O Extra é um Gênio!?

Capítulo 309

O Extra é um Gênio!?

A música e as conversas continuavam, o ar vibrando com risadas enquanto a festa se alongava até tarde da noite. As palavras severas de Anastasia já tinham desaparecido na memória de Noel, substituídas pelo tilintar de copos e pelos gritos de comemoração ocasionais.

Roberto caiu pesadamente na sua cadeira, ainda esfregando a marca vermelha leve na bochecha. Ele se inclinou para frente, fixando Noel com um olhar sério que parecia cômico em seu rosto avermelhado.

"Beleza, chega de brincadeiras," disse Roberto, apontando para ele. "Me conta. Como você faz isso?"

Noel piscou. "Fazer o quê?"

Roberto gesticulou ao redor da mesa com as duas mãos. "Isso. Elyra, Elena, até a Charlotte que tava furtando comida no bufê mais cedo—todas estão ao seu redor. Qual é o seu segredo, rapaz?!"

Elyra sorriu de lado, observando como quem assiste a um show privado. Elena avermelhou as bochechas, desviando o olhar rapidamente.

Noel apertou o arco do nariz. "Não há segredo nenhum."

"Mentira!" Roberto bateu a mão na mesa, quase derrubando o copo de Elyra. "Vamos lá, eu já tentei de tudo: sorrisos, elogios, poses heroicas, até uma vez cantei... Nada funciona. E você..." Ele apontou um dedo para o peito de Noel. "...você nem tenta, mas elas ficam grudadas em você!"

Noel soltou um suspiro profundo. "Se quer respostas, pergunte a elas."

Roberto ficou imóvel. Então, lentamente, um sorriso embolou seu rosto. Ele se virou em direção a Elyra e Elena, com os olhos brilhando de falsa desespero. "Perfeito. Meninas, me esclareçam. O que exatamente há nesse rapaz?"

Elyra abriu ainda mais o sorriso. Elena quase engasgou com a bebida.

Noel apoiou o queixo na mão, murmurando baixinho. 'Vai ser pior que a bofetada…'

Roberto se inclinou sobre a mesa, os olhos oscillando entre Elyra e Elena como um predador cercando a presa. "Então? Não me façam esperar."

Antes que pudessem responder, veio uma voz suave. "Esperando o quê?"

Charlotte se acomodou na cadeira vazia ao lado de Elena, equilibrando um prato pequeno de salgadinhos. Seus longos cabelos ruivos brilhavam sob a luz do lampião, olhos cor de avelã suaves enquanto sorria para eles. Ela abocanhou um docinho e inclinou a cabeça. "Perdi alguma coisa?"

Elyra riu. "Roberto quer saber por que Noel tem... atenção."

Charlotte piscou, depois olhou para Noel. "Ah, isso é fácil."

Roberto se inclinou mais perto, ansioso. "Sim, por favor, continue."

Elyra foi a primeira a falar, direta como sempre. "Ele não perde palavras. Quando Noel fala algo, ele quer dizer. É sincero. Isso importa."

Noel ficou desconfortável, olhando fixamente para o copo.

Depois foi a vez de Elena. Ela se mexeu nervosa, baixando o olhar. "Ele... percebe as pequenas coisas. Mesmo quando finge que não. Isso faz as pessoas se sentirem... seguras." Suas bochechas pegaram fogo ao dizer isso, sua voz virou um sussurro no final.

Charlotte sorriu de forma calorosa, sua resposta simples e sincera. "Ele é gentil. Mais do que ele pensa."

Noel gelou, sem saber como responder. Elyra sorriu de lado ao ver sua expressão surpresa, Elena enterrou o rosto nas mãos, e Charlotte continuou calmamente a comer, como se não tivesse acabado de falar algo pesado.

Roberto simplesmente os encarou, com a boca aberta. Finalmente, recostou-se na cadeira com um suspiro de frustração. "Perfeito. Show de bola. Incrível." Ele levantou os braços dramaticamente. "Peço ajuda e vocês só me deixam pior."

