O Extra é um Gênio!?

Capítulo 306

O Extra é um Gênio!?

Os estudantes da Academia Imperial de Valor avançavam em fila contínua, com suas bagagens a tiracolo, seguindo Daemar e Rauk pelas amplas ruas de pedra de Tharvaldur. A poucos minutos do hotel, a avenida se abria em um grande porto subterrâneo.

Era uma visão impressionante. Anões apressados carregavam cargas, gritando ordens enquanto embarcações adornadas com runas eram carregadas com mercadorias. Os cais se estendiam até uma vasta lagoa subterrânea, cujas águas escuras refletiam o brilho de centenas de lâmpadas de mana suspensas acima. Navios alinhados nos enlaces reforçados por entalhes e encantamentos, preparados para longas viagens.

Porém, entre eles, um navio se destacava imediatamente.

A sua carenagem era elegante e negra, polida até brilhar à luz dos lampiões. Linhas de mana violeta pulsavam suavemente ao longo de sua estrutura, e entalhes intrincados curvavam-se pelos lados, como uma escrita fluida. Bandeiras altas, ostentando o brasão Estermont, tremulavam ao vento artificial criado pelos respiradouros de mana.

Os estudantes murmuravam admirados, suas vozes carregadas de entusiasmo. “Isso é realmente nosso?” “Parece um palácio!” “Nunca tinha visto algo assim.”

Elyra cruzou os braços e sorriu de canto, claramente satisfeita com as reações. Seus olhos cinzentos brilhavam de orgulho, como se dissesse: claro que é nosso.

Os passos de Noel desaceleraram um pouco, enquanto ele observava tudo. Seu olhar ficou fixo no brasão, na elegância, no luxo impossível de tudo aquilo.

'Mais uma vez esse navio? Gostaria de saber quando vou chamá-lo. Mas, olha, não vou reclamar se tiver que viajar de novo no máximo.'

O grupo avançou pelo cais, os lenhadores anões se curvando levemente ao passo em que Daemar guiava os estudantes adiante. A enorme embarcação pairava acima deles, uma verdadeira fortaleza de aço e mana, prometendo segurança e luxo.

A jornada de volta já tinha oficialmente começado.

Os estudantes embarcaram no navio Estermont, seus passos ressoando no convés de madeira polida.

Dentro, os corredores eram largos o suficiente para três pessoas caminharem lado a lado. As paredes brilhavam com arandelas de cristal, iluminando tapeçarias entrelaçadas com símbolos de Estermont. Servidores contratados para a viagem guiavam os alunos até seus alojamentos.

Noel abriu a porta de seu quarto e parou. Era maior que seu dormitório na Academia: uma cama ampla com roupa de cama limpa, uma escrivaninha robusta com tinteiro e papel, e até um pequeno armário com toalhas frescas e itens de viagem. Ele colocou sua bolsa no chão, balançando a cabeça. "Elyra não faz as coisas pela metade."

Do outro lado do navio, risadas e gritos ecoavam enquanto os estudantes exploravam. A voz retumbante de Garron vinha de um dos ambientes: “Esta sala de treino é minha!” Logo após, ouvia-se o som de pesos sendo testados.

Charlotte deu um grito animado ao espiar em outra sala, cheia de luzes ondulantes e cristais musicais encantados. “É como uma sala de festivais! Nunca mais sairemos daqui.”

Selene, por sua vez, caminhava em silêncio, seus olhos cianos percorrendo cada cômodo com uma curiosidade distante, embora Noel tenha notado o pingo de interesse na expressão dela ao passar pela sala de treinos.

Quando os estudantes se reuniram de novo, o navio Estermont deixou de parecer uma embarcação comum. Era, na verdade, uma academia flutuante — salas de estudo, treinamento, lazer e descanso tudo ao mesmo tempo.

Noel se estirou na larga cama, de olhos fechados, com os braços cruzados atrás da cabeça. O suave zumbido da mana pelas paredes do navio era constante, quase o embalada ao sono. Pela primeira vez em semanas, o ar ao seu redor parecia calmo.

Tock. Tock. Tock.

Uma batida na porta quebrou o silêncio.

Sem abrir os olhos, Noel murmurou: “Entrar.”

A porta rangeu, e Marcus entrou. Seu cabelo castanho estava levemente bagunçado, e sua expressão carregava a mesma sensação de peso que Noel vinha observando desde Tharvaldur. Sem perguntar nada, Marcus sentou-se na beira da cama, inclinando-se para frente com os cotovelos apoiados nos joelhos.

"Eles estão nos esperando," disse Marcus após uma pausa. "Os outros já começaram a comemorar. Vai vir?"

Finalmente, Noel abriu os olhos, girando de lado para olhá-lo. "Me dá um minuto."

Marcus assentiu, mas não se moveu. Seu olhar permaneceu na direção do chão. Após um momento, falou novamente, em voz baixa: "Não consigo parar de pensar. Em tudo que aconteceu. Sinto… que não fiz o suficiente. Gostaria de ter visto mais. Todo mundo lutou, contribuiu. E eu… eu só—"

Noel sentou-se lentamente, interrompendo-o de forma suave. “É normal se sentir assim. Ninguém esperava por isso. Não se culpe.”

Marcus virou a cabeça, os olhos se estreitando um pouco. “Mas você… sempre você. Sempre no comando de tudo. Parece que você nunca vacila, que está sempre um passo à frente.”

Uma risada seca escapou dos lábios de Noel. “Isso não é habilidade, Marcus. É pura má sorte. Problemas gostam de me procurar.”

Marcus piscou, soltando uma risada fraca e balançando a cabeça. Uma parte da tensão nos ombros dele desapareceu.

“Agora levante-se,” disse Noel, levantando-se. “Não podemos perder a comida.”

O grande salão do navio Estermont pulsava com movimento. Cristais encantados preenchiam o ambiente com uma luz quente, enquanto a música de pedras de mana vibrava pelo ar. Mesas longas estavam repletas de comida e bebida, e risadas ecoavam enquanto os estudantes da Academia Imperial de Valor relaxavam pela primeira vez em semanas.

Marcus e Noel adentraram juntos, recebendo alguns tapinhas nas costas dos colegas. O ambiente estava cheio — não só pelos quarenta estudantes de Valor, mas também pelas garotas da Academia Grand Luceria. Sua presença despertava olhares curiosos; afinal, Luceria era conhecida por ser uma academia exclusivamente feminina.

Noel se inclinou para Elyra, baixando a voz. “O que elas estão fazendo aqui? A Luceria… é só de alunas?”

Elyra sorriu com uma sobrancelha levantada, bebendo de um copo de cristal como se a questão a divertisse. “Redna ficou para cuidar do Nicolas. Pediu a Daemar que levasse as garotas de Luceria de volta à academia delas, no noroeste de Elarith, depois que nos deixarem em Valon. Foi a forma mais fácil.”

“Entendo,” murmurou Noel, olhando ao redor para a multidão de uniformes roxos misturados com seus colegas. "Não é de surpreender que todos estejam com expressão surpresa."

Roberto entrou ao lado dele, dando um tapinha com o cotovelo e apontando para um grupo de garotas de Luceria rindo juntas perto das mesas. “Observe e aprenda,” disse com um sorriso, claramente brincando.

Noel suspirou, balançando a cabeça, embora um sorriso sutil o traísse. “Você nunca muda.”

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