O Extra é um Gênio!?

Capítulo 308

O Extra é um Gênio!?

“…Noel Thorne.” A voz de Anastasia foi firme, seus olhos vermelhos fixos nele. “O garoto que mentiu dizendo que tinha namorada.”

As palavras caíram como uma punhalada sobre a mesa.

O copo de Elyra parou na metade do caminho até os lábios, a curiosidade dando lugar a algo mais frio. Elena piscou rapidamente, as sobrancelhas se franzindo enquanto olhava para Noel.

Noel respirou lentamente, pressionando a palma da mão contra a testa. “Claro. Ela vai trazer isso à tona aqui?”

Antes que ele pudesse responder, Anastasia não esperou. Puxou uma cadeira, sentou-se como se fosse dona do lugar e cruzou uma perna de forma organizada. Sua presença, pequena como era, dominou o momento.

Elyra colocou o copo com cuidado, com uma graça deliberada. “Você foi ousado ao simplesmente vir e começar com uma acusação.”

Anastasia não se moveu. “Eu não acuso. Eu afirmo o que sei.”

Elena remexeu-se, olhos passeando entre eles. “Espera… namorada? Noel?” Sua voz saiu baixa, hesitante, como se a afirmação a tivesse pego completamente de surpresa.

Noel esfregou a ponte do nariz, já sentindo a dor de cabeça aumentando. “De novo isso…” ele murmurou. Sua cabeça refletiu aquele dia antes do torneio, quando Anastasia apareceu do nada e confessou. Sua recusa, o deslize dele sobre ter uma namorada, Selene ao lado dele… tudo tinha saído do controle a partir dali.

'E agora ela vai jogar isso na frente de todos. Perfeito timing.'

A festa ao redor continuava, música e risadas sem interrupções. Mas aqui, naquele pequeno canto na mesa, o silêncio era apertado—todo mundo esperando pelo que seria dito a seguir.

Anastasia inclinou-se para frente, apoiando delicadamente o queixo numa mão. Seus olhos vermelhos não vacilaram. “Você me disse que tinha uma namorada,” ela disse com tom direto. “Mas no momento seguinte, quando perguntei se Selene era essa garota, você negou. O que significa que estava mentindo. Ou pior—traindo.”

Suas palavras cortaram limpo, afiadas o suficiente para doer.

A expressão de Elyra esfriou, embora um sorriso tênue permanecesse, mais perigoso do que divertido. “Isso é impossível,” ela disse com suavidade. “Noel não faria algo tão desonrado.”

Anastasia virou o olhar em direção a ela, sem impressionar-se. “É nisso que mentirosos apostam—em defensores cegos para a verdade.”

Elena se endireitou, a voz suave, mas firme. “Você está enganada. Ele… não é esse tipo de pessoa.” Um leve rubor tingiu suas bochechas ao acrescentar: “Eu conheço Noel. Ele não traíria alguém assim.”

O canto dos lábios de Anastasia se curvou, mas não com afeto. Mais como satisfação ao vê-los se desesperar. “Defesas faladas sem prova são apenas palavras.”

Noel finalmente levantou a cabeça, encarando-a com um suspiro de exasperação. “Eu não cheat-ei. Também não menti.”

Anastasia inclinou a cabeça, quase curiosa. “Então explica pra mim. Por que alguém afirmaria ter uma namorada de um momento para o outro, e negaria na seguinte?”

Antes que Noel pudesse responder, outra voz intercedeu.

Roberto caiu na cadeira vazia com uma xícara meio cheia na mão, as bochechas ainda vermelhas pelo fracasso anterior. “Oho,” murmurou sorrindo, inclinando-se para a frente. “Agora isso é que é entretenimento.”

Noel fechou os olhos por um instante. A mesa passou de constrangedora para tensa, toda atenção voltada para ele como se esperassem uma sentença.

Noel finalmente abriu os olhos, encarando Anastasia com uma expressão calma e resignada. “Disse que tinha namoradas. Isso é verdade. Mas neguei quando você apontou para a Selene—porque, naquele momento, aquela garota de cabelo azul que você viu NÃO é minha namorada.”

