênue pisca na ponta antes de se apagar. Ela olhou para ela com um sorriso de vitória. "Viu? Perfeito!"

Elyra começou a rir, levantando seu próprio copo meia-cheia. "Levinha."

"Eu não sou leve…" Charlotte protestou, com as palavras embolando enquanto apontava um dedo para Elyra. "Eu sou... sagrada." Ela assentiu como se aquilo encerrasse a discussão, depois desabou de bruços na mesa. Seu prato de quitutes intocados balançou com o impacto.

Noel suspirou e cuidadosamente a empurrou de lado para que ela não acabasse com o cabelo encharcado de vinho derramado. "Está bem?"

Elyra levantou o copo bem alto, com um sorriso malicioso. "Um brinde—à resistência da santa!"

Noel lhe lançou um olhar, mas Elena, com as bochechas coradas pelo vinho, na verdade riu da brincadeira. Charlotte, por sua vez, já estava roncando baixinho, um sorriso pequeno ainda espalhado pelos lábios.

O resto do salão estava quase silencioso agora, só o sussurro suave das lanternas mágicas preenchendo o espaço. Tinha uma paz estranha, se não fosse pelo peso morto de Charlotte babando na mesa.

Noel inclinou-se na cadeira, murmurando: "De algum jeito, isso parece mais cansativo que o torneio."

Elyra riu novamente, já alcançando a garrafa.

Charlotte estava inconsciente, ainda babando suavemente na mesa. Elyra rolou os olhos, mas levantou-se, deslizando graciosamente ao redor dela para levantá-la. Para alguém um pouco tonta também, ela manuseou a santa com surpreendente facilidade, apoiando o braço de Charlotte sobre o ombro.

"Dou um jeito nesta aqui," Elyra disse com um sorriso de canto. "Ela vai me agradecer amanhã—ou talvez não."

Noel levantou uma sobrancelha. "E se ela não agradecer?"

"Então, vou lembrá-la que ela caiu no meio de um quitute." Elyra soltou uma risada suave ao ajustar o peso de Charlotte.

Assim, Noel e Elena ficaram sozinho à mesa. Elena estava caída de lado, com as bochechas levemente rosadas, e os olhos um pouco demais brilhantes. Ela apoiava o queixo na mão, oscilando levemente enquanto o encarava com um sorriso que nada tinha a ver com a expressão tímida de sempre.

"Não vejo a hora do nosso encontro…" ela disse de repente, a voz suave, porém clara.

Noel congelou no meio de um gole, quase engasgando com a bebida. "O quê?"

Elena se inclinou mais perto na mesa, os olhos fixos no dele. "Por que mais tarde? Eu quero isso agora."

Noel tossiu, colocando rapidamente o copo na mesa. "Elena, você está bêbada—"

"Você e Elyra já fizeram, né?" ela interrompeu, com lábios formando um sorriso travesso. "Então por que não comigo também?"

A face de Noel ficou pálida. Sua mente entrou em crise, procurando palavras, mas nada saiu.

Elyra, já quase na entrada do salão com Charlotte pendurada no braço, olhou para trás na hora certa para ouvir. Sua risada foi afiada e impiedosa. "Melhor levá-la para o quarto antes que ela faça escândalo."

Elena fez bico quando Noel se levantou, segurando seu braço para equilibrar-se. "Não fica tão sério assim, Noel. Você fica fofo quando entra em pânico."

Noel sentiu olhares vindo de mesas próximas, curiosos com a confusão. Ele suspirou internamente. 'Essa noite quer me matar.'

Noel decidiu que o salão lotado era o pior lugar para lidar com Elena naquele estado. Com um suspiro resignado, agachou-se um pouco e colocou um braço sob os joelhos dela e outro atrás das costas.

"Eh?!" Elena gritou, os olhos arregalados enquanto ele a levantava com facilidade. As bochechas, já coradas pelo vinho, ficaram escarlates. "O-o que você está fazendo?"

"Você nem consegue andar direito," Noel murmurou, ajustando a pega como se fosse a coisa mais natural do mundo. "O ar vai fazer bem pra você."

Elena olhou para ele com os lábios entreabertos. Depois, deixou a cabeça cair contra o peito dele, escondendo o sorriso tímido que se espalhava pelo rosto. "Aconchegante…" ela sussurrou, com a voz suave.

Noel a levou para fora.

O barulho do salão foi desaparecendo ao fundo, substituído pelo som constante dos motores encantados da nave. Uma brisa fresca os cumprimentou, tornando-se uma corrente de ar fria que se espalhava pelo vasto túnel de pedra que se estendia sem fim na frente. Runas mágicas bordadas no teto brilhavam fracamente, banhando a caverna em uma luz pálida.

Elena respirou fundo, o cabelo tocando o queixo de Noel enquanto a brisa passava. "Mmm… isso é bom," ela suspirou. "Viu? Você não é tão assustador assim quando cuida das pessoas."

Noel revirou os olhos. "Você está bêbada."

A risada dela surgiu leve, embriagada. "Talvez… mas aqui é seguro."

Ela se mexeu de leve em seus braços, inclinando a cabeça para olhar para cima. "Noel," ela sussurrou, um raio de coragem em seus olhos turvos, "eu realmente não quero esperar pelo nosso encontro."

O maxilar de Noel se travou. Ele desviou o olhar, focando nas runas que brilhavam. 'Por que ela precisa dizer isso agora?'

Elena riu mais uma vez, encostando-se mais junto a ele. "Disse... que você é quente."

Noel suspirou pesadamente, apertando o abraço para mantê-la firme. 'Apenas leve ela para o quarto dela.'

Os corredores que levavam às cabines estavam quietos, iluminados somente pelo brilho tênue das lamparinas de mana. Noel abriu a porta do quarto de Elena com o ombro, cuidado para não sacudi-la demais.

Ela mexeu-se levemente em seus braços, murmurando algo ininteligível. Ele a levou até a cama e colocou-a suavemente, puxando o cobertor por cima. Por um momento, ela pareceu estar dormindo, com a respiração regular e um sorriso suave nos lábios.

Noel exalou, aliviado. 'Finalmente.' Ele se endireitou, pronto para sair.

Mas ao se virar, algo puxou sua mão.

Ele olhou para baixo. Os dedos de Elena haviam se entrelaçado com os dele, surpreendentemente firmes apesar do estado de embriaguez. Seus olhos semicerrados, enevoados, focaram o suficiente para encontrá-lo.

"Não vá…" ela sussurrou, com a voz macia como seda, transmitindo vulnerabilidade e calor ao mesmo tempo.

Noel congelou, preso entre a razão e a emoção. Ela estava bêbada. Provavelmente nem se lembraria disso amanhã. E mesmo assim… do jeito que sua mão se agarrava à dele, do jeito que sua voz tremia, parecia algo real.

Ele se sentou lentamente na borda da cama, deixando que ela mantivesse sua mão. "Você precisa descansar," ele murmurou.

Os lábios de Elena curvearam-se em um sorriso sonolento, seu aperto suavizando mas sem soltar completamente. "Fica… só um pouquinho."

Ela fechou os olhos, a respiração voltando a ficar regular.

Noel a observou por um longo momento, em silêncio. Depois, com um suspiro tranquilo, inclinou-se um pouco para trás, massageando a têmpora com a mão livre.

'O que eu devo fazer com você…'

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