
Capítulo 307
O Extra é um Gênio!?
A música ecoava pelo salão. Risadas se sobressaíam ao tilintar de taças de cristal, uniformes roxos da Academia Lucéria misturando-se ao azul familiar de Valor. O ar cintilava levemente com magia, lustres brilhando cada vez mais intensamente à medida que a noite avançava.
Noel recostou-se na cadeira, com uma taça de vinho à sua frente, ainda intocada. Elyra e Elena estavam ao seu lado, observando a cena animada com uma expressão de calma e distanciamento. Parecia quase uma festa—se não fosse pela postura confiante e impertinente de Roberto se afastando da mesa deles.
"Pra onde ele tá indo?" perguntou Elena suavemente, embora na sua voz pudesse perceber-se uma ponta de divertimento.
Elyra inclinou a cabeça, já sorrindo. "Deve estar indo para a queda."
Noel suspirou. Nem precisaria seguir o caminho de Roberto para adivinhar. "Na verdade, direto para as meninas de Lucéria."
De fato, Roberto já se dirigia a um grupo delas perto da longa mesa de bufê, postura ereta, peito orgulhoso, a própria personificação da confiança exagerada. Ajustou o colarinho com um gesto teatral, exibindo um sorriso que quase se via do outro lado do salão.
"Tô dizendo que ele vai durar menos de cinco minutos," murmurou Elyra enquanto levava a taça aos lábios.
Noel balançou a cabeça, um sorriso sutil traindo-o. "Você tá sendo generosa."
Roberto chegou ao grupo, fazendo uma reverência com charme exagerado. As meninas de Lucéria pararam de rir por um momento, algumas levantaram sobrancelhas, outras deram risadinhas escondidas.
De onde estavam, Noel só via seus gestos amplos e expressão animada, mas o suficiente para fazer-lhe arrumar o nariz frustrado.
'Vai ser doloroso de assistir…'
Elyra se inclinou pra frente, olhos brilhando de travessura. "Vamos jogar um jogo."
Noel a observou desconfiado. "Um jogo?"
"Leitura labial." Ela gesticulou para Roberto, que já fazia gestos com as mãos como se estivesse contando uma grande história. "A gente tenta descobrir o que ele tá dizendo."
Elena deu uma risadinha suave. "Isso é cruel."
"É divertido," corrigiu Elyra. "Você começa."
Elena ajustou o olhar para o grupo, observando Roberto inflar o peito e bater no próprio braço, como se estivesse flexionando. "Ele disse… que é o mais forte da academia."
Noel exalou pelo nariz. 'Chegou perto.'
"Agora é minha vez," disse Elyra, escondendo o sorriso atrás da borda da taça. "Ele acabou de dizer que é um nobre de uma família distinta."
Roberto abriu os braços em um gesto de herói. Noel rangeu os dentes. "Não, ele tá mesmo é dizendo que lutou contra um dragão uma vez. Com uma mão amarrada nas costas."
As duas meninas riram, tentando—e falhando—manter a silêncio.
Enquanto isso, Roberto se inclinou mais perto de uma das meninas de Lucéria, inclinando a cabeça com um sorriso que mais parecia de um lobo pronto pra atacar. Ela piscou, claramente indecisa se ria ou recua.
Elyra sussurrou: "É agora. Observa."
Roberto fez um gesto final, abaixando a voz para dar o que tinha que ser seu "golpe de morte". Pisca um olho.
Puft!
O som cortou o silêncio do salão. Metade da sala virou a cabeça. Roberto parou, com a face avermelhada, enquanto a menina de Lucéria ficou com a mão ainda levantada.
Elena cobriu a boca com as mãos, os ombros tremendo de rir. Elyra colocou a taça na mesa, o rosto vermelho de tanto rir. Noel enterrou o rosto na mão, murmurando: "Sabia que ia acontecer."