Anastasia piscou, afinando o olhar. “Não é a Selene? Então quem?”

Noel fez um gesto sutil em direção à mesa. “Essas duas.” Sua mão se moveu de Elyra, que permanecia elegante ao seu lado, para Elena, que ficou instantaneamente vermelha sob a atenção repentina. “E aquela ali, perto da mesa de comida.”

Anastasia seguiu seu olhar. Uma garota de cabelo comprido vermelho e olhos avelã estendia a mão para pegar um prato de doces, a luz suave das magicas tocando sua silhueta. Parecia comum para a maioria, mas Noel sabia que não era bem assim.

Anastasia recostou-se, os lábios se abrindo um pouco em descrença. Pela primeira vez, sua expressão se quebrou. “Então você está dizendo… que todas elas?”

Noel não respondeu, apenas acenou com a cabeça. Elyra sibilou por trás do copo. Elena remexeu-se, tentando desaparecer na cadeira.

Os olhos de Anastasia voltaram-se para Elena, por um longo momento de avaliação. Sua visão caiu sobre seu corpo modesto. Um suspiro quase imperceptível escapou de seus lábios. “Hmph. Entendo. Perdi essa batalha também.”

Elena ficou vermelha, as mãos instintivamente cobrindo-se. “N-Não é—!”

Elyra riu suavemente, claramente divertida.

Roberto, que havia ficado quieto por muito tempo, inclinou-se com um sorriso. “Vamos lá, ser pequeno não quer dizer pior. Algumas pessoas preferem qualidade ao…quantidade.”

Elyra quase engasgou com a bebida. Elena enterrou o rosto nas mãos. Noel pressionou os dedos contra a testa exausto.

‘Essa noite só piora...’

Por um instante, o silêncio envolveu a mesa—quebrado apenas pelo gemido abafado de Elena e pelas risadas suaves de Elyra. Roberto recostou-se, claramente satisfeito com sua própria esperteza.

Os olhos de Anastasia se voltaram para ele, os lábios pressionados numa linha fina. “Qualidade ao invés de quantidade?” ela repetiu, a voz cortante como vidro. “Essa é a desculpa que os homens dão quando não sabem apreciar a sofisticação.”

O sorriso de Roberto vacilou. “Ei, eu estava tentando elogiar você.”

Ela inclinou a cabeça, os olhos vermelhos se estreitando. “Então aprenda a fazer direito.”

Elyra smirked, claramente divertida com a derrota de Roberto. Elena olhou de relance, ainda vermelha, mas com o olhar um pouco mais suave em direção a Anastasia.

A prodigiosa fez uma respiração longa, sua postura finalmente relaxando. “Eu posso ter sido… injusta,” ela admitiu, com tom relutante, mas sincero. “Me accusei sem te dar a chance de explicar.” Seu olhar se voltou para Noel, firme, mas menos hostil. “Por isso, peço desculpas.”

Noel piscou, surpreso o suficiente para levantar uma sobrancelha. “Não esperava isso de você.”

Os lábios de Anastasia tremularam, quase um sorriso, embora desaparecesse rapidamente. “Não interprete isso como confiança. Ainda não te entendo completamente, mas… vou esperar para formar minha opinião. Por ora.”

Elyra levantou seu copo, com a voz suave. “Uma concessão rara da prodigiosa de Luceria. Acho que seu perdão é garantido, Noel.”

Elena assentiu, a voz suave. “Fico feliz que tenha esclarecido.”

Enquanto isso, Roberto murmurou baixinho: “Sempre esclareço as coisas, e ninguém agradece…”

Elyra ignorou-o. Noel simplesmente recostou-se, coçando a testa com um suspiro.

A música e as risadas da festa cresceram novamente, o ritmo da noite retomado—embora a tensão que havia surgido pouco antes ainda persistisse no ar, embora de forma mais tênue.

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