Noel esfregou a têmpora, murmurando: "Era isso que você queria..."

Roberto fez um som de desdém. "Vou lá falar com o Garron. Pelo menos ele não vai destruir minha alma."

Com isso, ele saiu andando em direção a outra mesa.

Com o Roberto fora de cena, a mesa finalmente entrou em um ritmo mais tranquilo. Os sons de risadas e música do restante do salão preenchiam o ambiente como uma música de fundo, deixando o grupinho em relativa paz.

Charlotte deu mais uma mordida no salgado, balançando levemente as pernas sob a cadeira. Elena respirou fundo, ainda um pouco corada da confissão anterior, e se ocupou ajustando a xícara. Noel se recostou, passando a mão pelo lado do rosto, com um misto de alívio e exaustão.

Então, a voz de Elyra cortou de forma suave e brincalhona. "Pois é, agora que o palhaço saiu..." Ela pegou a garrafa no centro da mesa e encheu novamente seu copo, a bebida brilhando sob a luz do lampião. "Vamos ficar bêbados de novo?"

Noel virou a cabeça em direção a ela. "De novo?" Seu tom era neutro, mais cansado do que surpreso.

Elyra sorriu de lado, girando o copo na mão. "Por que não? A última foi... memorável."

Charlotte inclinou a cabeça, curiosa. "Memorável como?"

Elyra riu, claramente se divertindo. "Vamos lá, Noel. Você não pode negar que também tá afim. Sobrevivemos a batalhas, testes e até uma competição. Se alguém merece uma noite de folga, somos nós."

Noel gemeu, murmurando baixinho: "Isso já deu o que falar..."

Charlotte deu uma risadinha suave. "Uma taça não faz mal."

Elyra levantou o copo numa espécie de brinde zombeteiro. "Exatamente. Uma. A menos que alguém esteja corajoso demais para mais."

Noel passou a mão pelo rosto, com um sorriso relutante começando a surgir. ‘Ela não vai parar até eu ceder, né?’

A garrafa se inclinou, enchendo novamente todos os copos.

Os quatro brindaram ao som de um suave tilintar, seus reflexos brilhandando nas cristaleiras acima. Elyra sorriu mais expanded, levantando o copo mais alto. "À sobrevivência, às vitórias e às noites que vamos lembrar."

Noel olhou para o copo como se fosse uma armadilha. "Ou arrependimento," disse ele baixinho, mas bateu contra os demais mesmo assim.

Os lábios de Elena se curvaram num sorriso tímido enquanto ela deu a menor tragada possível. Charlotte, por outro lado, bebeu sem hesitar, colocando o copo na mesa com um suspiro satisfeito. Elyra bebeu metade em um gole só, claramente determinada a liderar a rodada.

A tensão que havia envolvido a noite desapareceu agora, substituída por um clima de leveza que Noel não pôde deixar de sentir crescendo. A conversa fluiu mais fácil — brincadeiras sobre as falhas de Roberto mais cedo, comentários brincalhões sobre Garron e Laziel sentados cabisbaixos em outra mesa, e algumas memórias embaraçosas de festas passadas que Elyra convenientemente trouxe à tona às custas de Noel.

Charlotte riu suavemente, seu riso misturando-se às risadas tímidas de Elena e às notas mais afiadas de Elyra. Noel se pegou rindo também, a pesada carga nos ombros se levantando, pelo menos por aquela noite.

Elyra se inclinou para frente, já servindo outra rodada, os olhos brilhando de travessura. "Viu? Muito melhor. Mais um brinde?"

Noel gemeu, embora os cantos dos lábios traíssem um leve sorriso. "Claro."

Charlotte apoiou o queixo nas mãos, observando-os com tranquilidade. Elena balançou a cabeça, embora seu copo ainda estivesse meio cheio.

Enquanto a música aumentava e a festa continuava, os quatro se reuniram — rindo, bebendo e, pela primeira vez, deixando de lado o caos que esperava além de amanhã.

'Quem sabe,' pensou Noel, levantando o copo novamente, 'só por hoje…'

Comentários