Roberto voltou marchando até a mesa deles, ombros erguidos como se nada tivesse acontecido. A marca de agressão vermelha na face dele denunciava a tentativa, embora o sorriso no rosto parecesse negar tudo.
Elyra levantou uma sobrancelha, os lábios tremendo de tanto tentar se segurar. "Foi… bem."
Elena se aproximou de Noel, sussurrando perto, só o suficiente para que ele ouvisse: "Melhor do que eu esperava. Ela não jogou a bebida."
Noel olhou fixamente para Roberto, que se jogou na cadeira vazia à sua frente. "Quer mesmo saber o que você disse?"
Roberto acenou com a mão, como se dispusesse, enchendo a própria taça com um gole generoso, como se quisesse lavar a vergonha. "Problema de interpretação. Acontece essas coisas. Diferenças culturais, sabe?"
Elyra soltou uma risada elegante e afiada. "Sim, tenho certeza que piscar como um malandro de taberna é coisa altamente respeitável em Lucéria."
Roberto lançou-lhe um olhar ferido. "Estava sendo charmoso."
Noel recostou-se, sorrindo levemente. "Se isso é charme, prefiro não ver sua definição de fracasso."
Elena tentou manter a seriedade, mas seus ombros tremiam de rir abafado. Por fim, desistiu, cobrindo a boca enquanto se entrega ao riso.
Roberto bebeu com força do copo, fazendo uma careta ao sabor, e bateu o objeto na mesa. "Podem zombar à vontade. Eu pelo menos tentei. E isso já é mais do que muita gente aqui." Seus olhos apontaram claramente para Noel.
Noel levantou uma sobrancelha. "Não sou eu que tô com uma marca de tapa na cara."
Roberto abriu a boca para responder—depois parou no meio da frase. Seus olhos fixaram algo no outro lado do salão. Lentamente, seu sorriso voltou, mais confiante do que nunca.
"Segunda rodada," declarou, já recuando a cadeira.
Elyra balançou a cabeça. "Ele não aprende."
Noel suspirou. 'Vai ser pior que o primeiro…'
Roberto atravessou o salão novamente, determinação queimando nos olhos. A dor na face parecia esquecida, substituída por um foco de caçador. Noel, Elyra e Elena o seguiram com o olhar, movidos pela curiosidade de quem era seu próximo alvo.
Desta vez, não era só uma menina de Lucéria. Uma pequena figura se posicionava perto do corrimão da varanda, com olhos rubros brilhando sob a luz do lampião. O cabelo curto e vermelho emoldurava um rosto jovem e afiado, uma presença que fazia a multidão automaticamente dar espaço.
A voz de Elyra abaixou: "Anastasia de Ravienne."
Elena piscou surpresa. "A prodígio de Lucéria?"
Noel franziu o cenho. 'Então agora ele tá mirando nela?'
Roberto avançou de frente para Anastasia com um gesto dramático, fazendo uma reverência. Suas palavras não chegaram à mesa de Noel, mas seus gestos exagerados contavam a história: confiante, ensaiado, cheio de bravata.
Anastasia apenas o encarou.
Roberto se inclinou mais perto, tentando uma abordagem diferente, gesticulando para o seu peito como se estivesse se gabando. A expressão de Anastasia permaneceu imperturbável. Ela inclinou a cabeça uma vez, então falou uma única frase.
O que ela disse fez Roberto ficar parado no meio do movimento, com a boca fechada de repente.
Sem mais nenhuma outra palavra, Anastasia deu o passo ao redor dele.
Noel endireitou-se um pouco ao perceber ela se aproximando da mesa, passos calmos e decididos. Elyra largou a taça, intrigada. Elena franziu as sobrancelhas, confusa.
'Por que ela veio aqui?' pensou Noel, observando seus olhos rubros fixarem-se nele.
Ela, que vinha atrás, ficou parada, como uma estátua de humilhação, com o braço ainda levantado numa tentativa frustrada.
Anastasia parou na mesa deles. Os lábios se abriram como se fosse falar—